sexta-feira, abril 13, 2018

 

Comemoração do 25 de Abril


  1. A Associação dos Amigos do Marco, vai, como é habitual, comemorar o 25 de Abril.
    Este ano as comemorações vão efectuar-se no dia 21 de Abril (sábado) através de uma sessão solene a realizar no Auditório Municipal e que contará com a presença do Coronel Sousa e Castro, Capitão de Abril e Membro do Conselho da Revolução.
    É uma oportunidade para conhecer e conviver com um dos homens fortes do Movimento das Forças Armadas que em 1974 derrubou a ditadura de Salazar e Caetano e
    devolveu a liberdade ao nosso País.
    Antes da sessão solene, pelas 13h00 vai realizar-se um almoço comemorativo no Restaurante Magalhães, nesta cidade.
    A AAM CONVIDA TODOS OS MARCOENSES A ASSOCIAREM-SE A ESTE ACTO, QUE TERÁ ENTRADA LIVRE NO AUDITÓRIO MUNICIPAL A PARTIR DAS 16H00.

segunda-feira, abril 09, 2018

 


Convém não esquecer isto!


Comemora-se, hoje, o aniversário da Batalha de La Lys

Portugal foi para a Guerra para não perder as colónias cobiçadas, na altura, pelos ingleses e alemães. Escrevi com o saudoso amigo Coronel Virgílio Barreto Magalhães um livro sobre um nosso conterrâneo, combatente e médico nessa Grande Guerra: “Fernando de Miranda Monterroso, O Homem, O Herói e o Benemérito”.


Quisemos fazer a memória deste Homem bom pela seguinte razão: Este homem bom, herói de guerra e benemérito da nossa terra estava praticamente esquecido e até a sua foto tinha desaparecido do Asilo que a expensas suas tinha criado no Marco. Este Militar deixou grande parte da sua fortuna à Misericórdia do Marco e criou três bolsas de estudo, que serviram de exemplo a que outras fossem criadas pela autarquia.


Sobre a Batalha de La Lys, deixamos escrito o seguinte:” Esta incursão (dos alemães), desenhada numa situação de desespero, teve como seu arquitecto, o General (alemão) Erich Ludendorff. Concebeu-a para ser em grande escala, aterradora, feita de rompante, em massa e numa altura que pudesse surpreender o lado mais frágil das tropas luso-inglesas que ocupavam a Flandres. Deu-lhe o nome de “operação Georgette”, e entregou o seu comando ao General Ferdinand von Quast.


Esse lado era o que estava a cargo das tropas portuguesas, praticamente abandonadas por Portugal, depois do golpe de estado, com que Sidónio Pais tomou conta do poder, prendendo Afonso Costa, chefe do Governo, e exilando o Presidente da República.

(…)

Por volta das 4h15m da madrugada desse dia, arrancou, de surpresa o ataque. Mais de um milhar de bocas de fogo dispararam sobre a frente ocupada pelas tropas portuguesas e o seu impacto foi sentido como um terramoto horrendo e inimaginável, abrindo crateras com mais de 20 metros de diâmetro que engoliam soldados e armamento.


Este ataque intenso, massivo e em profundidade foi feito com oito Divisões (cerca de 55mil homens) numa primeira linha, cinco na segunda e três na terceira. Teve como alvo o 11º Corpo Britânico e o CEP que, como sabemos, ocupavam uma área de 55 km de frente, entre as localidades de Gravelle e de Armentiére. Mas o grosso do ataque fez-se contra o sector considerado mais débil, o ocupado pela 2º Divisão das tropas portuguesas.



A resistência em linha, como era a das trincheiras, sem capacidade de mobilidade, cedeu e as forças alemãs romperam o flanco esquerdo da defesa portuguesa, onde se fazia a ligação entre as forças das tropas comandadas pelo general Gomes da Costa e as forças britânicas da 40ª Divisão.

(…)

Por volta das 8h30m já não havia praticamente combatentes portugueses na primeira linha e a “avalanche” avançou como um rolo compressor sobre a linha B, atingindo rapidamente a zona das aldeias. Tudo foi feito com violentíssimos bombardeamentos de artilharia e ataques de gás que destruíram a 1ª e a 2ª linha de infantaria e cortaram as comunicações telefónicas e telegráficas.

As explosões de granadas e obuses passaram a atingir os comandos das brigadas, as posições da artilharia da Segunda Divisão do CEP, inclusivamente o seu Quartel-general.

A “chuva de metralhada”, como lhe chamou Augusto Casimiro (um poeta com o posto de capitão, natural de Amarante) no seu livro “Calvário da Flandres”, arrasou tudo e todos. O intenso fogo, o bombardeamento dos aviões e as granadas de gases foram pondo fora de combate milhares de militares.

Apesar da resistência heroica, foi impossível aos soldados portugueses, sem reforços, suster aquela “avalanche” de “boches”, com melhor armamento e em quantidade abissalmente superior.

Quem não morreu nem se entregou, entrou em pânico numa fuga desesperada e sem norte. Em apenas quatro horas de batalha, o general Costa Gomes perdeu 7.500 soldados, entre os quais 327 oficiais e cerca de 100 peças de artilharia.

A própria coordenação dos serviços de saúde tornou-se impossível. Não se conseguia formar uma coluna automóvel de transporte de feridos: o fogo inimigo tinha destruído a maioria dos veículos e os que restaram estavam avariados.

Neste contexto, o Cirurgião-Médico, Dr. Fernando Monterroso, mais uma vez, demonstrou ser um oficial corajoso, proficiente e determinado. Podia-se dizer dele o que disse Ferreira do Amaral (um oficial de carreira que também tinha estado em África e comandou na Flandres os soldados de infantaria de Tomar, Faro e Penafiel) numa indirecta aos oficiais pretensamente patriotas: “Não resolvi ir de repente, no entusiasmo dos vivas e excitado pelo som dos clarins e trombas da guerra, mas por dever de militar".

