segunda-feira, abril 02, 2007

 
Não há razões que justifiquem fazer de um dia o “Dia da Mentira”.

A mentira é tão velha como o mundo. Porfírio, filósofo de Alexandria do séc. III/IV, afirmou: “O mentir, muito mais do que o riso, é apanágio do homem”. De facto, o ser humano sempre mentiu a si próprio e aos outros. E mentiu mais por prazer do que para se “descartar” de uma situação incómoda.

A mentira tem um efeito extraordinário: dizer o que não é, é, de certa forma, criar algo de original. Se não fosse possível mentir, o mais fraco não tinha arma capaz de vencer o mais forte. Não é a manha que faz vencer perigos?!... A designação de “sexo fraco” vem precisamente pela capacidade que as mulheres sempre tiveram para enganar os homens. Foi isso que as superiorizou na sua relação com os homens. Também foi com elas que surgiu a mentira perfeita: disfarçar as palavras com os melhores sentimentos, fazendo crer que sempre disseram a verdade.

A mentira pressupõe a verdade e, por isso, mente-se, tal como se diz a verdade. Na política e nos negócios quem não sabe enganar não consegue ter sucesso. Só a mentira dá lucro. O povo até acredita que a mentira lhe convém e segue os políticos que mais grosseira, maciça e cruamente lhe mentem. Foi por saberem isso que os Fuhers, os Duces e outros facínoras conseguiram governar.

Em vez de se comemorar o Dia da Mentira, dever-se-ia comemorar o Dia dos Palhaços. Não da arte nobre de ser palhaço, mas da figura triste que fazemos, quando enganamos ou nos deixamos enganar.

Talvez isso fizesse luz sobre muitas mentes.

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