domingo, julho 06, 2008

 

Espectáculo que nos assusta!

O que se passa, hoje, no Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol é o reflexo de um paradigma que domina hoje a vida política e das instituições.

Não só a Federação Portuguesa de Futebol, mas também as instituições que fazem a mediação entre os indivíduos e a sua vida privada, como é a família, os vizinhos; e, ainda, as que medeiam a organização da vida pública, como as autarquias, os partidos e até o próprio governo, estão entregues a “chicos-espertos".
Consideram que estar á frente duma instituição é ser dono da mesma, geri-la com truques, mas sempre a encher a boca com palavras de rigor, cumprimento da lei e respeito pela moral. São uma espécie de novos “feudais”, especialistas na arte da “vermelhinha”!

E as consequências são óbvias: se as instituições do futebol não funcionam, o que funciona são os muitos “milhões” que estão em jogo; se a família não funciona, dificilmente haverá crianças disciplinadas; onde não há laços entre os vizinhos não se criam hábitos de inter-ajuda; e, se não funcionam regularmente as instituições que visam organizar a sociedade, não é possível esperar que os valores sejam as "medidas de escolha", que se respeitem normas e se desenvolvam as virtudes cívicas da dignidade, do sentido de Estado e defesa do bem-comum.

Tudo é fulanizado e tudo ficou ao nível do rasquismo. O carácter moral das Instituições desapareceu: é o vale-tudo. Os chicos-espertos cruzam os seus interesses com o futebol, a política e as autarquias e já tomaram conta da nossa vida colectiva.

Há quem lhes chame “Al Capones” e garanta que não são mais que cem, mas já dominam Portugal com muito mais eficácia que a Cosa Nostra dominou a Sicília.

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