segunda-feira, junho 26, 2017
Não digam que não Vos avisamos!
Estou
preocupado, como muita mais gente que é marcoense e gosta da sua Terra! Sabemos
que isso pouco interessará aos do
politicamente correto. Mas, porque o Marco de Canaveses é a nossa terra, a
terra onde nascemos, crescemos e fizemos amigos, temos razões de coração, as
que brotam dos caminhos, ruas e locais
que contam estórias da nossa vida, para tomarmos posição cívica nesta hora de
proximidade de eleições.

Tudo isto
nos dá alguma moral para fazermos esta reflexão.
O lema da
Associação dos Amigos do Marco foi sempre este: “Sem cidadania não há
democracia”. E só há uma maneira em democracia de exercer a cidadania: é tomar
a palavra para dizer o que está certo ou errado. Em democracia há o
contraditório e nada do que se diga pode ser declarado intolerável. E quando
isso acontece, a democracia está perdida.
Recentemente
foi publicado “Os inimigos íntimos da democracia” de Tzevetan Todorov, discípulo de Roland
Barthes. É um livro que vale a pena ler.
Acusa como principal inimigo da democracia a ideia de que só a economia deve
dominar a vida social.
Quem assim pensa esquece que o cidadão tem uma vida psicológica e afectiva que faz parte da vida democrática. É por ela que sente pertencer a uma comunidade e ganha a dimensão de político. Tratar os cidadãos como meros instrumentos da produção de riqueza é não perceber o que é a democracia.
Quem assim pensa esquece que o cidadão tem uma vida psicológica e afectiva que faz parte da vida democrática. É por ela que sente pertencer a uma comunidade e ganha a dimensão de político. Tratar os cidadãos como meros instrumentos da produção de riqueza é não perceber o que é a democracia.
Os inimigos
íntimos da democracia desprezam a representatividade como essência da
democracia. Sem nos sentirmos representados em quem escolhemos, não podemos
confiar em quem escolhemos. Representar os eleitores é ser capaz de compreender
os profundos anseios das populações e dar-lhes resposta. É o povo o real
titular do poder político que o delega em quem o possa representar. Os
“políticos de aviário” não percebem isto e, por isso, o descrédito da
partidocracia!
Hoje, reduziu-se
a política a um mero espectáculo, centralizado numa só pessoa, egocêntrico. Até
nas medalhas que, a granel, são distribuídas nos aniversários das autarquias
não há a preocupação de interpretar um reconhecimento social de virtudes
democráticas. O que parece imperar nesse gesto é o ego de quem as coloca no
pescoço dos medalhados, parecendo querer-lhes dizer: “vejam como “eu” vos dou
importância! Não se esqueçam de retribuir com a admiração que me devem!”
Talvez por
isso, já ninguém se lembra dos medalhados do ano anterior e, assim, se vai
banalizando uma cerimónia que antigamente tinha sentido e hoje se perdeu!
Tudo isto
tem a ver com a profissionalização da política, com a completa desvinculação
dos que são eleitos à comunidade que os elege. Alguns até nem são da terra, são
atirados para um concelho como os mercenários eram atirados para uma guerra.
Autarquia
significa o governo dos próprios pelos próprio e a perversão da democracia
aconteceu logo que foi alterada a necessidade dos candidatos terem nascido ou
serem recenseados nas autarquias a que concorrem.
Estamos à
beira de mais um ato eleitoral: as autárquicas! A desilusão tem crescido e as
divisões internas de alguns partidos que
concorrem no Marco tornam previsível uma enorme abstenção. Dizem-nos que as
sondagens já o confirmam.
A abstenção
não se combate com apelos ao voto, mas com a credibilidade dos candidatos, a
capacidade dos partidos apresentarem listas que formem uma equipa reconhecida
pelas suas virtudes políticas de honra, fieldade e ligação à sua terra. Mas
para isso é preciso que o candidato seja capaz de resistir à pressão dos jogos
de interesse que o obrigam a colocar ao seu lado quem lhe vai retirar a
credibilidade que tem.
No meu
entender, só a candidatura do PCP e a do BE, (se houver!), não sofrem essa
pressão. Geralmente estas candidaturas são formadas por personalidades generosas,
que fazem um sacrifício em serem candidatas. Personalidades geralmente de
grande prestígio profissional (não são políticos de aviário), mas que o
eleitorado, por preconceitos, não vota nelas. Falta-lhes a base social de apoio
que lhes permita ganhar as eleições. E é pena, porque nas autarquias que gerem,
têm sabido corresponder às expectativas dos seus eleitores.
Quem se
disponibilize para servir como autarca uma terra, não pode aceitar que empurrem
para a sua equipa os videirinhos, os chico-espertos, os que não dão garantias
de espírito de serviço, que andam sempre á procura dos ventos de feição e só
querem os primeiros lugares de uma lista pelos proventos que isso possa dar a
si e à sua família. O candidato que não contrariar a pressão destes arrivistas
cria a incredibilidade que favorece a abstenção e, com esta, pode acabar por
dar a vitória ao paraquedista, ao candidato que cai numa terra para colher os
votos dos desiludidos, dos que dizem: “vamos dar oportunidade a este que é
diferente”.
Pertenço a
um grupo de marcoenses que gosta da sua Terra e, por isso, fiz, em nome deles,
esta reflexão. Espero que tenha valido a pena! De qualquer forma, não digam que
não Vos avisamos!
João
Baptista Magalhães
Sócio nº 1
da AAMC