Sexta-feira, Maio 17, 2013

 

Não podia estar mais de acordo!

“Hoje há um problema de co-governo com a banca. Um governo como o português não toma uma única decisão fora do círculo de decisões que a banca define (…) Esta crise dá oportunidades a todas as pessoas que são corruptas, que têm relações com o poder, a todas as nulidades que estão instaladas. Não há lugar para a decência”.

In, Negócios,17 de Maio 2013 (HOJE)



 
Cheguei tarde á “Quadratura do Círculo”, mas ainda deu para perceber a desconstrução da armadilha montada por esta gente que, passando pelo Goldman Sachs, FMI, BCE e Comissão Europeia, como António Borges, Moedas, Gaspar, Durão Barroso, etc. fabricou um memorando que visou alterar tudo o que foi conquistado com o 25 de Abril.

Uma boa desconstrução deste aniversário do memorando do austericídio feito por Pacheco Pereira e António Costa.

Podem não gostar do 25 de Abril, dos socialistas, dos comunistas, daquilo que quiserem, mas não tinham o direito de fazerem o que fizeram. Ainda espero que sejam julgados por todo o mal que nos fizeram. Se há traidores á pátria, à Terra que é nossa mãe, nos deve alimentar, ajudar a crescer e fazer de nós seres humanos, com a dignidade a que temos direito, que nomes podemos dar à gente que fez da nossa Terra uma madrasta, um lugar onde é insuportável viver?!...


Quinta-feira, Maio 16, 2013

 

Os escribas da barriga cheia.

Agora há um novo tique nos comentadores e escribas de serviço: todo o pensamento que se destina a minorar o sofrimento do povo ou de manifestação de revolta pela austeridade que leva ao suicídio e faz a miséria imerecida é demagógico.

Mas não é diminuir o sofrimento dos que mais sofrem a vocação de um governo num estado de direito?

O labéu da acusação de demagogia é um arremesso fácil, mais fácil que encontrar razões ou perceber razões e também faz bem ao ego da barriga cheia. Mas denuncia uma preocupação velha: destruir o mensageiro das más notícias. E isso não será demagógico?

Tal como a guerra colonial não tinha de ser, também não me parece que a via da austeridade compulsiva o seja. E ainda por cima, quando essa história da divida soberana sempre foi muito mal contada.

Terça-feira, Maio 14, 2013

 

Talvez falte alguma coisinha!

Senhores juristas e alguns senhores magistrados que por aqui passam, façam-me o favor de me explicar, timtim, por timtim, esta coisa:

Artigo 1º da Lei nº 23/2013, de 5 de Março:

