quarta-feira, março 02, 2011

 

A propósito da apresenação de um livro

Fiz o livro “Horizontes da Ética para uma cidadania responsável” a pensar nos meus ex-alunos e nas gerações que vão aparecendo. Procurei que fosse, sobretudo, uma espécie de manual, em vez de uma reflexão meramente teórica.


A cidadania é um conceito que tem sido aligeirado. Não se pode falar em cidadania sem recorrermos à Grécia antiga. O cidadão só o é por ligação à polis e, para os gregos, a polis não é um mero território, mas um espírito de vida em comum.

E esse espírito de vida em comum ganha um horizonte de sentido na ética; isto é, na procura em ser feliz numa vida com os outros no mundo, vivendo de harmonia com a liberdade, a justiça e o bem-comum.

O caminho da ética orienta-se pelo modo como vemos o homem, a vida e o mundo. Não se pode fazer uma reflexão ética, sem primeiro ter feito uma reflexão antropológica e cosmológica. Primeiro temos de encontrar respostas para as questões: o que é o Homem, como se afirma a sua dignidade? Para que serve a vida e o mundo?

Numa primeira parte, procuro dizer o que entendo por ética e distingui-la de outras formas de saberes.

Numa segunda fase, refiro-me ao problema da legitimidade moral nas diferentes épocas históricas, bem como aos diferentes paradigmas que configuram as teorias éticas.


Numa terceira parte, faço uma incursão sobre a história da ética desde os gregos aos nossos dias, colocando questões sobre o perspectivismo, o universalismo, o culturalismo e o interculturalismo.


Finalmente, reflicto sobre a ética aplicada, particularmente sobre a ética da comunicação, indispensável às éticas prudenciais (éticas para uma civilização tecnológica) e à ética política. Neste quadro, faço uma reflexão sobre a interrelação da ecoética com a bioética.


Termino com a ética mínima ou dos direitos humanos.


Esta reflexão orienta-se pelo critério da simplicidade, procurando que dela saia uma preocupação: a ética é, essencialmente, uma postura e nunca pode ser tratada como uma arma de arremesso.


Apresentar um livro, é abrir espaço a uma reflexão que se procura útil, mas também ouvir amigos, receber sugestões e, provavelmente, dar conta de incipiências ou lacunas. 

É isso que espero amanhã!

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