quinta-feira, maio 26, 2011
Promover a educação dos sentimentos
Escrevi para o Semanário Grande Porto, o seguinte texto.
"Um vídeo, surgido no Facebook, não só revela imagens de uma violência brutal, como também uma “banalização do mal ” (como lhe chamou Hannah Arendt ) entre jovens dos 14 aos 16 anos. Duas miúdas agridem à chapada e aos pontapés na cabeça uma terceira, com o gáudio de um rapaz que filma as cenas.
Que sociedade estamos a criar? Que sentido terá para essas crianças o mundo, quando o mal, expresso em agressividade, domina os seus sentimentos e tolhe as suas capacidades racionais?
A violência, como o “bullying”, não é uma mera indisciplina. Está associada a desequilíbrios afectivos, ao baixo nível de tolerância, á dificuldade de auto-estima e reflecte problemas no meio familiar de insensibilidade social aos valores da dignidade pessoal, de ausência de referências morais, de respeito pelos outros, de capacidade de diálogo e, sobretudo, revela a falta de uma educação dos sentimentos.
É proverbial a acepção: “Diz-me em que sociedade vives e dir-te-ei como te comportas”.
A profunda crise económica e de valores submergiu a sociedade numa anomia que a colocou à deriva. O “salve-se quem puder” enfraqueceu a consciência colectiva que impunha padrões de conduta, promovia o auto-constrangimento e censurava os comportamentos perversos.
Neste contexto, o mal traduzido na violência entre crianças, espalha-se como um fungo.
É preciso contrariar este rumo, mas quem o poderá fazer? Dos políticos, pelo exemplo que todos os dias nos dão, pouco se espera; das famílias também não há, de uma forma geral, a esperar grande coisa: a maioria tem pouco tempo para estar com os filhos e outras estão desestruturadas ou com problemas disfuncionais gerados pelo desemprego, pobreza ou exclusão social. E a justiça ou não funciona ou chega tarde demais.
Só nos resta a escola. Só ela pode estar atenta a formas de pensar dos alunos que são influenciadas pelos seus sentimentos, desejos e emoções; descobrir, no insucesso da aprendizagem, as construções afectivas que os alunos projectam na sua relação com os professores e os colegas. Só ela pode promover a educação dos sentimentos, ensinar a problematizar a qualidade dos mesmos e a desconstruir as derivas obsessivas, egoístas e possessivas do afecto.
Mas como poderá a escola estar motivada para esse desígnio, se perdeu a autoridade, não tem autonomia e os professores viram amesquinhada a dignidade que lhes permitia exercer uma função social?
Esta questão deveria ser discutida nesta campanha eleitoral. Mas os partidos preferem pôr a funcionar uma cassete que repete estafadamente os mesmos argumentos do que rasgar um sentido para o Futuro".

Que sociedade estamos a criar? Que sentido terá para essas crianças o mundo, quando o mal, expresso em agressividade, domina os seus sentimentos e tolhe as suas capacidades racionais?
A violência, como o “bullying”, não é uma mera indisciplina. Está associada a desequilíbrios afectivos, ao baixo nível de tolerância, á dificuldade de auto-estima e reflecte problemas no meio familiar de insensibilidade social aos valores da dignidade pessoal, de ausência de referências morais, de respeito pelos outros, de capacidade de diálogo e, sobretudo, revela a falta de uma educação dos sentimentos.
É proverbial a acepção: “Diz-me em que sociedade vives e dir-te-ei como te comportas”.
A profunda crise económica e de valores submergiu a sociedade numa anomia que a colocou à deriva. O “salve-se quem puder” enfraqueceu a consciência colectiva que impunha padrões de conduta, promovia o auto-constrangimento e censurava os comportamentos perversos.
Neste contexto, o mal traduzido na violência entre crianças, espalha-se como um fungo.
É preciso contrariar este rumo, mas quem o poderá fazer? Dos políticos, pelo exemplo que todos os dias nos dão, pouco se espera; das famílias também não há, de uma forma geral, a esperar grande coisa: a maioria tem pouco tempo para estar com os filhos e outras estão desestruturadas ou com problemas disfuncionais gerados pelo desemprego, pobreza ou exclusão social. E a justiça ou não funciona ou chega tarde demais.
Só nos resta a escola. Só ela pode estar atenta a formas de pensar dos alunos que são influenciadas pelos seus sentimentos, desejos e emoções; descobrir, no insucesso da aprendizagem, as construções afectivas que os alunos projectam na sua relação com os professores e os colegas. Só ela pode promover a educação dos sentimentos, ensinar a problematizar a qualidade dos mesmos e a desconstruir as derivas obsessivas, egoístas e possessivas do afecto.
Mas como poderá a escola estar motivada para esse desígnio, se perdeu a autoridade, não tem autonomia e os professores viram amesquinhada a dignidade que lhes permitia exercer uma função social?
Esta questão deveria ser discutida nesta campanha eleitoral. Mas os partidos preferem pôr a funcionar uma cassete que repete estafadamente os mesmos argumentos do que rasgar um sentido para o Futuro".