domingo, novembro 26, 2017

 

Um debate que os marcoenses podiam saber aproveitar!

Pensando bem, não nos podemos queixar da elevada quantidade de álcool que jovens consomem na nossa Terra. Isso é um reflexo da falta de estímulo de iniciativas culturais. A cultura educa-se, como o saber comer ou o saber beber. No passado sábado, a AAMC promoveu, no Auditório Municipal do Marco de Canaveses, uma conferência sobre José Monteiro da Rocha, uma das personalidades mais marcantes dos finais do séc. XVIII e início do séc. XIX. Foi educador do príncipe herdeiro, D. João VI, e dos seus irmãos, reformador dos estudos da Universidade de Coimbra, um matemático e astrónomo dos mais brilhantes da Europa do tempo, pertenceu à Academia das Ciências, etc. Nasceu na nossa Terra, mais propriamente, em Sobretâmega, Canaveses, onde tinha os pais e os irmãos que muito ajudou. Foi um Homem apagado da história por ser jesuíta, mas, hoje, está a ser reabilitado e já se prepara na Universidade de Coimbra o aniversário da sua morte com colóquios e debates sobre os seus escritos. A Academia de Ciências vai publicar uma longa reflexão sobre esta insigne figura, que foi nosso conterrâneo. Também, em colaboração com a autarquia, queremos tornar pública uma memória deste insigne marcoense.É impossível, hoje, conhecer a história da ciência, da matemática, da astronomia, do ensino, sem conhecer José Monteiro da Rocha, um Homem das luzes. Alguns académicos do Porto foram ouvir a conferência excelente que o Prof. Dr. Fernando B. Figueiredo, da Universidade de Coimbra, investigador na área das matemáticas e da astronomia, pronunciou; e o historiador, prof. Dr. Eugénio dos Santos da U.P. apresentou o conferencista e integrou a obra de Monteiro da Rocha, sacerdote, cientista e vice-reitor da U.C. no contexto histórico do tempo.
A importância desde debate teve acolhimento em alguns académicos que foram do
Porto ouvir os conferencistas, o que, para além da honra que a sua presença deu à Associação dos Amigos do Marco, também ajudaram a compor um auditório onde pouca gente do Marco compareceu, inclusivamente sócios e corpos sociais da nossa Associação.
Felizmente que a Sra. Presidente da Câmara apareceu para cumprimentar os conferencistas e se fez representar pelo Sr. Vice-Presidente durante o debate, o que é sempre um estímulo para nós, Associação dos Amigos do Marco de Canaveses.

domingo, novembro 19, 2017

 

Um ilustre Marcoense

Promovida pela Associação dos Amigos do Concelho do Marco de Canaveses, no próximo dia 25 de Novembro (Sábado), pelas 16 horas, o Prof. Dr. Fernando B. Figueiredo, da U.C. vai falar sobre José Monteiro da Rocha. Poucos conhecerão esta notável personagem, tida como um sábio, das mais respeitadas na Europa do seu tempo.
O palestrante é um académico, que fez a tese de mestrado e doutoramento sobre Monteiro da Rocha, estudando os seus trabalhos como matemático e astrónomo insigne.
Fará a sua apresentação o Prof Dr. Eugénio dos Santos e o nosso amigo e conterrâneo prof Dr. Joaquim Baldaia.
José Monteiro da Rocha nasceu em 1734 em Canaveses. Pertencia a uma família de lavradores e um dos seus irmãos foi um notável santeiro: construiu os santos em pedra que engrandecem o Santuário do Bom Jesus de Braga.
José Monteiro da Rocha foi uma das personalidades mais importantes da Europa nos finais do séc XVIII, princípios do séc. XIX. Aos 18 anos partiu para o Brasil e aí entrou na Ordem de Santo Inácio. Com a expulsão dos jesuítas permaneceu como clérigo e veio para Portugal. Por sugestão do reitor da Universidade de Coimbra,D. Francisco de Lemos, foi encarregado de organizar a nova Faculdade de Matemática (criada com a Reforma de 1772). Colaborou na redação dos estatutos da Universidade reformada, na parte respeitante às Ciências Naturais e à Matemática. Recebeu o grau de Doutor e foi incorporado nessa Faculdade, lecionando as cadeiras de Ciências Físico-Matemáticas, Mecânica e Hidrodinâmica. Em 1783 passou a reger a cadeira de Astronomia e tornou-se no astrónomo mais célebre da Europa. Nesta matéria, tem inúmeros trabalhos e pronunciou inúmeras conferências.
Em 1795 foi nomeado diretor do Observatório Astronómico.
Entre 1801/1807 foi conselheiro do Príncipe Regente D. João, e, logo a seguir, foi nomeado Mestre do príncipe D. Pedro e dos outros infantes, sendo-lhe atribuído um aposento no palácio real.
Em 1804, tornou-se membro da Sociedade Real da Marinha e vice-presidente da Junta da Direção Geral de Estudos e é agraciado como membro da Ordem de Cristo. E, quando o Bispo de Coimbra e reitor da universidade, Dr. Francisco Lemos, liderou a embaixada que foi a Baiona conferenciar com Napoleão, Monteiro da Rocha substituiu o Reitor e foi o elo de ligação entre o Bispo e D. João VI que já se tinha refugiado no Brasil.
Em1814 o Dr. Francisco de Lemos morre e José Monteiro da Rocha é um dos escolhidos para fazer a oração fúnebre durante as exéquias que, em sua honra, são feitas em Coimbra.
Em 1819 José Monteiro da Rocha faleceu em S. José de Ribamar, Carnaxide, Lisboa.
Foi reconhecido como sábio em toda a Europa e uma das personalidades mais influentes do seu tempo. No Marco de Canaveses, onde nasceu, tem uma pequenina rua com o seu nome. Mas não é referida a sua importância!
A melhor homenagem que os marcoenses lhe podem fazer é conhecê-lo bem e têm essa oportunidade no dia 25 de Novembro.
Apareça! Não podemos deixar de saber quem foi José Monteiro da Rocha. É uma obrigação cívica! Ser marcoense também é conhecer os melhores da nossa Terra.

