domingo, janeiro 03, 2016

 

O meu Amigo partiu!

O meu amigo partiu. Não soube dizer-lhe adeus.Andava preocupado com a sua saúde, mas estava longe do seu olhar.
O meu Amigo vivia a vida com a sofreguidão de adolescente, mesmo quando o desespero de uma doença brutal lhe bateu á porta. Nunca o senti envelhecer,  nunca a doença e o sofrimento lhe retiraram o sonho de um mundo mais justo e mais humano.
O Teixeira Pinto era mais a vida, os ideais de justiça, os outros, que ele próprio. Talvez não tenha falecido, escondeu-se no vulcão das suas convicções, amarado aos seus ideais.
Fazes-me falta Amigo! Precisava de ti, logo de manhã, no Asa de Mosca. Fiquei mais pobre, já não tenho com quem trocar um sorriso por um aperto de mão, sufocar uma tristeza, abafar um protesto, manifestar o desprezo pelos que, do nosso tempo, com esgares de dementes vivem só para a orgia do poder.
Precisava de Ti, António, para entre a desilusão dos sonhos que fizeram a nossa vida na República 24 de Março, na resistência ao fascismo, nas manifestações com porrada da polícia, nos receios da PIDE, nas tertúlias dos almoços, nos encontros de café, no deambular pela baixa, no desencanto de cravos esmorecidos de Abril, etc., continuar a erguer contra a desilusão uma faúlha de esperança! A quem hei-de, agora, dizer o que me vai na alma, quando o jornal, o Notícias que tu lias, me falar do insuportável?!...
Precisava de Ti, António, não merecia que fosses embora tão cedo, logo que o dia começou a espreitar.
Fica com um abraço para sempre, António Pinto!

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