domingo, maio 29, 2011

 

Para pensar!


Quem paga a crise é quem nada teve a ver com ela. Nada se faz para obrigar a devolver o roubo que os causadores da crise fizerem.

Entretanto, os programas da TroiKa caiem nos países em crise, com a mesma displicência com que aparecem as nuvens ou a tempestade.

Vejamos, então, o risco de default (incumprimento da dívida soberana grega) que atormenta toda a gente, menos os partidos que nos irão governar. Ouçamos o analista Jens Bastian.


O Expresso ouviu o economista e investigador da Fundação Eliamep, em Atenas, sobre os cenários que envolvem Atenas.

Cinco cenários


Cenário 1 - o cenário otimista: o governo consegue arrancar com o programa de privatizações e transmitir a imagem de que o realizará até 2015. O atual primeiro-ministro e líder do PASOK, Papandreou, é reeleito em 2013, ano em que finda o pacote de resgate da UE/FMI, e o Tesouro grego regressa aos mercados financeiros para financiar a dívida a juros comportáveis.
A probabilidade deste cenário é, contudo, de alta improbabilidade.


Cenário 2 - default caótico: a Grécia revela-se incapaz de cumprir com as obrigações junto da troika (UE/FMI/BCE) ao longo deste período até 2015. Os custos de reputação no mercado financeiro são desastrosos. E também para a zona euro, em particular para o Banco Central Europeu. Todos os participantes no pacote de resgate à Grécia sofrerão perdas significativas. As consequências económicas e política para a zona euro são difíceis de imaginar.
A probabilidade deste cenário é alta, mas politicamente não é aceitável para o BCE, o FMI e vários governos da zona euro, que resistirão até ao limite a tal ocorrência.


Cenário 3 - cenário "intermédio": a Grécia consegue pagar parte dos compromissos, avançando para uma reestruturação da dívida organizada administrativamente e ordeiramente, incluindo um "corte de cabelo" (hair cut, na designação técnica) na dívida existente na ordem dos 50% a 70%. A probabilidade deste cenário é alta, com os especialistas e os economistas a apontarem para a sua necessidade, mas falta ainda o mecanismo político europeu de suporte que cubra o período que vai até 2013, quando o novo Mecanismo Europeu de Estabilização irá entrar em operação.


Cenário 4 - cenário iminente: fruto da pressão dos acontecimentos, inicia-se uma reestruturação rápida da dívida no horizonte dos próximos meses, em simultâneo com sucessos no plano das privatizações de ativos gregos. Esta convergência iria melhorar a reputação da Grécia nos mercados internacionais, permitindo ao Tesouro grego regressar em 2013 a esse financiamento. A probabilidade é alta, mas há um grau de incerteza que se mantém sobre a dinâmica de privatizações. O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, sugeriu, esta semana, que uma agência independente do governo tome conta do plano de privatizações, num modelo similar ao que ocorreu na Alemanha aquando da unificação.

Cenário 5 - contágio na zona euro: apesar de organizada ordeiramente (cenários 3 e 4), a reestruturação da dívida grega não consegue evitar o contágio junto dos outros dois países já sob intervenção da troika: Irlanda e Portugal. O impacto seria tal que Dublin e Lisboa teriam de proceder, também, simultaneamente, a reestruturações das suas dívidas soberanas. Este contágio provocaria alta instabilidade na zona euro.

A probabilidade deste cenário aponta para a necessidade de o encarar como uma possibilidade que não deve ser excluída.

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