sexta-feira, fevereiro 10, 2017
Até sempre Ernesto!

Em tempos de escuridão, quis, como eu, fazer uma experiência de vida junto dos que mais sofriam: eu trabalhei como operário na SPEL e ele conseguiu autorização para estar junto de presos numa cadeia durante um mês. Deixamos o Seminário no mesmo ano: ele foi para a Madeira e eu para o serviço militar.
No verão passado, alguns ex-colegas visitaram-me, mas ele já não pode aparecer. A terrível doença que o levaria a partir, hoje, na unidade de oncologia do Centro Clínico Champalimaud, não o deixou encontrar-se comigo, mas telefonou-me: “logo que melhorar vou ao Porto para estar contigo”.
A notícia chegou agora e por ela escorregou uma noite tão profunda e tão pesada!.. Já não vou encontrar os seus olhos a brilhar na alegria do abraço que trocávamos.
Não merecia que tivesses partido!