Nessa altura, Fernando Monterroso, chefiava os Serviços de Saúde da 2ª Divisão sediado em Lestrem e recebeu ordem do comando do XI Corpo do Exército Britânico para se deslocar para Saint-Venant.

Como não conseguiu transporte para essa deslocação e é informado que não há garantias para que em tempo oportuno o consiga, fê-lo a pé e envidou todos os seus esforços para reunir todos os que foi possível encontrar feridos, desorientados ou em debandada.

(…)

Como reza a justificação para ser galardoado com a medalha da “Batalha de La Lys”, a sua decisão salvou muitas vidas, foi considerada heróica e contribuiu para levantar o nível moral das tropas”.

A catástrofe de La Lys, com as suas consequências, as inúmeras perdas de combatentes e humilhações sofridas, transformou-se num pesadelo que fez esquecer no CEP todas as glórias do passado recente na Flandres. E elas não foram poucas!...

(…)

Este sentimento de frustração gerava mágoas profundas, de difícil cura, que eram sempre acompanhadas de queixumes: nas cantinas, nos gabinetes, em todos os locais onde conviviam combatentes, não faltava o dedo acusatório virado para Sidónio Pais, para os “cachapins (os beneficiados da guerra), os ingleses e os oficiais que aproveitavam vir de gozo de licença a Portugal e depois obtinham a desmobilização, com base no decreto nª 3959 de 30/03/1918, conhecido pela lei do “roullement”.



A substituição, ao fim de um ano, das tropas mobilizadas para a Flandres nunca aconteceu. O governo português de Sidónio Pais foi o único que, nas palavras do subchefe do estado-maior do CEP, coronel Ferreira Martins, “infligiu aos seus soldados o suplício intraduzível de lhes dizer que estão ali para sempre até que um tiro, um estilhaço ou uma tuberculose os tire dessa guerra, cuja duração ninguém podia prever”.



Compreendia-se, por isso, que nos duros rostos dos soldados portugueses desaparecessem os apegos que lhes faziam enaltecer a sua pátria e sentir orgulho em cumprir um dever patriótico. Vivia-se, agora, um profundo sentimento de ingratidão, tratamento arbitrário, humilhação, sofrimento e tristeza.

Chegavam-lhes, ao arrepio da censura, notícias da epidemia do tifo e da gripe, também conhecida por gripe espanhola ou pneumónica, que semeavam a morte em Portugal, mas nem isso superava a dor do abandono a que tinham sido votados, a consciência de que já não eram um corpo expedicionário, mas restos esfrangalhados de baterias, companhias e batalhões que, por ordem dos ingleses, eram dispersos por diversas unidades britânicas.

Humilhados pelos britânicos e traídos pela Pátria, em nome da qual eram soldados portugueses que morriam, ficavam mutilados física e psicologicamente, encarcerados ou desaparecidos, sentiam a sua alma de combatentes dizer o que escreveu o Coronel Ferreira do Amaral: “Sidónio Pais tratou-nos como gado de pastagem em montado”.

Foi neste contexto que Fernando Monterroso desabafou numa carta a Francisco Moreira de Magalhães, foi o de ter de reviver os locais e as situações que obrigaram a enterrar à pressa soldados tombados na batalha e assistir à morte inútil dos que foram incapazes de resistir aos ventos frios e húmidos da Flandres, que, com tosses intermináveis, lhes roubava a vida, sem ter ninguém, de perto, a valer-lhes”.

A Batalha de La Lys tem um lado que as comemorações esquecem: a traição dos políticos portugueses daquele tempo aos homens que, ao darem a vida pela sua pátria, deixaram as suas famílias cobertas de preto e muitas vezes na miséria.

É bom não esquecer isto!

domingo, abril 08, 2018

 

Apareçam!

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Bons amigos, apareçam!
Dia 14, próximo sábado, pelas 10h30, no auditória da Biblioteca Municipal de Amarante, o prof. Doutor Eugénio dos Santos vai proferir uma palestra-debate sobre esse grande tribuno, a “Aguia do Marão”. O tema é “António Cândido, entre a política e a eloquência”. Tudo isto tem muito a ver com o nosso tempo: os encantos e os desencantos da política, o espírito de serviço e os interesses de ocasião, o sentido de Estado e o sentido das conveniências.
A iniciativa é dos “Cidadãos por Amarante.” Apareçam, porque vale a pena!
A seguir há um almoço, para o qual estão desde já convidados. É no Restaurante Amaranto e haverá fados de Coimbra, quase do tempo de António Cândido. Apareçam que vão gostar e encontrar gente boa, como são sempre os meus amigos. Estão todos convidados! É só marcar presença pele telefone 910 573 366 ou 255 422 006


domingo, abril 01, 2018

 

Aniversário do Concelho do Marco de Canavses

Finalmente a Câmara Municipal do Marco de Canaveses reconheceu o valor fundamental do exercício da cidadania. A Associação dos Amigos do Concelho do Marco (que existe há 19 anos) foi pela primeira vez convidada para participar na sessão solene do aniversário do Concelho. Nestas efemérides foi sempre marginalizada e diga-se de passagem por quem tinha a obrigação de lhe reconhecer o mérito. Só diz bem da nova Autarca fazer a diferença com o passado. Não há democracia sem cidadania e este reconhecimento institucional do valor da AAMC é o melhor estímulo para a continuação da sua ação. Sentem-se gratificados e honrados todos os que fazem parte dos Amigos do Marco por este convite e podemos dizer que a democracia no Marco de Canaveses torna-se mais rica pelo reconhecimento de que vale a pena exercer a cidadania.


quarta-feira, janeiro 31, 2018

 

O poder desenvolve-se em rede.