segunda-feira, novembro 13, 2017

 

A tirania da erótica

 
A apresentação pelo Prof. Sobrinho Simões do livro de um velho amigo, o Prof. Carlos Mota Cardoso (que usa o pseudónimo João Trambelo) “A Tirania da Erótica”, editado pela ”Labirinto de letras”, pertencente a pessoas por quem tenho velha admiração, foi espantosa. Só o Prof Sobrinho Simões era capaz de tornar a apresentação de um livro numa conversa a três, entre si, o autor do livro e o auditório, com achegas interessantíssimas, interrogações oportunas e respostas surpreendentes. Não se podia ficar indiferente àquela apresentação, feita na Ordem dos Médicos. Aprendi muito!
O livro é uma reflexão, como disse O Prof. Sobrinho Simões, que poderia ser caracterizado como um ensaio ou como um romance. Para mim, do que já pude ler, é um poema. Ora reparem só neste recorte do sétimo capítulo. “Naquela noite de Outubro a lua abraçou cúmplice a fonte de São Miguel. Primeiro sorriu de júbilo ao contemplar a beleza ardente do amor. Depois chorou de dor ao perceber a fragilidade candente da paixão humana“.

Gosto desta forma de falar do erotismo! Também penso, como diz, na introdução, Daniel Sampaio, que “o erotismo é a sexualidade socializada e um dos seus fins é inserir o sexo na sociedade”. Não esperem do livro um tratado da sexualidade. Procurem-no como um romance ou um livro de poesia sobre o desejo e a fantasia. E vão ver que a leitura é estimulante!

domingo, outubro 29, 2017

 

Um estilo de estar na política que deveria ser imitado.


Uma boa entrevista!... António Costa está muitos graus acima do seu partido. Teve uma postura de Estado, disse o que deveria ser dito e, ao ser incapaz de acicatar ânimos, contribuiu para dignificar a ação política e as relações institucionais. É pena que este estilo não possa constituir um manual de boas práticas políticas. Muita gente, ligada ao seu partido, precisa dessa instrução.
Na minha terra, há uma revolta (para já em surdina!) contra intervenções feitas durante a campanha eleitoral, marcadas pelo despudorado ataque pessoal e calunioso contra o ex-presidente da câmara. Pelo que me foi contado, nem no tempo do fascismo se fazia isso e não sei se Avelino Ferreira Torres chegava a tanto! O debate político é um confronto sobre a melhor maneira de governar e não uma luta cobarde (o atingido nunca está presente), onde vale tudo, até o enxovalho.

Sempre me senti solidário com quem é ofendido publicamente e cobardemente na sua honra, sem se poder defender. E os meus conterrâneos conhecem o combate que travei contra este estilo de fazer política. Não sei o que vai fazer o atingido pelas insinuações caluniosas em dois comícios, mas preocupa-me que os lideres locais do partido, a que pertence o autor dessas insinuações caluniosas, não se distanciem do mesmo, retirando-lhe confiança política. Estas atitudes deixam profundas nódoas, não são facilmente esquecidas, vão moendo em surdina e acabam por descredibilizar os partidos e a ação política.
O exemplo de António Costa resume-se a um princípio muito antigo, encontrámo-lo já nos gregos, nomeadamente na “República” de Platão: antes da política está o civismo e se este falta não se percebe para que serve a política. Por isso, Platão defendia que a política é uma arte nobre. E acrescentava: “Só a justiça diz respeito à política (…) o bom político sofre a injustiça, mas é incapaz de a aplicar contra o adversário.” E dizemos nós: muito menos caluniá-lo!

segunda-feira, outubro 23, 2017

 

Não se pode ficar apenas pelas “tortas de uvas”


Em 20 páginas os senhores desembargadores do Tribunal da Relação do Porto construíram uma sentença, onde invocam a Bíblia, o Código Penal de 1886 e até civilizações que punem o adultério com pena de morte, para demonstrarem a gravidade deste delito, mas não leram a Bíblia até ao fim.
A sua jurisprudência vai contra os livros sagrados e corre o risco perigoso de heresia, que na Inquisição se pagava com a morte pelo fogo. Diz, nos livros proféticos, Oseias: “O senhor ainda disse: «Vai, de novo, e ama uma mulher, que é amada por outro, e que comete adultério, pois é assim que o SENHOR ama os filhos de Israel, embora eles se voltem para outros deuses e gostem das tortas de uvas».”In: Bíblia Sagrada (Difusora Bíblica, Franciscanos Capuchinhos, Lisboa, Fátima), Livros Sagrados, profeta Oseias, pg.1452
Nenhuma jurisprudência, nenhum magistrado, pode ficar apenas pelas “tortas de uvas”

quinta-feira, outubro 19, 2017

 

A hipocrisia deveria ter limites!


