quarta-feira, junho 05, 2013
"Os retornados"

Está no poder essa geração que, imprecisamente, foi chamada “os retornados”. Já não são eles, mas os seus filhos, a quem melhor seria chamar deslocados. Estão-se a vingar de um mal que julgam que lhes fizemos, “o Portugal que nos querem impor é um país de ignomínia”, sublinha Dacosta.
Deslocados, não têm memória das nossas raízes nem sabem o que é ser português.
Penso, como Fernando Dacosta, que é aqui que está a questão. E isso vem de encontro ao que no texto desta semana para o Semanário Grande Porto (Tempos de solidão) escrevi: fomos exilados dentro da nossa terra. E é, no fundo, a amargura do livro “Pátria” de António Augusto Tavares. Vivemos em solidão. E é bom que seja esclarecido por quê (?).
Dacosta explica e explica-o de forma clara.
Podíamos não sofrer o que sofremos hoje, podíamos não ter quem lançasse ao caixote do lixo tudo o que marcou a nossa luta, a nossa vida, a nossa história. Outros caminhos havia. Por que havíamos de ter estes tecnocratas sem alma? Porquê?