Pela sua natureza, o Filósofo vai sempre á frente alumiando os horizontes da vida. Estão publicadas as lições de Foucault do curso que deu em 1976 no Colégio de França, com o título “É preciso defender a sociedade”. Tive a graça de conhecer melhor Foucault por um seu discípulo e também professor do mesmo curso, o meu amigo Prof. Dr. Cândido Agra, fundador da Faculdade de Direito no Porto.
Nessas lições que já li enumeras vezes, sempre aprendendo coisas novas, diz Foucault: “Não se deve olhar para o poder apenas como dominação de um indivíduo sobre outros, de um grupo sobre outros, de uma classe sobre outras. O poder deve ser analisado como qualquer coisa que circula, ou melhor, como qualquer coisa que só funciona em cadeia, em rede. (…) É preciso compreender o poder pelo lado da dominação e não da soberania política ou jurídica, pelas táticas de dominação em rede e clientelares”.
Talvez este caso do Juiz Rangel e outros e do Presidente Vieira se possa compreender melhor, lendo as lições de Foucault e pensando como as redes de dominação e clientelares se apoiam na notabilidade que os “media” vão criando, sem nenhuma justificação ética. Neles está o grande vampiro que se alimenta dos próprios monstros que cria!

sábado, janeiro 20, 2018

 

Façam as reformas, porra!....


Escreveu Klaus Mann: “A barbárie nunca esteve muito longe de nós”. Penso que a consciência desta circunstância traz-nos uma grande responsabilidade. Se é verdade que a natureza humana não é tão boa como pensava Rousseau nem tão má como julgava Hobbes, então o melhor é criar condições para que ela não possa dar largas à maldade que há dentro de si e seja capaz de ser estimulada pelo melhor que nela se encontra.

Bem tudo isto a propósito do que diz, hoje, no caderno do Expresso Jorge Sampaio. Segundo ele “os partidos são pouco activos, somos pouco empenhados, a democracia representativa enfrenta sérios riscos: de credibilidade, em relação à opinião pública, em relação aos cidadãos, ao afastamento dos cidadãos da política, não podemos ignorar isto. (…) Os partidos políticos estão completamente ultrapassados (…) os membros dos partidos pouco passam de 200mil” etc.

O que diz Jorge Sampaio ouve-se todos os dias e todos nós o constatamos! Os partidos tornaram-se grupos de interesses e muitos de nós afastam-se deles como das ruas de má-fama! Já não fazem as mediações necessárias à construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Como é possível que Jorge Sampaio com a sua autoridade política e moral não chame o seu partido à atenção para a ruptura que se está a fazer às mediações que os directórios políticos devem operar entre as bases sociais de apoio ao partido e o governo, escolhendo mais de oito governantes para a lista que vai a votos na distrital do Porto?!... Isso acontece na Coreia do Norte, mas não é esse o modelo de democracia representativa que temos! Como é possível que quem já deu notórias provas de ausência de credibilidade seja repetidamente escolhido para ocupar um cargo numa Concelhia?

Não estaremos perto da barbárie, quando, pouco a pouco, vai sendo destruído o melhor que as gerações anteriores deixaram aos partidos? Que travão se coloca a este desmando?

Não há nada mais frustrante para um cidadão (e deveria ser para um militante de um partido) do que ter de concordar com o aforismo: “falam… falam…falam…, mas não fazem nada!...”

A barbárie é a consequência primeira da ausência de valores, mérito, sentido de Estado e honradez, mas o que fazemos para além de meras considerações retóricas sobre esta situação?

Em vez da retórica, aproveitem a autoridade política e moral que têm para promover nos vossos partidos as reformas necessárias à credibilização dos partidos, da políticos e da acção política, porra!...

sexta-feira, dezembro 15, 2017

 
Ouvi ontem a “Quadratura do Circulo”. Esperava que Pacheco Pereira desenvolvesse uma questão que está ligada à “Raríssima” e a todas as raríssimas que vagueiam por este País, algumas com muito mérito e outras nem por isso! Por que será que os políticos, sobretudo do bloco central, estão sempre encostados a estas instituições? São presidentes, vice-presidentes, têm as suas esposas, os seus filhos e parceiros do partido, nos órgãos sociais, e, por vezes, como funcionários das ditas.
E em épocas eleitorais é um corrupio de governantes, candidatos, etc., para as misericórdias, as IPSS, sempre com elas ao colo. E oiçam os sonantes nomes de gente importante, banqueiros, empresários e advogados de sucesso que ontem Lobo Xavier citou!
A resposta parece-me evidente, mas ninguém fala dela! São os mais marginalizados, os que vivem no limite da pobreza, que dão mais votos e desenvolvem os sentimentos instrumentais. É que esta caça ao voto também desenvolve o sentimento de “piedade” que toca nas emoções da flor da pele dos burgueses e outros fariseus que “não matam uma galinha, mas comem carne de galinha”! É nisto que está o segredo desse frenesim em torno das “raríssimas”. E alguns, como um tal Delgado, são bem pagos como as carpideiras a chorar nos funerais. Mas esta postura tem pouco de fraterna e de humanidade. Só tem o “brilho” que promove tocantes emoções que dão jeito às “razões” da política, dos negócios, de quem quer comprar o Céu com a piedade que lhe falta! Depois, é o escândalo, se é que ele existe, porque tudo isto, nos media e nas redes sociais, parece funcionar como sumidouro do espetáculo da luta ideológica e partidária.
Quanto tempo teremos ainda de esperar para que os pisados por este cínico espetáculo acordem e se levantem do chão onde os pisam?!...

domingo, novembro 26, 2017

 

Um debate que os marcoenses podiam saber aproveitar!

