sábado, fevereiro 24, 2007
Não basta publicitar bons sentimentos!

De acordo com dados publicados pela Comissão Europeia, Portugal é um dos países da União Europeia onde o risco de pobreza é mais elevado, sobretudo entre as pessoas que trabalham. Segundo os mesmos dados, 14 por cento dos portugueses com emprego vivem abaixo do limiar de pobreza, contra 8 por cento no conjunto dos Vinte e Sete países da U.E.
Pode-se argumentar, como faz o primeiro-ministro, que só o crescimento económico resolve o problema da pobreza. Os factos estão, entretanto, a contradizer essa tese. Com a obsessão desse propósito, este governo tem desenvolvido políticas direccionadas exclusivamente para a produção de riqueza e os resultados estão à vista: aumentou o desemprego, a insegurança no trabalho, a exclusão social no aceso à saúde, no sucesso escolar e, consequentemente, a pobreza.
A correcção desta situação não pode ser feita com uma espécie de “autoritarismo benevolente” que, recusando o diálogo e as medidas contratualistas, teoricamente afirma privilegiar o desenvolvimento económico-social, mas, na prática, gera exclusão e sofrimento.

O núcleo forte do centrão, constituído pelos que do PS se encostaram ao PSD e os do PSD que se encostaram ao PS, tem feito a alternância da governação. Estes têm estado sempre no poder. Precisamos de uma alternativa que, feita por outros, dê lugar a uma boa-governação.
Uma boa-governação não é privilegiar o crescimento da riqueza (para alguns), mas desenvolver políticas que eliminem a miséria e o sofrimento dos que mais sofrem.
A pobreza e o sofrimento, privando o homem da sua dignidade, apelam a um auxílio imediato que, sob o ponto de vista da boa-governação, terá de ter uma resposta prioritária e urgente.