O Ministério da Educação encontrou uma fórmula para ganhar popularidade: acusar os professores de todos os males de que sofre a escola pública. Nem uma medida de natureza pedagógica ou de melhoria das condições de trabalho dos professores soube promover. Lançou milhares de professores no desemprego e fez da diminuição do número de professores destacados para os sindicatos a questão nacional de “moralização” do sistema, esquecendo-se dos inúmeros professores (boys) que saturam os espaços dos serviços centrais e regionais do ministério e cujo único interesse é o de satisfazer pedidos de emprego dos directórios partidários.
A Ministra foi sendo aplaudida por todos os que vêem na escola pública apenas um sorvedouro de dinheiros e querem que o Estado subsidie o ensino privado. 
Mas, a incompetência e a demagogia não podem ser sempre escondidas por encómios interesseiros.
Os exames do 12º ano começaram a destapar essa incompetência. As notas das disciplinas de Química e Física dos novos programas foram péssimas. As associações de pais (a quem o ME dá cada vez mais poderes sobre a escola) dizem que os exames continham erros e o GAVE do próprio ministério diz que não. Mas o Ministério (repleto de gente que nunca trabalhou nas escolas) dá razão aos pais, como se esperava, e determina a repetição das provas.
A confusão vai aumentando de volume. E como há sempre razões para pedir repetição de exames, é muito provável que todos os alunos dos 12º anos possam repetir exames a todas as disciplinas. Entretanto, os que não repetirem o exame, podem, amanhã, sentir-se prejudicados, se considerarem que as notas dos exames repetidos são mais generosas que as dos primeiros.
A bagunça instala-se sempre onde o populismo e a incompetência substitui o rigor e é isso que está a acontecer neste ministério.
# posted by Primo de Amarante @ 5:54 da tarde
