sexta-feira, setembro 30, 2011

 
A divida da Madeira, que muito orgulha João Jardim, é de 6.328 milhões de euros. Mais 400 milhões do que dizia Jardim, o que deve redobrar o seu orgulho e, pelos vistos, também o PSD. De contrário, já lhe teria retirado apoio.


A factura, como sempre, virá para os contribuintes do Continente. E para que ninguém se ria, os líderes do PSD já armadilharam a resposta: justificam o esbanjamento de Jardim com o esbanjamento de Sócrates (que nada escondeu, pelo que se saiba). É a lógica de um erro no passado justifica erros no futuro (contrariando aquela ideia de Passos Coelho — “não me justificarei com o passado”).

Não saímos disto. Também não há quem esteja virado para construir um melhor Futuro e tenha melhor imaginação.

 

O mérito ficou ao nível do supermercado

Penso que o Ministro da Educação entrou em contradição com o Nuno Crato. Foi um erro revelador de uma visão do mundo bafienta, colocar o mérito ao nível do cabaz de compras.

Uma sociedade que privilegia os valores, estimula as boas referências.

Premeia-se comportamentos e o prémio é a exaltação dum bom comportamento e um estímulo para ser imitado.

É horrível dar-se a entender (junto dos outros alunos) que se não fosse pobrezinho não tinha prémio ou se não estivéssemos em crise (coisa para o qual o premiado nada contribuiu) o prémio não se transformava em “artigos” de uso escolar ou outro.

Espero que o critério, agora adoptado, seja levado a cabo nas empresas públicas e que os seus administradores deixem de receber os prémios milionários e passem a recebê-los em artigos de supermercado.

A ordem dos médicos está de parabéns. Substituiu-se ao M.E. para sinalizar um comportamento de mérito, para que ele sirva de exemplo aos outros e dessa forma deu o seu contributo para a tão desejada sociedade de mérito.

quinta-feira, setembro 29, 2011

 

Aplaudo!

O lobby mais poderoso ligado à saúde é, sem dúvida, a Associação Nacional de Farmácias. Exerce influência para Impôr aos ministros tudo o que lhes interessa. Limitação de farmácias, preço dos medicamentos, etc. O pedido de demissão da sua direcção, protestando contra a redução dos preços dos medicamentos, vem-me obrigar a saudar o Ministro da Saúde. É a primeira vez, mas oxalá que o possa apoiar mais vezes! E fá-lo-ei em todas as medidas que traduzam defesa do bem-comum.

 
O Ministro proclamador duma sociedade meritocrata, acabou com os prémios aos bons alunos no Secundário. E tem razão!...

O seu desempenho ministerial fez-lhe ver que no mundo da política as coisas são diferentes. Por exemplo, antes de um ministro visitar ou inaugurar qualquer coisa, são precisos assessores que de facto azul e óculos escuros, verificam, in loco, se tudo está no seu lugar. Esta tarefa, bem paga, não depende do mérito escolar, mas do empenho partidário. Para quê, então, premiar, com dispêndios colossais, os bons alunos, se, depois de saírem da faculdade, raramente arranjam emprego?!...

Não há dúvidas que este Governo tem critérios.

quarta-feira, setembro 28, 2011

 

Cavaco Silva na TV

Pouco me disse a entrevista de Cavaco Silva.

A síntese que faço resume-se a três ideias: sobre o governo, “deixem-nos trabalhar”; sobre a Madeira, o estilo faz o homem (uma espécie de lavagem a seco do trauliteiro); e sobre a Troika avisou o Governo que não deveria “pôr o carro à frente dos bois”.

Fica para outros explicar por que é que a Madeira andou em roda livre, bem como autarquias e governo, sem que o Presidente da República passasse de avisos a actos, bem como Tribunal de Contas, Revisores Oficiais de Contas e toda essa gente que é paga para controlar desvios orçamentais.

Continuamos a esperar por um Presidente com mais coragem e determinação. Amanhã, no meu entender, ninguém se lembrará desta entrevista.

 

Não vale a pena acusar de invejosos, quando o que acontece é uma imoralidade.

Num país que tem cerca de dois milhões de desempregados e a crise está a ser paga pelos mais pobres e o salário médio (de quem trabalha) ronda os 900 euros, Alberto João Jardim, o do buraco de 7 mil milhões escondidos, arrecada quase 10 mil euros por mês. Praticamente o mesmo que Cavaco Silva.

Jardim é pensionista desde 2005 e os descontos efectuados ao longo da vida - a maioria enquanto líder madeirense - não lhe permitem auferir muito mais do que 4.000 euros mensais. Contudo, e pelo cargo de presidente regional, Jardim arrecada mais 5 mil euros todos os meses, avança a revista «Focus».

Jorge Coelho, presidente-executivo da Mota Engil  e ex-ministro de António Guterres, ganha mais de 50 mil euros por mês.

Pedro Santana Lopes, aufere mais de 5 mil euros mensais. O ex-secretário de Estado recebe de pensão por este último cargo, cerca de 3.178 euros por mês. Em 2010, Santana Lopes pediu a subvenção vitalícia a que tem direito como ex-deputado, que lhe permitiu somar dois mil euros por mês ao vencimento mensal. Devido a estas compensações, Santa Lopes informou que abdicará do salário decorrente do cargo que irá ocupar como provedor da SCML. Ainda assim, no total, o vereador aufere cerca de 5.178 euros por mês.

