terça-feira, março 27, 2007

 

Dia Mundial do Teatro

Em Viena, no ano de 1961, durante o 9º Congresso Mundial do Instituto Internacional do Teatro (uma organização não-governamental ligada à UNESCO), foi criado o Dia Mundial do teatro.

O Teatro terá, possivelmente, nascido no III milénio a. C., no Antigo Egipto, com as celebrações em torno dos momentos marcantes da figura do faraó, principalmente naquilo que o divinizava ou fazia dele senhor das suas terras e súbditos. Sempre foi uma representação do imaginário da vida do homem, da sua relação com o mundo, os deuses e os outros homens; e, por isso, lhe foram dedicados espaços arquitectónicos notáveis na Antiguidade Clássica, no Renascimento e nos nossos dias. Quem não se lembra das grandes salas de teatro?!...

Até à Idade Média, o Teatro serviu para representar as façanhas dos deuses, como Dioniso, ou tragédias e episódios da criação do Homem e do mundo. Recorde-se que, para os Gregos e para os Romanos, a tragédia tinha uma função pedagógica: convidar à meditação sobre a vida para desenvolver uma concepção filosófica do mundo. Sófocles, p. ex., promoveu o ideal do cidadão.

Mas, os gregos, como se sabe, também desenvolveram a critica social através da comédia.

Depois do século IV, surgiu a "nova comédia", trivial e divertida, com Filémon e Menandro.

O Renascimento marcou a idade de ouro do Teatro. Nesta altura, o Teatro perdeu a sua componente sacra e o iluminismo levou á profissionalização dos actores.

Compreende-se, agora, por que José Sócrates tanto gosta das luzes. Não pelo que este movimento filosófico trouxe de análise racional do tempo, mas pelo gosto que lhe despertou de fazer da política uma arte da ilusão. E, como se sabe, iludir é levar a luz para onde ela não é necessária e, assim, conduzir os interlocutores a um falso juizo.


O Teatro Moderno nada tem a ver com a arte do nosso Primeiro. Tratou de trazer para o palco o que pôe o Homem a pensar: colocou à nossa reflexão os problemas da existencia e do compromisso do homem com a justiça, a fraternidade e os direitos a um futuro mais humano. Lembremos o teatro edificante de Garcia Lorca, Alves Redol, Jorge de Sena, Bernardo Santareno e tantos outros.

O Teatro continua, hoje, vivo. Mas, as oficinas de teatro mais criativas e originais, como as que se desenvolviam no Teatro Rivoli, estão a desaparecer. O que vai ganhando sucesso é o teatro encantatório, o que faz o pasmo das grandes plateias.


Todos os dias deveriam ser Dias Mundiais do Teatro, porque nestes 20 séculos, a chama do teatro abre-nos para um mundo mais solidário, mais justo e mais humano.

Precisamos de apoiar o teatro e sobretudo o teatro que nos ponha a pensar.

Viva o teatro!

Comments:
Viva o Teatro, Primo!
Tem toda a razão no que diz...
Andamos todos desencantados...
Mas vamos ser optimistas, temos obrigação de ser optimistas, vamos tornar este sitio ( Portugal ) bem mais frequentável.
O primo já faz muito, eu sei...
Fui ver com o meu Pai « Os Maias », pelo Tep, no auditório Municipal de Gaia, à cerca de 15 dias. Recomendo.
Um Abraço
 
Caro amigo:

Eu fiz parte do TUP. Por pouco tempo: tinha pouco jeito. Mas o teatro ensinou-me duas coisas: saber organizar sentimentos e saber dizer.

Um dos problemas da aprendizagem do português é não saber dizer que se lê. Comem-se as palavras e, agora, essa linguagem cibernética já não usa palavras, mas cacofonia. E, quem não sabe dizer o que lê, também não sabe pensar. Pensar é, como sabe, dialogar connosco mesmo.

No teatro passa-se uma coisa muito grave: o desprezo pelas oficinas de teatro: esses grupos de teatro experimental, quase sempre de pequenos elites que são a vanguarda do teatro de amanhã. Estes teatros é que deveriam ser apoiados, mas os nossos políticos o que gostam é do entretimento. São uns parolos!
 
São, sem margem para dúvidas, uns parolos.
Eu sou meio provinciano, mas escolho as minhas leituras pelos verdadeiros Mestres.Doutra forma não o poderia ler - sorriso!
Mas vou-lhe dizendo nunca vi, nem tenciono ver teatro de revista, abomino esse tipo ( com todo e o devido respeito que me merecem todos quantos lá trabalham.
Nem que me pagassem ia ver esse tipo de teatro...não gosto!
Muito menos as obras produzidas pelo Sr. La Féria, porquanto, também , não gosto.
A vida é feita de prioridades, não há tempo para tudo.
Gostava de o ver representar, palavra!
 
Não vou muito ao teatro, mas aprecio bastante. Confesso que já vi peças produzidas pelo Sr. La Feria de que gostei mesmo. São leves, divertidas, com muita cor, enfim, dispõem bem. Também precisamos disso. Aliás, não é por acaso que peças do género se mantêm em cartaz, por essas capitais fora, durante anos e anos.
Quanto ao teatro experimental, também me interessa e de longe a longe tomo a minha dose. Nem sempre o entendo e nem sempre saio de lá mais enriquecido do que quando entrei. A questão é se temos que trazer alguma coisa desse teatro ou se devemos usufrui-lo apenas.
Mas importante mesmo é ir ao teatro!
 
Eu gosto muito do teatro. Ou antes: gostava muio do teatro. Já me custa sair à noite. Não sou um apaixonado pela revista. E do la Féria também não. Por vezes vou ver as suas peças, porque a minha mulher me pressiona. Olhe, conheci o seu tio: era um médico sábio. Foi grã-mestre da maçonaria. Era, um homem bom!
 
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