quarta-feira, maio 23, 2007

 

O rosto do Leviatã

Helena Matos, ontem, no “Público”, depois de se referir á globalização e à demografia como se estes dois conceitos tivessem um sentido único (o que não está, felizmente, demonstrado!), contesta «os chamados direitos adquiridos» e o Estado social, terminando com o seguinte apelo: «O jovem casal não deve dar mais dinheiro à nação, mas sim interrogar-se sobre o que a nação anda a fazer com o seu dinheiro» (referindo-se ao dinheiro que sustenta direitos adquiridos e a solidariedade social).

Este egoísmo, que faz moda entre os novos yuppies , substitui a solidariedade intergeracional pelo enfadonho nas relações entre novos e velhos (que chatice ter velhos!...) e retira ao direito adquirido o mesmo valor moral (o da confiança) que tem a palavra dada com honra. Se os direitos que hoje adquirimos nada valem para amanhã, que sentido tem lutar por direitos ou dar honra à palavra?!...É muito melhor «dependurarmo-nos» no catavento das oportunidades, no tráfico de favores ou noutros processos de rápido sucesso.

Mas, contestar direitos adquiridos ou a solidariedade intergeracional (como defende a economia neoliberal) não será construir uma plataforma niilista de descrença no futuro, ausência de vínculos, esvaziamento de referências, tábua rasa do passado, ingratidão e rebaixamento do património de luta pela dignidade do homem?!...

E uma sociedade niilista não será uma sociedade do desespero, onde «todos estarão contra todos» e onde só a lei do mais forte fará a regra de segurança?!...

Mas isso não será o regresso do velho Leviatã?!

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