quarta-feira, agosto 26, 2009

 

Não compreendo Paulo Rangel!

Confesso que tenho muita dificuldade em entender o pensamento de Paulo Rangel sobre ética e política.
Num estilo sofistico, separa planos: plano político, plano ético e plano jurídico. No seu entender, a política situa-se no plano do conhecimento e, por isso, nada tem a ver com a ética, que pertence ao plano da acção. E cita, em favor dos seus argumentos, Aristóteles e Platão.

Esqueceu-se do seguinte: Para estes filósofos, a ética é inseparável da política. O homem (livre) é um ser da polis. É precisamente no seio da sociedade, do Estado, da Polis, que se desenvolve as suas disposições para a virtude ou excelência (aretê, em grego) traduzida no viver de harmonia com o que uma determinada sociedade considera correcto, prudente, honrado, justo, bom e digno.

Cita, curiosamente, Maquiavel, mas não tira conclusões sobre os conselhos deste filósofo. Eles revelam a monstruosa perversidade de uma política sem ética.
A ética é, hoje, entendida como postura de vida. Está na configuração que damos ao nosso pensamento (coerência), á nossa linguagem (só devo falar daquilo que acredito) e das convicções responsáveis.
Será que Rangel, ao enveredar pelo verbo fácil, quer impor uma nova visão dos clássicos ou da ética?!... Ou já fala por conveniência, como qualquer sofista despreocupado com a ética.?!...

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