Pensando bem, não nos podemos queixar da elevada quantidade de álcool que jovens consomem na nossa Terra. Isso é um reflexo da falta de estímulo de iniciativas culturais. A cultura educa-se, como o saber comer ou o saber beber. No passado sábado, a AAMC promoveu, no Auditório Municipal do Marco de Canaveses, uma conferência sobre José Monteiro da Rocha, uma das personalidades mais marcantes dos finais do séc. XVIII e início do séc. XIX. Foi educador do príncipe herdeiro, D. João VI, e dos seus irmãos, reformador dos estudos da Universidade de Coimbra, um matemático e astrónomo dos mais brilhantes da Europa do tempo, pertenceu à Academia das Ciências, etc. Nasceu na nossa Terra, mais propriamente, em Sobretâmega, Canaveses, onde tinha os pais e os irmãos que muito ajudou. Foi um Homem apagado da história por ser jesuíta, mas, hoje, está a ser reabilitado e já se prepara na Universidade de Coimbra o aniversário da sua morte com colóquios e debates sobre os seus escritos. A Academia de Ciências vai publicar uma longa reflexão sobre esta insigne figura, que foi nosso conterrâneo. Também, em colaboração com a autarquia, queremos tornar pública uma memória deste insigne marcoense.É impossível, hoje, conhecer a história da ciência, da matemática, da astronomia, do ensino, sem conhecer José Monteiro da Rocha, um Homem das luzes. Alguns académicos do Porto foram ouvir a conferência excelente que o Prof. Dr. Fernando B. Figueiredo, da Universidade de Coimbra, investigador na área das matemáticas e da astronomia, pronunciou; e o historiador, prof. Dr. Eugénio dos Santos da U.P. apresentou o conferencista e integrou a obra de Monteiro da Rocha, sacerdote, cientista e vice-reitor da U.C. no contexto histórico do tempo.
A importância desde debate teve acolhimento em alguns académicos que foram do
Porto ouvir os conferencistas, o que, para além da honra que a sua presença deu à Associação dos Amigos do Marco, também ajudaram a compor um auditório onde pouca gente do Marco compareceu, inclusivamente sócios e corpos sociais da nossa Associação.
Felizmente que a Sra. Presidente da Câmara apareceu para cumprimentar os conferencistas e se fez representar pelo Sr. Vice-Presidente durante o debate, o que é sempre um estímulo para nós, Associação dos Amigos do Marco de Canaveses.

domingo, novembro 19, 2017

 

Um ilustre Marcoense

Promovida pela Associação dos Amigos do Concelho do Marco de Canaveses, no próximo dia 25 de Novembro (Sábado), pelas 16 horas, o Prof. Dr. Fernando B. Figueiredo, da U.C. vai falar sobre José Monteiro da Rocha. Poucos conhecerão esta notável personagem, tida como um sábio, das mais respeitadas na Europa do seu tempo.
O palestrante é um académico, que fez a tese de mestrado e doutoramento sobre Monteiro da Rocha, estudando os seus trabalhos como matemático e astrónomo insigne.
Fará a sua apresentação o Prof Dr. Eugénio dos Santos e o nosso amigo e conterrâneo prof Dr. Joaquim Baldaia.
José Monteiro da Rocha nasceu em 1734 em Canaveses. Pertencia a uma família de lavradores e um dos seus irmãos foi um notável santeiro: construiu os santos em pedra que engrandecem o Santuário do Bom Jesus de Braga.
José Monteiro da Rocha foi uma das personalidades mais importantes da Europa nos finais do séc XVIII, princípios do séc. XIX. Aos 18 anos partiu para o Brasil e aí entrou na Ordem de Santo Inácio. Com a expulsão dos jesuítas permaneceu como clérigo e veio para Portugal. Por sugestão do reitor da Universidade de Coimbra,D. Francisco de Lemos, foi encarregado de organizar a nova Faculdade de Matemática (criada com a Reforma de 1772). Colaborou na redação dos estatutos da Universidade reformada, na parte respeitante às Ciências Naturais e à Matemática. Recebeu o grau de Doutor e foi incorporado nessa Faculdade, lecionando as cadeiras de Ciências Físico-Matemáticas, Mecânica e Hidrodinâmica. Em 1783 passou a reger a cadeira de Astronomia e tornou-se no astrónomo mais célebre da Europa. Nesta matéria, tem inúmeros trabalhos e pronunciou inúmeras conferências.
Em 1795 foi nomeado diretor do Observatório Astronómico.
Entre 1801/1807 foi conselheiro do Príncipe Regente D. João, e, logo a seguir, foi nomeado Mestre do príncipe D. Pedro e dos outros infantes, sendo-lhe atribuído um aposento no palácio real.
Em 1804, tornou-se membro da Sociedade Real da Marinha e vice-presidente da Junta da Direção Geral de Estudos e é agraciado como membro da Ordem de Cristo. E, quando o Bispo de Coimbra e reitor da universidade, Dr. Francisco Lemos, liderou a embaixada que foi a Baiona conferenciar com Napoleão, Monteiro da Rocha substituiu o Reitor e foi o elo de ligação entre o Bispo e D. João VI que já se tinha refugiado no Brasil.
Em1814 o Dr. Francisco de Lemos morre e José Monteiro da Rocha é um dos escolhidos para fazer a oração fúnebre durante as exéquias que, em sua honra, são feitas em Coimbra.
Em 1819 José Monteiro da Rocha faleceu em S. José de Ribamar, Carnaxide, Lisboa.
Foi reconhecido como sábio em toda a Europa e uma das personalidades mais influentes do seu tempo. No Marco de Canaveses, onde nasceu, tem uma pequenina rua com o seu nome. Mas não é referida a sua importância!
A melhor homenagem que os marcoenses lhe podem fazer é conhecê-lo bem e têm essa oportunidade no dia 25 de Novembro.
Apareça! Não podemos deixar de saber quem foi José Monteiro da Rocha. É uma obrigação cívica! Ser marcoense também é conhecer os melhores da nossa Terra.

segunda-feira, novembro 13, 2017

 

A tirania da erótica

 
A apresentação pelo Prof. Sobrinho Simões do livro de um velho amigo, o Prof. Carlos Mota Cardoso (que usa o pseudónimo João Trambelo) “A Tirania da Erótica”, editado pela ”Labirinto de letras”, pertencente a pessoas por quem tenho velha admiração, foi espantosa. Só o Prof Sobrinho Simões era capaz de tornar a apresentação de um livro numa conversa a três, entre si, o autor do livro e o auditório, com achegas interessantíssimas, interrogações oportunas e respostas surpreendentes. Não se podia ficar indiferente àquela apresentação, feita na Ordem dos Médicos. Aprendi muito!
O livro é uma reflexão, como disse O Prof. Sobrinho Simões, que poderia ser caracterizado como um ensaio ou como um romance. Para mim, do que já pude ler, é um poema. Ora reparem só neste recorte do sétimo capítulo. “Naquela noite de Outubro a lua abraçou cúmplice a fonte de São Miguel. Primeiro sorriu de júbilo ao contemplar a beleza ardente do amor. Depois chorou de dor ao perceber a fragilidade candente da paixão humana“.

