quarta-feira, fevereiro 29, 2012

 

Novos pobres, uma questão explosiva.

Uma boa entrevista de Cavaco Silva que resolve dois problemas: o da claustrofobia do Presidente da República e o da necessidade de Cavaco Silva se abrir à credibilização do cargo que exerce.

Mas a questão levantada pelo Secretário-Geral do PCP (não diz a cara com a careta) é oportuna.

Pode ser que a entrevista obrigue o Presidente da República a reconciliar a sua oratória com a prática, sobretudo no que diz respeito à sua preocupação com os novos pobres, uma questão  extraordinariamente grave e explosiva.

Só quem não anda na rua é que não percebe isto!
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=2332446 

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

 

Não tenho pachorra!

Seguro acabou com o gabinete de estudos do PS. O estudo obriga a reflexão, mas isso para Seguro é uma perda de tempo. É-lhe mais seguro o “laboratório de ideias”.

De facto, sendo a política feita de pastilhas elásticas, a questão reformadora é química.

Acaba-se com o estudo e combina-se os diferentes materiais (muita verborreia, com muitos chavões e um vazio confrangedor para fazer espectáculo) que em vez do estudo faça o laboratório de ideias.

Quem terá pachorra para aturar estes gajos?!...

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1886046

 

Autarcas esbanjadores só mudam de piso

A limitação de mandatos é apenas territorial. A oligarquia que manda nos partidos e que arranja dinheiro para as campanhas, é intocável. O “desvio colossal”, a que se referiu Paços Coelho, sabe-se que é da Madeira e das autarquias, mas Passos Coelho na pseudo-reforma do sistema político não tira conclusões dessa evidência. Autarca que geriu mal, esbanjou o dinheiro dos contribuintes, construiu rotundas e mais rotundas para papalvo ver e empreiteiro local enriquecer (e pagar campanhas eleitorais), vai continuar a esbanjar o dinheiro do contribuinte para outro lado. E tem apoio Seguro!

Entretanto, vamos continuar a ouvir, até à exaustão, que os portugueses compreendem os sacrifícios que lhes são pedidos!

A retórica da demagogia é capaz de tornar o logro num interesse nacional.
http://noticias.sapo.pt/nacional/artigo/passos-defende-que-autarcas-so-devem-ter-limitacao-de-mandatos-para-a-respetiva-autarquia_13881985.html

 
Porque concordo com o que é referido, transcrevo:

"O link abaixo é um documentário (43 min) exibido pela TVE espanhola, que aborda a visão de dois grandes humanistas contemporâneos sobre o mundo atual: Eduardo Galeano e Jean Ziegler.

Pode se dizer que há algo de profético em seus depoimentos, pois o documentário foi feito antes da crise que assolou os países periféricos da Europa, como a Espanha, Portugal e Grécia.

A Ordem Criminal do Mundo, o cinismo assassino que a cada dia enriquece uma pequena oligarquia mundial em detrimento da miséria de cada vez mais pessoas pelo mundo, os sindicatos perdendo poder de negociação e filiações, a redução salarial e a falta de trabalho.

O poder se concentrando cada vez mais nas mãos de poucos, os direitos das pessoas cada vez mais restritos. As corporações controlando os governos de quase todo o planeta, dispondo também de instituições como FMI, OMC e Banco Mundial para defender seus interesses.

Hoje 500 empresas detém mais de 50% do PIB Mundial, muitas delas pertencentes a um mesmo grupo."

Diria que é um imperativo moral fazer partilhar este video:

http://www.youtube.com/watch?v=GYHMC_itckg&feature=youtu.be

 

Velhas receitas. Pouca imaginação!

Diogo Feio, deputado do Parlamento Europeu e mais um daqueles políticos que tem tempo para viagens de avião, dar aulas numa universidade privada, ser comentarista num canal da TV, escrever livros e dizer o que toda a gente já ouviu, debita, hoje no “Público” um slogan paradigmático: “Portugal tem que ser mais alemão do que os alemães”. E com isso pretendia justificar a necessidade de rigor e austeridade.

Esqueceu-se da falta de rigor na bagunçada que envolve a entrega de milhões ao BPN, dos cortes sem critério, dos impostos astronómicos, etc.; e da diferença que tudo isto faz, quando relacionamos esta receita com o funcionamento da Justiça, da Educação, dos salários e protecção social dos trabalhadores da Alemanha. Depois, talvez por falta de tempo para reflexão, desenterra, com uma versão light, um velho slogan: “Cada greve feita pode ser uma mancha na imagem do País” E esclarece: ”os portugueses – oposição e sindicatos incluídos – devem ajudar Governo a afastar-se dos “modelos de laxismo”.


Quem não se lembra do lema de Salazar: “Pela pátria não se regateiam esforços – Tudo pela Pátria, nada contra a pátria”?

O Botas, no seu corporativismo, também não aceitava o velho princípio de Montesquieu de que as leis deveriam promover um modelo de sociedade que tivesse em conta os que mais sofrem. E excluía do princípio (Todos pela Pátria), alguns amigos que tinham o privilégio de, por exemplo, escapar ao esforço de guerra, dando o peito às balas na guerra colonial.

Diogo Feio, numa retórica muito semelhante, também exclui o Governo e os seus apparatchikes desses “modelos de laxismo”, sublinhando apenas “oposição e sindicatos”.

Como se vê, temos deputados quimicamente perfeitas, mas pouco imaginativos!

domingo, fevereiro 26, 2012

 

Austeridade leva-nos para o desastre.

Há nóbeis para todos os gostos. O Governo parece não gostar das evidências de Joseph Stiglitz e prefere a receita de Paul Krugman:
http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=42485 ).