A direita que eu conheci, orientava-se por princípios e preferia quebrar do que torcer. Era essa a característica que eu mais detestava nela. Sempre achei que a tolerância é a virtude social do diálogo que permite a coesão. Mas havia uma altura que eu sentia que torciam mesmo: diante do sofrimento, a direita que eu conheci, sabia comunicar solidariedade pelo silêncio. Muitas vezes, vi o meu pai, o meu avô e muitos dos seus amigos apertar a mão de quem sofria e, olhos nos olhos afivelar nos rostos, um silencioso, quase místico - “estamos juntos!..”
Esta direita, da Sra. Cristas, nada tem a ver com a direita que eu conheci. Aproveita o sofrimento que se abateu com as mortes ceifadas pelas labaredas do fogo e grita, num ruído obsceno, que é preciso mudar de governo. A Sra. Cristas, conhecida por Misse eucalipto (pela fervorosa defesa que, no governo a que pertenceu, fazia da expansão do eucalipto, cuja produção de riqueza comparava ao “petróleo”), perturba o único sentimento, a única manifestação que podemos ter para com os que nesta altura mais sofrem: entregar-lhes, com o silêncio dos olhos, a solidariedade do coração. É isso que a sociedade civil, párocos, organizações socias e empresários estão, neste momento, nos lugares mais atingidos pelo fogo, a fazer: vão ter com essas pessoas, abrem espaço ao silêncio que manifesta a solidariedade, e deixam-lhes o que mais precisam para atenuar a dor.
Para que serviria nesta altura substituir Costa por outro qualquer primeiro-ministro? Por certo não ficaríamos melhor! A herança de Cristas e do governo a que Sra. pertenceu deixou marcas de arrogância, incompetência e insensibilidade humana que ninguém hoje quer ver repetir. Se é certo que houve falhas, estou certo que muito maiores seriam se fosse o governo anterior a gerir esta terrível tragédia!

Deixem António Costa, apesar do seu metálico feitio, governar. Este governo tem prestigiado, como se sabe, Portugal. É uma referência por toda a Europa, até para o Sr. Schauble, e arrancou-nos de uma crise que, se virmos bem, foi tão terrível como os incêndios que neste verão devastou o País. E não pensem que também não causou mortes!...
Só a sofreguidão de chegar ao poleiro do poder pode justificar a censura que a Madame Eucalipto vai apresentar na próxima terça-feira, perturbando o silêncio do coração que devemos aos que neste momento mais sofrem.
A hipocrisia deveria ter limites!

domingo, outubro 15, 2017

 

Não é normal!


Estive ligado durante alguns anos à Direção dos Bombeiros do Marco. Sempre me deprimia ouvir as sirenes, ver correr os bombeiros a tentar apagar labaredas que pareciam engolir tudo à sua frente. Nessa altura, não havia muitos incêndios nos montes. Havia sempre gente a olhar pelas suas terras e talvez isso desmotivasse os incendiários. Hoje, andei à caça na Serra da Aboboreira. Andei acompanhado pelas minhas duas cadelas. O terreno que não estava ardido era um matagal fechado, entupido por silvas e tojo, que até as minhas cadelinhas gemiam por terem dificuldade em passar. Não vi viv´alma. No ano passado ainda via caçadores, encontrava-me com eles e festivamente bebíamos um copo acompanhado de um naco de chouriço. Hoje, não vi literalmente ninguém! Sei que diminuiu imenso o número de caçadores pelas dificuldades que os “urbanos” foram criando à caça, tornando-a quase um “crime de guerra”. As consequências estão à vista: da minha terra até ao Porto, por todo o lado, só se viam incêndios e a atmosfera estava saturada por uma pesada nuvem de fumo. Como é que se poderão evitar os fogos nos montes, nas serras, se, por lá, já não anda ninguém?

Não é possível que tantos fogos não tenham origem em mão criminosa e não me venham dizer que são os pastores para abrir espaço à verdura dos pastos. Os fogos têm origem criminosa e não me admirava muito que fosse uma estratégia para pôr em causa este governo. São demasiados!... E não andam por aí pirómanos que cheguem para atear tanto fogo. Mas a culpa, também é de quem vai dificultando o prazer de andar no monte, de sentir a alegria de conviver na caça com velhos amigos. Já não é possível que alguém escreva como Pascoais: “

“Ó natureza, qualquer coisa existe
De íntimo entre o meu peito e a tua essência!
Se medito, se canto, se estou triste,
Eu sinto, dentro de mim, tua existência”.

Se os incêndios nos tornam mais pobres, não é só pelo que arde (o que já é terrível!) mas também pelo que vamos perdendo da ligação afetiva a esta casa-comum, que é a natureza.

 

Precisamos de uma regeneração!

Precisamos de uma oposição que dignifique a vida democrática. Vivemos uma crise que se revela na falta de confronto de projetos, propostas de soluções. Andamos entulhados numa retórica de simulações, acusações sem interesse, jogos de palavras, em suma, numa sinfonia adormecedora. Canta-se vitória nas derrotas e fazem-se contas dos resultados eleitorais para todos os gostos. Isto é mau para quem governa, é mau para a democracia e é mau para a credibilidade do sistema.
Os que pensam que ganhar umas eleições é que conta estão muito errados. O poder foi sempre transitório e há quem depois de perder umas eleições fique muitos anos na oposição pelas marcas de um enorme vazio (quase nojo!) que deixou.
Vivemos hoje uma situação caricata: para percebermos bem o fervor retórico com que alguns deputados, alguns comentadores políticos, defendem “a qualidade” da saúde, a educação, o livre-mercado, o não intervencionismo, etc., temos de ir às finanças, aos sectores empresariais, e procurar saber que empresa, grupo económico ou interesse financeiro gera esse fervor, se há avenças a ligar essas instituições a grandes escritórios por onde passam deputados e notáveis comentadeiros. Ou pensam que foi por acaso que Paulo Portas ou outros foram escolhidos para as empresas que lhe dão vencimentos milionários?
Precisamos de uma regeneração, que coloque o mérito, os valores , a honra, a transparência e os projetos na linha das escolhas. O sistema partidário e o político envelheceram, abrem brechas ao populismo, e favorecem a mediocridade, o chico-espertismo e o nepotismo. O PSD é o espelho de tudo isso, mas o PS não está muito melhor. Quem ouviu as declarações triunfalistas de Pizarro no dia das eleições, até poderia pensar que não só ganhou aquelas eleições como mais três ou quatro, quando foi para todos os efeitos um derrotado e sem atingir as votações que o PS já teve noutros tempos. É esta verborreia que se tornou encantatória para quem vive em circuito fechado, como são os polítiqueiros. Abrir este fechamento aos problemas reais das pessoas só é possível, quando governo e oposição se preocuparem com o que dá razão à democracia: escolher os melhores, com os melhores projetos, as melhores crenças ideológicas, para diminuir o sofrimento dos que mais sofrem. Espero que o congresso do PSD seja a oportunidade para sair do pantano em que caiu e saiba criar condições para que uma figura honesta, trabalhadora e sem aqueles truques de ilusionismo que dominam os gastos e estragados politiqueiros, ganhe a direção do partido. Sem uma oposição credível e forte, este governo terá a tendência para funcionar em roda livre, privilegiando os seus apaniguados. Não basta dizer-se de esquerda, é preciso que a sua prática o demonstre. e isso só acontece se tiver confronto.
São frustrantes os resultados do PC e do BE, as duas formações políticas que deram sentido à geringonça e contribuiram para os seus bons resultados.
É necessário que o voto transporte uma convicção e não seja um calculo de pontaria. É tempo de todos os portugueses se sentirem representados por quem escolhem e a política deixar de ser orientada por lógicas de circunstâncias ou até mafiosas.
Sinceramente, mais importante que o partido das nossas simpatias é que as instituições sejam credíveis e o sistema se abra ao mérito, há transparência e aos valores da honra para que os portugueses acreditem em quem os governa e confiem na construção de um futuro melhor.

