sábado, setembro 08, 2007
Julgam-nos parvos!!!!...

É neste contexto que se situa a explicação de Paulo Portas para a onda de criminalidade que surgiu nos últimos dias. Segundo este polémico ex-dirigente duma empresa de sondagens da Universidade Moderna e actual líder do CDS/PP, “a causa dessa onda de criminalidade está no facto de a GNR ter tido uma atitude passiva em relação aos manifestantes que destruíram um hectare de milho transgénico”.

Paulo Portas julga que a ordem só se impõe á cacetada, como em outros tempos, e tem diferentes critérios para avaliar o cumprimento da lei ou a invasão da propriedade privada.
Frequentemente é noticiado a invasão e destruição da propriedade privada por empresas públicas ou privadas, como a EDP, as empresas que constroem auto-estradas, autarquias (como aconteceu no Porto na preparação do circuito automobilistico), etc. Eu próprio vi destruído pelo catrapillar de um pato bravo os muros de um terreno da minha família. E, perante os protestos, respondeu-me que recorrsse para os tribunais, desafio que, no seu entender, significa nunca mais ver o problema resolvido. No entanto, também nesses casos, "não é aceitável que se destrua património particular de uma pessoa" e os “Paulo Portas” que andam por aí só parecem preocupados com os Verdes-Eufémia.
Se quisermos ser rigorosos temos de aceitar que os militantes do Verde Eufémia seguiram, de certa forma, a mesma lógica que segue quem destrói as plantações de cannnabis ou de cânhamo ou de ópio. O que os orientou (é certo que á margem da lei) foi a utopia do bem-comum, combatendo o impacto negativo dessas plantações na saúde humana e no equilíbrio do ecossistema.

E não se diga que está cientificamente provado que os produtos geneticamente transformados não têm impacto sobre a saúde humana! Nem toda a comunidade científica está de acordo com essa “pseudo-certeza” e a própria ciência só nos pode falar do que investigou até ao presente e nada nos pode dizer sobre o que no futuro se descobrirá.
Além disso, há desde já outros problemas: sabendo-se que só as multinacionais podem produzir as sementes de milho geneticamente transformadas, colocar os lavradores dependentes dessas organizações é pôr em causa a própria independência nacional no campo agrícola.
É curioso que um Paulo Portas (e outros fariseus da política) muito orgulhoso dos sentimentos nacionalistas, ignore isso!...