Não sei se Paul Krugman sabe quanto ganha um trabalhador português e quanto ganha um trabalhador alemão.Mas vem a. Portugal repetir o que a Troika diz: ”os salários dos trabalhadores portugueses têm de descer até 30 por cento face à Alemanha”. Não é o salário de Krugman, nem do Governo Português, nem pede o confisco do roubo do BPN, mas o dos trabalhadores portugueses.

Joseph Stiglitz tem outra ideia (http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=521899: “A austeridade, obrigando à recessão, torna numericamente impossível que o devedor gere rendimentos com que consiga pagar ao credor”.

E acrescentamos nós: só a indiferença à pobreza, a insensibilidade e a desumanidade podem permitir a defesa da austeridade. É evidente que esta já está a levar o devedor (o Governo Português) a vender os anéis; ou seja, a permitir que o credor (representado pela Troika) se apodere da riqueza do devedor. A imposição de privatizações é uma manifestação evidente de que o Estado deixou-se capturar pelas oligarquias plutocráticas.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

 

este ministro é mesmo criativo

O Ministro da Economia surpreende-nos todos os dias. Havia, no Instituto de Emprego, os técnicos de emprego: analisavam as habilitações, a experiência, competências e saberes dos candidatos a emprego e procuravam o posto de trabalho que correspondesse a esse perfil. Era um serviço gratuíto prestado pelo estado.

Este Ministro, na ânsia do “novo”, concluiu que isso já está ultrapassado. E, vai daí, revolucionou o sistema: criou os administradores dos desempregados.

O papel do instituto, de receber ofertas e procuras de emprego, despachou-o para o sector privado: as agências de emprego. Estas, como vivemos em crise, talvez aumentem as percentagens que cobram pela colocação dos desempregados e estes, como é melhor estar empregado do que desempregado, passam a ganhar menos e a ficarem mais precarizados. O papel do Instituto passou a ser mais modernaço: é o de gerir os administradores de desempregados.

E é assim que o Álvaro vê o serviço público.

Como se vê este ministro é mesmo criativo: não e no crescimento económico que vê a resolução dos problemas do desemprego, mas nos administradores de desempregados.

Quando será que este Álvaro vai para o Canadá ou para o outro sítio que sabemos?

 

Transforma-se sempre o engraxar numa tertúlia

Hoje engraxei os sapatos. É coisa rara! Sou daqueles que mudam de sapatos no próprio acto da compra, sem nunca lhes dispensar os cuidados que merecem por me suportarem.

Recorri a um velho amigo, amigo que vem dos tempos do PREC. Pertenceu à JOC (Juventude Operária Católica), foi líder de uma comissão de trabalhadores e dirigente sindical. A Fábrica, onde trabalhava, fechou e o meu amigo, com bastantes filhos, teve de se fazer à vida: construiu uma caixa de engraxar e fixou-se na Praça da Liberdade, junto ao antigo Café Império. É um sábio! Pelas suas escovas, passam os sapatos de muitos dos meus amigos, entre eles, um deputado da Constituinte, também dirigente sindical e ainda militante da LOC (liga Operária Católica), os de D. Taipa, Bispo Auxiliar do Porto, e outros.

Transforma-se sempre o engraxar numa tertúlia. Rapidamente, ficamos rodeados de outros amigos e falamos da vida, não da vidinha de cada um de nós, mas dos problemas que a vida a todos nós sobrecarrega. E também na generosidade do Zeca. Sempre o Zeca Afonso vem à memória, quando se reflecte sobre a vida!

Dizia-me ele, olhando-me debaixo da boina com aqueles seus olhos cansados: “Já reparou que estes governantes são como os novos-ricos? Estes desprezam o património dos pais, as coisas antigas e acham-se muito modernaços comprando aquelas merdas das grandes superfícies que ao outro dia já não servem para nada. Os actuais governantes desprezam as coisas boas que o 25 de Abril nos deu, têm horror à tradição, culpam o passado de todos os males, condenam o que os nossos pais conquistaram, abominam o 25 de Abril e tudo o que a ele está ligado. Querem-nos fazer crer que o bom é a sociedade que eles querem impor, sem raízes, sem património, sem solidariedade e estão-nos a levar à desgraça com essas ideias”.

E depois de uma pausa, que fez o silêncio sentido como o eco de um peso que bate no fundo, concluiu:

“Isto não é democracia nenhuma, é pior do que o fascismo: no fascismo também havia eleições que eram manipuladas pelas chapeladas, hoje vamos votar em promessas que são aldrabices. O fascismo tinha gente culta, uma ideologia e nós sabíamos o que era e o que pretendia. Esta gente que nos governa é de plástico, não conhece a vida, nada percebe sobre o sofrimento do povo, quer impor uma coisa “nova”, mas ninguém sabe o que isso é. O que sabemos é que todos os dias perdemos direitos e sentimo-nos como o emigrante que, em Bruxelas, caiu de um andaime, teve um ataque cardíaco e foi abandonado numa viela pelo patrão. Este governo também já nos atirou para a valeta da vida.”

Vim a pensar nas suas palavras e senti-me mais irmão deste Amigo de longa data.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

 

Basta de vergar a espinha ao jugo!

Há um enorme embuste construído para fazer crer que os gregos são malandros, gastam mais do que podem e iludem os credores com contas mal feitas.

Esconde-se que a dívida grega, tal como a portuguesa, é sobretudo privada, dos bancos, e não do Estado.
 
O auxílio integra-se nesse jogo de ilusão: não pune os responsáveis, mas os cidadãos gregos e salva a Banca Alemã e os Fundos Financeiros Internacionais da sua exposição aos bancos gregos e, através das privatizações, apanha os negócios dos gregos (e dos portugueses) mais rentáveis.