quinta-feira, setembro 28, 2017

 

O voto é uma arma. Não a vire contra si!


Está a terminar a campanha eleitoral. Neste São Miguel dos votos, foi um fartote de beijinhos, sorrisos, distribuição a granel de panfletos, comícios com gente à pinha, palmas e muitas palmas, cantares de ocasião, distribuição de esferográficas, etc.. Mas nesta espuma do festival eleiçoeiro o que terá ficado de verdadeiramente importante? Que ideias, projetos para o futuro, formas concretas de resolver problemas, como o da água, princípios democráticos de relação do edil com os munícipes ficaram claros e em compromisso? O que é que conhecemos de cada elemento que constitui uma candidatura, como a sua postura política, sua intervenção cívica, preocupação com a “coisa pública”, etc., que possa constituir certificado de qualidade da honestidade do candidato?

É que o blá…blá.. não chega!
Se é certo que a nível nacional os partidos gostam de contar vitória com os resultados globais, em cada autarquia quem sofre as consequências de escolher um mau candidato são os munícipes. Logo a seguir vem a fatura: são os munícipes que sofrem com a incompetência, o esbanjamento, o aumento de taxas e a ausência de sentido do bem-comum.
O Marco de Canaveses já teve experiência de escolher quem levasse praticamente a autarquia à falência; e, a nível nacional, colocasse o Concelho ao lado dos países do terceiro mundo, entregando a água e outros bens públicos a privados e julgando-se dono do Marco.
Se votasse no Marco de Canaveses (como espero votar nas próximas eleições), preocupava-me com as questões que referi. E não descuidaria o facto de saber se o candidato tinha ou não dado provas de estar integrado na defesa de causas (como, por exemplo, pertencer à Associação dos Amigos do Marco), se era pessoa em quem se podia confiar porque não tinha cadastro, se tinha sentido de Estado ou era um aldrabão, se caiu de paraquedas na política e agarra-se a ela com a sofreguidão de quem espera um tacho,  se  é um vira-casaca como um camaleão, etc..
O voto é uma escolha que também nos define: é o nosso próprio critério de avaliação dos candidatos, o nosso sentido de responsabilidade cívica que está em causa. Se somos cidadãos honestos e responsáveis, faremos uma escolha que esteja de harmonia com os valores da honestidade, sentido de Estado, espirito de serviço e democrático; se não somos, podemos até escolher um oportunista ou um “fora de lei” qualquer.
Numa altura em que as bandeiras já desbotaram a sua ideologia, a nossa escolha define mais o nosso carácter que o partido a que pertencemos. E haverá sempre quem nos julgue por isso, se a nossa consciência cívica não o fizer!

domingo, setembro 10, 2017

 

apresentação de "uma união cheia de História"

Um volumoso livro, com óptima encadernação e um trabalho de investigação exaustivo, com título de capa “MARCO (a nova freguesia), UMA UNIÃOCHEIA DE HISTÓRIA” (seiscentas páginas). São seus autores o arqueólogo Luís de Sousa e o historiador Cristiano Cardoso.
A iniciativa pertenceu ao Presidente da Junta de Freguesia, António Santana, bom filho da Terra e, como bom filho, sente por ela o que ninguém mais pode sentir: uma grande paixão que soma a três qualidades raras: a inteligência, uma invejável cultura e o sentido de empreendedorismo.
Convidou para participar no evento a Associação dos Amigos do Marco, o que muito honrou esta Associação
Apresentou o livro a prof. Drª. Teresa Soeiro e o Prof. Dr. Jorge Fernando Alves. Participei nete evento (é raríssimo no Marco ser convidado para este tipo de eventos, o que não acontece em Amarante), com uma pequena reflexão, a pedido de António Santana, o que senti como generosidade sua, sobre três homens que têm sido esquecidos na minha Terra: José Monteiro da Rocha (1734-1819), criador do

