quarta-feira, maio 16, 2007

 

Crise profunda de representação

Os partidos, nos seus mecanismos internos de funcionamento, criaram lógicas de sucesso político que se alimentam da mediocridade e já nada têm a ver com padrões de mérito na defesa do interesse público.

Criaram cotas para mulheres, mas as que mais se preocupam com os valores da cidadania, a defesa do bem-comum e a dignidade da mulher cada vez se afastam mais dos partidos.

Significativamente, como tem sido noticiado, até já se suspeita que o “jogo do bicho” da máfia brasileira serviu a “aparelhagem” partidária para recrutar financiadores de campanhas eleitorais em troca duma representação consular “bicheira” do Estado.

Geralmente, quem está inserido na sociedade e procura defender uma causa não está num partido. Os partidos tornaram-se grupos de interesses que se assemelham cada vez mais a uma rua de má fama, por onde gente de bem não quer passar. As consequências desta situação estão, hoje, na escolha de candidatos para a autarquia de Lisboa, amanhã, para a do Porto e assim sucessivamente.

A Câmara de Lisboa caiu, porque já quase ninguém da sua gestão deixou de estar sob suspeita criminal. Curiosa e significativamente, os partidos parecem ter ficado perplexos e desnorteados. O PS teve de retirar do Governo o seu número dois para o candidatar à autarquia e só encontrou no Conselho de Estado quem pudesse, com credibilidade, ocupar o lugar deixado vago no Ministério. O PSD só na terceira escolha encontrou quem fosse candidato à autarquia de Lisboa e este candidato foi um ex-candidato derrotado á Câmara de Setúbal.

Os mesmos vão-se revezando em diferentes lugares. E, sendo assim, quem poderão representar!...

Uma oligarquia apoderou-se dos partidos e estes perderem a vergonha, o sentido e significado do seu papel. O descrédito é profundo e não se vê saída para esta situação.

Naturalmente, se vivesse em Lisboa só votaria em quem estivesse à margem do tacticismo partidário que vai descredibilizando a democracia.

A crise de representação é profunda. Precisávamos urgentemente duma reforma dos partidos, mas quem a poderá fazer?!...

Comments:
Este assunto é de só menos importância para a imprensa e, consequentemente, para a nação quando comparado com a dimensão do espectáculo fornecido pela divulgação, em longos 45 minutos, dos pormenores que gravitam à volta do amigo russo dum tal inglês constituido arguido!!

Haja paciência para assistir de forma impávida e serena a todo este deplorável espectáculo!!

Quando emigra?
Envie-me um postal a dar grantias do bom destino escolhido e prometo que também eu emigro.

Maria
 
Não, não emigro! Tenho as quotas em dia: não devo nada a esta gente.

Hoje escreve no Público um artigo interessante Constância Cunha e Sá. Vem na linha do post.

Um abraço, in.
 
Também tenho as minhas quotas em dia e muito que me prenda ao meu meio, mas que, por vezes, dá vontade de fugir lá isso dá.

Não, com pena minha, ainda não li a CCS.

Maria
 
Não, não fujo. Hei-de lutar por aquilo em que acredito ser melhor para os meus netos.
 
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