Gosto desta forma de falar do erotismo! Também penso, como diz, na introdução, Daniel Sampaio, que “o erotismo é a sexualidade socializada e um dos seus fins é inserir o sexo na sociedade”. Não esperem do livro um tratado da sexualidade. Procurem-no como um romance ou um livro de poesia sobre o desejo e a fantasia. E vão ver que a leitura é estimulante!

domingo, outubro 29, 2017

 

Um estilo de estar na política que deveria ser imitado.


Uma boa entrevista!... António Costa está muitos graus acima do seu partido. Teve uma postura de Estado, disse o que deveria ser dito e, ao ser incapaz de acicatar ânimos, contribuiu para dignificar a ação política e as relações institucionais. É pena que este estilo não possa constituir um manual de boas práticas políticas. Muita gente, ligada ao seu partido, precisa dessa instrução.
Na minha terra, há uma revolta (para já em surdina!) contra intervenções feitas durante a campanha eleitoral, marcadas pelo despudorado ataque pessoal e calunioso contra o ex-presidente da câmara. Pelo que me foi contado, nem no tempo do fascismo se fazia isso e não sei se Avelino Ferreira Torres chegava a tanto! O debate político é um confronto sobre a melhor maneira de governar e não uma luta cobarde (o atingido nunca está presente), onde vale tudo, até o enxovalho.

Sempre me senti solidário com quem é ofendido publicamente e cobardemente na sua honra, sem se poder defender. E os meus conterrâneos conhecem o combate que travei contra este estilo de fazer política. Não sei o que vai fazer o atingido pelas insinuações caluniosas em dois comícios, mas preocupa-me que os lideres locais do partido, a que pertence o autor dessas insinuações caluniosas, não se distanciem do mesmo, retirando-lhe confiança política. Estas atitudes deixam profundas nódoas, não são facilmente esquecidas, vão moendo em surdina e acabam por descredibilizar os partidos e a ação política.
O exemplo de António Costa resume-se a um princípio muito antigo, encontrámo-lo já nos gregos, nomeadamente na “República” de Platão: antes da política está o civismo e se este falta não se percebe para que serve a política. Por isso, Platão defendia que a política é uma arte nobre. E acrescentava: “Só a justiça diz respeito à política (…) o bom político sofre a injustiça, mas é incapaz de a aplicar contra o adversário.” E dizemos nós: muito menos caluniá-lo!

segunda-feira, outubro 23, 2017

 

Não se pode ficar apenas pelas “tortas de uvas”


Em 20 páginas os senhores desembargadores do Tribunal da Relação do Porto construíram uma sentença, onde invocam a Bíblia, o Código Penal de 1886 e até civilizações que punem o adultério com pena de morte, para demonstrarem a gravidade deste delito, mas não leram a Bíblia até ao fim.
A sua jurisprudência vai contra os livros sagrados e corre o risco perigoso de heresia, que na Inquisição se pagava com a morte pelo fogo. Diz, nos livros proféticos, Oseias: “O senhor ainda disse: «Vai, de novo, e ama uma mulher, que é amada por outro, e que comete adultério, pois é assim que o SENHOR ama os filhos de Israel, embora eles se voltem para outros deuses e gostem das tortas de uvas».”In: Bíblia Sagrada (Difusora Bíblica, Franciscanos Capuchinhos, Lisboa, Fátima), Livros Sagrados, profeta Oseias, pg.1452
Nenhuma jurisprudência, nenhum magistrado, pode ficar apenas pelas “tortas de uvas”

quinta-feira, outubro 19, 2017

 

A hipocrisia deveria ter limites!


A direita que eu conheci, orientava-se por princípios e preferia quebrar do que torcer. Era essa a característica que eu mais detestava nela. Sempre achei que a tolerância é a virtude social do diálogo que permite a coesão. Mas havia uma altura que eu sentia que torciam mesmo: diante do sofrimento, a direita que eu conheci, sabia comunicar solidariedade pelo silêncio. Muitas vezes, vi o meu pai, o meu avô e muitos dos seus amigos apertar a mão de quem sofria e, olhos nos olhos afivelar nos rostos, um silencioso, quase místico - “estamos juntos!..”
Esta direita, da Sra. Cristas, nada tem a ver com a direita que eu conheci. Aproveita o sofrimento que se abateu com as mortes ceifadas pelas labaredas do fogo e grita, num ruído obsceno, que é preciso mudar de governo. A Sra. Cristas, conhecida por Misse eucalipto (pela fervorosa defesa que, no governo a que pertenceu, fazia da expansão do eucalipto, cuja produção de riqueza comparava ao “petróleo”), perturba o único sentimento, a única manifestação que podemos ter para com os que nesta altura mais sofrem: entregar-lhes, com o silêncio dos olhos, a solidariedade do coração. É isso que a sociedade civil, párocos, organizações socias e empresários estão, neste momento, nos lugares mais atingidos pelo fogo, a fazer: vão ter com essas pessoas, abrem espaço ao silêncio que manifesta a solidariedade, e deixam-lhes o que mais precisam para atenuar a dor.
Para que serviria nesta altura substituir Costa por outro qualquer primeiro-ministro? Por certo não ficaríamos melhor! A herança de Cristas e do governo a que Sra. pertenceu deixou marcas de arrogância, incompetência e insensibilidade humana que ninguém hoje quer ver repetir. Se é certo que houve falhas, estou certo que muito maiores seriam se fosse o governo anterior a gerir esta terrível tragédia!

