terça-feira, junho 05, 2007
Hoje faria anos...

A aurora de Nova Iorque tem
Quatro colunas de lodo
E um furacão de pombas
Que explode as águas podres
A aurora de Nova Iorque geme
Nas vastas escadarias
A buscar entre as arestas
Angústias indefinidas.
A aurora chega e ninguém em sua boca a recebe
Porque ali a esperança nem a manhã são possíveis
E as moedas, como enxames,
Devoram recém-nascidos.
Os que primeiro se erguem, em seus ossos adivinham:
Não haverá paraísos nem amores desfolhados;
Só números, leis e lodo
De tanto esforço baldado.
A barulheira das ruas sepulta a luz na cidade
E as pessoas pelos bairros vão cambaleando insones
Como se houvessem saído
De um naufrágio de sangue.
Federico García Lorca
Quatro colunas de lodo
E um furacão de pombas
Que explode as águas podres
A aurora de Nova Iorque geme
Nas vastas escadarias
A buscar entre as arestas
Angústias indefinidas.
A aurora chega e ninguém em sua boca a recebe
Porque ali a esperança nem a manhã são possíveis
E as moedas, como enxames,
Devoram recém-nascidos.
Os que primeiro se erguem, em seus ossos adivinham:
Não haverá paraísos nem amores desfolhados;
Só números, leis e lodo
De tanto esforço baldado.
A barulheira das ruas sepulta a luz na cidade
E as pessoas pelos bairros vão cambaleando insones
Como se houvessem saído
De um naufrágio de sangue.
Federico García Lorca
Trad. De Ferreira Gullar
Enviado por Amélia Pais
Enviado por Amélia Pais