O presidente executivo da PT, Zeinal Bava recebeu, o ano passado, 1,41 milhões de euros, sensivelmente, 100 mil euros por mês.

O presidente da EDP, António Mexia atinge os 75 mil euros de vencimento mensal.. Fernando Pinto, presidente da TAP, recebe um total de 27 mil euros mensais, apesar de ter sofrido um corte de 10% no seu salário, correspondente à medida de cortes nos salários da função pública. Já não falando de Mira Amaral e outros.

Dados retirados de:
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/salarios-milionarios-politicos-ordenados-gestores-agencia-financeira/1284296-1730.html

segunda-feira, setembro 26, 2011

 

"Ninguém sai da política com mãos limpas"

Há por aí muita gente incomodada com o facto do Cardeal Patriarca ter dito que “ninguém sai da política com mãos limpas”. São as dores do espírito de "classe".

Mas o Cardeal só disse o que é do senso comum. Naturalmente há excepções, mas não há regra sem excepções. Em vez de matar o mensageiro, talvez seja melhor alterar a forma de fazer política e criar regras que limitem a possibilidade de se “sujar” na política as mãos.

Aliás, o recente diploma para combater a corrupção vai nesse sentido, mas pode haver outras iniciativas, como p. ex. um período de “nojo” durante o qual um ex-político não pode ocupar lugares na administração do Estado ou em empresas que tenham estado directa ou indirectamente ligadas ao seu pelouro.

Sei que a Igreja também suja as mãos em muita coisa, mas não é isso que agora está em causa. O que é incontroverso é que a política perdeu o sentido da causa pública e é nessa perspectiva que entendo a frase do cardeal.

Não podemos fazer como a Avestruz: meter a cabeça na areia. Aliás, nem vale a pena, se pensarmos no estado em que o País está, sem que haja um político na cadeia.

 

Contra a perseguição política em Angola

Com o título “VERGONHOSO” um angolano faz uma denúncia, hoje, no “Público” pg.30, que não nos pode deixar indiferentes.



“É uma vergonha o que aqui se passa. As pessoas são arrancadas da sua casa e simplesmente desaparecem. Quando será que a comunidade internacional vai olhar para isto? É uma vergonha que as pessoas saibam o que aqui se passa e fechem os olhos. (…) Por amor de Deus, vão para a rua, em todos os países civilizados e peçam que olhem para Angola”.

Luanda


Precisamos de alargar a nossa solidariedade para com as vítimas da perseguição política em Angola. Partilha e faz apelo para que partilhem esta notícia. Não podemos ficar indiferentes!

 

O que é preciso é não perturbar Jarim!

Miguel Relvas, aquele inefável ministro, que só no poder de influência é a quarta figura nacional, diz que a divulgação pública da auditoria e do plano de resgate da ajardinada Madeira não podem ser divulgados antes das eleições, contrariamente ao que prometera Passos Coelho.

E o argumento é simples: numa linha cartesiana, que terá assimilado na música de Mozart, separa a técnica, uma espécie de alma, do corpo, a política. E garante que é impossível que a alma se misture com o corpo. Assim, Jardim poderá continuar a dar música aos eleitores da Madeira, antes que o corpo dos madeirenses tenha de pagar a conta.


O que é preciso é não perturbar Jardim!

domingo, setembro 25, 2011

 

As indignações de Seguro.

José Manuel Seguro, Secretário-geral do PS e que faz constar na sua biografia “Frequência de Mestrado em Ciência Política” (que diploma será este?) tem duas preocupações que me espantam:

1º -Manifestar indignação por não lhe reconhecerem a freima na luta contra a corrupção . Diz ser isso que manifestou no diploma que o deputado “fanador” de gravadores defendeu. Consistia mais ou menos nisto: o corrupto poderia dizer: o dinheiro já cá canta, agora provem que o recebi ilicitamente. Questão de direitos, garantias e liberdades para quem fana!.. Para Seguro era óbvio que tal caminho era mais “seguro” que o de responsabilizar a prova do enriquecimento ilícito ao que dele dispõe incompreensivelmente.

2º - E talvez em coerência com a primeira indignação, defende ainda que não tem interesse nenhum colocar na Constituição uma limitação ao endividamento do Estado. Ou seja, é melhor que continue o sinal que tem havido que o crime compensa.

Para ter estas preocupações, Seguro bem poderia ter evitado a frequência do mestrado em política. Bastava-lhe um diploma por fax para chegar a Secretário-geral e quem sabe a primeiro-ministro.

Eles são deste acervo!..

 
Victor Gaspar, o ministro das finanças que tem por tarefa aplicar os recados da Troika, citou (num debate com o FMI e BM) oportunamente a passagem do “Médico de Provincia” de Kafka: “Passar receitas é fácil, conseguir um entendimento com as pessoas é difícil”.

Foi pena não se ter ainda lembrado do “Processo Kafkiano”, sobretudo daquela passagem em que um funcionário bancário serve de metáfora ao que se passa com a multidão dos contribuintes. Tal como esse funcionário, os cidadãos interrogam-se sobre o absurdo de serem envolvidos num processo troikiano, digno de um pesadelo, sem serem responsáveis pela crise que o gerou.

sexta-feira, setembro 23, 2011

 

Este mundo não é para pobres?!...