Deixem António Costa, apesar do seu metálico feitio, governar. Este governo tem prestigiado, como se sabe, Portugal. É uma referência por toda a Europa, até para o Sr. Schauble, e arrancou-nos de uma crise que, se virmos bem, foi tão terrível como os incêndios que neste verão devastou o País. E não pensem que também não causou mortes!...
Só a sofreguidão de chegar ao poleiro do poder pode justificar a censura que a Madame Eucalipto vai apresentar na próxima terça-feira, perturbando o silêncio do coração que devemos aos que neste momento mais sofrem.
A hipocrisia deveria ter limites!

domingo, outubro 15, 2017

 

Não é normal!


Estive ligado durante alguns anos à Direção dos Bombeiros do Marco. Sempre me deprimia ouvir as sirenes, ver correr os bombeiros a tentar apagar labaredas que pareciam engolir tudo à sua frente. Nessa altura, não havia muitos incêndios nos montes. Havia sempre gente a olhar pelas suas terras e talvez isso desmotivasse os incendiários. Hoje, andei à caça na Serra da Aboboreira. Andei acompanhado pelas minhas duas cadelas. O terreno que não estava ardido era um matagal fechado, entupido por silvas e tojo, que até as minhas cadelinhas gemiam por terem dificuldade em passar. Não vi viv´alma. No ano passado ainda via caçadores, encontrava-me com eles e festivamente bebíamos um copo acompanhado de um naco de chouriço. Hoje, não vi literalmente ninguém! Sei que diminuiu imenso o número de caçadores pelas dificuldades que os “urbanos” foram criando à caça, tornando-a quase um “crime de guerra”. As consequências estão à vista: da minha terra até ao Porto, por todo o lado, só se viam incêndios e a atmosfera estava saturada por uma pesada nuvem de fumo. Como é que se poderão evitar os fogos nos montes, nas serras, se, por lá, já não anda ninguém?

Não é possível que tantos fogos não tenham origem em mão criminosa e não me venham dizer que são os pastores para abrir espaço à verdura dos pastos. Os fogos têm origem criminosa e não me admirava muito que fosse uma estratégia para pôr em causa este governo. São demasiados!... E não andam por aí pirómanos que cheguem para atear tanto fogo. Mas a culpa, também é de quem vai dificultando o prazer de andar no monte, de sentir a alegria de conviver na caça com velhos amigos. Já não é possível que alguém escreva como Pascoais: “

“Ó natureza, qualquer coisa existe
De íntimo entre o meu peito e a tua essência!
Se medito, se canto, se estou triste,
Eu sinto, dentro de mim, tua existência”.

Se os incêndios nos tornam mais pobres, não é só pelo que arde (o que já é terrível!) mas também pelo que vamos perdendo da ligação afetiva a esta casa-comum, que é a natureza.

 

Precisamos de uma regeneração!

Precisamos de uma oposição que dignifique a vida democrática. Vivemos uma crise que se revela na falta de confronto de projetos, propostas de soluções. Andamos entulhados numa retórica de simulações, acusações sem interesse, jogos de palavras, em suma, numa sinfonia adormecedora. Canta-se vitória nas derrotas e fazem-se contas dos resultados eleitorais para todos os gostos. Isto é mau para quem governa, é mau para a democracia e é mau para a credibilidade do sistema.
Os que pensam que ganhar umas eleições é que conta estão muito errados. O poder foi sempre transitório e há quem depois de perder umas eleições fique muitos anos na oposição pelas marcas de um enorme vazio (quase nojo!) que deixou.
Vivemos hoje uma situação caricata: para percebermos bem o fervor retórico com que alguns deputados, alguns comentadores políticos, defendem “a qualidade” da saúde, a educação, o livre-mercado, o não intervencionismo, etc., temos de ir às finanças, aos sectores empresariais, e procurar saber que empresa, grupo económico ou interesse financeiro gera esse fervor, se há avenças a ligar essas instituições a grandes escritórios por onde passam deputados e notáveis comentadeiros. Ou pensam que foi por acaso que Paulo Portas ou outros foram escolhidos para as empresas que lhe dão vencimentos milionários?
Precisamos de uma regeneração, que coloque o mérito, os valores , a honra, a transparência e os projetos na linha das escolhas. O sistema partidário e o político envelheceram, abrem brechas ao populismo, e favorecem a mediocridade, o chico-espertismo e o nepotismo. O PSD é o espelho de tudo isso, mas o PS não está muito melhor. Quem ouviu as declarações triunfalistas de Pizarro no dia das eleições, até poderia pensar que não só ganhou aquelas eleições como mais três ou quatro, quando foi para todos os efeitos um derrotado e sem atingir as votações que o PS já teve noutros tempos. É esta verborreia que se tornou encantatória para quem vive em circuito fechado, como são os polítiqueiros. Abrir este fechamento aos problemas reais das pessoas só é possível, quando governo e oposição se preocuparem com o que dá razão à democracia: escolher os melhores, com os melhores projetos, as melhores crenças ideológicas, para diminuir o sofrimento dos que mais sofrem. Espero que o congresso do PSD seja a oportunidade para sair do pantano em que caiu e saiba criar condições para que uma figura honesta, trabalhadora e sem aqueles truques de ilusionismo que dominam os gastos e estragados politiqueiros, ganhe a direção do partido. Sem uma oposição credível e forte, este governo terá a tendência para funcionar em roda livre, privilegiando os seus apaniguados. Não basta dizer-se de esquerda, é preciso que a sua prática o demonstre. e isso só acontece se tiver confronto.
São frustrantes os resultados do PC e do BE, as duas formações políticas que deram sentido à geringonça e contribuiram para os seus bons resultados.
É necessário que o voto transporte uma convicção e não seja um calculo de pontaria. É tempo de todos os portugueses se sentirem representados por quem escolhem e a política deixar de ser orientada por lógicas de circunstâncias ou até mafiosas.
Sinceramente, mais importante que o partido das nossas simpatias é que as instituições sejam credíveis e o sistema se abra ao mérito, há transparência e aos valores da honra para que os portugueses acreditem em quem os governa e confiem na construção de um futuro melhor.

quinta-feira, setembro 28, 2017

 

O voto é uma arma. Não a vire contra si!