Observatório de astronomia de Coimbra, reitor dessa Universidade e reconhecido como o maior
cientista do tempo, em toda a Europa; Dr Fernando Monterroso (1875-1947), cirurgião-médico, interveio na campanha de Africa, salvando a vida a Mouzinho de Albuquerque, e na Primeira Guerra Mundial, comandando a primeira ambulância (uma espécie de hospital de campanha) e sendo director do Hospital militar do CEP na Flandres. É, por certo, o militar mais medalhado da história do Exército Português. Deixou grande parte da sua fortuna ao Asilo do Marco, que, a suas expensas mandou construir, e à Misericórdia do Marco, mas, hoje, até desapareceu a foto que lá havia sido colocada em sua honra. Mais próximo do nosso tempo, lembrei o
Presidente da Câmara do Marco José Cabral de Matos
(1949-1953), que se inspirou nas “cidade-jardins” para criar o Jardim do centro da Cidade, e a quem a União Nacional lhe fez a vida negra, obrigando-o a exonerar-se do cargo três anos depois de o ter assumido.
Francamente, foi para mim um dia que me senti bem, não só pela importância de participar no evento, como pela honra que o presidente da Junta, António Santana, que conheci há pouco tempo, me deu.


segunda-feira, setembro 04, 2017

 

Uma união cheia de História


Foi um grande filósofo françês,  RICOEUR, professor do actual Presidente da República de França, Emmanuel  Macron (Quando este estudou Filosofia),  que, apoiando-se em Santo Agostinho, escreveu:”O tempo é uma distensão da alma! Medimos as impressões que permanecem no espírito depois da passagem do tempo, e não as coisas que passam (…)

Os tempos (QUE PASSAM) indo embora, deixam uma espécie de espaço temporal (uma extensão; como uma dobra no tempo) que a MEMÓRIA retém”. A  memória de um povo, de uma comunidade, do MARCO, é a sua alma.


O livro que vai ser apresentado no próximo dia 8, dia de Nossa Senhora do Castelinho,  que o Concelho em 1946 consagrou sua protetora e tornou DIA DO CONCELHO, tem por titulo: MARCO, UMA UNIÃO CHEIA DE HISTÓRIA.
Para quem gosta do saber da MEMORIA, apareça no AUDITÓRIO DO CENTRO PROQUIAL DE SANTA MARIA (Igreja do Siza), às 21h, e regale-se com o que foi fazendo a identidade do MARCO

quarta-feira, agosto 30, 2017

 

Um Presidente esquecido.

Para quem se depara com o Jardim Municipal do Marco de Canaveses e vê o busto de Adriano José de Carvalho e Mello, fundador do Concelho, também poderá pensar que foi ele o obreiro do Jardim.
A conotação tem uma carga política: fazer ostracizar o nome do Presidente da Câmara que levou à prática essa obra.
O seu fundador foi o Dr. José Cabral de Matos, advogado, notário, Homem culto e de grande sentido de Estado, que presidiu à Câmara do Marco entre 1949-1953.
Entregou-se à nossa terra com paixão e apoiado na utopia das vilas e cidades-jardim, que procuravam atenuar o impacto entre o rural e o urbano, criou o Jardim Municipal.
Mexeu com muitos interesses instalados. O Dr. José Cabral de Matos bebia a ideia que, o romantismo alimentou, que as vilas deveriam ter espaços de convívio, não cortarem abruptamente com o espírito da ruralidade, disporem de locais de estacionamento fácil, proporcionarem conforto e agradabilidade aos que nela residiam e aos que a visitavam. No espaço onde foi construído o Jardim fazia-se a feira do Marco, uma das maiores do País, uma grande fonte de receita para o comércio local, e havia lugares de estacionamento junto à Câmara que ele entendia que não deveriam ser ocupados por interesses privados.
Certos sectores que dominavam o Concelho fizeram tudo para que ele se fosse embora, demitindo-se de Presidente da Câmara. E mesmo depois de deixar a presidência, foi propositadamente ostracizado, limpado o seu nome do Jardim, fizeram-se monografias que o ignoram e nem nos 150 anos do Concelho foi lembrado. A única referência elogiosa que lhe foi feita, depois de pedir a exoneração do cargo, foi pelo Dr. Francisco Vahia de Castro (nomeado para o substituir) que manifestou, por carta, a sua solidariedade para com o Dr. José Cabral de Matos e referiu que o Concelho lhe deveria agradecer os sacrifícios e a dedicação que lhe votou.
Já passaram muitos anos para que ressentimentos e egoísmos sejam esquecidos. É necessário trazer à memória o Dr. José Cabral de Matos, um homem bom que existiu no nosso Concelho. E, pelo menos, que uma placa, como as que enxameiam o Concelho, se multiplicaram até à exaustão por todo o lado, seja colocada no Jardim para trazer à memória o seu fundador.
Não haverá nenhum candidato à presidência da autarquia que tome como seu propósito concretizar esta ideia?!... Por que não partilhar esta proposta para forçar a sua concretização?


sexta-feira, agosto 18, 2017

 

Democracia orgânica

A maior perversão da democracia é o seu desvio para uma “democracia orgânica”, tão querida de muitos partidos. Nesse falseamento da democracia, o que conta é o amiguismo: só quem está com o presidente é que tem benefícios, as associações recreativas, culturais ou desportivas dominadas por gente de confiança do presidente são privilegiadas, um “verdadeiro intelectual” é o que nos jornais, nas redes sociais sabe tornar virtude os desvarios e erros do presidente e é isso que justifica a recompensa do presidente.
A política na "democracia orgânica" é um jogo de ilusões que se faz pelo espetáculo. O que é preciso é fazer do mandato um festival que promova o presidente, que o torne homem sábio, sendo ele um ignorante, e exalte a vaidade como esplendor de sua proficiência.
Sou contra isto e considero mesmo que isto não é democracia. Foi a política de um passado não muito longínquo que levou o meu Concelho à falência, o meu País à falência. Defendo o valor da critica, penso, como Descartes, que a crítica é o ácido que corrói o erro. Lutarei sempre contra a democracia orgânica que ainda faz escola entre muitos autarcas.
A democracia exerceu-se pelo uso livre da palavra e só com a Revolução Francesa apareceram os partidos, como hoje os consideramos. O maior teórico da democracia é, no meu entender, Karl Popper. Foi um filósofo da ciência e também da liberdade e da democracia. Escreveu "Sociedade aberta e os seus inimigos" Ora vejam o que ele diz nesta entrevista:

