quarta-feira, junho 08, 2016

 

Amanhã regresso ao melhor tempo da minha vida

Amanhã vou estar com amigos, amigos que me ajudaram a compreender e a viver o significado da amizade, da solidariedade, da liberdade, da justiça e da luta por um mundo melhor. Muito deles já cá não estão para viver o fraterno sorriso do reencontro, mas trago-os na minha alma: nunca os esqueci. Lembro-me de Daniel de Sousa Teixeira, das suas crises de asma e ainda sinto uma revolta profunda, quando recordo o dia em que a notícia triste chegou: Daniel morreu no Forte de Caxias: não resistiu a uma crise de asma. Eu era para Daniel o primo, mas sentia-o como um irmão. Também já não encontrarei o Pedro Lobo Antunes, mas parece-me que ainda ouço o poema das flores que brotavam da sua alma e ele gostava de o cantar a dedilhar os sons das cordas da sua viola:
“FLORES
Nascem flores onde quiseres
Nascem flores na tua mão
Crescem flores onde estiveres
Nascem flores também no chão
Há fome de flores no teu país
Há falta de flores na tua cidade
Precisa de flores o teu amigo
Precisa de flores a nossa paisagem
Atrás da orelha uma flor
Pendurada da boca uma flor
Todo o teu peso passa-o à flor
Mais flores menos dores mais flores
Nos teus olhos vê-se a flor
Vê-se a flor que trazes dentro
Nascem flores onde quiseres
Não deixes que as leve o vento
Pedro Lobo Antunes
Amanhã vai ser para mim o regresso a um tempo vivido há mais, mas muito mais, de meio século. Desde essa altura, nunca mais vi a maioria deles. Levo-lhes o melhor que tenho desde esses longínquos tempos: um abraço fraterno e uma vontade imensa de a cada um poder dizer: estás na mesma!

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