Vem, hoje, no Semanário Grande Porto, o texto que escrevi:

O que me impressiona nas entrevistas aos governantes é a pecha dos entrevistadores pressuporem sempre que as perguntas têm de se enquadrar num pensamento único: o de que só há uma maneira de ver a crise e de a resolver.


Mas as maneiras de ver o mundo, organizar a economia, responder às crises são pontos de vista e não há pontos de vista privilegiados. E quanto mais sentido de responsabilidade, mais necessidade há de abertura a pontos de vista diferentes.


A consciência de responsabilidade está na origem da própria democracia. Significa não tomar decisões sem avaliar as suas consequências; e, para que isso aconteça, é imprescindível saber ouvir pontos de vista diferentes e responder às críticas.

Hoje, o próprio controlo das nossas existências parece não depender de cada um de nós, escapar-nos. A Troika tomou conta do nosso futuro. O Estado foi capturado pelo mercado financeiro e pelos interesses privados. Foi a gula pelo capital que criou esta crise. No entanto, fazem-nos crer que uma espécie de fatalismo, criado pelo desígnio dos deuses, obriga os que não são culpados pela crise a serem os que mais suportam o seu peso.

Por que será que os madoffs do B.C.P. e outros, os que foram administradores de empresas do Estado e municipais (que a si próprios atribuíram ordenados milionários), os que por uns dias de trabalho receberam reformas milionárias, os jardins que por aqui fazem do Estado uma coutada que vão empenhando em troca, nuns casos de proveito próprio e noutros de vaidades, não são responsabilizados pelo deficit?


É preciso levantar estas questões, esclarecer se nesta compulsão pelos impostos não há uma esquizofrenia que nos arrasta para a miséria; se o caminhar para o desenvolvimento de um país pode seguir o rumo de empobrecimento dos seus cidadãos; se o chavão ”menos estado, mais sociedade” não significa abrir as portas a um darwinismo social, como aconteceu no Chile; se a ocultação da divida por Jardim não significa o pântano da vida política; se a responsabilidade política não é uma farsa; se a possibilidade de banqueiros arrolarem duzentas (e por que não duzentas mil?) testemunhas não significa o lodaçal do sistema jurídico.


Precisamos de saber se não há neste mundo lugar para pobres, doentes, reformados; se têm de ser lançados no caixote do lixo os princípios do estado social em nome dos quais os nossos melhores antepassados quiseram que se construísse um mundo mais justo e mais humano.


Estas questões são tão importantes, quanto é importante que cada cidadão perceba que os impostos que paga são justos, que os mesmos não servem para desresponsabilizar o crime, a burla, o chico-espertismo.


Sem uma clarificação destas questões, naturalmente, a resistência ao pagamento insuportável de impostos acabará por se impor no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

quinta-feira, setembro 22, 2011

 

Eureka!

Ao saber que o Governo e o patronato propunham que se introduzisse na lei laboral o conceito de despedimento por menor produtividade, labutei para perceber a que critério se sujeitaria tal norma.

Sabia que o ministro da reforma da legislação laboral era um académico conhecedor das melhores fórmulas científicas. E isso obrigou-me a transcender-me na minha mediocridade. Servi-me, então, de todos os algoritmos para encontrar o que melhor me desse a justificação apropriada para tal enigma.

Estava quase a desistir, quando o telefone, mesmo há coisa de uma hora, tocou. A minha mulher pediu-me para a ir buscar ao Marquês.

Parei o carro junto ao Colégio da Paz e logo de seguida ouvi dois toques no vidro. Abri a porta e deparei-me com uma senhora que me disse: “são dez euros”. Olhei para ela, percebi a situação, e quase instintivamente meti a mão ao bolso, retirei os 10 euros e entreguei-lhos. Ela desapareceu, mas passado algum tempo voltou e com um ar espantado interrogou-me: “então não vem?!”

– Ó minha senhora, não quero nada, vá para casa coma uma sopinha e descanse.

Com um ar que não sei bem explicar, respondeu-me: “não posso ir, está lá o meu companheiro e se for cedo ele bate-me”

-- Fez-se, então, luz na resolução do enigma e, mais alto que Arquimedes, exclamei: eureka!

Tinha percebido que a troika -- Governo, patronato e companheiro daquela senhora -- tinham encontrado o mesmo critério para fazer do trabalho uma puta de vida.

 

Corta-se a cabeça ao mensageiro

O Inspector-geral da Administração Local escreveu:”a corrupção ganhou”.

A notícia poderia levar a saber porquê, mas não: cortou-se a cabeça ao mensageiro. A exoneração foi determinada pelo Secretário se Estado da Administração local e Reforma Administrativa que, enquanto autarca, foi investigado pelo Juiz, Inspector-geral.

Qualquer nexo só pode ter sido por coincidência. Assim acontecia com Sócrates, por que não pode acontecer com Passos Coelho?!...
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=507357

 
Os nossos neoliberais eram maoistas radicais na juventude e reagiram ao marxismo como Edmundo Burke reagiu à Revolução Francesa e nesta, Robspierre à Idade Média.
Mas o mundo, com ideias mais tolerantes e mais generosas, continuou depois de Burke e de Robspierre e não terminará com o fundamentalismo dos nossos neoliberais.

quarta-feira, setembro 21, 2011

 

Este mundo não é para pobres!...