«A presente lei aprova o regime jurídico do processo de inventário,
altera o Código Civil, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 47 344, de 25 de
novembro de 1966, e alterado pelos Decretos -Leis n.os 67/75, de 19 de
fevereiro, 201/75, de 15 de abril, 261/75, de 27 de maio, 561/76, de
17 de julho, 605/76, de 24 de julho, 293/77, de 20 de julho, 496/77,
de 25 de novembro, 200 -C/80, de 24 de junho, 236/80, de 18 de julho,
328/81, de 4 de dezembro, 262/83, de 16 de junho, 225/84, de 6 de
julho, e 190/85, de 24 de junho, pela Lei n.º 46/85, de 20 de
setembro, pelos Decretos -Leis n.os 381 -B/85, de 28 de setembro, e
379/86, de 11 de novembro, pela Lei n.º 24/89, de 1 de agosto, pelos
Decretos -Leis n.os 321 -B/90, de 15 de outubro, 257/91, de 18 de
julho, 423/91, de 30 de outubro, 185/93, de 22 de maio, 227/94, de 8
de setembro, 267/94, de 25 de outubro, e 163/95, de 13 de julho, pela
Lei n.º 84/95, de 31 de agosto, pelos Decretos -Leis n.os 329 -A/95,
de 12 de dezembro, 14/96, de 6 de março, 68/96, de 31 de maio, 35/97,
de 31 de janeiro, e 120/98, de 8 de maio, pelas Leis n.os 21/98, de 12
de maio, e 47/98, de 10 de agosto, pelo Decreto -Lei n.º 343/98, de 6
de novembro, pelas Leis n.os 59/99, de 30 de junho, e 16/2001, de 22
de junho, pelos Decretos--Leis n.os 272/2001, de 13 de outubro,
273/2001, de 13 de outubro, 323/2001, de 17 de dezembro, e 38/2003, de
8 de março, pela Lei n.º 31/2003, de 22 de agosto, pelos Decretos
-Leis n.os 199/2003, de 10 de setembro, e 59/2004, de 19 de março,
pela Lei n.º 6/2006, de 27 de fevereiro, pelo Decreto -Lei n.º 263
-A/2007, de 23 de julho, pela Lei n.º 40/2007, de 24 de agosto, pelos
Decretos -Leis n.os 324/2007, de 28 de setembro, e 116/2008, de 4 de
julho, pelas Leis n.os 61/2008, de 31 de outubro, e 14/2009, de 1 de
abril, pelo Decreto -Lei n.º 100/2009, de 11 de maio, e pelas Leis
n.os 29/2009, de 29 de junho, 103/2009, de 11 de setembro, 9/2010, de
31 de maio, 23/2010, de 30 de agosto, 24/2012, de 9 de julho, 31/2012
e 32/2012, de 14 de agosto, o Código do Registo Predial, aprovado pelo
Decreto -Lei n.º 224/84, de 6 de julho, e alterado pelos Decretos
-Leis n.os 355/85, de 2 de setembro, 60/90, de 14 de fevereiro, 80/92,
de 7 de maio, 30/93, de 12 de fevereiro, 255/93, de 15 de julho,
227/94, de 8 de setembro, 267/94, de 25 de outubro, 67/96, de 31 de
maio, 375 -A/99, de 20 de setembro, 533/99, de 11 de dezembro,
273/2001, de 13 de outubro, 323/2001, de 17 de dezembro, 38/2003, de 8
de março, e 194/2003, de 23 de agosto, pela Lei n.º 6/2006, de 27 de
fevereiro, pelos Decretos -Leis n.os 263 -A/2007, de 23 de julho,
34/2008, de 26 de fevereiro, 116/2008, de 4 de julho, e 122/2009, de
21 de maio, pela Lei n.º 29/2009, de 29 de junho, e pelos Decretos
-Leis n.os 185/2009, de 12 de agosto, e 209/2012, de 19 de setembro, o
Código do Registo Civil, aprovado pelo Decreto -Lei n.º 131/95, de 6
de junho, com as alterações introduzidas pelos Decretos--Leis n.os
36/97, de 31 de janeiro, 120/98, de 8 de maio, 375 -A/99, de 20 de
setembro, 228/2001, de 20 de agosto, 273/2001, de 13 de outubro,
323/2001, de 17 de dezembro, 113/2002, de 20 de abril, 194/2003, de 23
de agosto, e 53/2004, de 18 de março, pela Lei n.º 29/2007, de 2 de
agosto, pelo Decreto -Lei n.º 324/2007, de 28 de setembro, pela Lei
n.º 61/2008, de 31 de outubro, pelos Decretos -Leis n.os 247 -B/2008,
de 30 de dezembro, e 100/2009, de 11 de maio, pelas Leis n.os 29/2009,
de 29 de junho, 103/2009, de 11 de setembro, e 7/2011, de 15 de março,
e pelo Decreto -Lei n.º 209/2012, de 19 de setembro, e o Código de
Processo Civil, aprovado pelo Decreto -Lei n.º 44 129, de 28 de
dezembro de 1961, e alterado pelo Decreto -Lei n.º 47 690, de 11 de
maio de 1967, pela Lei n.º 2140, de 14 de março de 1969, pelo Decreto
-Lei n.º 323/70, de 11 de julho, pelas Portarias n.os 642/73, de 27 de
setembro, e 439/74, de 10 de julho, pelos Decretos -Leis n.os 261/75,
de 27 de maio, 165/76, de 1 de março, 201/76, de 19 de março, 366/76,
de 15 de maio, 605/76, de 24 de julho, 738/76, de 16 de outubro,
368/77, de 3 de setembro, e 533/77, de 30 de dezembro, pela Lei n.º
21/78, de 3 de maio, pelos Decretos -Leis n.os 513 -X/79, de 27 de
dezembro, 207/80, de 1 de julho, 457/80, de 10 de outubro, 224/82, de
8 de junho, e 400/82, de 23 de setembro, pela Lei n.º 3/83, de 26 de
fevereiro, pelos Decretos -Leis n.os 128/83, de 12 de março, 242/85,
de 9 de julho, 381 -A/85, de 28 de setembro, e 177/86, de 2 de julho,
pela Lei n.º 31/86, de 29 de agosto, pelos Decretos -Leis n.os 92/88,
de 17 de março, 321 -B/90, de 15 de outubro, 211/91, de 14 de junho,
132/93, de 23 de abril, 227/94, de 8 de setembro, 39/95, de 15 de
fevereiro, e 329 -A/95, de 12 de dezembro, pela Lei n.º 6/96, de 29 de
fevereiro, pelos Decretos -Leis n.os 180/96, de 25 de setembro,
125/98, de 12 de maio, 269/98, de 1 de setembro, e 315/98, de 20 de
outubro, pela Lei n.º 3/99, de 13 de janeiro, pelos Decretos -Leis
n.os 375 -A/99, de 20 de setembro, e 183/2000, de 10 de agosto, pela
Lei n.º 30 -D/2000, de 20 de dezembro, pelos Decretos -Leis n.os
272/2001, de 13 de outubro, e 323/2001, de 17 de dezembro, pela Lei
n.º 13/2002, de 19 de fevereiro, pelos Decretos -Leis n.os 38/2003, de
8 de março, 199/2003, de 10 de setembro, 324/2003, de 27 de dezembro,
e 53/2004, de 18 de março, pela Lei n.º 6/2006, de 27 de fevereiro,
pelo Decreto -Lei n.º 76 -A/2006, de 29 de março, pelas Leis n.os
14/2006, de 26 de abril, e 53 -A/2006, de 29 de dezembro, pelos
Decretos -Leis n.os 8/2007, de 17 de janeiro, 303/2007, de 24 de
agosto, 34/2008, de 26 de fevereiro, e 116/2008, de 4 de julho, pelas
Leis n.os 52/2008, de 28 de agosto, e 61/2008, de 31 de outubro, pelo
Decreto -Lei n.º 226/2008, de 20 de novembro, pela Lei n.º 29/2009, de
29 de junho, pelos Decretos -Leis n.os 35/2010, de 15 de abril, e
52/2011, de 13 de abril, e pelas Leis n.os 63/2011, de 14 de dezembro,
31/2012, de 14 de agosto, e 60/2012, de 9 de Novembro».

Como deve ter sido paga ao metro, vejam quanto terá custado!