Está a terminar a campanha eleitoral. Neste São Miguel dos votos, foi um fartote de beijinhos, sorrisos, distribuição a granel de panfletos, comícios com gente à pinha, palmas e muitas palmas, cantares de ocasião, distribuição de esferográficas, etc.. Mas nesta espuma do festival eleiçoeiro o que terá ficado de verdadeiramente importante? Que ideias, projetos para o futuro, formas concretas de resolver problemas, como o da água, princípios democráticos de relação do edil com os munícipes ficaram claros e em compromisso? O que é que conhecemos de cada elemento que constitui uma candidatura, como a sua postura política, sua intervenção cívica, preocupação com a “coisa pública”, etc., que possa constituir certificado de qualidade da honestidade do candidato?

É que o blá…blá.. não chega!
Se é certo que a nível nacional os partidos gostam de contar vitória com os resultados globais, em cada autarquia quem sofre as consequências de escolher um mau candidato são os munícipes. Logo a seguir vem a fatura: são os munícipes que sofrem com a incompetência, o esbanjamento, o aumento de taxas e a ausência de sentido do bem-comum.
O Marco de Canaveses já teve experiência de escolher quem levasse praticamente a autarquia à falência; e, a nível nacional, colocasse o Concelho ao lado dos países do terceiro mundo, entregando a água e outros bens públicos a privados e julgando-se dono do Marco.
Se votasse no Marco de Canaveses (como espero votar nas próximas eleições), preocupava-me com as questões que referi. E não descuidaria o facto de saber se o candidato tinha ou não dado provas de estar integrado na defesa de causas (como, por exemplo, pertencer à Associação dos Amigos do Marco), se era pessoa em quem se podia confiar porque não tinha cadastro, se tinha sentido de Estado ou era um aldrabão, se caiu de paraquedas na política e agarra-se a ela com a sofreguidão de quem espera um tacho,  se  é um vira-casaca como um camaleão, etc..
O voto é uma escolha que também nos define: é o nosso próprio critério de avaliação dos candidatos, o nosso sentido de responsabilidade cívica que está em causa. Se somos cidadãos honestos e responsáveis, faremos uma escolha que esteja de harmonia com os valores da honestidade, sentido de Estado, espirito de serviço e democrático; se não somos, podemos até escolher um oportunista ou um “fora de lei” qualquer.
Numa altura em que as bandeiras já desbotaram a sua ideologia, a nossa escolha define mais o nosso carácter que o partido a que pertencemos. E haverá sempre quem nos julgue por isso, se a nossa consciência cívica não o fizer!

domingo, setembro 10, 2017

 

apresentação de "uma união cheia de História"

Um volumoso livro, com óptima encadernação e um trabalho de investigação exaustivo, com título de capa “MARCO (a nova freguesia), UMA UNIÃOCHEIA DE HISTÓRIA” (seiscentas páginas). São seus autores o arqueólogo Luís de Sousa e o historiador Cristiano Cardoso.
A iniciativa pertenceu ao Presidente da Junta de Freguesia, António Santana, bom filho da Terra e, como bom filho, sente por ela o que ninguém mais pode sentir: uma grande paixão que soma a três qualidades raras: a inteligência, uma invejável cultura e o sentido de empreendedorismo.
Convidou para participar no evento a Associação dos Amigos do Marco, o que muito honrou esta Associação
Apresentou o livro a prof. Drª. Teresa Soeiro e o Prof. Dr. Jorge Fernando Alves. Participei nete evento (é raríssimo no Marco ser convidado para este tipo de eventos, o que não acontece em Amarante), com uma pequena reflexão, a pedido de António Santana, o que senti como generosidade sua, sobre três homens que têm sido esquecidos na minha Terra: José Monteiro da Rocha (1734-1819), criador do

Observatório de astronomia de Coimbra, reitor dessa Universidade e reconhecido como o maior
cientista do tempo, em toda a Europa; Dr Fernando Monterroso (1875-1947), cirurgião-médico, interveio na campanha de Africa, salvando a vida a Mouzinho de Albuquerque, e na Primeira Guerra Mundial, comandando a primeira ambulância (uma espécie de hospital de campanha) e sendo director do Hospital militar do CEP na Flandres. É, por certo, o militar mais medalhado da história do Exército Português. Deixou grande parte da sua fortuna ao Asilo do Marco, que, a suas expensas mandou construir, e à Misericórdia do Marco, mas, hoje, até desapareceu a foto que lá havia sido colocada em sua honra. Mais próximo do nosso tempo, lembrei o
Presidente da Câmara do Marco José Cabral de Matos
(1949-1953), que se inspirou nas “cidade-jardins” para criar o Jardim do centro da Cidade, e a quem a União Nacional lhe fez a vida negra, obrigando-o a exonerar-se do cargo três anos depois de o ter assumido.
Francamente, foi para mim um dia que me senti bem, não só pela importância de participar no evento, como pela honra que o presidente da Junta, António Santana, que conheci há pouco tempo, me deu.


segunda-feira, setembro 04, 2017

 

Uma união cheia de História


Foi um grande filósofo françês,  RICOEUR, professor do actual Presidente da República de França, Emmanuel  Macron (Quando este estudou Filosofia),  que, apoiando-se em Santo Agostinho, escreveu:”O tempo é uma distensão da alma! Medimos as impressões que permanecem no espírito depois da passagem do tempo, e não as coisas que passam (…)

Os tempos (QUE PASSAM) indo embora, deixam uma espécie de espaço temporal (uma extensão; como uma dobra no tempo) que a MEMÓRIA retém”. A  memória de um povo, de uma comunidade, do MARCO, é a sua alma.