O que me revolta nas entrevistas aos governantes é a pecha dos entrevistadores pressuporem sempre que as perguntas têm de se enquadrar num pensamento único: o de que só há uma maneira de ver a crise e de a resolver.


Os madoffs do BCP, do BPI, os que foram administradores de empresas do Estado e municipais (que a si próprios atribuíram ordenados milionários), os que por uns dias de trabalho receberam reformas milionárias, os jardins que por aí fazem do Estado uma coutada que vão empenhando em troca, nuns casos de proveito próprio e noutros de vaidades, parece que nada têm a ver com a crise e até são convidados para nos canais das TVs darem lições de moral.

Por que não aparece um entrevistador que levante estas questões, que pergunte se este mundo só pode ser para os “chico-espertos”; se a compulsão pelos impostos não é uma esquizofrenia que nos arrasta para a miséria; se a ocultação da divida por Jardim não significa o pântano da vida política; se a responsabilidade política não é uma farsa; se a possibilidade de banqueiros arrolarem duzentas (e por que não duzentas mil?) testemunhas não significa o lodaçal do sistema jurídico; se não há neste mundo lugar para pobres, doentes, reformados?!...


Será que há um fatalismo que obriga os que nada têm a ver com a crise financeira a serem os que mais suportam o seu peso?!...

terça-feira, setembro 20, 2011

 
Mais um buraco de 230 milhões de euros nas contas da madeira.
Pelo menos, desde 1990 que Jardim vai escondendo dividas. A culpa não é só de Jardim, mas de um sistema que deixa em “roda livre” muitos jardins. São responsáveis por esta situação, o Tribunal Constitucional, o Presidente da República, a Assembleia da República (não legisla para pôr cobro a esta situação) os governos, os revisores de contas, os partidos, etc.
Não aguentamos mais este pântano É preciso tirar conclusões.
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=1128&did=173493

segunda-feira, setembro 19, 2011

 

Sondagem

Os esforços do CDS (segurança social, a criar armazéns para crianças e velhinhos, Agricultura, a pôr toda a gente sem gravata e negócios estrangeiros com visitas a uma Líbia que se desconfia do pior) não deram bons resultados, como se esperava.


Na sondagem da Universidade católica
CDS – cai para 6%
PSD – recolhe 43%
PS – sobe para 33%
CDU— sobe para 7%
BE – sobe para 6%

Na avaliação ao Governo
muito má –16%;
má—30%
boa—31%
(Isto é, ainda há muita gente a viver na ilusão)


 
Li e fiquei perplexo, mas logo a seguir com vómitos. Desde 1990 (pelo menos!...), Presidente da República, Tribunal de Contas, Tribunais Administrativos, P.G.R, governo PS e PSD sabiam que Jardim escondia dívidas de milhões de euros. A lei que Jardim invoca como “legitima defesa” para justificar a ocultação da divida não foi feita por Sócrates, mas pelo PSD.

Não basta dizer-se que a “vigarice” não é repetível: se não forem tiradas consequências, temos de pensar no exercício do direito cívico á resistência ao pagamento de impostos.

domingo, setembro 18, 2011

 
Enquanto por cá, Jardim esconde biliões de euros e Passos Coelho deita milhões sobre o buraco sem fundo da crise, que se vai alargando até à Grécia, Barack Obama vai decretar um imposto sobre os mais ricos, diminui os impostos sobre o trabalho e as empresas e relança a consumo e o emprego com investimentos na ordem de mais 447 mil milhões de dólares.
As diferenças entre o keinesianismo e o neoliberalismo marcam a diferença de pontos de vista políticos que necessariamente conduzirão a resultados diferentes.


sexta-feira, setembro 16, 2011

 
O PS, o PSD e o CDS já provaram, e de experiência feita, que só são bons na oposição. É altura de fazer tudo para juntar estes três partidos, colocá-los na oposição e dar oportunidade a outros.

Se concorda com esta proposta, divulgue-a, promovendo a partilha pelo maior número possível de cidadãos.

 
O INE e o BdP dizem que o “rei vai nu”.
O Rei da Madeira, João Jardim, desde o final de Agosto tinha escondido 1.100 milhões de euros de dívida.

O PS e o CDS acham que João jardim deve ser julgado politicamente. Mas o que será isso?!...

O PSD, olhando pelo retrovisor dirá que o engenheiro José Sócrates fez o mesmo.

Sabe-se que na vida de uma empresa a ocultação de uma dívida justifica um despedimento, mas desde Avelino Ferreira Torres, Isaltino Morais, Valentim e outros jardins o crime político compensa.
Se não querem o ridículo, deixem-se de justificar erros com outros erros, lançando poeira para os olhos dos contribuintes, e façam a reforma do sistema político.

 

Uma crise injusta.

Andei hoje bastante de metro. Nunca vi tanta gente a falar sozinha de olhos no chão. O País está triste e sente-se num pesadelo. Andamos deprimidos e assustados, sentindo uma injustiça inqualificável!...

Que culpa terá deste pesadelo quem toda a sua vida só viveu do seu trabalho?!...

