terça-feira, abril 10, 2007

 

A entrevista de Sócrates à RTP ou a produção de uma “mise en-cène”!?...

Noticia-se que «para os estúdios da RTP, o primeiro-ministro vai levar um dossiê com os certificados dos cursos tirados em Lisboa e em Coimbra, recibos do pagamento de propinas e correspondência trocada com o ex-reitor da Universidade Independente.»

Ora, nada disto interessa para saber se o diploma de licenciatura foi obtido por prestações de provas ou por outras razões.

Como se sabe, os alunos com estatuto de trabalhadores e de dirigentes associativos têm um regime especial: de três em três meses podem fazer exame: basta que combinem com o professor da cadeira a hora e o local da prestação de provas.

Seria interessante que, em vez do diploma, a UnI dispensasse as provas prestadas e estas nos fossem mostradas e nos dissesse quem lhe fez os exames.

É que pode acontecer que, num determinado Domingo e, até por mero acaso, Sócrates tenha encontrado, num discreto café, um professor amigo. Conversaram sobre a cadeira a fazer e no final lembrou-lhe a importância de ter uma boa nota. E, como o dito professor passou pela universidade, aproveitou a circunstância para satisfazer a recomendação, sem se lembrar que o aluno Sócrates ainda não tinha prestado a prova ou defendido o trabalho que, eventualmente, a poderia substituir.

Tudo isto pode parecer normal, se nos lembrarmos que se trata de um trabalhador-estudante especial, pois faz requerimentos à Universidade em papel timbrado do ministério que tutela. E a "especial" normalidade pode ainda estender-se a uma eventual tentação duma (qualquer) universidade privada aproveitar alunos daquele calibre para saber, por exemplo, se este ou aquele processo de aprovação de mais um curso apresentado ao governo poderá ou não ser aprovado em breve.

Seria interessante que a entrevista a Sócrates aprofundasse todas estas questões, bem como nos levasse a compreender o facto do primeiro-ministro falar tanto em rigor e demonstrar ser tão despistado que nem reparou ter anexado ao seu nome, durante três anos, um título falso.

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=29169

Há,ainda, uma outra questão que poderia ser reflectida com o primeiro-ministro:a de se conhecer as razões que levam deputados a terem tempo para frequentar universidades privadas ou nestas darem aulas.

É que não podemos continuar a pensar que esta lógica é igual à dos
“chicos espertos” que “trepam” nos partidos, inscrevendo toda a família e amigos, formando os sindicatos de voto e depois ganham eleições, controlando-as através do telemóvel.

Precisávamos de saber se o Primeiro Ministro terá sido traído por um “chico-espertismo” muito semelhante ao dos atestados falsos em Guimarães (para que os meninos não prestassem provas globais), à compra de árbitros para forçar vitórias futebolísticas, à fuga aos impostos e até mesmo às estratégias daqueles empreiteiros que pagam a campanha eleitoral de um candidato a uma autarquia (ou, inclusivamente, as eleições internas dum candidato a líder de uma federação partidária) para conseguirem a alteração do plano director municipal que lhe proporciona ganhos de milhões.

Precisávamos de saber por que é que o primeiro-ministro não vai à Assembleia da República explicar todas estas questões e se o silêncio dos deputados sobre esta matéria é ou não devido (como consta) ao facto de muitos deles estarem em idêntica situação de apresentarem currículos que são, pelo menos, confusos.

Precisamos de saber se vivemos em democracia, onde todos são iguais perante a lei, ou num regime de "chicos-espertos" que se alimentam da produção da “mise en-cène”.


É que isto é mais importante do que saber se o primeiro-ministro é engenheiro ou filatelista!

Comments:
"pois faz requerimentos à Universidade em papel timbrado do ministério que tutela."

Quem lhe disse? Não estará a falar do fax (pós-curso) a recusar o convite para dar aulas que foi falado na entrevista?
 
Em assuntos pessoais, um fax em papel timbrado do ministério?!

Parece-lhe bem esta mistura?

E o problema é esse!
 
Ferreira Torres, Fátima Felgueiras e muitos outros por exagerarem nessa mistura estão com problemas com a Justiça.

Não há duas medidas: uma para avaliar o comportamento dos outros partidos e outra para o nosso; uns são filhos da mãe e outros são filhos da...
 
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