sexta-feira, setembro 05, 2008
Para leres numa manhã de chuva

Quando a chuva cai,
impiedosa e rija,
encharcando de lágrimas
encharcando de lágrimas
os telhados das casas todas...
Quando a chuva cai,
dolorosa e triste,
de um céu pesado
de amargura e acusação,...
agonias esquecidas
nos sobem outra vez no peito...
(ah! essa sensação de nada se ter feito!...)
...a lembrança das horas inúteis,
dos anseios desprezados,
dos gestos impiedosamente deturpados...
Quando a chuva cai,
toda a agonia de uma vida mesquinha,
nos invade outra vez...
para que a natureza
não chore sozinha...
Alda Lara
(Angola,1930-1962)
Obs: este poema bem vivido foi-me enviado por Amélia Pais que lembra Angola e os seus amigos angolanos, em especial a Maria Gomes e o António Cardoso Pinto. Solidarizo-me com a sua intenção.
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Também gosto muito do poema e foi, por isso, que o coloquei. Devo-o à sensibilidade poética de Amélia Pais
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