A crise terrível que vivemos já gerou 10 milhões de desempregados na Europa e todos os dias nos tortura com mais desemprego, mais falências, impostos, subidas do pão, da energia, dos transportes, das rendas de casa, de tudo aquilo que é necessário para viver, só tem uma causa: a avidez do capital financeiro. E só tem uns responsáveis: os partidos e os governos que, em nome da “liberdade do mercado”, não impuseram regras que impedissem a espiral de ganância. E essa ganância continua no mercado financeiro.

Se tivessem vergonha os deputados e o governo não se divertiam com os “rodriguinhos” dos debates parlamentares, acusando-se uns aos outros sem consequências nenhuma.

Precisavam de ser despedido por inadaptação aos cargos que desempenham.


quinta-feira, setembro 15, 2011

 

É assim o rigor deste Governo.

O Secretário de Estado da Administração Pública vai extinguir 137 entidades públicas e 1712 cargos dirigentes, reduzindo a despesa pública em 100 milhões de euros. E com isso consegue mais um troféu: ultrapassar os objectivos da Troika.

Entretanto, não sabe quantos funcionários vão ser despedidos. “Podia apurar o número, mas não apurou.” Coisa sem grande importância, neste “trabalho assinalável”, como se vê!

É assim o rigor deste Governo.

Mas será difícil perceber que, sem uma reforma da máquina administrativa do Estado (que indique atribuições e modo de funcionar do que vai restar) esta súbita compulsão para o emagrecimento, não dará numa anorexia?

Anunciaram-nos “especialistas” muito doutorados na estranja, mas o que temos são aprendizes de feiticeiros.

Aguarda-se uma imensa balbúrdia, tornando claro que a emenda vai ser muito pior que o soneto.
http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=28612

 
Faz, hoje, 32 anos que foi criado o Serviço Nacional de Saúde. Foi, sem sombra de dúvida, a conquista mais generosa e mais humanizante de Abril.

A minha homenagem ao seu criador Dr. António Arnaut, muito mal tratado pelo novo-riquismo político, o daqueles que fazem da disputa política uma disputa por um lugar na mesa do orçamento.

Enquanto os seus delatores cairão rapidamente no esquecimento, o Dr. António Arnaut ficará na História não só pela criação do S.N.S., mas também por ser daqueles que não saiu de ministro para ocupar um lugar de administrador de uma qualquer multinacional ligada à saúde. Pelo contrário, regressou ao seu escritório de advogado, mas, na altura, com menos clientes.

O balanço dos benefícios do Serviço Nacional de Saúde está por fazer e não se pode caminhar para o Futuro sem aprender com os benefícios e erros do passado. Naturalmente, há erros na administração do S.N.S., mas os seus benefícios não deixam pôr em causa a sua importância e os generosos princípios que lhe dão sentido.

Veja-se a qualidade e prontidão de respostas universais nos cuidados de saúde que fizeram a diminuição da taxa de mortalidade infantil, o aumento de esperança de vida e quantos milhares de portugueses não faleceram porque lhes valeu o direito à assistência gratuita na doença.

Não se pode deitar fora a criança com a água que a lavou. Estamos ameaçados por um onda de egoísmo que, em nome do deficit, nos empurra para uma nova barbárie, a de até na saúde “salvar-se quem puder”. E levantam a falácia de que “o privado gere e faz melhor que o Estado” e que é preciso impor o princípio neoliberal do “utilizador/pagador”.

O Estado foi capturado pelos políticos merceeiros que não querem que fique caro viver, que não aceitam que a saúde seja um direito inalienável e o melhor investimento de uma sociedade progressiva e humanizante.

Não se pode olhar para o sistema de saúde como quem olha para a árvore e perde de vista a floresta.

Hoje, lê-se nos jornais que um capitalista português deve 360 milhões de euros à C.G.D., milhões pedidos para investir na compra de um banco. Que faz o Governo para recuperar esse dinheiro que tanta falta faz para que não morram portugueses por falta de assistência?

É que há opções políticas que denunciam ao serviço de quem elas estão.
http://www.youtube.com/watch?v=9wIdQ4DONLg&feature=related

terça-feira, setembro 13, 2011

 
Talvez o nosso maior drama é o de sacralizar o presente. O presente vale tudo, é auto-suficiente e quase absoluto. A ordem do tempo deixou de ter passado ou futuro e encerrou-nos na febre do pragmatismo imediato. Desapareceu o distanciamento e com isso o pensamento reflexivo que nos liga do passado ao futuro.

O presente comprime-nos e já nada entendemos sobre a linguagem dos pássaros, as luzes fogueirentas do entardecer, o gosto do mar, a aventura das caravelas.
Encarcerados no presente, não nos encontramos a nós mesmos, somamos desesperos numa multidão de solitários sem rumo num titanic que se afunda.

 
O pior está por acontecer, mas o sinal já está dado: “a Amnistia Internacional (AI) pediu hoje ao Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio para travar a espiral de abusos aos Direitos Humanos cometidos pelas forças rebeldes contrárias ao regime de Muammar Kadhafi”.

Que diz sobre isto a Nato? Estará preocupada com os interesses do petróleo ou com a democracia e o respeito pelos direitos humanos?!...