A tirania financeira subjuga os povos e é com profunda indignação que assistimos a Passos Coelho vergar a espinha ao jugo dos “patrões” Sarkzy e Merkel, recusando-se a subscrever a carta que 12 lideres escreveram a exigir da U.E. medidas que promovam o crescimento económico, como se pode ver no site seguinte:
http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO035499.html

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

 

Uma cínica forma de fazer propaganda!

É espantoso o raciocínio que tem aparecido, nos últimos dias, elogiando a atitude de Passos Coelho na vaia que recebeu por contraponto à atitude de Cavaco Silva.

Mas que coragem manifestou Passos Coelho protegido por aquele cinturão de guarda-costas que todos os dias é reforçado?!...

Pode-se chamar a isso diálogo ou coragem?

Coragem, tiveram os manifestantes!

O que houve foi uma operação de marketing que procura fazer crer que Passos Coelho é diferente de Sócrates e de Cavaco Silva. Mas que frontalidade e que diálogo foi aquele?

O diálogo pressupõe abertura a encontros de pontos de vista e o primeiro-ministro, protegido por guarda-costas, o que fez foi uma propaganda cínica das suas medidas perante gente que as sofria terrivelmente.

É triste que não se compreenda que aquela operação de marketing é uma vergonhosa tentativa de justificar medidas que infernalizam a vida dos mais pobres.

Se quiseremos ser razoáveis, temos de concordar que Cavaco Silva foi mais honesto!


domingo, fevereiro 19, 2012

 

Pôr em causa direitos adquiridos é pôr em causa a própria democracia

Passos Coelho repetiu, hoje, a ideia de que não há direitos adquiridos e foi mais longe: diz que a culpa do desemprego está nas leis laborais.


Todos têm direito ao disparate, mas o Primeiro-ministro não devia exagerar. Nem o patronato mais reaccionário é capaz de tal dislate. Pode culpar Sócrates, as parcerias público-privadas, mas, hoje, ninguém se atreve a culpar a construção de direitos sociais da crise do desemprego.

Percebe-se que Passos Coelho não entende o que são direitos adquiridos. Teve empregos de favor, viveu sempre encostado ao aparelho político doseu partido e diplomou-se naqueles supermercados de emprego. Nunca leu o Leviathan e desconhece que, como dizia Hobbes, sem o respeito por pactos sociais, regrediríamos ao tempo do “homo homini lúpus”.

Tinha, no entanto, a obrigação de reflectir sobre o que disse o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça: defender a inexistência de direitos adquiridos, sejam pensões fixadas, salários estabilizados ou direitos de propriedade, é "admitir o regresso ao tempo das ocupações, das autogestões ou do confisco". E acrescentou: os direitos adquiridos são o "produto final de uma civilização avançada que se estruturou à volta da teoria do pacto social". Ou seja, a ideia de democracia fundamenta-se num pacto que estabelece a aquisição de direitos. E, no limite, teria de pôr em causa o seu próprio papel!

http://www.tvi24.iol.pt/geral/psd-passos-coelho-salarios-pensoes-direitos-agencia-financeira/1203968-5238.html

sábado, fevereiro 18, 2012

 

Uma austeridade muitimilionariamente lucrativa!

Vivemos num mundo surrealista! Ninguém terá os dito no sítio para dizer que o rei vai nu! …

A financeira multinacional Goldman Saches criou agências de rating que avaliam as dividas soberanas, colocou os seus agentes nos governos, cria crises, empresta dinheiro e destrói uma civilização, esvaziando direitos sociais e o próprio Estado Social, comportando-se perante Portugal, Grécia, Itália (até ver!...) como um depredador que se assenhoreia das suas presas e suga o sangue das vitimas!

O que levará tantos economistas, tantos políticos, tantos eleitores, tantas nações e povos a sujeitarem-se à contrafacção de um discurso que sai do grupo Bilderberg, onde pontifica a Golman, sobre uma austeridade que os saches(f)odem?

Será que ainda há algo de humano em quem assim escraviza um povo, já não por armas, mas pela sujeição a um discurso e a um pensamento único que tolhe a racionalidade e a dignidade das pessoas?

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

 

Escravisados pela Goldman Sachs

À Goldman Sachs foi entregue em Portugal, Itália e Grécia (onde ajudou a mascarar a a divida) a resolução da crise. Vejam onde trabalho Vítor Gaspar, Carlos Moeda, o Primeiro Ministro de Itália e o Primeiro Ministro da Grécia.

A Goldman Sachs domina Portugal, Grécia e Itália e é responsável por esta crise, beneficia da mesma e a ela se aplica o slogan “cria crises para dominar o mundo e beneficiar desse domínio.

A Troyka é o braço armado da Goldman Sachs. 

A Goldman Sachs é paladina da defesa do neoliberalismo.

Estão a perceber  para que serve a crise!

Quando acordaremos para esta obscena situação?!...
http://economico.sapo.pt/noticias/afinal-o-goldman-sachs-manda-no-mundo_129099.html
http://economico.sapo.pt/noticias/os-negocios-do-goldman-sachs-com-portugal_129105.html

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

 

Roubalheira institucionalizada

O que se passa, hoje, na zona euro pode ser definido por roubalheira institucionalizada.

Diz quem sabe (e todos os dias lida com estes problemas) que, em Portugal, tal como na Europa, o sistema de impostos está construído de forma piramidal.

Na base, quem trabalha por conta doutrem sustenta toda uma máquina virada para o capital financeiro. No topo da pirâmide, em Portugal e na Europa, as leis estão feitas para permitirem que os grandes grupos económicos e financeiros não paguem impostos. Favorecem legalmente a localização das suas sedes em países que os defendam desses encargos.

A escravidão de impostos, o esvaziamento dos direitos sociais, a flexibilização, mobilidade e precariedade do emprego representam a transformação do Estado num instrumento do capital. Rompeu-se, assim, com o Estado social, conquistado com muita luta, depois da terrível situação de miséria causada por duas guerras mundiais.

