sábado, setembro 11, 2010

 
Estive a ouvir Manuel Alegre a apresentar-se como candidato a presidente da república.


Fez um discurso, onde a retórica grandiloquente, imperou. Sobre soluções, ficou pela enunciação de princípios. Procurou atingir Cavaco, mas nada disse sobre Sócrates, sobre quem nos “desgoverna”.

Não precisou nenhum conceito. O que é “ser por um Portugal com sentido histórico”? Falou dos pobres, mas não disse quem os “tramou”. Garantiu que os portugueses querem um Serviço Nacional de Saúde, uma Educação Pública e uma Segurança Social Pública, mas não referiu que o mau funcionamento destes serviços acaba por os desacreditar. Fez citações, mas o que nos interessa é a prática. Referiu Camões (que por sinal morreu na miséria, enquanto muitos a falarem dele ficaram ricos) e outros clássicos e parafraseou bispos, mas tudo isso é deixar-nos música para “entreter” os ouvidos.

Já estou cheio destes discursos redondos, grandiloquentes, musicais. Prefiro um candidato a presidente mais simples, que reconheça que não vivemos num sistema presidencialista e, por isso, que o seu papel é muito limitado.


Precisamos de um candidato a Presidente da República que substitua a retórica eloquente pelo testemunho da acção, que não tenha estado apenas nos cadeirões do poder, mas vivido, na prática, as preocupações dos que mais sofrem, dos deserdados da história, dos que são vítimas de políticas egoístas e de governos que, em vez de diminuírem o sofrimento dos que mais sofrem, aumentam a “felicidade” aos que mais têm.


Considero, por isso, que precisamos de um outro candidato a presidente da república: mais simples, mais modesto e que não encha a boca com o republicanismo sem precisar que tipo de republicanismo defende. É que houve vários e alguns para esquecer.

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