sexta-feira, julho 29, 2011

 

Mais "pirlimpimpim" para ver a realidade a cores

Estou a ouvir o debate na Assembleia da República. A retórica voltou ao seu melhor estilo “pirlimpimpim” para ver a realidade com outros olhos. Seguro preocupou-se com o “caso” Bairrão, mas podia ter-se preocupado com a redução, por este Governo, dos trabalhadores a meros produtores de rendimentos, sem qualquer respeito pelos direitos adquiridos com muitas lutas travadas pelos próprios sociais-democratas. Seguro e Passos Coelho voltaram a “jurar” fidelidade à Troyka e nisso acho que ambos têm razão. Sem a troyka que ideias novas, criativas, poderiam ser desenvolvidas pelo PS ou pelo PSD? Sem a Troyka, as mulheres em Portugal não poderiam ficar grávidas, os trabalhadores encheriam de ferrugem as fábricas, ninguém copiaria o pior que há lá fora, noutros países, ninguém saberia experimentar sacrifícios no preço dos transportes, no encerramento das empresas, nos custos da saúde, não haveria a “equidade troykiana” que torna os pobres cada vez mais pobres e em maior número e os ricos cada vez mais ricos e em número cada vez menor, e até o milho, como diria Brecht, cresceria para baixo em vez de crescer para cima.

Seguro, também poderia dizer que este Governo está a esvaziar o papel dos sindicatos e a orientar-se cada vez mais pelos lobbys dos patrões e banqueiros troykianos, o que vai constituindo um desequilíbrio cada vez maior nesta democracia, cada vez mais formal e amputada.

quinta-feira, julho 28, 2011

 

Ficava feliz.

Todo o Pai e Mãe que tenha passado dois tipos de sofrimento, como os Pais de Maddie sofreram – desaparecimento da filha e acusação de terem ocultado o seu cadáver – deve sentir uma porta de felicidade imensa com a notícia, hoje publicada: “As autoridades indianas estão à espera dos testes de ADN para confirmar se a rapariga encontrada é realmente Madeleine McCann. Uma mulher britânica diz ter encontrado Maddie no norte da Índia. A rapariga estava com um casal de uma mulher francesa e um homem belga”.

Sempre acreditei na inocência dos Pais e achei escabrosa a tese do inspector da P.J. Oxalá que se confirme que Madeleine está viva. Ficava também muito feliz, por ela e pelos Pais. E, sendo verdade, espero que os Pais de Maddie peçam “reposição” da justiça a que têm direito.

 

Dá que pensar!...

Escrevi para o Semanário Grande Porto o seguinte texto:
No País onde se entrega o Prémio Nobel da Paz, onde se julgava dominar a tranquilidade e se repudiava o espírito securitário, uma bomba e rajadas de metralhadora criaram o caos e mataram dezenas de inocentes. Não foi obra da Al-Quaeda, mas de um fascista terrorista da extrema-direita.

Sempre se pensou que o terrorismo é a arma dos pobres, mas a Noruega é um país rico e pacifista; sempre se pensou que o racismo e a xenofobia eram uma consequência do etnocentrismo que “ghetizava” raças e crenças, mas, na Noruega, a miscigenação promoveu uma convivência intercultural, tolerante e pacífica.


De onde virá, então, o ultradireitismo fundamentalista e islamofóbico de Anders Behring Breivik? De onde virá o espírito de cruzada à Bin Laden desse tresloucado “Cavaleiro dos Templários”?
O que aconteceu em Oslo e em Utoya levanta muitas questões e, nenhuma delas, só por si, pode explicar a crueldade deste acto terrorista.

O caldo onde se desenvolve a extrema-direita mais radical foi sempre uma mistura entre xenofobia e desemprego, descrédito dos políticos e ausência de esperanças no futuro, nacionalismo chauvinista e globalização, multiculturalismo e perda de valores tradicionalistas, pobreza e corrupção.

Oslo não vivia isso, mas sabe-se que a extrema-direita cresce por todo o lado e faz romagens às sepulturas de nazis. Breivik parece um produto dessa mentalidade ao acusar o partido trabalhista norueguês de ser responsável por todas as “calamidades” europeias. E achou que era sua missão cometer os actos sanguinários que concretizou contra esse partido.