Parece-me que a máscara irá cair mais uma vez!

segunda-feira, setembro 12, 2011

 

Novo Mousinho da Silveira

Miguel Relvas já faz crer que é o segundo Mousinho da Silveira. Anuncia uma fartura de reformas na administração do território: diminuição de freguesias, de concelhos, de autarcas, nova lei de finanças locais, alterações na legislação eleitoral autárquica, etc., etc., Não falou em tocar no número de deputados, nem no processo eleitoral para aproximar eleitos e eleitores, com círculos uninominais, etc. É que é preciso segurar emprego para gente influente.

Para já contentemo-nos com os anúncios publicitários, uns com medidas aprovadas e outros à espera de aprovação; depois, vamos ver se o lobby autarca tem, na aplicação das reformas, mais poder que o Homem das redes de influência que quer ser um novo Mousinho da Silveira.
Convém não esquecer que entre aprovar medidas e aplicá-las vai, por vezes, uma distância incomensurável.

domingo, setembro 11, 2011

 

A "conversa" do Professor.

Temos de tirar o chapéu às pessoas inteligentes. Os comentários do Professor na TVI (pensem na conotação de “o Professor”) são de um sibilino apoio ao Governo.

Marcelo Rebelo de Sousa abre uma estreita porta para criticar o governo, mas logo a seguir escancara a porta para, de uma forma indirecta, abrir esperanças na política seguida, particularmente (vejam bem!) no cumprimento das promessas feitas pelo Ministro da Economia.

E, ao deixar subentendido que o Governo sabe ouvir as críticas (obrigaram, segundo o professor, o Ministro das finanças a explicar-se e o Ministro da Saúde a recuar nos anunciados cortes nas vacinas e na pílula), transforma as críticas internas numa credibilização do Governo, dando a entender que há uma diferença entre este governo e o socrático, na abertura à correcção de políticas, o que é abrir ao "sol" o fundo do túnel.

Quando ao que se passou no congresso do PS, desmontou o seu impacto de uma forma elegante, sem nunca usar o estilo propagandista ou aquelas tiradas “broeiras” (de quem esquece que os seus próprios telhados são de vidro) que lemos dos PSDs que militam nos blogs ou no facebook.

Ninguém o pode acusar de propagandista ou panfletário. Usa o marketing que sugere uma linha de muita objectividade, independência e distanciamento.

Sabe encontrar os “lugares do preferível” (como se diz na teoria da argumentação) para uma propaganda encoberta, que se faz pelo que deixa subentendido, o que é muito mais eficaz, porque muito mais anestesiante.

 
Foi terrível e assisti na TV em directo.

Foi terrível, como foram terríveis as bombas sobre o Iraque e o Afeganistão que despedaçaram seres humanos que nada têm a ver com o fanatismo, a intolerância e o egoísmo exacerbado.

 
O Congresso do PS termina, hoje. E se o hábito faz o monge, também é verdade que o passado do PS não nos galvaniza para o Futuro. Não soube fazer uma reflexão sobre a sua prática e fez uma “lavagem” dos erros, garantindo “respeitar o legado de Sócrates”. Triste legado que torna num cinismo insuportável julgar moralmente este governo sem moral para o julgar, como fez Francisco Assis. Nenhuma autocrítica foi feita e sem isso nada de relevante aconteceu. O Congresso do PS passa e continuamos no desesperado caminho que nos leva para uma “austera, apagada e vil tristeza”.

Por mais que Seguro nos queira assegurar um novo rumo, o que nos fica na alma é o canto X dos Lusíadas:

Não mais, Musa, não mais que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza.

Luís de Camões

sábado, setembro 10, 2011

 

A propósito do congresso do PS.

Já se torna cansativo ouvir os chavões do costume -- “trabalho sério, rigoroso”, etc., etc.).

Não há um único caminho (irreversível) dos “amanhãs” , onde novas verdades substituam antigas. O mundo em que vivemos está cheio de paradoxos e o ponto de partida de uma reflexão que sirva o País não são chavões, mas a perplexidade sobre o pântano do nosso tempo.


“Se as pessoas estão primeiro”, temos de saber como se colocam as pessoas em primeiro lugar na organização do partido, da sociedade, da economia.


Vivemos num mundo cheio de paradoxos: combates nos outros o que os próprios praticaram, o que hoje está errado, ontem estava certo, etc., etc.,


Em vez de tanta assertividade (face e contra-face da oposição versus governo), é necessário uma reflexão sobre o passado para encontrar os erros que tragam lições que nos ajudem a evitar novos erros que cavam desilusão e não abrem caminho à esperança.

O preconceito positivista de um caminho único não tem permitido esclarecer que, em situações limite (p.ex., a crise do capitalismo financeiro), o paradoxo da falta de regulação pública do Estado regulador remete-nos imediatamente para uma crítica desse Estado (neoliberal) e a obrigação de construir um Estado interventor.


Como recolocar o Estado no seu lugar, descapturando-o dos partidos, das oligarquias e dos interesses escondidos que não o deixam servir os cidadãos, não o deixam colocar “as pessoas em primeiro lugar”? Como corrigir o divórcio entre o Estado e os cidadãos, a corrupção, a burocracia e colocar o Estado a promover a educação, a saúde, o emprego e a coesão social?


O princípio “primeiro estão as pessoas” significa que o homem é o fim de todas as coisas e não pode ser uma bandeira de propaganda, uma armadilha para caçar incautos, uma carta de um “jogo de ilusões”.