"Inicialmente, em Atenas, a democracia foi uma tentativa de não deixar chegar ao poder déspotas, ditadores, tiranos. Esse aspecto é essencial. Não se tratava, pois, de poder popular, mas de controlo popular.
(…)
Desde o início que o problema da democracia foi o de encontrar uma via que não permitisse a ninguém tornar-se demasiado poderoso. E esse continua a ser o problema da democracia.
(…)
Numa democracia, é essencial a consciência da responsabilidade, a responsabilização daqueles que detêm o poder e o exercem. Tudo gira à volta disso. Responsabilidade significa responder a uma acusação. É nisso que consiste, fundamentalmente, o ser responsável. Dar respostas às criticas e afastar-se quando essas respostas não forem suficientemente convincentes. Trata-se, por consequência, não de conduzir o povo, mas de dar satisfação ao povo.
(…)
Teríamos de ser democratas, ainda que se viesse a provar ser a ditadura economicamente mais eficaz. Não devemos trocar a nossa liberdade por um prato de lentilhas! Todavia, é evidente que a democracia é mais bem sucedida, e por uma razão puramente humana. Ela é mais bem sucedida porque a iniciativa humana e a força criativa do Homem estão natural e intimamente associadas à liberdade. Só se for possível falar livremente, poderemos desenvolver as nossas ideias. Sempre que numa sociedade moderna a criatividade e a iniciativa são reprimidas, as coisas correm pior para esses países do ponto de vista económico.
(…)
A riqueza é uma consequência da liberdade, da iniciativa e, sobretudo, da liberdade de expressão.

(Excertos de uma entrevista de Manfred Schell a Karl Popper)

sexta-feira, agosto 04, 2017

 

Habemus net!

Foi com o tema “A Cidadania como factor do aprofundamento da democracia e do desenvolvimento ” que terminou o ciclo de debates promovido, neste Verão, pela Associação dos Amigos do Marco.

Carla Queirós, representante do Movimento do Comércio Tradicional, trouxe para a reflexão duas questões: a multiplicação de centralidades dispersou os clientes, enfraqueceu o comércio e esvaziou as ruas tradicionais. Situação que se agravou com uma requalificação que, copiando o estilo pós-moderno aplicado a centros históricos (onde não há trânsito), desenhou sentidos únicos, com passeios altos e um pavimento trepidante que afasta os veículos, empurra os ciclistas para os passeios, dificulta o estacionamento e, em eventuais casos de emergência, agrava a necessidade de imediato socorro, criando problemas que podem ser trágicos, cuja responsabilidade não deixará de recair sobre a Câmara.

Carla Queirós referiu-se, depois, ao sentimento que existe entre os comerciantes de que as mais-valias do investimento autárquico beneficiam as grandes superfícies, com as infra-estruturas que lhes são disponibilizadas, e não trazem retorno para o comércio tradicional que contribui com uma significativa fatia dos impostos que são cobrados pela autarquia.

O sociólogo da U.M., Carlos Silva, fez a distinção entre discriminação e exclusão e, utilizando o pointer-point, evidenciou com números o darwinismo social da exclusão, levando os ricos a se tornarem cada vez menos numerosos e mais ricos; e os pobres, cada vez mais e mais pobres. Tomou a exclusão como conceito orientador da sua exposição e falou dos diferentes patamares em que ela se evidencia. Referiu, inclusivamente, a captação da discussão política pelo poder político que centrifuga o debate nos partidos, com exclusão dos cidadãos, independentemente das suas cores ideológicas ou partidárias.

Finalmente, o antropólogo Fernando Matos Rodrigues referiu-se ao espaço público, como espaço dos afectos e da memória e, por isso, complexo. Recusou o minimalismo pós-moderno (evidenciado na requalificação da Cidade), que vê nas comunidades uma soma de indivíduos, valorizando apenas o conhecimento tecnocrático, sem consideração pelos saberes espontâneos, emoções e outros laços que fazem a vida em grupo e constroem a coesão social.

Gerou-se, depois, um interessante e caloroso debate. Um participante sublinhou que a falta de discussão pública (privilégio apenas de alguns ungidos) da requalificação da Cidade foi patente, inclusivamente no facto de só depois de realizado o projecto de requalificação se dar conta que um dos munícipes tinha ficado sem entrada para a garagem da sua residência. Um outro interveniente lembrou que a natural expansão da Cidade seria para o rio, donde provem a história do Concelho, e que foram os interesses imobiliários ligados à anterior autarquia que perverteram este rumo e multiplicaram as centralidades. Seguiram-se outras intervenções e, mesmo depois de ter terminado o debate e fechado o auditório, cá fora, o debate continuou aceso, parecendo não querer terminar.

Manifestou-se  o apreço e a importância da presença de muitos candidatos à autarquia e lamentou-se que outros tenham faltado, o que denuncia a hipocrisia das preocupações que proclamam, quando se desinteressam pelos debates que sobre a nossa terra são feitos. Parecem continuar a acreditar que, na romaria eleitoral, lhes basta a cartilha das promessas avulsas. Pensam que os eleitores gostam de seguir a cenoura que lhes apontam, sem precisar de sentir os problemas que localmente são vividos e carecem de resposta. Talvez por procederem como os “mercenários” que nas guerras só estão disponíveis para os proventos da batalha!

