quinta-feira, agosto 13, 2015

 

À laia duma reflexão!






Não acredito que esteja inscrito no gene do ser humano a maldade ou a bondade. Não estou com Hobbes nem com Rousseau. Estou mais com a ideia de Ortega y Gasset. “Cada um de nós é ele mesmo e as suas circunstâncias, e se não salvamos as circunstâncias em que vivemos, não nos salvamos a nós próprios”.
Penso que a maior revolução no pensamento humano, a que permitiu ter referências para salvar as circunstâncias em que o homem vive,  se deu com a ideia de que todo o ser humano é filho de deus. Não sou católico, mas devo ao catolicismo esse sentido de fraternidade e foi nesta sensibilidade que se configurou a minha ideologia. Não vejo que as cruzadas, a inquisição, as guerras religiosas tenham a ver com o pensamento religioso, mas antes foram sempre o braço armado do pensamento secular.
Acredito na educação humanista, feita pelos valores e direitos humanos, no compromisso com uma cidade mais justa. Penso que sem esse compromisso, faltando essa educação, havendo outras circunstâncias, se possam configurar outros modos de pensar.

Li, hoje, que Beatus Rhenanus no séc. XVI escreveu: “Nós, alemães, não somos romanos, somos germanos. Mas por causa da forma imperial que herdamos, somos os sucessores naturais e jurídicos de Roma.  Estamos, por isso, revestidos de um poder imperial e só podemos exercer esse poder submetendo os povos vizinhos”.
Em 1918, Augustin Hamon escrevia . “Os alemães sempre fizeram da força (e do poder financeiro) o direito e foi assim que declarando guerra se apropriaram dos bens dos povos seus vizinhos, porque consideram que a raça germânica é a única superior, eleita por Deus, escolhida para comandar o mundo".
Parece, assim, que desde tempos muitos remotos o pensamento dominante alemão aproxima-se mais de Hobbes do que de Rousseau. Por que será?


A minha ideia é a seguinte: depois da Segunda Guerra Mundial, os aliados colocaram muitas limitações à Alemanha para impedirem essa tendência imperialista, mas falharam no objectivo principal: obrigar o seu povo a ser educado nos princípios e valores, que fizeram da civilização europeia uma civilização cristã, como a tolerância, o respeito por outros povos, a generosidade e a fraternidade. E, ainda, promover a democracia como um método de levar uma nação à interajuda e escolher um governo que diminuísse o sofrimento dos que mais sofrem.


Não criando este objectivo, o poder alemão voltou a reincarnar o papel do Leviatã, com o mesmo espírito descrito no séc. XV por Beatus Rhenanus e, em 1918, por Augustin Hamon. Mas o pior é que os valores que contrariavam o expansionismo alemão, o seu nazismo, o seu imperialismo financeiro, em suma, a tendência para se afirmar como um Leviatã, também se perderam na substância da democracia dos povos que lutaram contra o imperialismo alemão.


A democracia abandonou o pensamento critico, o pensamento humanista, os valores que nasceram com o cristianismo e fizeram a nossa civilização. A democracia cedeu ao pensamento imediato, ao pragmatismo e ao oportunismo. Tornou-se num espectáculo onde se escolhem cabeças de governantes com o mesmo marketing com que se escolhem sabonetes.


A Europa perdeu o rumo que lhe dava sentido e o melhor é voltar cada País a olhar pelo seu próprio destino. Precisamos de pôr fim a uma ilusão para que regressem as utopias.



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