 
Este governo que nunca ligou puto aos relatórios da OCDE, agora embandeira em arco com a questão da taxa sobre reformas e fim das reformas antecipadas. Não há noticiário que não sejamos bombardeados por essa nova, a R.R, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, não se cansa de a anunciar e até Passos Coelho esse rapaz que garantiu dar aos portugueses uma alma farta a pisar favos de mel, corre para Paris para tomar conta do recado para esmifrar ainda mais os que viveram uma vida a trabalhar.


Portugal já não é dos portugueses, já não se subordina às suas próprias leis e foram lançados no caixote do lixo todos os contratos sociais. Estamos pior do que no tempo dos Filipinos!
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=24&did=107386

 

Estou cheio!

Estou a ficar cheio de Futebol. Sou ainda do tempo em que os políticos e magistrados não se metiam com a bola. Esta coisa estava entregue a empresários. Depois apareceu a promiscuidade entre futebol e a política e com ela veio o “apito dourado”. Foi o princípio da corrupção em escala, onde bola e política se confundiam e os comentadores da política apareciam ao mesmo tempo a comentar a bola. Tornaram-se figuras da nação Ferreira Torres, Valentim Loureiro, Vale e Azevedo, etc. A justiça revelou-se iniqua e a corrupção triunfou. Hoje pagamos esse custo muito alto, vivemos o vale-tudo, os fins justificam todos os meios na política e nada disso está corrigido. Os donos da bola ainda mandam na política e na justiça e o vale tudo está na imagem pública da governação ao serviço da troika. Abri a televisão e eles por lá andam. Estou cheio!

Domingo, Maio 12, 2013

 

Uma homenagem Justa!

Foi no Sábado, por volta das 12h, em frente à ex-sede da PIDE, donde Palma Inácio se invadiu no dia esperado. Pedia ao Dr. Cal Brandão: “vá adiando o julgamento, quando chegar um forte temporal eu sairei daqui”.

A homenagem ao Revolucionário, que detestava os políticos que só têm bico, foi também um encontro de amigos em tempo de saudade de tempos vividos nos limites da generosidade.

Poucos, hoje, perceberão isto!


Sexta-feira, Maio 10, 2013

 
HÁ UM PAÍS imenso mais real

Do que a vida que o mundo mostra ter
Mais do que a Natureza natural
À verdade tremendo de viver.

Sob um céu uno e plácido e normal
Onde nada se mostra haver ou ser
Onde nem vento geme, nem fatal
A ideia de uma nuvem se faz crer,

Jaz --- uma terra não --- não um solo
Mas estranha, gelando em desconsolo
À alma que vê esse país sem véu,

Hirtamente silente nos espaços
Uma floresta de escarnados braços
Inutilmente erguidos para o céu

Fernando Pessoa


Terça-feira, Maio 07, 2013

 
Para quem estudou pedagogia, para quem foi professor durante 36 anos, para quem sabe o que significa ensinar e aprender, este exame da 4ª classe é inútil e estúpido. Inaugurou este Ministro o estudar para passar. Esta ideia de aprendizagem é bacoca, esta ideia da educação abalroa a própria educação, este conceito do papel da escola é de um tecnocraticíssimo cabotino.


É interessante que um ministro da educação que veio do estalinismo mais radical deu uma volta tamanha que encontrou o conceito salazarento duma escola que verga meninos pelos exames e pela declaração do que ainda não podem conhecer: a honra!

É interessante que num País onde triunfam os que nenhum rigor tomam para sua bandeira de vida, venham dizer que o exame da 4ª classe (como se dizia antigamente) cria rigor?
http://www.noticiasaominuto.com/pais/70648/exames-da-quarta-classe-fazem-lembrar-estado-novo

Sexta-feira, Maio 03, 2013

 
É uma evidência que toda a gente percebe: Diz Manuela Ferreira Leite: “O Governo está a dramatizar e a teatralizar sobre a decisão do Tribunal Constitucional.(…) Os cortes anunciados pelo Executivo “não vão ser cumpridos, nem são exequíveis (…) o país está a ser destruído”.


Não temos um Presidente da República e é preciso começar a dizer bem alto que a República foi ocupada por vândalos! E desocupá-la!
http://www.publico.pt/politica/noticia/manuela-ferreira-leite-acusa-governo-de-dramatizacao-e-teatralizacao-1590869

Quinta-feira, Maio 02, 2013

 
Partilho, porque penso ser a intervenção mais objectiva que conheço sobre Gaspar.Há ainda gente que não topou que Gaspar "anda nú": ele é a petulância da ignorância em pessoa!

Está a preparar o seu futuro e a dar cabo do nosso.
Os meus parabéns ao deputado que soube dizer claramente o que todos nós pensamos.
E ouçam-no!
https://www.youtube.com/watch?v=-EGe8XfX44E&feature=player_embedded

 
Diz-me quem sabe do que fala, que o livro de Ferreira de Amaral, “Por que devemos sair do euro” é um livro lúcido e indispensável a quem quiser pensar a crise que vivemos e não apenas “mandar umas bocas”. Corremos o risco da nossa dependência financeira nos tornar numa mera província da Alemanha. E acrescentou: estamos a ser governados por gente que não avalia as consequências das suas decisões e toma decisões sem pensar no País.

Vou comprar, hoje mesmo, o livro.