Também houve quem referisse a incomodidade que os responsáveis pela autarquia demonstram, quando alguma crítica é feita à sua “obra”, e, na sua insensibilidade democrática, se alargam em cansativas justificações que nunca convencem ninguém. É, de facto, um estilo que, numa tonalidade mais doce, provem de outros tempos, lembra Trump à escala mínima, e não deixa de ser reflexo da tentativa de monopolizar a discussão política, não saber aprender com os cidadãos e exclui-los do uso livre da palavra - o que acaba por evidenciar a actualidade da importância da AACMC, como fórum do uso livre da palavra, sem a intimidação do poder e com a recusa de ser correia de transmissão da propaganda dos interesses dos directórios locais dos partidos.

Sem o debate livre, o levar à prática o princípio de que “o que é destinado aos munícipes não deve ser feito sem os ouvir”,  não há exercício da cidadania; e sem cidadania não há democracia. É incontroverso que a democracia emergiu do uso livre da palavra na Grécia Antiga  e os partidos só apareceram com a Revolução Francesa. A doutorice funciona, hoje, como um vírus da democracia que leva a satisfazer-se com uma representação dos munícipes só por doutores e engenheiros. Depois, os outros cidadãos ficam sem quem os represente nas assembleias municipais, que se vão transformando num fórum fechado, entregue a interesses de grupos e à irrelevância das questiúnculas, imitando, no seu pior, o ruído que acontece na Assembleia da República.

A democracia que se fecha sobre os profissionais da política ou na cegueira do elitismo, promove o dramático crescimento da abstenção, torna os políticos numa classe arrogante, retira-lhes o prestígio, desenvolve pulsões autoritárias e dominadoras.

A profissionalização da política é responsável pela necessidade de eternizar a ocupação de cargos políticos e muitos autarcas, impedidos de se recandidatarem, recorrem ao estratagema de passarem de candidatos à presidência da autarquia para candidatos à presidência da assembleia, com vista a retomarem a presidência da autarquia em próximas eleições. É-lhes indiferente o risco de estilhaçarem o partido com divisões internas, como já acontece em muitas autarquias. O que lhes interessa é manter a carreira. Talvez, por isso, já se ouve os mais avisados a confessarem que sabem em quem não votam, mas não sabem em quem vão votar.

Uma outra consequência desta perversão da democracia é o sentimento subjectivo que se gera nos eleitores: o de que, sendo todos os políticos iguais, todos fazendo da política um espectáculo das suas prosápias e das ilusões, o melhor é apostar em quem sabe ouvir, porque é do saber ouvir que sempre se esperou a melhor resposta.

O elevado índice de abstenções, superior já aos votantes, reflecte a descrença nos políticos. E a desilusão dos eleitores vai-se tornando terreno fértil para os demagogos, seja a nível de uma autarquia ou de uma nação. Ficam a votar neles, os menos cultos, os que acreditam na cenoura que lhes colocam à frente!

A política-espectáculo formatou o pior defeito dos autarcas ou de outro qualquer líder: o de pensarem que entre a ficção que impingem e a realidade vivida, os eleitores correm atrás da ficção e esquecem a realidade do dia-a-dia.


Não se pense, por isso, que transformar a Baiana (que acidentalmente nasceu no Marco - só foi para evitar o risco de sua mãe abortar no navio que levou o seu pai para o Brasil) numa bandeira eleitoral faz o triunfo de uma candidatura! Não é, nem podia ser!... A Baiana não é fundante da história do Concelho e privilegiá-la em relação aos que, no passado, mais serviram a nossa Terra é uma injustiça. Logo, o busto que a fará lembrar é efabulador, não gera significado, não passa de uma mistificação, consumida mais por forasteiros do que pelos conterrâneos, e, mal as luzes do espectáculo se apaguem, será esquecido pelos mais esclarecidos ou olhado com troça!

João Baptista Magalhães

quarta-feira, julho 26, 2017

 

Ultimo debate da AACMC

No próximo dia 29, sábado, pelas 17 h, no auditório municipal do Concelho do Marco de Canaveses, realiza-se o último debate, promovido pela Associação dos Amigos do Concelho, subordinado, ao tema: “Cidadania como factor de aprofundamento da democracia e de desenvolvimento”.
São convidados para intervir a nossa conterrânea Carla Queirós sobre os problemas do comércio local e a pulverização de centralidades; sobre organização dos cidadãos,Manuel Carlos da Silva, sociólogo, professor catedrático da Universidade do Minho. Investigador do CICS. Nova Universidade do Minh. Coordenador do projecto de Investigação, “Modos de vida e formas de habitar nas ilhas do Porto e bairros de Braga financiado pelo F.C.T. Membro da direcção do laboratório de Habitação Básica. Ex- Presidente da Associação Nacional de Sociologia. Director do ICS/CICS. Ganhou o prémio Nacional Sedas Nunes com a obra “Resistir e Adaptar”. Publicou vários livros sobre as temáticas da sociologia do género, das lutas sociais, exclusão social e cidadania.E sobre espaço público,Fernando Matos Rodrigues. Antropólogo. Investigador do CICS. Nova- Universidade do Minho. Director do laboratório de Habitação Básica. Coordenador do Programa da reabilitação da Ilha da Bela Vista/ Porto. Curso de Doutoramento em Teoria de Arquitectura e Projecto Arquitectónico (Univ. Valladolid/Espanha). Doutorando em sociologia e antropologia do habitar. Prof de antropologia do espaço no Mestrado Integrado no curso de Arquitectura da ESAP (1991-2015) . Director da Revista Ruralia (1987-1994) e Cadernos ESAP (1995-1999). Autor de vários livros na área da habitação, cidade e espaço público.


terça-feira, julho 25, 2017

 

