terça-feira, abril 25, 2006
Não apaguem a memória!

Passados cinco dias, Armanda foi solta e passou a sofrer de gaguez. Corino de Andrade conseguiu, após dois anos, restituir-lhe a capacidade de falar.
Armanda casou com o Hernâni que foi muitas vezes preso pela PIDE. Já faleceu.
A vida de Armanda foi dificil e de muito sofremento!
Armanda, no dia 25 de Abril, quer que a memória não se apague. Por isso, desde que a democracia foi restabelecida, visita neste dia, logo de manhã, a campa do seu marido e de seguida, acompanhada dos seus filhos e, agora, dos seus netos, vai até às instalações da PIDE e conta-lhes a história da sua luta, da luta do seu marido e dos seus familiares contra o fascismo, a miséria e a ditadura. Indica aos seus netos os locais de tortura, as celas da prisão e as razões do sofrimento que fez a história da sua família.
Para que a memória não desapareça, Armanda, junto dos seus netos, em frente às antigas instalações da PIDE, repetiu, hoje, o que já havia contado aos seus netos: falou, para todos os que ali estavam, da sua luta, da luta dos melhores de nós, contra a opressão, a miséria e o fascismo. Contou tudo isso, hoje, no dia 25 de Abril, e agradeceu aos capitães de Abril a revolução dos cravos que nos devolveu a liberdade de falar para criticar, tomar posição sobre o que está errado e defender um melhor futuro para os nossos netos.
Para Armanda o 25 de Abril rasgou uma noite de sofrimento e opressão e abriu manhãs de esperança. E a esperança não se apagará, se os nossos netos lutarem por uma democracia que dê sentido ao Futuro e continuarem a dizer: “Fascismo nunca mais!!!”