Não se trata, portanto, de um mero acto tresloucado, mas de uma ideologia fascista e terrorista.
Por que será que a Europa não cria os anti-corpos necessários à luta contra tal ideologia? Por que será que os serviços secretos subestimam o terrorismo da extrema-direita, mesmo depois do que aconteceu em Oklahoma?

Naturalmente, não é só com polícias que se combate uma ideologia. Esta impregna-se na mente humana com a força de uma crença que a mera perseguição acaba mais por reforçar do que esmorecer. A resposta tem de ter uma vertente cultural e política.

A crise económico-financeira da Europa é a crise do pensamento egoísta. Precisamos de abandonar o pragmatismo que tudo reduz ao útil, que transforma as pessoas em meras peças de uma máquina; precisamos de políticas que dêem um sentido à vida em sociedade, gerem sentimentos de confiança, de tolerância e de solidariedade; precisamos de uma Europa de valores e não de oligarquias burocráticas.

Só uma Europa humanista pode combater o terrorismo, seja ele de esquerda ou de direita.

quarta-feira, julho 27, 2011

 

Direito à água, um direito natural.

O Inverno é a estação do frio, das chuvas, do nevoeiro, da neve e do gelo: é época da água.

Nas outras estações a água é um bem escasso. Mas surgimos da água e 65% do nosso peso e 90% do nosso cérebro é água.

O neo-liberalismo marcou a vida por uma visão mercantilista: só o que é escasso ganha valor. Mas os místicos, os poetas, os artistas e os filósofos sempre acharam que a lei da oferta e procura não determina o que é fundamental. Foram, por isso, os primeiros a descobrir na água a força simbólica que precisavam para dar sentido ao envolvimento do homem no mundo.


Desde as civilizações mais remotas, foi conferido à água um duplo significado: umas vezes, simbolizava a morte e o sofrimento; outras, a vida e a alegria. A água esteve, por isso, associada ao que há de mais humano no homem e definiu a qualidade da sua existência. Onde não há água não há vida.


Nas narrações míticas, as águas tenebrosas do mar eram habitadas por um estranho monstro, o Leviatã. Novos leviatãs procuram, agora, privatizar a água, torná-la fonte de rendimento de alguns.

Para os neo-liberais, a água é fonte de lucro, deve ser colocada no mercado da oferta e da procura. Só ganha valor o que produz rendimento e é pelo rendimento, inclusivamente o próprio homem, que deve haver remuneração.

O que não dá rendimento não configura valor: não é um bem para os neo-liberais.

Mas da água emergiram os seres vivos e as fontes de água foram sempre símbolos de vida, esperança e alegria. Logo no início do livro do Génesis diz-se que «Deus era levado sobre as águas» e no Evangelho de S. João a água é fonte de vida eterna: «Mas a água que eu lhe der, virá a ser nele uma fonte de água, que jorre para a vida eterna».


As sociedades organizaram em estados para protegerem os seus bens e dignificarem o homem. É um imperativo do Estado ter o controlo do direito natural do homem à água. Se discorda que tornem este bem (a água) indispensável à vida do homem, tal como o ar, numa propriedade privada, então subscreva esta petição:

http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N11644

terça-feira, julho 26, 2011

 

As preocupações dos banqueiros.

Os banqueiros querem que o Governo reveja com os técnicos da Troyka o plano que esta traçou para o sistema financeiro. Ou seja, os sacrifícios devem ser só para os outros.


E na verdade, desde há muito que se fecharam os ouvidos deste Governo aos lamentos e preocupações de sindicatos, organizações de trabalhadores, intelectuais e forças de esquerda em relação às consequências do corte de 50% do 13º mês, do desemprego, do aumento brutal dos transportes, do preocupante crescimento da pobreza; em suma, de serem só os mais pobres a sofrerem as consequências da crise.


Seria de esperar que a almofada criada com a diminuição dos juros da dívida soberana levasse este Governo a cumprir o papel que incumbe a um “bom-Governo”: diminuir o sofrimento dos que mais sofrem.