A exploração actualmente é diferente da que acontecia na revolução industrial: é radical e fundamentalista. Atingiu a estrutura do poder que passou da mão dos políticos para a mão dos poderosos grupos económicos e financeiros nacionais e multinacionais.

A crise emerge deste sistema e é a consequência de uma exploração que ultrapassa o sistema produtivo e dá-se ao nível das bolsas,dos offshores,dos empréstimos financeiros e dos lucros astronómicos, numa exploração esquizoide.

As agências de rating foi uma invenção maquiavélica dos Fundos Financeiros.

Sem uma reviravolta neste esquema, sem o despertar dos povos para obrigar quem elege a recuperar o poder político, nenhuma crise poderá ser ultrapassada.

Resolver esta crise que infernaliza a nossa vida, não está só no combate à corrupção, no rigor dos gastos, mas depende essencialmente da necessidade da política recuperar o poder que perdeu, colocando a economia e o capital financeiro ao serviço dos povos e não o contrário.

Precisamos de políticos com sentido de Estado e só temos papagaios que repetem o linguajar do capital e pesporrentamente consideram que só há um pensamento único: o que eles papagueiam.

 

O nosso combate não é apenas o da Grécia, mas visa uma Europa livre, independente e democrática

Mikis Theodorakis , resistente desde a primeira hora contra a ocupação nazi e fascista, combatente republicano desde a guerra civil e torturado durante o regime dos coronéis, enviou uma carta aberta aos povos da Europa , publicada em numerosos jornais… gregos, na qual consta:

"O nosso combate não é apenas o da Grécia, mas visa uma Europa livre, independente e democrática. Não acreditem nos vossos governos quando eles alegam que o vosso dinheiro serve para ajudar a Grécia. (…) Os programas de "salvamento da Grécia" apenas ajudam os bancos estrangeiros, precisamente aqueles que, por intermédio dos políticos e dos governos a seu soldo, impuseram o modelo político que conduziu à actual crise.

Não há outra solução senão substituir o actual modelo económico europeu, concebido para gerar dívidas, e voltar a uma política de estímulo da procura e do desenvolvimento, a um proteccionismo dotado de um controlo drástico das Finanças. Se os Estados não se impuserem aos mercados, estes acabarão por engoli-los, juntamente com a democracia e todas as conquistas da civilização europeia. A democracia nasceu em Atenas, quando Sólon anulou as dívidas dos pobres para com os ricos. Não podemos autorizar hoje os bancos a destruir a democracia europeia, a extorquir as somas gigantescas que eles próprios geraram sob a forma de dívidas.

Não vos pedimos para apoiar a nossa luta por solidariedade, nem porque o nosso território foi o berço de Platão e de Aristóteles, de Péricles e de Protágoras, dos conceitos de democracia, de liberdade e da Europa. (…)

Pedimos-vos que o façam no vosso próprio interesse. Se autorizarem hoje o sacrifício das sociedades grega, irlandesa, portuguesa e espanhola no altar da dívida e dos bancos, em breve chegará a vossa vez. Não podeis prosperar no meio das ruínas das sociedades europeias. Quanto a nós, acordámos tarde mas acordámos. Construamos juntos uma Europa nova, uma Europa democrática, próspera, pacífica, digna da sua história, das suas lutas e do seu espírito. Resistamos ao totalitarismo dos mercados que ameaça desmantelar a Europa transformando-a em Terceiro Mundo, que vira os povos europeus uns contra os outros, que destrói o nosso continente, provocando o regresso do fascismo".

07/Novembro/2011

A versão em francês encontra-se em: http://www.silviacattori.net/article2301.html

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

 

Gregos comparam ingerência alemã na economia ao nazismo - Globo - DN

Quem semeia ventos, colhe tempestades.
Gregos comparam ingerência alemã na economia ao nazismo - Globo - DN

 

Sobre as declarações de Aguiar Branco

Transcrevemos as declarações de Vasco Lourenço:
"Na senda de intervenções de outros responsáveis políticos, o ministro da Defesa Nacional veio prestar declarações que espantam por denotarem enorme falta de consideração para com os portugueses, em geral, ou alguns em particular.

Com efeito, depois das lamentações do Presidente da República, no que concerne às suas “diminutas” reformas, ele que optara pelas mesmas em detrimento do vencimento de PR, o que nada dignifica a função; depois dos conselhos do primeiro-ministro, aos jovens desempregados para emigrarem e irem à procura de emprego noutro país; depois das diversas declarações do ministro da Economia, onde ressaltou a dos pastéis de nata; vem o ministro da Defesa Nacional sugerir aos militares que não sintam vocação para isso, a procura de outra carreira.

Até parece que estamos a assistir a um concurso de asneiras e anedotas, protagonizado por quem nos (des)governa! Que demonstra, em minha opinião, a enorme falta de respeito e consideração que os seus concidadãos lhes merecem. Que continua, quando o primeiro-ministro não hesita em nos chamar, ainda que de forma indirecta, piegas e preguiçosos a todos…

Voltemos às declarações de Aguiar Branco, pela enorme gravidade das mesmas.

Não há dinheiro, por isso estas Forças Armadas são insustentáveis!

Não, senhor ministro! O dinheiro existe, está é mal parado, mal distribuído e em más mãos!

A falta de dinheiro tem sido, aliás, a grande palavra de ordem que os governantes utilizam para justificar todas as medidas que tomam! Nada mais errado, como diriam muitos economistas: o dinheiro existe, tem é de ser melhor distribuído e utilizado.

E, aqui, chegamos já a um dos pontos que mais irritaram o senhor MDN e o levou a acusar as associações socioprofissionais de militares a estarem a fazer política partidária. Para ele, salientar o escândalo do BPN e das PPP é um crime de lesa-pátria. Para ele, salientar dois dos exemplos maiores da enorme prática da corrupção em Portugal, que nos trouxe ao actual estado de coisas é inaceitável, porque feito por quem deve ouvir, calar e obedecer!

