sexta-feira, dezembro 08, 2006
Florbela Espanca (1894-1930)

OUTONAL
Caem as folhas mortas sobre o lago!
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio... Olha, anoitece!
-Brumas longínquas do País Vago...
Veludos a ondear... Mistério mago...
Encantamento... A hora que não esquece,
A luz que a pouco e pouco desfalece,
Que lança em mim a bênção dum afago...
Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
_ Vestes a Terra inteira de esplendor!
Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites, voluptuosas
Em que soluço a delirar de amor...
____
Enviado por Amélia Pais
http://barcosflores.blogspot.com/
http://cristalina.multiply.com/