Voltando ao assunto

Franz Kafka escreveu um dia: “A verdade é aquilo que todo o homem precisa para viver e que ele não pode obter nem adquirir de ninguém. Todo o homem deve extraí-la sempre nova do seu próprio íntimo, caso contrário ele arruína-se. Viver sem verdade é provável, mas não é viver. A verdade é talvez a própria vida”.
Para mim, esta concepção de verdade é um lema de vida. Há uma diferença entre verdade, opinião e critica. A verdade é o que faz luz na nossa maneira de ver a vida, os outros e o mundo. Não há uma verdade que seja uma cópia da realidade. Vemos o mundo pelos “óculos” que constituem o nosso paradigma ou sistema de crenças. Os factos, os acontecimentos, a realidade não fala por si, precisa que a interpretemos. E, in-ter-pre-tar, é ver por dentro (com a nossa maneira de ver), fornecer o significado de algo; explicar, elucidar, segundo o nosso modo de ver. Por isso, existem conflitos de interpretações: vemos as mesmas coisas, mas damos significados diferentes, porque os nossos “óculos”, a nossa maneira de ver é diferente.
A opinião é a nossa perspetiva, o nosso ponto de vista. A crítica é o nosso desacordo, com a nossa verdade. Ela é o resultado do nosso compromisso com a verdade. É mesmo indispensável e, talvez, por isso, Descartes dizia que ela corrói o erro. Sem ela não há o exercício da cidadania. A crítica deveria começar por ser autocritica, é inerente à responsabilidade pessoal e política. E ser responsável é responder a uma acusação a uma crítica. Por isso, a crítica exige confronto, direito ao contraditório, põe-nos em diálogo e ajuda a corrigir erros que podem derivar de quem faz a crítica ou a ela se sujeita.
Tudo isto é muito diferente de atirar com pedras e esconder a mão, com a cobardia e a falta de carácter das cartas ou comunicados anónimos.


segunda-feira, julho 24, 2017

 

Os crápulas escondem o nome!

É triste, faz-nos estrangeiros na nossa própria terra, na terra onde Siza Vieira construiu uma igreja, símbolo da concórdia, da paz, da transparência e da fraternidade, mas é verdade.
Em alturas de eleições no Marco de Canaveses aparece, desde há muito tempo, um crápula (ou quem com ele aprendeu a ser canalha) que utiliza a escuridão do anonimato para dar andamento à sua tara anti-social. Surge quase sempre com uma “carta aberta”, uma espécie de tiro na escuridão da desonra. Quem não se lembra da “carta anónima” a um deputado? O estilo é o mesmo: constrói um inimigo, fazendo-se amigo a quem dirige a carta, mas o seu objetivo é servir um terceiro: o candidato do partido que lhe fará os jeitos que lhe interessam. É o estilo fascista utilizado nas campanhas negras das guerras frias.
Basta ler, com atenção, essa pseudo-carta para se perceber que o crápula conhece bem as funções da polícia municipal, da multa das motorizadas, das obras públicas feitas no Concelho e mostra (como convém!) a sua hipócrita preocupação com a queda de receitas camarárias.
Espantoso, sabendo-se do estado de bancarrota em que estava a Câmara numa outra legislatura!
Não será difícil encontrar o seu autor e entrega-lo à Justiça. Mas este problema das asquerosas cartas anónimas não pode ser só o do partido visado: tem de ser repudiado por todos os partidos que querem que a política tenha ética e que o Marco de Canaveses não seja terra onde os energúmenos podem andar à solta.
Como seria um gesto de elevado sentido político, se os partidos com candidatos honestos censurassem esta nojenta forma de fazer política? Todos temos de ser solidários contra a política do nojo, da campanha negra! Não se esqueçam do poema de Brecht:
Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde".


domingo, julho 16, 2017

 

Um enriquecedor debate!


A comunicação do Eng Rui Sá, Sábado, no auditório municipal, a convite da Associação dos Amigos do Marco, proporcionou um debate intenso e enriquecedor sobre as questões autárquicas. A presença de três candidatos à autarquia (PS, PSD e CDU) foi a demonstração de que esta Associação Cívica tem razões para se orgulhar de servir a sua Terra, promovendo debates para se encontrar as melhores ideias que sirvam a orientação de um melhor futuro do seu Concelho.

A política antes de ser uma questão dos partidos é, desde o tempo dos gregos, um problema do exercício da cidadania. E, em tempos de grande desilusão dos partidos, o exercício da cidadania é a grande âncora onde se pode segurar a democracia. Foi agradável ver os candidatos à presidência do município presentes e participaram no debate. É significativo que os candidatos que apareceram e participaram no debate sejam, todos eles, naturais e residentes no Marco de Canaveses. De facto, só quem sente como sua a Terra onde nasceu, cresceu e fez amigos pode estar interessado em encontrar as melhores ideias para orientar a gestão da autarquia para onde se candidata. E isso marca a diferença entre um candidato e o que procura, através das eleições, um emprego político

No próximo dia 29 teremos o último debate deste ciclo, donde esperamos que saia uma carta cívica de compromisso para apresentar aos candidatos à Autarquia interessados.

sexta-feira, julho 14, 2017

 

Debate, amanhã, Sábado

Apareça!
in: JN
Foto de Antonio Ferreira.

segunda-feira, julho 10, 2017

 

Convite


Como seria gratificante, se os marcoenses que fazem parte ou não das listas dos diferentes partidos à Autarquia do Marco, aparecessem neste debate O Eng. Rui Sá foi vereador da Câmara do Porto e é professor universitário. Por toda a gente, mesmo entre aqueles que nada têm a ver com o seu partido, consideram-no um académico sabedor,  um político de convicções e um homem de diálogo.

Apareçam!

A democracia é, por excelência, uma forma de agir pela palavra.

Enriqueçam este debate!

sexta-feira, julho 07, 2017

 
iN jn


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