Como é igualmente inaceitável para ele que patriotas, que amam o seu País e respeitam a sua História, se manifestem contra a descaracterização da mesma, a insensibilidade, quanto aos valores, demonstradas com a abolição de datas históricas como feriados nacionais, tudo feito de forma absolutamente demagógica.

Como também considerou inaceitável, tentando colar às associações socioprofissionais o carimbo de partidárias, o facto de as mesmas se pronunciarem sobre as condições salariais da Função Pública. Oh, senhor ministro, no mínimo haja honestidade intelectual: então se os governos têm vindo sucessivamente a destruir a condição militar, se têm vindo a tratar os militares como simples funcionários públicos – no que aos direitos se refere, pois os deveres continuaram intocáveis – sim, eu sei que afirmou claramente, “de forma implacável na objectividade”, nas suas palavras, que um militar não é um funcionário público!

Pois não, não é, mas é assim que tem vindo a ser tratado, inclusivamente pelo actual ministro da Defesa Nacional, quando (sem falar noutras alterações) lhe impõe a tabela remuneratória da Função Pública e chega ao cúmulo de decidir um retrocesso, sem paralelo no passado, na tabela salarial, só porque a equiparação à Função Pública não tinha sido efectuada, nos moldes em que considerava dever ser feita.

Haja decoro! Se as associações socioprofissionais não podem falar disto, de que podem então falar?

Ao proceder como procedeu, ao procurar atingir os militares através das suas associações socioprofissionais, o senhor ministro ofendeu-nos profundamente, demonstrando uma enorme incapacidade e falta de qualidades para exercer o seu cargo!

Na sua intervenção, teve a lucidez – ou ter-se-á tratado, apenas, de um deslize? – em assumir alguma ignorância, quando afirmou que “tudo está a ser reflectido. Em alguns casos chegaremos a conclusões diferentes das que hoje existem, noutros perceberemos, pelo menos, o porquê das coisas.”

Pois é, não deveria ter dito o que disse, antes de perceber o porquê das coisas! Sabemos que nem o serviço militar cumpriu, mas isso não justifica que agrida os militares como o fez!

O facto é que se dirigiu a militares com uma vida dedicada à carreira, que não recebem lições de vocação, de verdadeiro sentido de serviço público, de anos de amor desinteressado à sua Pátria, por quem não tem qualquer autoridade moral para o fazer!

Dirigiu-se a militares que se honraram numa guerra sem sentido, imposta pelo poder político, muitos deles agraciados com as mais altas condecorações por feitos em combate!

Dirigiu-se a militares que, apesar de permanentemente desconsiderados, atacados nos direitos próprios da sua condição militar, apesar de verem as condições de actuação cada vez mais difíceis, têm cumprido todas as missões que o poder político lhes determina, mantendo as Forças Armadas, de há vários anos a esta parte, como único instrumento válido da nossa política de relações externas!

Dirigiu-se a militares que se honraram, ao derrubar a ditadura e ao criarem as condições para que Portugal pudesse ser um Estado de direito democrático, com liberdade e com o poder exercido pelos eleitos pela população! Que o fizeram, cumprindo todas as promessas, nomeadamente a de se afastarem do exercício do poder! Numa atitude que, porque inédita em toda a História universal, os enche de orgulho e lhes dá o estatuto de, no mínimo, exigirem respeito da parte dos que usufruíram e usufruem dos resultados da sua acção!

Sabemos que é difícil compreender este posicionamento, este procedimento desprendido, por quem não compreende o verdadeiro espírito militar. Mais do que ninguém, os militares, até porque o demonstraram no terreno, de várias maneiras, sabem que ser militar é uma vocação! Não o descobriram agora, como parece ser o caso do senhor MDN.

Não se confunda, senhor ministro: o passado e o presente têm demonstrado que os militares portugueses, apesar de se verem a eles próprios e às Forças Armadas como instituição, cada vez mais desconsiderados e mal tratados, têm cumprido, com sucesso, todas as missões recebidas do poder político, mantendo a Instituição Militar como uma das mais eficientes e prestigiadas de um País que vem caminhando para o abismo!

Questiona-se o senhor ministro sobre se o papel das Forças Armadas deve ser apenas o da defesa.

É uma questão que, por várias vezes tem sido levantada e que, de uma vez por todas, os militares gostariam de ver clarificada. Aliás, o passado tem-nos demonstrado que são precisamente os militares a procurarem utilizar todas as suas capacidades para servirem o País, nas mais diversas vertentes.

Só que o contexto em que o senhor ministro proferiu esta afirmação, onde deixou claro que aos militares está vedado pensarem, pois se devem limitar a ouvir, calar e cumprir as determinações do poder político, permite-nos levantar as mais terríveis hipóteses sobre a natureza do seu pensamento e das suas intenções. Clarificando: com o agudizar da situação social a que a actual política inevitavelmente nos conduzirá, não estará o senhor ministro a ver as Forças Armadas como instrumento último para impor as ideias do Governo, mesmo que através de forte repressão à população?

É que é desejável que nos esclareça sobre o que não quis falar na sua intervenção de 1 de Fevereiro: continua a não querer falar das intenções?

Seria desejável que nos esclarecesse sobre um facto essencial: considerando as actuais Forças Armadas insustentáveis, quais as que admite serem sustentáveis?

Não é este o momento para discutir responsabilidades sobre a descaracterização das Forças Armadas que vem sendo feita e que lhe permite afirmar que estas Forças Armadas são insustentáveis.