Segunda-feira, Abril 29, 2013

 
Com este postal, dos anos 50, da minha professora da primária, D. Maria Alice Costa, homenageio uma Empresa que mediatizou alegrias tristezas, boas novas e más notícias, declarações de amor ou devolvendo-as, rompendo silêncios ou alimentando saudades.

Em 1911 que ganhou a sigla CTT

Em 1969 os CTT transformou-se em empresa pública.

Em 1992 tornou-se numa sociedade anónima

E, agora, dando imenso lucro, vai enriquecer outros: em 2013 este (des)Governo propõe-se privatiza-la.


Sexta-feira, Abril 26, 2013

 
Se for necessário exemplificar o que é um intelectual, capaz de pensar com rigor, utilizando os melhores critérios (universais), procurando interpretar a vida, o homem, a política e o mundo de forma limpa, sem as conveniências das circunstâncias, como homem livre, temos de apontar Pacheco Pereira.

Quinta-feira, Abril 25, 2013

 
«Ao 25 de Abril aconteceu-lhe um pouco o que aconteceu a Camões: a falar de Camões muitos tornaram-se ricos e poderosos, enquanto o poeta morreu abandonado e na miséria. O melhor significado desta decadência é ouvir relvas a cantar “Grândola Vila Morena”

Por isso, hoje, é dia de luta. É dia de pensar no que um dia disse Guerra Junqueiro a propósito da Pátria.

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

[.] Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896.


Segunda-feira, Abril 22, 2013

 
Um texto que põe, no meu entender, a questão da responsabilidade civil das decisões políticas pelas graves e horrorosas consequências que provocou e continuará a provocar durante muitos anos. Refiro-me ao que diz Krugman sobre os dois mentores do experimentalismo de Gaspar e Passos Coelho, Rogoff e Reinhart: o que mais espanta é “a forma como a austeridade foi vendida sob pretextos falsos”(…). “Durante três anos, a austeridade foi-nos apresentada como uma necessidade e não como uma opção”, (..) “Os decisores políticos tomaram o caminho da austeridade porque quiseram, não porque o tivessem de fazer”.

É preciso uma petição que leve esta gente suja pelo sofrimento ao Tribunal por crimes contra os direitos humanos.
http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/krugman_os_decisores_politicos_tomaram_o_caminho_da_austeridade_porque_quiseram_nao_porque_o_tivessem_de_fazer.html


 

Ler deveria ser proibido!

Hoje, praticamente não se lê, vê-se. Perdemos a cultura da reflexão e habituamo-nos a uma espécie de cultura do contacto. O pensamento imediato, espontâneo, a primeira ideia, o preconceito, o “é assim”, o “ouvi dizer” e o “se calhar” constitui o paradigma desta época. É muito inconveniente reflectir, para que a austeridade seja apresentada como a única via possível, Gaspar tome por bíblia das suas políticas um embuste (o estudo ‘Growth in a time of debt’”), Passos Coelho seja uma espécie de cangalheiro de Portugal e este povo continue a escolher governos que infernalizam a sua vida. Para levar mais a sério estas trevas, no Dia Internacional do Livro, deveria ser declarado: “ler é proibido”!

Domingo, Abril 21, 2013

 

Já o substituí pelo professor.


Voltei a gostar, hoje, do comentário de Sócrates. Demonstrou o fracasso do experimentalismo deste Governo que tomou por guião da sua política um embuste de dois professores universitários americanos neoliberais, citou um estudo para salientar a burrice de um governo que com a desastrosa subida para 23% do IVA na restauração, perde 947 milhões de euros em receitas fiscais e gastos com subsídio de desemprego, faz desaparecer 99 mil postos de trabalho e leva á falência 11 mil empresas.

Já o substituí pelo professor: Sócrates tem um estilo, envolvente e, mesmo com todos os andicapes, é incisivo e concludente nas suas críticas ao Governo.


 

Dá que pensar!

Foi em nome dos valores que não encontraram nos E.U. que estes dois jovens fabricaram os explosivos para com um gratuito e hediondo atentado castigar um povo que os acolheram nas suas dificuldades!

Também Merkel, em nome dos valores germanófilos, do rendimento, do trabalho e da rentabilidade, atira o monstro da austeridade, uma outra forma de explosivo, com a fome, o desemprego e a ausência de sentido para a vida, para castigar os povos do Sul que ajudaram a Alemanha a sair da indignidade que o nazismo a deixou.

Sei que há diferenças, mas ambos esquecem que a moral é uma postura pessoal, inalienável, e o caminho do moraleirismo acaba por trair a gratidão e, sobretudo, o fundamento da moral: o respeito pela dignidade da pessoa humana.
http://acheiusa.com/acheiusa2011/asp/noticias/ultimas_noticias.asp?cd_n=9687


 

Uma política de miséria ao serviço de um embuste!

Um Ministro pedante que vai para um Governo desenvolver um programa de fome, despedimentos, suicídios e falências experimentando pôr em prática numa obra que é um embuste, não só deveria ser demitido como também julgado pelas consequências de ter colocado uma ideologia ao serviço de um desastre nacional.

