sábado, maio 12, 2007

 

O escorregão na Rua 31 de Janeiro

Os doze camiões com 240 toneladas de nitrogénio líquido que abasteceram a máquina do sistema Polar Snow que converteu o ar e a água em neve, não foi capaz de galvanizar o entusiasmo dos mirones.

Escorregava-se muito devagar naquela pista, sem entusiasmo nem grandeza. A Empresa Municipal do Porto Lazer (criada após o encerramento do Rivoli) que produziu este evento com cerca de trezentos funcionários e muitos milhares de euros, bem pode diminuir os funcionários e poupar muito dinheiro aos contribuintes (como está na moda!), parando para imaginar melhor e mais barata forma de ajudar os portuenses a passar o tempo.

A Rua homenageia os patriotas sargentos que pretenderam implantar no dia 31 de Janeiro de 1891 a República. Salazar, que não gostava da revolução, bem quis apagar esta memória, colocando-lhe o Santo António no seu toponímico. Rui Rio, que está em rupura com o passado da Cidade, é natural que queira retomar a ideia de lhe mudar o nome, denominando-a RUA DA ESCORREGA!... Mas, se assim quiser, que associe o novo toponímico à sua passagen pela autarquia, designando-a RUA DA ESCORREGA DO RIO.

É que, para bem do futuro da Cidade, pode acontecer que tal alteração seja premonitória!

Comments:
Camarada,

Salve-se a iniciativa da Porto Lazer. Independentemente da concensualidade da sua criação, do timing da sua aparição e do (in)sucesso da iniciativa, deu vida ao Porto neste fim de semana.

Tiveram a virtude de serem pioneiros e a audácia de dar algo de inédito à população nacional.
É normal que as pessoas não adiram. Não há hábitos de consumo destes bens, mesmo quando gratuitos. Mas há que os criar. Há que transformar o provincianismo que ainda mora em todos nós numa espécie de "metropolitanismo" que nos dê capacidade de apreciar e aderir a estas brilhantes iniciativas.

Custo? Existem, são pesados para a autarquia, mas deviam ser mais. A cidade precisa de vida. Não se fazem omoletes sem ovos. Eu quero que os meus impostos também sejam gastos nestes acontecimentos. Quero muitos eventos destes. Mas quero estar no meio da multidão.

O Porto precisa urgentente de dezenas destas iniciativas. Temos de abandonar urgentemente a periferia das grandes cidades europeias e uma das formas é transformar a Invicta num ponto de paragem de todas as grandes rotas de espectáculos e desportos de massas.

Aguardemos por mais e por melhor. Mas acima de tudo, vamos voltar a estar presentes e aproveitar para levar mais alguém
 
Camarada:

Temos, tão perto, a Serra da Estrela e esta Serra precisa tanto da animação que lhe é natural e o Porto não precisa nada da animação que não lhe é natural e só serve para a entupir a Rua e prejudicar o comércio local, já tão depauperado com as grandes superfícies.

Não é só uma questão de bom gosto: é também uma questão ecológica: colocar os eventos, onde eles fazem falta
“ecossistemicamente”.

Na cidade gostaria mais de ver utilizar o dinheiro e o tempo gasto nessa brincadeira do escorregar no apoio ao teatro, aos cine-clubes, à promoção das escolas de música, à animação dos bairros ou zonas degradadas, no Rivoli a ser a casa do teatro experimental, etc.,

Penso que o que faz falta à Cidade Invicta são os eventos que se harmonizam com a sua história e as suas tradições e que podem contribuír para não a deixar apodrecer na sua raiz, como está a acontecer.
 
camarada:

Será que o escorrega vai para o Dragão?!...
 
Não vejo mal nenhum na promoção deste tipo de eventos. Desde que se trate de acções que mobilizem as populações para o centro das cidades, parecem-me bem. Quanto ao custo, com os patrocínios que as fotos mostram às tantas nada custou à Câmara. Depois, os patrocinadores apenas estão disponíveis a financiar o que lhes trás retorno e não o que gostaria que patrocinassem.
 
Também não vejo mal nenhum. Simplesmente, a importância dum evento avalia-se pelas suas consequências. O que terá ficado para, como hoje se diz, memória futura?!... Terá servido o evento para cumprir o seu interesse público?!...

As pessoas com quem falei sobre o evento, acharam-no um disparate!
 
Bom, já está a deslocar a avaliação para outro quadrante. A diversão pela diversão também não tem que ser uma coisa má. Que alternativa teria, muitas daquelas pessoas? Ás tantas iriam passear pelos centros comerciais. Assim, andaram cá fora e deram movimento naquela zona da cidade. Assistiram a uma coisa diferente e para muitos até terá sido a primeira vez que viram alguém a esquiar. Confesso que não consigo ver onde está o disparate. Pode não ter sido uma coisa por aí além, mas não deixou de ser interessante. Quanto à memória futura? Bom, essa é que ficou mesmo. Daqui a muitos anos ainda haverá alguém a lembrar a pista de sky no Porto…
DSC
 
http://expresso.clix.pt/Multimedia/Interior.aspx?content_id=392372
 
Penso que hoje, terça-feira, já pouca gente se lembra da neve na Rua 31 de janeiro.

Diz que "para muitos até terá sido a primeira vez que viram alguém a esquiar".
Se calhar, foi verdade. Mas isso significa que a esses lhes falta o que é mais importante que esquiar. Não acha?!...
 
Hoje, estive numa casa comercial da Rua 31 de Janeiro. A senhora estava indignada. Só na véspera foi avisada do evento. E pergunta: se isto foi feito para quem nunca viu skiar, por que a Câmara não organizou uma excursão á serra da estrela para ver isso, onde o sky deve acontecer, em vez de prejudicarem os depauperados comerciantes da Rua 31 de Janeiro!

E lembrou-me a decadência do pequeno comércio, as casas abandonadas e degradadas e falou-me num Porto em ruínas que se vê na velha Urbe, nas ruas mais significativas da Cidade. E acusa: ninguém se preocupa em eventos que possam de forma continuada e integrada recuperar o velho e genuíno Porto.
 
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