Mas é forçoso que nos esclareça sobre se o seu “novo modelo” de Forças Armadas visa a solução tipo “menos Forças Armadas, melhores Forças Armadas”, procurando criar as condições para integrar Portugal no que o actual poder do capital procura atingir? Isto é, passando pela chamada “democracia musculada”, há que criar um novo paradigma, onde ao nosso Estado, como a outros Estados nacionais europeus, caberá a tarefa de “capataz”, de controlo e repressão, de modo a assegurar a “competitividade”, isto é, a assegurar a “orientalização” das condições de trabalho e de vida das populações europeias e a mobilização dos seus recursos para, ao lado do capital financeiro, submeter todo o mundo?

Estaremos dispostos a um destino de servir de “carne para canhão” em futuros conflitos bélicos globais, a exemplo do que aconteceu com outros, em anteriores guerras?
Estarão já os actuais responsáveis decididos a uma ruptura completa com a população portuguesa, integrando-se no projecto cosmopolita da Nova Ordem Internacional Privada, num perfeito papel de novos “Miguéis de Vasconcelos”?

Quero crer que não!

Mas se assim for, como parece ser, o caminho passará por substituir o actual modelo de Forças Armadas – constitucionais, democráticas, etc. –, as tais insustentáveis, por um outro modelo de Forças Armadas viáveis, isto é, sustentáveis. O mesmo é dizer, substituir as Forças Armadas por uma qualquer força armada.

Se de facto assim for, não se iluda, mesmo que algum general lhe diga o contrário: se conhecesse o espírito militar saberia que os militares não confundem subordinação ao poder político legítimo, que aceitam disciplinadamente, com submissão ao mesmo poder que, se chegar a tentar impô-la é sinal inequívoco de que perdeu já essa legitimidade. Como em meu entender, se passa já, pois mantendo a legalidade, os senhores, ao rasgarem todas as promessas feitas, perderam já a legitimidade conquistada nas eleições.

Tenho presente que, para vocês, a Constituição, os direitos adquiridos, os valores principais, são simples pormenores, simples fait divers, quando está em jogo o interesse e a vontade dos mercados.

Não nos iludamos, é a própria democracia que não tardará a ser por vós considerada um pequeno pormenor. O exemplo grego e italiano aí estão para o provar.

A luta vai ser tremenda e, acredite Sr. ministro, vão ter enormes dificuldades em atingir os objectivos que se propõem.

Desde já, parafraseando-o a si e ao seu chefe de Governo, dir-lhe-ei: como é insustentável, procure outra carreira, emigre!


Vasco Lourenço
(Presidente da Direcção da Associação 25 de Abril)
(Presidente do Conselho Deontológico da Associação de Oficiais das Forças Armadas)

Lisboa, 13 de Fevereiro de 2012

domingo, fevereiro 12, 2012

 

Os gregos sentem-se injustiçados e têm razão!

No pós-nazismo a Alemanha foi três vezes insolvente. Merkel, se tivesse respeito pela memória, teria de reconhecer que a dívida grega é insignificante relativamente aos calotes da Alemanha no séc. XX.


De 1924 a 1929 a Alemanha viveu do crédito, não pagou os débitos e o efeito sobre a economia dos países credores, como a Grécia, foi devastador.

E se hoje a Alemanha é um país próspero, terá de reconhecer que deve o seu sucesso aos países que lhe perdoaram o calote, mesmo depois de terem sido vítimas da guerra de extermínio que a Alemanha (de Hitler) desencadeou.

A srª Merkel (que vem da Alemanha de leste) não tem moral para pressionar, da forma como tem feito, a Grécia, querento até impôr um tutor.

Por isso, os gregos se sentem injustiçados e exigem que o seu governo obrigue a Alemanha a saldar contas antigas com a Grécia, antes de lhes impor os sacrifícios terríveis do memorando da troika.

Entretanto, a aceitação do protocolo da Troika foi aceite, mas o problema continua


http://economico.sapo.pt/noticias/policia-dispersa-milhares-em-atenas_138084.html

 

Whitney Houston deixou-nos aos 48 anos

Foi em Los Angeles e todos suspeitamos por quê! O seu talento foi, como muitas outras cantoras, descoberto num coro de Igreja.Tinha uma maravilhosa voz e entrou em muitos concertos em nome da causa dos mais pobres, mais oprimidos e mais perseguidos. Onde estiver, receba a nossa saudade.
http://www.youtube.com/watch?v=H9nPf7w7pDI

sábado, fevereiro 11, 2012

 

CGTP exige aumento do salário mínimo [fotos] - Sociedade - Sol

Foi uma grande manifestação. Li, já não sei aonde, que um bom líder sente-se como um peixe na água.



É isso que espero de Arménio Carlos. Gostaria que a sua liderança fosse sempre compreendida pelos trabalhadores, de tal forma que alargasse o apoio à sua luta e tivesse a adesão de todos os que para viver precisam de trabalhar e não ganham para ser sindicalizados (os trabalhadores precários) e a compreensão dos pequenos e médios empresários.


Precisamos de sindicatos fortes e que sejam espelho dos problemas do mundo do trabalho. Precisamos de olhar para a luta dos trabalhadores e divisarmos nela a nossa luta e não a luta de um líder.


CGTP exige aumento do salário mínimo [fotos] - Sociedade - Sol

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

 

Uma carta que merece reflexão e solidariedade

Uma carta do Brigadeiro SILVESTRE DOS SANTOS, autorizada a publicar. Vale a pena ler:

«Ex.º Sr. General Chefe do Gabinete de S. Ex.ª o Ministro da Defesa Nacional, Caro camarada:

Apresento a V. Ex.ª os meus cumprimentos.

Tomo a liberdade de me dirigir a V. Ex.ª para lhe solicitar que transmita a S. Ex.ª o Sr. Ministro a minha indignação relativamente à forma pouco respeitosa e mesmo insultuosa como se referiu às Forças Armadas, aos militares e às suas Associações representativas, no passado dia 1 de Fevereiro. De todos os governantes, o Ministro da tutela era o último que deveria proferir palavras dessa estirpe.