Este caso e todo o barulho que se fez em volta do tribunal constitucional é significativo de que este Governo serve uma ideologia e não o País. Se houvesse um fio-de-prumo, este era um assunto que ninguém, que fosse honrado, pessoa de bem, deixaria passar em branco.
http://www.noticiasaominuto.com/economia/64778/artigo-com-erro-de-excel-entre-os-preferidos-de-bruxelas

Quinta-feira, Abril 18, 2013

 
http://economico.sapo.pt/noticias/despacho-de-gaspar-obriga-faculdade-a-suspender-aulas_167371.html
A faculdade de Medicina Dentária de Lisboa é a primeira a suspender as aulas clínicas, a partir de hoje, por estar impedida de comprar materiais de higiene
É nestas coisas que se vê a ausência de uma formação humanista e se percebe a incapacidade de formar consensos. Se este Ministro respeitasse o Princípio da Responsabilidade (Hans Jonas) procurava não separar as decisões que toma da avaliação das consequências que as decisões podem ter. Perceberia que só há competência, quando sábia, porque ligada à vida; quando prudencial, porque acautela direitos; e quando útil, porque evita consequências perversas.

Gaspar e Passos Coelho não podem discutir consensos, porque o consenso gera-se na competência responsável e estes indivíduos só sabem de cortes.


Terça-feira, Abril 16, 2013

 
O darwinismo social no seu esplendor ou o nazismo envergonhado? Diz Merkel: “sabemos que vai haver vítimas em muitos países”.

Isto é, com o que a Senhora sabe, com as medidas que implanta, haverá uma seleção natural: ficam só os mais fortes.

A sua preocupação não é bom governo, o diminuir o sofrimento dos que mais sofrem, resgatar vítimas, mas forçar que os pobres, os velhos, as crianças, os desempregados, em suma, as vítimas, desaparecem nos novos campos de concentração: o da solidão, do egoísmo e da tirania da austeridade.

Que diferença há entre esta Senhora e Hitler?
http://www.jornaldenegocios.pt/economia/europa/uniao_europeia/zona_euro/detalhe/merkel_sabemos_que_vai_haver_vitimas_em_muitos_paises_mas_este_e_o_caminho_para_um_crescimento_sustentavel.html


Segunda-feira, Abril 15, 2013

 

Alternativas à brutal ditadura

Há alternativas à brutal ditadura de austeridade sobre os mais pobres.

Fez as contas quem sabe do que fala e disse:
- Cortem as Subvenções Vitalícias aos Políticos deputados e vão poupar +- 8.000.000,00?
- Reduzam 50% do Orçamento da Assembleia da República e vão poupar +- 43.000.000,00?
- Reduzam 50% do Orçamento da Presidência da República e vão poupar +- 7.600.000,00?
- Cortem 30% nos vencimentos e outras mordomias dos políticos, seus assessores, secretários e companhia e vão poupar +- 2.000.000.00?
- Cortem 50% das subvenções estatais aos partidos políticos e pouparão +- 40.000.000,00?.
- Cortem, com rigor, os apoios às Fundações e bem assim os benefícios fiscais às mesmas e irão poupar +- 500.000.000,00?.
- Reduzam, em média, 1,5 Vereador por cada Câmara e irão poupar +- 13.000.000,00?
- Renegociem, a sério, as famosas Parcerias Público Privadas e as Rendas Energéticas e pouparão + 1.500.000.000,00?.

Só aqui nestas "coisitas" o país reduz a despesa em mais de 2 MIL e CEM MILHÕES de Euros.

Mas nas receitas também se pode melhorar e muito a sua cobrança.
- Combatam eficazmente a tão desenvolvida ECONOMIA PARALELA e as Receitas aumentarão mais de 10.000.000.000,00?
- Procurem e realizem o dinheiro que foi metido no BPN e encontrarão mais de 9.000.000.000,00?
- Vendam 200 das tais 238 viaturas de luxo do parque do Estado e as receitas aumentarão +- 5.000.000,00?
- Façam o mesmo a 308 automóveis das Câmaras, 1 por cada uma, e as receitas aumentarão +- 3.000.000,00?.
- Fundam a CP com a Refer e outras empresas do grupo e ainda com a Soflusa e pouparão em Administrações +- 7.000.000,00?

Nestas "coisitas" as receitas aumentarão cerca de VINTE MIL MILHÕES DE EUROS, sendo certo que não se fazem contas à redução das despesas com combustíveis, telemóveis e outras mordomias, por força da venda das viaturas, valores esses que não são desprezíveis.

Sendo assim, é ou não possível, reduzir o défice, reduzir a dívida pública, injetar liquidez na economia, para que o país volte a funcionar?


 

No Clube de Caça de S. João da folhada

Ontem, no Clube de Caça da minha Terra houve um divinal jantar de Javali, regado com o verde duma quinta de um caçador de S. Martinho acompanhado pelo saborosíssimo pão da Folhada.

Este acontecimento tem raízes muito antigas, desde o tempo em que Cristo, para desvanecer receios de míngua, andava pelos campos, ajudando a caçar e a promover a fertilidade da terra. Por isso, depois da faina se dizia: graças a Deus os prados estão ricos e caçamos muitas perdizes, coelhos e javalis.

Esta é a nossa cultura, a que se enraíza em velhos costumes da nossa tradição e não na que importou o exemplo de Buda para falar dos direitos dos animais. Segundo a lenda, Buda, “ao encontrar um cão cheio de vermes, libertou-o destes, mas logo compadecido dos vermes, voltou atrás, cortou um pedaço de carne do seu próprio braço e, abençoando-a, deu-lhes de comer”

Na minha Terra não há budistas: só, de longe a longe, por lá passam as testemunhas de Jeová. Talvez para testemunharem como seguimos outros exemplos: a felicidade dos gatos nas correrias atrás dos ratos ou dos perdigueiros que ficam espetados até que a perdiz se levante para que o caçador a cace.

