sexta-feira, julho 20, 2007
Crise ou enfermidade?!...

Como se vê, há só um caminho a preocupar os políticos: o do poder e dos seus jogos. E é nisto que julgam residir a crise. Mas a crise não é do caminho dos partidos: nesse caminho só correm os interesses de uma oligarquia dividida em facções que travam uma renhida luta por pedaços da “esfera pública”.
A crise existe de forma clara e notória na questão da representatividade da pequena e média burguesia. Esta classe, que deu sentido aos partidos do centrão, está proletarizada e abandonada: não tem quem represente a defesa das suas expectativas, preocupações e problemas.
Tal como aconteceu à criança que foi lançada fora com a água que a lavou, assim aconteceu à pequena e média burguesia, com o seu lançamento ao abandono por parte dos partidos que criou.
Um darwinismo social foi enfraquecendo a Nação, configurada nas expectativas duma maioria formada pelo proletariado e pela pequena e média burguesia. Esta grande maioria ficou sem quem a represente e, por isso, perdeu o sentido de votar, de ouvir a retórica publicitária do Primeiro-ministro e, muito menos, da curiosidade pelo debate do estado da Nação.
A crise não é dos partidos, mas de sentido para a Nação, a política, o Estado e a própria democracia.
Não há uma crise, mas uma enfermidade.