Receio que este Congresso fique pelo “jogo de ilusões” de todos os congressos de esquerda ou de direita.

quarta-feira, setembro 07, 2011

 
O grande tribuno do PSD, Mendes Bota, na Assembleia da República, fez, hoje, lembrar o pai do recruta que, no dia do juramento de bandeira, afirmava que só o filho, no desfile, levava o passo certo. Para Mendes Bota, a oposição, os sindicatos, os meios de informação, as redes da internet passam a vida a criticar o Governo, mas não têm nenhuma razão. Para ele só o recruta, o Governo, leva o passo certo.



Espero que não se lembre de proibir a crítica!

 

É preciso alargar a critica!

O pensamento ortodoxo dominante toma as medidas da Troika como únicas possíveis. Mas, crescem as críticas à política seguida por este Governo; cresce a convicção de que esta política está a conduzir-nos a uma situação explosiva; cresce a ideia de que o ir para além das medidas impostas pela Troika, na situação de imprevisibilidade da economia mundial, é um disparate; crescem, no próprio PSD, as acusações a este Governo de seguir o facilitismo fiscal, falta de audácia, capacidade de explicar medidas e saber abrir uma luz ao fundo do túnel.

A Islândia, com uma situação pior (falência dos bancos), resolveu a crise contra a corrente troikiana: fizeram uma reforma fiscal que diminuiu os impostos do trabalho e aumentou-os aos mais ricos e ao património, criou taxas sobre a poluição e enquadrou os cortes numa reforma administrativa do estado. Tudo ao contrário do que acontece em Portugal.

Infelizmente, começa a gizar-se nos partidos da oposição uma disputa sectária sobre quem “mais oposição” faz ao Governo e desprezam ou diminuem o interesse das críticas que vêm dos próprios partidos que suportam o Governo. É pena afunilar-se as críticas: isso só lança confusão e não convida a um empenho alargado de todos os cidadãos no combate ao rumo cruel e “desajeitado” que este Governo está a seguir.

terça-feira, setembro 06, 2011

 

Uma seca, mas não anunciou mais impostos!

Ouvi a entrevista de José Gomes Ferreira ao Ministro das Finanças. A SIC está de parabéns por ter ao seu serviço um jornalista que estuda os problemas e se coloca do lado do ouvinte para interrogar o Ministro e não para lhe abrir espaço à propaganda.

A entrevista vai fazer correr muita tinta. Penso que Victor Gaspar foi politicamente “correcto”, sabendo ser esguio às questões.Mas ouvi-lo é uma seca.Teve uma vantagem: não anunciou mais impostos: só os deixou subentendido.  

Explicou o problema financeiro do País como um mecânico explica uma avaria. Mas um País não é uma máquina e as crises que envolvem o ser humano, o seu direito a ter uma vida digna, não são meras avarias.

Não parece plausível que uma recuperação económica em 2013. A imprevisibilidade da situação financeira a nível global leva a crer que o esforço dos sacrifícios que fazemos terá efeitos excessivamente recessivos, tornando-nos mais pobres para enfrentar a recessão que cresce. Além disso, o Ministro nada disse sobre a corrupção ou sobre a reforma do Estado. Mas sem esta reforma não há emagrecimento sustentável: o que há é diminuição de custos nos serviços públicos que, ao fim e ao cabo, resultam em mais impostos indirectos sobre aqueles que menos têm.

Estou a ouvir Filipe Meneses, presidente de uma autarquia que mais dividas tem, falar do despesismo e da necessidade de uma economia saudável. De facto, na política o que é preciso é lata!

segunda-feira, setembro 05, 2011

 

A minha admiração e consideração!

Sempre tive respeito e admiração pelos homens e mulheres que são generosos. E isso na política é tão raro, que se torna nobre. Concorde-se ou não com o PC, temos de concluir que a sua Festa, a Festa do Avante, é uma manifestação de generosidade e alegria.

Alguns novos-ricos da política, que nunca fizeram um sacrifico a pensar nos outros, que cobraram caro os serviços públicos que prestaram, chamam a esta Festa um “parque jurássico”. Mas em parque jurássico tornou-se a social-democracia. Onde estão os valores, os ideais, da social-democracia? Nem na retórica! Nem nos dinossauros vivos da ilha criada por Spielberg!


Olof Palme, se viesse cá, corava de vergonha ao ver que substituíram os seus ideais por redes de interesses. Pelo menos na Festa do Avante, o sonho, a utopia de um mundo mais justo e melhor, ainda comanda a vida.

domingo, setembro 04, 2011

 

Pode fazer sentido a ameaça de Passos Coelho!

“Comentaristas” de muito saber, como Lobo Xavier, José Manuel Fernandes e esse incontornável expert do mundo financeiro, Mira Amaral, têm argumentos irrebatíveis para não se tributar os mais ricos. Acham mesmo que a opinião do sr. Warren Buffett no “New York Times” é um manifesto de exibicionismo pedantista que nada tem a ver com a realidade, a qual, segundo tais comentadores, demonstra à evidência que os ricos já sofrem de mais com as taxas que lhes impõem.