Nestes jantares, a conversa anda sempre á volta de javalis, perdizes e coelhos (não aquele que nos tiraniza), mas os que andam na encosta da Serra para nos proporcionar um feliz convívio entre amigos.


Domingo, Abril 14, 2013

 
Aqui está um texto com o qual eu concordo: http://expresso.sapo.pt/a-quadrilha-dos-aparelhos-partidarios=f800192
O tema já foi tratado pelos clássicos (Max Weber “O cientista e o político”) e recorrentemente fala-se dele, mas nunca se tiram conclusões. Mas elas estão aí, na ditadura da austeridade. E para se perceber tudo isso, também é preciso entender por que é que a direcção de um instituto Superior vai chamar Relvas e Seguro para dar aulas sobre essa coisa a que chamam “marketing político”. Ou se quiserem, “como tratar os outros por burros!” A demagogia precisa sempre de ignorantes ou melhor: os chicos espertos não aparecem por geração espontânea.

Sexta-feira, Abril 12, 2013

 
Um site que vale a pena consultar! Excelente, oportuno e útil

Foi feito pelo filho de um amigo. Parabéns Dr. Lino Ribeiro pelo filho que tem e parabéns ao seu Filho.
http://www.empregopelomundo.com/


 
Os bispos portugueses, nomeadamente o Cardeal, cada vez são menos ouvidos, ao contrário da simpatia que cresce em relação ao Papa. Por que será?


O Evangelho fala da dignidade do homem, de todo o homem, como filho de Deus. E o pobre tem essa dignidade. Mas os bispos, nomeadamente o cardeal, parecem esquecer que só os bons governos se preocupam em diminuir o sofrimento dos mais pobres.

Mas o problema do Evangelho é o de querer bons governos e não a preocupação com a queda dos maus.

Os maus governos não dão rosto aos mais pobres e, por isso, devem cair. A oposição deve ser porta-voz deste querer que é a vontade dos que mais solidários estão com os que sofrem. Só temos alguns bispos, como D. Januário, a manifestarem essa preocupação, a única que dá sentido e credibilidade á Igreja.


Domingo, Abril 07, 2013

 

Seguro precisava de ouvir Sócrates

De facto, Seguro precisava de ouvir Sócrates. Aprendeu, de certeza, alguma coisa e amanhã já deixará aquele estilo de “bebé chorão”, que repete até á exaustão “este Governo tem de se demitir” e trará outros argumentos, mais robustos, como os de Sócrates. Mas, para ser mais consistente, tem de fazer o MBA que Sócrates fez com a melhor nota dessa pos-graduação, segundo ele, e logo no IST. Ou, então, ir até Paris para ter umas aulas da tal "ciência política". Está à visto que a carreira da jota não chega!

É natural que ainda não tenha conseguido apagar a imagem que dele criaram, mas o Homem vai, aos poucos, dissolvendo essa configuração e, ainda, vai acabar, como Santo Agostinho: de pecador passa a santo!

Diga-se o que disser, só ganhamos com os comentários de Sócrates na RTP.

Até me esqueci do Prof!


 

veio o lobo mau...

Tudo estava a correr bem, mas, diz Passos Coelho, veio o lobo mau, o T.C.

Quer, por isso, um Estado de exceção, tal como Salazar, e, para superar a "malfeitoria"do lobo mau, diz-nos que temos de tomar a incompetência como patriótica e «Quem não é patriota não pode ser considerado português»

Entretanto, Seguro desapareceu: o seu vazio terá de ser ocupado por Sócrates.

Este é o PS que temos como alternativa ao  PSD/CDS!...


Sábado, Abril 06, 2013

 

Experimentem uma vez os imbecis!

“É extraordinário! Neste abençoado país todos os políticos têm «imenso talento». A oposição confessa sempre que à exceção de Relvas (que não se sabe se ainda é ministro!) todos os ministros do PSD e do CDS e muito particularmente Gaspar, à parte de fazerem todo os dias burrices, têm um «talento de primeira ordem»! Por outro lado, a maioria admite que à parte o PC e o BE, o PS, a quem ela constantemente recrimina pelos disparates que fez, tem em Seguro, quase tanto como em Costa, um «robustíssimo talento»!

Nos transportes, nas oficinas, nas repartições públicas e até na administração das empresas todos concordam que o país é uma choldra. E resulta, portanto, este facto supracómico: um país governado «com imenso talento», que é uma choldra e perante o consenso unânime de que está estupidamente governado, tem um Presidente da República que garante ter o governo todas as condições para governar «estupidamente»!...

Eu proponho isto, a ver: que, como os talentos sempre falham, se experimentem uma vez os imbecis, o PC e o BE!”

Adaptação (Eça de Queirós, “Os Mais”)


Sexta-feira, Abril 05, 2013

 
O Tribunal Constitucional decidiu o que se esperava. A constituição em todos os países democratas é respeitada pelos governos. Só aqui é que há quem pense que pode ser suspensa. Este Governa foi perante a Constituição o mesmo que é perante o país: incompetente e sem sentido de Estado.

O Presidente da República podia ter exercido a sua influência e nós poderíamos ser poupados a uma governação que tem trabalhado em roda livre, como qualquer fora-de-lei.

Se fossem todos para a rua, era um alívio!


Quarta-feira, Abril 03, 2013

 
Gostei, hoje, de Passos Coelho e do Paulinho das Feiras no debate sobre a moção de censura. No fundo, disseram o que, em tempos que já lá vão, ouvia a um ceguinho que à viola cantava assim:

Andava a desgraçadinha no gamanço
Para ganhar uma esmolinha tão sofrida
Assim criava os dois filhinhos no remanso
Desta tão ditosa Pátria enaltecida.
P´ra estragar a vida à desgraçadinha
Apareceu a moção de censura

Tadinha!...


