sábado, fevereiro 19, 2011

 

Os parlamentos, em democracia, são os locais da procura de convergências.

Só agora tive acesso ao fundamental da moção do BE. Melhorou a sua argumentação, mas já causou demasiado ruído e não vai ter consequências.


Na política não é a “lábia”, nem a propaganda (uma imitação socrática que apareceu no Facebook) que muda o mundo, mas a acção que tem consequências.

O ruído em volta da moção já se ampliou de tal forma que não é possível levar a sério a moção.

Além disso, o espírito jacobino de distinguir uma crítica de direita (necessariamente má) e uma crítica de esquerda (necessariamente boa) é uma postura pouco aberta e inaceitável.

O fundamental são os problemas reais, dos que mais sofrem, e para encontrar soluções que diminuam o sofrimento dos desempregados, dos trabalhadores a prazo, dos que a canção de Deolinda denuncia, é preciso encontrar pontos de acordo.

O BE pode dar-se ao luxo de ficar só (o PC sempre procurou encontrar pontos de apoio com os partidos de direita e fez isso em algumas autarquias), mas se assim acontecer também os eleitores podem achar que é uma organização política desnecessária no Parlamento, sem efeitos práticos.


É preciso encontrar condições para impor os seus pontos de vista e isso é sempre possível, mas não se faz com uma retórica fundamentalista. Tel retórica só tem sentido fora do parlamento.


Tendo representação parlamentar, um partido tem de jogar as regras do diálogo e da congregação de esforços para resolver os problemas do País. É para isso que existem, em democracia, os parlamentos.


Há gente que sob o ponto de vista ideológico está na direita, mas sob o ponto de vista da acção, da tolerância, da abertura ao diálogo e da solidariedade está mais à esquerda que muitos ideológicos arrogantes, ditos de esquerda.

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