Pessoalmente, o que me preocupa são os pobres e também acho que já há impostos a mais. Mas, para que haja alguma equidade nos sacrifícios, obriguem, então, os ricos a devolverem as benesses que têm recebido. Pelo menos evitariam, assim, que Passos Coelho não reincidisse na necessidade de manifestar a vergonha e amargura que sentiu ao apoiar o PEC3 (de José Sócrates), rompendo, já nesse tempo, a promessa de não aumentar mais impostos. A menos que já tenha perdido tais sentimentos!... E neste caso, faz sentido que Passos Coelho ameaçe não admitir que incendeiem as cidades com protestos.

sábado, setembro 03, 2011

 

A vitória da pouca-vergonha sobre a muita vergonha.

Nem sempre damos conta da revolução semântica que trouxe este capitalismo sem rosto, neoliberal. No tempo em que os capitalistas tinham rosto, sabíamos o nome do empresário, do banqueiro, etc. Uma falência era uma tragédia para o empresário e sua família.

Um falido era um homem triste, isolado pelo seu sentimento de culpa, no rosto espelhava-se a vergonha e a diminuição na honra. Quando se ouvia dizer “fulano faliu” associava-se a circunstância a uma mistura de “falta de cabeça”, desprezo e misericórdia. Neste capitalismo sem rosto, das sociedades anónimas, já não há falidos, mas insolventes que fecham uma empresa para se libertarem dos trabalhadores e dos calotes e abrem outra ao lado.

Os insolventes são homens felizes, olhados com consideração e respeito, referência para todos os que querem subir na vida e, por vezes, convidados para fazerem análises económicas e financeiras. Aparecem nas revistas cor-de-rosa, transportam-se em carros de topo de gama, têm um estilo de vida associados a um elevado estatuto social, são independentes num partido e têm um saber feito sobre a liberdade do mercado, a flexibilização do emprego, a revisão das leis laborais, a diminuição do tempo de férias e como o país seria mais rico e próspero se deixassem o mercado funcionar livremente, houvesse menos estado, menos sindicatos e mais sociedade.

De facto, é grande a diferença semântica entre insolventes e falidos.

 

Duas tradições liberais que não devem ser metidas no mesmo saco.

“Menos estado, mais sociedade”. É um chavão que a torto e a direito é esgrimido pelos novos-ricos do intelectualismo orgânico. Tomam, como tendo o mesmo sentido, duas raízes do liberalismo distintas: americana e europeia.

Foram razões de tipo económico que estiveram na origem dos Estados Unidos. Foi a exigência de mais liberdade económica que fundou os E.U. Representa uma relação entre governantes e governados. O liberalismo europeu apoia-se na ideia de emancipação política relativamente aos imperialismos. Foi um princípio legitimador da autonomia dos estados. Nada tem a ver com o slogan:”menos estado e mais sociedade”. Tem mais a ver com um princípio moderador da razão de estado, com as liberdades cívicas (Locke, ,Adam Smith, Ricardo, Montesquieu, etc), do que com um manifesto de orientação política da economia. Por isso, nunca pôs em causa o princípio fundador de um bom governo: diminuir o sofrimento dos que mais sofrem.

Se não há soluções milagreiras, a disciplina financeira neoliberal deve ser posta em causa. Significa importar o “fato”de Milton Friedman que não se ajusta ao melhor do nosso modo de ser. Isso não deu certo no Chile e não dará certo entre nós. Representa um retrocesso: deitar para o caixote do lixo princípios do estado social que só honram a luta que os nossos melhores antepassados travaram por um mundo mais justo e mais humano.

 
Os sociais-democratas começam a tomar consciência do desastre social a que nos conduz este fundamentalismo neo-liberal do Governo.

Paulo Mendo, ex-ministro da Saúde do PSD, “olha para a política de Saúde do actual Governo como o insucesso futuro do sector e mostra profunda indignação com a intenção de retirar incentivos à realização de transplantes”(R.R.).

sexta-feira, setembro 02, 2011

 
Amanhã, no Expresso, Ferreira Leite (ouço na SIC) diz uma coisa que me parece evidente: as medidas do actual ministro das finanças não resolvem a crise e são um disparate que o país vai pagar caro. Parece-me que começa a despertar a consciência de que este neoliberalismo exacerbado deste Governo leva-nos a uma catástrofe social.

É espantoso que nada se aprende com o que aconteceu no Chile, com o conselheiro Milton Friedman

 
Perante o sofrimento que ao nosso lado cresce assustadoramente (veja-se, por ex. a notícia daquela senhora que entregou os seus filhos, porque não tinha meios para os sustentar), o estilo do debate, hoje, no Parlamento, torna actual o seguinte pensamento de Bertrand Russell:

«A habilidade específica do político consiste em saber que paixões pode com maior facilidade despertar e como evitar, quando despertas, que sejam nocivas a ele próprio e aos seus aliados. Na política, como na moeda, há uma lei de Gresham: o homem que visa objectivos mais nobres será expulso. (“A má moeda tende a expulsar do mercado a boa moeda”) (…) Os políticos vivem à custa do ruído e da fúria, que nada significam. Não podem prestar atenção a nada que seja difícil de explicar, nem a nada que não acarrete divisão nem a nada que reduza o poderio dos políticos como classe».


in: 'Ensaios Cépticos: A Necessidade do Cepticismo Político' .

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