Sou Tenente-General Piloto-Aviador na situação de Reforma, cumpri 41 anos de serviço efectivo e possuo três medalhas de Serviços Distintos (uma delas com palma), duas medalhas de Mérito Militar (1.ª e 2.ª classe) e a medalha de ouro de Comportamento Exemplar. Servi o meu País o melhor que pude e soube, com lealdade e com vocação, sentimentos que S. Ex.ª não hesita em por levianamente em causa.

Presentemente, faço parte com muito orgulho, do Conselho Deontológico da Associação de Oficiais das Forças Armadas.

Diz o Sr. Ministro que “a solução está em todos nós. Em cada um de nós”. Não é verdade! A solução está única e exclusivamente na substituição da classe política incompetente que nos tem governado (?) nos últimos 25 anos, e que nos tem levado, de vitória em vitória, até à derrota final! Os comuns cidadãos deste País, nomeadamente os militares, não têm qualquer responsabilidade neste descalabro.

Como disse o Sr. Coronel Vasco Lourenço no seu livro, “os militares de Abril fizeram uma coisa muito bonita, mas os políticos encarregaram-se de a estragar…”

Diz também S. Ex.ª que as Forças Armadas estão a ser repensadas e reorganizadas. Ora, se existe algo que num País não pode ser repensado nem modificado quando dá jeito ou à mercê de conjunturas desfavoráveis, são as Forças Armadas, porque serão elas, as mesmas que a classe política vem sistematicamente vilipendiando e ultrajando, a única e última Instituição que defenderá o Estado da desintegração.

Fala o Sr. Ministro de algum descontentamento protagonizado por parte de alguns movimentos associativos. Se S. Ex.ª está convencido que o descontentamento de que fala se limita a “alguns movimentos associativos”, está a cometer um erro de análise muito sério e perigoso, e demonstra o desconhecimento completo do sentir dos homens e mulheres de que é o responsável político. Este descontentamento, que é geral, não tenha dúvida, tem vindo a ser gerado pela incompetência, sobranceria, despudor e, até, ilegalidade com que sucessivos governos têm vindo a tratar as Forças Armadas. É a reacção mais que natural de décadas de desconsiderações e de desprezo por quem (é importante relembrar isto) vos deu de mão beijada a possibilidade de governar este País democraticamente!

As Forças Armadas não querem fazer política! Não queiram os políticos, principalmente os mais responsáveis, “ensinar” aos militares o que é vocação, lealdade, verticalidade e sentido do dever. Mesmo que queiram, não podem fazê-lo, porque não possuem, nem a estatura nem o exemplo necessários para tal.

Quem tem vindo a tentar sistematicamente destruir a vocação e os pilares das Forças Armadas, como o Regulamento de Disciplina Militar, destroçado e adulterado pelo governo anterior? Quem elaborou as leis do Associativismo Militar, para depois não hesitar em ir contra o que lá se estabelece? Quem tem vindo a fazer o “impossível” para transformar os militares em meros funcionários do Estado? Apesar disso, tem alguma missão, qualquer que ela seja, ficado por cumprir?

Fala S. Ex.ª de falta de vocação baseado em que factos? Não aceita S. Ex.ª o “delito de opinião”? Não são seguramente os militares que estão no sítio errado!

Por tudo o que atrás deixei escrito, sinto-me profundamente ofendido pelas palavras do Sr. Ministro.

Com respeitosos cumprimentos de camaradagem


EDUARDO EUGÉNIO SILVESTRE DOS SANTOS
Tenente-General Piloto-Aviador (Ref.) 000229-B

 

A propósito do 31 de Janeiro

Enviei para o Semanário Grande Porto o seguinte texto:

A celebração de um aniversário tem uma carga afectiva e simbólica. Significa que, naquele dia, se reconhece a felicidade de existir e representa uma ligação afectiva às raízes: família, amigos e terra que nos viu nascer e crescer.

Tal como na nossa vida pessoal, assim acontece com as datas que marcam a nossa história colectiva. Celebrá-las é promover a ligação afectiva ao acontecimento que lhes diz respeito e exaltar os valores que lhes estão associados.

Por alguma razão, durante o fascismo, o 31 de Janeiro e o 5 de Outubro serviram de bandeira à causa da liberdade, da justiça e da dignidade.

No tempo de Salazar, mesmo com uma repressão feroz, os democratas do Porto celebravam o 31 de Janeiro com uma romagem ao cemitério do Prado de Repouso para colocar, junto ao Monumento dos Vencidos, erguido durante a República, uma coroa de flores. Prestavam não só homenagem aos generosos sargentos e intelectuais do Porto, como Alves da Veiga, Basílio Teles, Sampaio Bruno, Rodrigues de Freitas e tantos outros que, naquela data, em 1891, se revoltaram contra uma Monarquia que deixou humilhar a Pátria com o Ultimato Inglês de 1890, mas também apelavam ao seu exemplo na afirmação da nossa dignidade como povo e na luta pela liberdade e justiça social.

O simples facto de se alterar a toponímia, passando a designar a Rua 31 de Janeiro por Rua Santo António, foi motivo de fortes protestos, com manifestações de rua e prisões. O valor simbólico desta data é bem patente nos milhares de pessoas que, por exemplo, em 1960 compareceram no cemitério do Prado de Repouso e, indiferentes às perseguições, enfrentaram polícias armados com metralhadoras, bombas de gás e auto-tanques que disparavam jactos de água com tinta azul para dispersar a multidão e assinalar à PIDE os envolvidos no protesto.

Situações semelhantes aconteceram com a invocação do 5 de Outubro nos grandes comícios de exaltação dos valores republicanos no Coliseu do Porto.