Terça-feira, Abril 02, 2013

 

27 de Fevereiro de 1953

Nessa altura ninguém pensou em ”reajustamento”, nem apareceu quem achasse que a austeridade ajudava a limpar a economia alemã do que restava para poder exportar.

Nessa altura, a economia não estava limpa de humanismo e também era sociologia.

Nessa altura, Keynes não tinha sido diabolizado.

Nessa altura, os países credores, onde estava concentrada a dívida, perdoaram ´32 biliões de marcos á Alemanha e deram-lhe as mãos para que ela pudesse ser o que é hoje, sem pensarem que “quem os seus inimigos poupa, na sua mão vai morrer”….

Merkel não tira lições da história e esta rapaziada que anda pelo governo não sabe história.
http://aventar.eu/2013/02/27/acordo-de-londres-sobre-as-dividas-alemas/

Segunda-feira, Abril 01, 2013

 
Estou cheio deste “comentadoristas”, uma espécie que não comenta nem analisa: mandam umas bocas. Agora, a nossa produtividade é a menor da Europa. Não se fala dos instrumentos, software, etc., utilizados no trabalho. Fazem as contas como aquele casal que pediu um frango, mas só um comeu. Estatisticamente cada um comeu metade de um frango.

Tenho de dar razão ao Major muito conhecido nos meios futebolísticos e autárquicos: ”com contas bem-feitas é que se engana bem”.


Quarta-feira, Março 27, 2013

 

Não conseguiram encostar o touro às tábuas.

O canal de Relvas preparou, ao estilo do patrão, a entrevista a Sócrates: primeiro, o analista de serviço atirou números para criar a socratofobia; seguidamente, a entrevista funcionou com tentativas sucessivas e persistentes de encostar o touro às tábuas.

Estou convencido que nada disto funcionou.

Uma coisa da entrevista ficará para a história: ficou claro que temos um Presidente da República que ninguém gostaria de ir com ele à caça.

Do resto, poucas alterações: os que o odiam ficaram com uma ténue simpatia; nos que gostam dele reforçou-se a esperança do seu regresso à política efetiva. E têm razão para isso! A filosofia política ou ciência oculta tornou-o mais culto: até citou a Divina Comédia. Nem Dante Alighieri seria capaz.

Uau!!!...

No final, Seguro apagou-se ainda mais! Ninguém lhe perdoará que não tenha sabido defender o PS, com os argumentos que Sócrates utilizou e que ele devia conhecer.


 
Se é Marcuense ou simpatiza com os marcuenses que gostam da Terra onde nasceram e fizeram amigos e quer ser solidário com as suas preocupações, faça o favor de ler e, se estiver de acordo, subscrever. Obrigado.


Petição Contra a Suspensão das Obras de Requalificação da Escola Secundária de Marco Canaveses
http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=petesmc

Terça-feira, Março 26, 2013

 
Óscar Lopes escrevia poemas como se procurasse a fraternidade que via no segundo nome. Da sua poética só parece ter sido publicado este poema. Foi na antologia “ilha dos Amores”, Ed. da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras. Deixo-o aqui, como homenagem à
sua memória.

Segunda Pessoa

Alguém diz tu. Alguém sem nome.
É a terra e o corpo e é o rasto de um sentido.
Alguém diz tua à imagem que se esgarça,
À certeza de uma longínqua razão.
Longe. O passado. Nomes, errados nomes de desejo.
Cego de insónia, nem lembrar te posso.
Nem mesmo em sonho saberia ver-te.
És só pronome, tu, a ondular-me na boca,
Norte magnético num desespero em surdina.
És a sílaba que dói a dor solar de um sentido.
A história avança na cabra-cega sem rostos,
E eu vivo em ti o tu mais só da minha vida

Óscar Lopes


Domingo, Março 24, 2013

 

24 de Março

A partir da crise académica de 1962 foi declarado “Dia do Estudante”, este dia, o Dia 24 de Março.


Em 1961 uma manifestação já tinha sido reprimida brutalmente, com centenas de estudantes presos e agredidos. Depois, foi a crise de 1962 e a partir daí todos os anos, nesta data até ao 25 de Abril, havia estudantes presos e alguns mortos.

Lutavam contra a guerra colonial, contra o elitismo estudantil, contra programas que serviam a ideologia do regime, nomeadamente o elogio das virtudes da pobreza, da guerra, da casinha, etc.

Estive na República 24 de Março durante cerca de um ano. Era uma casa de estudantes que ostentava corajosamente a memória desse dia de luta.

A todos que por lá passaram, a todos os estudantes que, como eu, nesse dia sofreram os “ataques” dos torcionários do fascismo, a minha saudação amiga.

A todos os estudantes que continuam a sonhar com um mundo mais justo e mais humano, a minha saudação de encorajamento.

O estudante, como dizia a “Carta de Estudante” dos universitário de Grenoble, é um jovem trabalhador intelectual que deve utar pela justiça, solidariedade e liberdade e assumir o dever de saber interpretar o que acontece à sua volta e no mundo para mudar essa circunstância no sentido de um mundo mais justo e mais humano. É esta a responsabilidade de um trabalhador intelectual, que hoje, neste mundo pragmático, egoísta e hedonista, está completamente esquecida.

http://www.youtube.com/watch?v=TNUSd9yHd2k

Quinta-feira, Março 21, 2013

 

Calma, ainda não chegou a minha hora!...

