quarta-feira, fevereiro 22, 2006
Um exemplo do papel da oposição nas autarquias

Há, hoje, um estilo de gerir autarquias muito pessoalizado que faz lembrar os regedores do antigamente ou os "autarcas" da América Latina: cortar fitas, trazer atrelado um fotógrafo para abastecimento da publicidade ao presidente e fazer das assembleias municipais uma correia de transmissão do presidente.
No Marco de Canaveses este estilo definia o polémico Avelino Ferreira Torres, uma espécie de Jardim duma "madeirinha".
Esperava-se que Manuel Moreira imprimisse um novo estilo e que a sua apregoada mudança tranquila fosse uma mudança e não se assemelhasse a um regaço tranquilo das redes de interesses que Avelino criou no Marco.
Ora, ficou só a tranquilidade para os avelinos e a mudança de estilo ainda não se vislumbra.
E mais: os que durante o regime de Avelino eram marginalizados continuam, hoje, a sê-lo. Um exemplo: embora a lei preveja uma distribuição equitativa da publicidade da autarquia pelos jornais locais, o Noticias do Marco nem sequer teve direito a uma resposta a um pedido nesse sentido. Naturalmente, terá de suspender a sua publicação, mas se esta situação se agravar, impõe-se que apareça e faça publicidade da ingratidão.
O Líder do PS da Assembleia Municipal, José Carlos Pereira, remeteu hoje, conforme noticia o JN e o Blog "marcohoje" uma participação para a Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT), em reacção ao facto do Presidente da Assembleia Municipal, António Coutinho, não convocar a sessão ordinária de Fevereiro do órgão deliberativo e fiscalizador da actividade do executivo.
No entender do líder da oposição, tal decisão viola por completo o espírito e a letra da Lei nº 169/99, de 18 de Setembro, com as alterações introduzidas pela Lei 5-A/2002, de 11 de Janeiro, que define o Quadro de Competências e o Regime Jurídico de Funcionamento dos Órgãos dos Municípios e das Freguesias. Essa Lei fixa as cinco sessões ordinárias anuais da Assembleia Municipal, a primeira das quais a ter lugar em Fevereiro, e não contempla qualquer razão válida para o seu cancelamento.
Segundo José Carlos não faltam motivos para requerer explicações ao executivo do PSD quando se cumprem os primeiros quatro meses de governação.
A saber:
“Como está o processo de renegociação com a empresa Águas do Marco, SA, concessionária da exploração e gestão dos sistemas de abastecimento de água para consumo público e de recolha, tratamento e rejeição de efluentes do concelho? Continua a autarquia a suportar todos os meses uma quantia de aproximadamente 30.000 euros para compensar a concessionária pelas alterações introduzidas ao tarifário? Até quando?
Qual é o âmbito de intervenção da inspecção que neste momento decorre na autarquia, a cargo da Inspecção-Geral da Administração do Território? Quais são os departamentos envolvidos?
O que é que a Câmara se propõe fazer para inverter o clima de descrença e de desânimo que se vive entre os funcionários da autarquia?
Quais são os primeiros resultados da auditoria económico-financeira encomendada pelo executivo? Que perspectivas de futuro tem a Câmara para apresentar aos marcoenses?
De que forma está a autarquia a conduzir o processo de encerramento das escolas do primeiro ciclo do concelho? E o que está a fazer para assegurar as condições mais adequadas para as crianças afectadas e respectivas famílias?
Que medidas activas tomou a Câmara para promover o emprego e o desenvolvimento económico, de modo a começar a inverter a conjuntura que colocou o Marco com uma taxa de desemprego bastante acima das médias da região Norte e do país?
Como decorre o intricado relacionamento com o Futebol Clube do Marco? O que motivou as recentes declarações críticas de um vice-presidente do clube? Como é possível a Câmara dizer que não sabe se o estádio é propriedade do município quando esse equipamento estava incluído já em 2002 no Sistema de Controlo e Avaliação de Bens da Câmara Municipal?
Por que razão se ouvem tantas reclamações de autarcas de freguesia e de dirigentes associativos sobre as dificuldades que sentem para dialogar com o executivo?
Aqui está um exemplo do como saber desempenhar o cargo para que se foi eleito. A oposição tem um papel fundamental na promoção do “bom-governo”, quando sabe lutar por regras, questionar procedimentos e propor soluções.
O líder da oposição na autarquia do Marco soube fazer o que deveria ser feito. Cumpriu o seu papel e está de parabéns. É um bom exemplo a ser seguido.