Um povo sem referências históricas, sem celebrar as suas tradições, é um povo sem alma, sem identidade, desenraizado e transformado num mero aglomerado de gente. E o trabalho, quando a vida colectiva não lhe dá um sentido, é mero exercício despersonalizado, alienante e depressivo.

Este Governo, ao invocar a austeridade para obscurecer as referências da nossa história e desvalorizar as tradições que cimentam os laços da nossa identidade, não só apaga horizontes de sentido à nossa vida colectiva, como reforça a humilhação deprimente de estarmos sujeitos ao protectorado da Troika.

Como é possível que um primeiro-ministro despreze investir no capital patriótico das datas mais significativas da nossa história e diga que “não estamos em tempo de falar de tradições”?!... Como quererá Passos Coelho mobilizar os portugueses para a compreensão dos sacrifícios que lhes pede, sem invocar o testemunho da exemplaridade de acontecimentos ou recusando o papel das tradições na coesão social?

Um povo não é uma soma de indivíduos, a governação não se reduz a meras equações de contabilidade e a política não pode ser uma esquizofrénica racionalidade de conveniência.

O pior que aconteceu neste País foi, na educação, se ter retirado das ciências matemáticas e experimentais as ciências humanas.

Fazem-nos falta políticos cultos, com uma dimensão humana e capazes de compreender e respeitar o espírito de um povo.

Os portugueses precisam de sentir orgulho de serem portugueses e desavisado é um governo que trespassa as referências da nossa vida colectiva e promove o esvaziamento das nossas tradições, tornando-nos estrangeiros no nosso próprio País.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

 

Um chumbo de casting.

Ouvi a entrevista na SIC ao Ministro da Economia. Não sei se há coisa mais fastidiosa! É que a imagem que surge imediatamente é de estarmos perante um Álvaro, aluno de uma qualquer escola, que está em branco na matéria que lhe é perguntada e recorre, com prosápia, aquelas tiradas: “como já referi … vou mais adiante responder … mas repare pá…, etc.”

Tudo expressões que querem sugerir saber alguma coisa da matéria, mas nada dizem. No final, fiquei a pensar: Passos Coelho é mesmo um piegas! Só gosta de ver o Álvaro mascarado de ministro.

 

Que cretinice!!!...

Agora o argumento forte do PSD (à falta de argumentos) é o seguinte: durante o feriado de carnaval, enquanto portugueses se divertiam, a Troika estava a trabalhar para nos emprestar dinheiro.

Para o PSD, a Troika é uma espécie de conferência de S. Vicente de Paulo.

Quem se lembra dos milhões que já foram pagos à Troika? Quem dirá a Passos Coelho e aos deputados do PSD que a Troika está cá por conveniência dos grupos financeiros que representa, impondo condições que garantam o retorno do empréstimo. Não é uma agência de caridade. Utiliza o Bloco Central e este Governo para impor aos mais pobres de Portugal sacrifícios que constituem perante a moralidade, a justiça e o direito, autêntica obscenidade

Já não é demagogia, é cretinice!!!...
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=536437 


segunda-feira, fevereiro 06, 2012

 

Bulgária: Barragem rebenta e onda de 2.5 metros varre aldeia - Internacional - Sol

Bulgária: Barragem rebenta e onda de 2.5 metros varre aldeia - Internacional - Sol

Um aviso para os amarantinos que andam distraídos. É melhor prevenir que remediar e quem avisa amigo é!

 
Um paradoxo que este Governo e os comentadores de serviço parecem não querer ter em conta.
Diz o Le Monde de 27 de Janeiro, citando o  Financial Times :
“ Reagan e Thatcher estão na origem das dificuldades actuais e é chocante que as receitas que estão a ser aplicadas à crise são, em grande parte, as do thatcherismo”.

domingo, fevereiro 05, 2012

 
Missa de 7º dia por alma do nosso amigo Coronel Mário Brandão é na próxima Quinta-Feira, às 21h na Igreja Matriz de Penafiel.

 

Admiro gente que sabe pensar!

Estou a ouvir Adriano Moreira na SIC. Diz que valia a pena reler Marcuse. Faz a diferença entre informação e conhecimento e entre mundialização e globalização. Está preocupado com os poderes anónimos (invisíveis) e diz que o mercado não se regula por si mesmo. Entende que o Tratado de Lisboa foi mal feito e que não há lideranças europeias, pois tratam-nos como "coisas". Refere uma história significativa: George Soros (o tal que dizia que fazia tremer o Banco de Inglaterra) no seu cartão de visitas tinha escrito -- “especulador financeiro”.

Refere o erro dramático da política agrícola e de pescas comum. E acrescenta: “Um país só é país, quando a sua gente pisa a terra (a ideia de pátria é essa). A janela de liberdade de um País é o mar”.

Depois anota: “os sacrifícios exigidos aos portugueses são excessivos. Temos um ministro do orçamento, mas falta-nos um ministro das finanças – não temos quem se preocupe com os recursos que nos faltam e isso incumbe a um ministro das finanças. Também não temos ministro da economia e isso resulta da Troika. Somos um protectorado. Estou muito preocupado com os meus netos. Não sei se o País lhes dará um futuro digno.”

Interroga-se: “dizem que a crise é mundial, mas alguém convoca o conselho económico das Nações unidas?”.

No seu entender, precisámos de políticos com palavra e com sabedoria. "Só estas qualidades dão a confiança que faz a coesão social. E isso falta não só em Portugal, mas na Europa".

Por fim assegura:"Não estou de acordo com o fim do Estado social. Abandonar o Estado social é deitar o futuro pela janela.

Já me chegam estas declarações. Nunca estive tanto de acordo!
http://sicnoticias.sapo.pt/economia/article1285724.ece 

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