Depois do terrível flagelo dos incêndios, depois da
catástrofe da Madeira, o que irá acontecer? Os bombeiros serão dotados de
melhores meios, os autarcas preocupar-se-ão
com a prevenção, os políticos promoverão a educação da cidadania na
defesa do meio-ambiente, o eucaliptal passará a ter regras para a sua
implantação não destruir os lençóis freáticos, as casas das montanhas dos guardas das
florestas e as escolas abandonadas serão entregues a quem queira fixar-se no interior com a obrigação de
defender o meio-ambiente? Os centros de saúde, as escolas, as finanças, os
tribunais serão reabertos no interior para que as pessoas possam lá viver? Que
planos de administração do território, sobretudo de zonas florestais, serão criados? Serão estimuladas as freguesias,
as associações e clubes locais a defender o meio-ambiente e distribuídos meios para detecção e primeiros combates a
incêndios ou deixa-se tudo para as agências que contratam aviões e
helicópteros?
No meu entender, depois deste flagelo vai haver muitos
elogios aos bombeiros, medalhas
dependuradas a granel em muitos incompetentes e, a seguir, quando tudo estiver
mais calmo, a catástrofe é esquecida olimpicamente para regressar no próximo
ano com a terrível e implacável destruição do que ainda resta da nossa riqueza
fundamental: a vida das plantas e dos animais, o que resta de floresta.
O que mais me preocupa, me cria este pessimismo, é o que é anterior às catástrofes ambientais:
a falta de sentido de Estado dos políticos!
# posted by Primo de Amarante @ 9:02 da manhã