Na minha Terra, nos anos 60, havia um empreiteiro alto, gordo, muito portista, com um Mercedes 190 e uma mulher igualmente gorda e de bigode. Diz-se que a senhora ao ver entrar certas senhoras num conhecido restaurante de Penafiel, costumava virar-se para o marido e, ainda com os dentes cravados na posta de vitela, exclamava: “A nossa amante é mais bonita que aquela!”

Esse empreiteiro não perdia um leilão, daqueles que aconteciam na minha freguesia durante o Verão. Ria-se com as ofertas que o pessoal fazia ao que era leiloado para resolver algumas misérias da freguesia. E, quando alguém lhe perguntava: “Então… não faz uma oferta?” Respondia: “Calma!... Ainda não chegou a minha hora.”

O Partido Comunista vai pôr amanhã á votação um desejo: propõe que o Governo se demita.

Não é coisa complicada: todos os portugueses gostariam de ver toda a esquerda unida nesse desejo. Ele reflete o que está na cabeça de todos, mas de todos os portugueses. No entanto, o PS, tal como o broeiro da minha Terra, vira-se para o pessoal e diz: “Calma! … Ainda não chegou a minha hora!”

Fica, entretanto, uma questão: será que o PS também tem uma amante melhor do que a esquerda?

Desconfio que sim!


Quarta-feira, Março 20, 2013

 

Resgatar o “Espírito europeu”

Enviei para o Semanário Grande Porto o seguinte texto:

O que definiu e organizou a noção de Europa não foram as suas fronteiras geográficas, mas o que Husserl chamou o “espírito europeu”, construído a partir de heranças de diferentes culturas: cristianismo, filosofia grega, direito romano, comunitarismo das tribos invasoras, etc.

O individualismo humanista, que, desde Protágoras, anunciava que “o homem é a medida de todas as coisas”, recebeu do cristianismo a capacidade de promover o diálogo entre a razão e a fé. E, nesse diálogo, desenvolveu a solidariedade na luta contra a tirania, a exclusão e a pobreza, tomando a direcção oposta à do Leviatã que fazia do “homem lobo do homem”.

Foi este “espírito” que se tornou no “espírito europeu”. Nele, se gerou a noção de progresso, associada a uma caminhada em direção à felicidade humana. E os passos que marcaram a sua história foram sucessivamente identificados com conquistas dos direitos humanos: cívicos, políticos, sociais, da qualidade de vida, ambientais, etc.

Mas, como diria o Filósofo da consciência, o “espírito” que criou a Europa e europeizou o mundo entrou em crise logo que o individualismo rompeu com o humanismo, sucumbindo ao egoísmo, à hostilidade e à barbárie.

Nessa altura, tal como num iceberg, a parte visível surge, em toda a sua força e monstruosidade, na brutalidade da fome, do desemprego, da miséria e da morte: sejam elas geradas por duas guerras mundiais, ou, como acontece no tempo em que vivemos, de uma forma menos brutal, mas tão cruel, com as imposições duma Troika ao serviço do imperialismo financeiro. Mas, a parte escondida, a mais profunda, esconde a crise do pensamento reflexivo e humanista, a incapacidade de pensar a vida, de rasgar esperança e dar um sentido ao futuro.

A doença do “espírito europeu” procura dissimular-se entre os conceitos de “ajustamento” e “austeridade”, mas a sua natureza está em subjugar a dignidade do homem às leis do mercado, em deixar que o pensamento mercantilista se torne na única razão da existência do cidadão europeu, em permitir que o imperialismo financeiro seja tão cruel como foram os ditadores mais sangrentos que dominaram a Europa.

Por ironia da história, a cura desta enfermidade parece voltar novamente de fora da Europa.

O cristianismo, que moldou o “Espírito europeu” na direcção do humanismo, regressa, agora, das “Terras do fim do mundo”. Parece vir pela mão de Francisco, o que, como “Assis”, se despoja de todas as grandezas para servir os mais pobres e dizer que a fome, a miséria e o desemprego são atentados aos direitos humanos – os tais direitos que foram exaltados por essa ideia de progresso que fez a aventura do “espírito europeu” na direcção de um mundo mais justo e mais humano.

Sentimos que pode vir do novo Papa o apelo a uma refundação duma Europa doente, de joelhos perante a tirania do capital financeiro, e que precisa de ser resgatada para retomar o espírito que humanizou a Europa e europeizou o mundo.

Oxalá que seja assim!


Terça-feira, Março 19, 2013

 
Aos mais pobres roubaram os ordenados, o direito à saúde, à habitação, ao emprego e lançaram a Europa numa crise económica semelhante à da Segunda Guerra. E agora, querem começar a roubar o pé-de-meia confiado à Banca. Nesta altura, a luta dos cidadãos do Chipre tornou-se na luta dos catrogas, cavacos e outros do género.

Deram, agora conta que a nave da Europa tinha perdido o rumo.

Perdeu, mas desde há muito tempo, desde os protocolos de comércio com os países emergentes, desde a aceitação das agências de rating, desde a subordinação ao capitalismo financeiros, desde a formação da eurocracia imbecil que tomou conta da Comunidade Europeia, a começar por essa criatura que viu as provas da destruição maciça.

E até Belmira, que admite a confiscação dos ordenados não aplica o mesmo critério à confiscação dos depósitos. P.q.p.

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