O livro que vai ser apresentado no próximo dia 8, dia de Nossa Senhora do Castelinho,  que o Concelho em 1946 consagrou sua protetora e tornou DIA DO CONCELHO, tem por titulo: MARCO, UMA UNIÃO CHEIA DE HISTÓRIA.
Para quem gosta do saber da MEMORIA, apareça no AUDITÓRIO DO CENTRO PROQUIAL DE SANTA MARIA (Igreja do Siza), às 21h, e regale-se com o que foi fazendo a identidade do MARCO

quarta-feira, agosto 30, 2017

 

Um Presidente esquecido.

Para quem se depara com o Jardim Municipal do Marco de Canaveses e vê o busto de Adriano José de Carvalho e Mello, fundador do Concelho, também poderá pensar que foi ele o obreiro do Jardim.
A conotação tem uma carga política: fazer ostracizar o nome do Presidente da Câmara que levou à prática essa obra.
O seu fundador foi o Dr. José Cabral de Matos, advogado, notário, Homem culto e de grande sentido de Estado, que presidiu à Câmara do Marco entre 1949-1953.
Entregou-se à nossa terra com paixão e apoiado na utopia das vilas e cidades-jardim, que procuravam atenuar o impacto entre o rural e o urbano, criou o Jardim Municipal.
Mexeu com muitos interesses instalados. O Dr. José Cabral de Matos bebia a ideia que, o romantismo alimentou, que as vilas deveriam ter espaços de convívio, não cortarem abruptamente com o espírito da ruralidade, disporem de locais de estacionamento fácil, proporcionarem conforto e agradabilidade aos que nela residiam e aos que a visitavam. No espaço onde foi construído o Jardim fazia-se a feira do Marco, uma das maiores do País, uma grande fonte de receita para o comércio local, e havia lugares de estacionamento junto à Câmara que ele entendia que não deveriam ser ocupados por interesses privados.
Certos sectores que dominavam o Concelho fizeram tudo para que ele se fosse embora, demitindo-se de Presidente da Câmara. E mesmo depois de deixar a presidência, foi propositadamente ostracizado, limpado o seu nome do Jardim, fizeram-se monografias que o ignoram e nem nos 150 anos do Concelho foi lembrado. A única referência elogiosa que lhe foi feita, depois de pedir a exoneração do cargo, foi pelo Dr. Francisco Vahia de Castro (nomeado para o substituir) que manifestou, por carta, a sua solidariedade para com o Dr. José Cabral de Matos e referiu que o Concelho lhe deveria agradecer os sacrifícios e a dedicação que lhe votou.
Já passaram muitos anos para que ressentimentos e egoísmos sejam esquecidos. É necessário trazer à memória o Dr. José Cabral de Matos, um homem bom que existiu no nosso Concelho. E, pelo menos, que uma placa, como as que enxameiam o Concelho, se multiplicaram até à exaustão por todo o lado, seja colocada no Jardim para trazer à memória o seu fundador.
Não haverá nenhum candidato à presidência da autarquia que tome como seu propósito concretizar esta ideia?!... Por que não partilhar esta proposta para forçar a sua concretização?


sexta-feira, agosto 18, 2017

 

Democracia orgânica

A maior perversão da democracia é o seu desvio para uma “democracia orgânica”, tão querida de muitos partidos. Nesse falseamento da democracia, o que conta é o amiguismo: só quem está com o presidente é que tem benefícios, as associações recreativas, culturais ou desportivas dominadas por gente de confiança do presidente são privilegiadas, um “verdadeiro intelectual” é o que nos jornais, nas redes sociais sabe tornar virtude os desvarios e erros do presidente e é isso que justifica a recompensa do presidente.
A política na "democracia orgânica" é um jogo de ilusões que se faz pelo espetáculo. O que é preciso é fazer do mandato um festival que promova o presidente, que o torne homem sábio, sendo ele um ignorante, e exalte a vaidade como esplendor de sua proficiência.
Sou contra isto e considero mesmo que isto não é democracia. Foi a política de um passado não muito longínquo que levou o meu Concelho à falência, o meu País à falência. Defendo o valor da critica, penso, como Descartes, que a crítica é o ácido que corrói o erro. Lutarei sempre contra a democracia orgânica que ainda faz escola entre muitos autarcas.
A democracia exerceu-se pelo uso livre da palavra e só com a Revolução Francesa apareceram os partidos, como hoje os consideramos. O maior teórico da democracia é, no meu entender, Karl Popper. Foi um filósofo da ciência e também da liberdade e da democracia. Escreveu "Sociedade aberta e os seus inimigos" Ora vejam o que ele diz nesta entrevista:

"Inicialmente, em Atenas, a democracia foi uma tentativa de não deixar chegar ao poder déspotas, ditadores, tiranos. Esse aspecto é essencial. Não se tratava, pois, de poder popular, mas de controlo popular.
(…)
Desde o início que o problema da democracia foi o de encontrar uma via que não permitisse a ninguém tornar-se demasiado poderoso. E esse continua a ser o problema da democracia.
(…)
Numa democracia, é essencial a consciência da responsabilidade, a responsabilização daqueles que detêm o poder e o exercem. Tudo gira à volta disso. Responsabilidade significa responder a uma acusação. É nisso que consiste, fundamentalmente, o ser responsável. Dar respostas às criticas e afastar-se quando essas respostas não forem suficientemente convincentes. Trata-se, por consequência, não de conduzir o povo, mas de dar satisfação ao povo.
(…)
Teríamos de ser democratas, ainda que se viesse a provar ser a ditadura economicamente mais eficaz. Não devemos trocar a nossa liberdade por um prato de lentilhas! Todavia, é evidente que a democracia é mais bem sucedida, e por uma razão puramente humana. Ela é mais bem sucedida porque a iniciativa humana e a força criativa do Homem estão natural e intimamente associadas à liberdade. Só se for possível falar livremente, poderemos desenvolver as nossas ideias. Sempre que numa sociedade moderna a criatividade e a iniciativa são reprimidas, as coisas correm pior para esses países do ponto de vista económico.
(…)
A riqueza é uma consequência da liberdade, da iniciativa e, sobretudo, da liberdade de expressão.

(Excertos de uma entrevista de Manfred Schell a Karl Popper)

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