Contrariando esta expectativa, este Governo vai aprofundando o rumo do anterior governo, com a nomeação de mais administradores da C.G.D. do que de ministros, da borla das “golden shares” para os accionistas da EDP, da Galp e da PT, etc., Alguém duvida a favor de quem cairão as preocupações deste Governo?

domingo, julho 24, 2011

 

A democracia está refém das secretas.

Raramente compro o “Expresso”. Tem muitas páginas e perde-se muito tempo a lê-las, quando seria mais útil ler outras coisas. Mas hoje encontrei-o cá em casa. Confirmou o que em conversas já sabia.


O papel das secretas e das organizações sigilosas nas orientações políticas. Para elas, tal como para Luis XIV, “o Estado é quem governa”.

O “caso Bairrão” é exemplar, mas também confirmou outra coisa: que este Governo, como o de Sócrates, tem empresas de “clipping” que passam á lupa o que se escreve nos jornais, no facebook e nos blogues.

Isso abriu-me muitas perspectivas: já não é só meia dúzia de amigos que vão participando nas preocupações que cá escrevo: os políticos, os que nos “des”governam, também saberão do que penso. E, como me acho uma pessoa normal, vão saber o que muitas e muitas mais pessoas pensam, sendo normais como eu me julgo.

A democracia está refém de interesses escondidos. São tais interesses que mandam neste País, que abocanham os “nacos” da mesa do orçamento, não permitem responsabilizar quem nos colocou à beira da bancarrota, criam as dependências das “troykas” e, para que o Estado não emagreça (como lhes convém na sua ganância), obrigam a aumentar insuportáveis impostos a quem só vive do seu trabalho, relegando para o esquecimento o bem-comum.


O voto, actualmente, só serve de cortina de fumo: esconde a nossa dependência dos interesses instalados em secretismos. É preciso denunciar esta situação, criar movimentos que reflictam este pântano e tomem posição. E, desde já, para tais “clippings”, aqui fica a minha indignada revolta!

Cada vez faz mais sentido subscrever esta petição:http://www.peticaopublica.com/?pi=JBM

sábado, julho 23, 2011

 

Dá que pensar!...

No País onde se entrega o Prémio Nobel da Paz, onde se julgava dominar a tranquilidade e se repudiava o espírito securitário, uma bomba e rajadas de metralhadora mataram já 90 pessoas. Não foi a alcaieda, mas a extrema direita. Por que será que isto acontece, logo num País tranquilo e com hábitos pacifistas?!... O caldo onde se desenvolve a extrema-direita mais radical foi sempre uma mistura entre a xenofobia, o desemprego, o descrédito dos políticos, a ausência de esperanças no futuro, a pobreza e a miséria. Oslo não vivia isso, mas sabe-se que a extrema-direita cresce por todo o lado e faz romagens aos cemitérios de sepulturas de nazis.
Dá que pensar!...

sexta-feira, julho 22, 2011

 

“Uns mais iguais do que outros”,

Segundo o “Público” foi “anulado o pedido para políticos madeirenses devolverem pensões” que recebem em duplicado, triplicado, etc. Como se vê, continuam “uns mais iguais do que outros”, como disse no “Triunfo dos porcos” George Orwell.

quinta-feira, julho 21, 2011

 

Carta de Abraham Lincoln ao professor do seu filho

"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, por cada vilão há um herói, que por cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que por cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu, as flores do campo, os montes e os vales.

Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.

Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando está triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou a pedir muito, mas veja que pode fazer, caro professor."


Abraham Lincoln, 1830

quarta-feira, julho 20, 2011

 

"Bons-alunos"...

Suponho que foi Cavaco Silva o primeiro a utilizar a expressão “bom-aluno” para se referir aos “esforços” de Portugal para acompanhar o desenvolvimento da Europa. Pela situação que temos hoje (destruição da agricultura com subsídios para não cultivar, etc., etc.,) era melhor termos sido “alunos-normais”.


Agora, Passos Coelho quer tornar Portugal num “bom aluno” da Troika e faz mais do que lhe pede o “professor”: reduz em 50% o 13º mês, desbarata o “capital” das golden-shares, penaliza com impostos o trabalho, decreta o sorvedouro de direitos que representavam conquistas civilizacionais, torna a vida de quem vive do seu trabalho uma vida desesperada, não procura saber para onde foi o dinheiro dos contribuintes, etc., etc.

De trinta e tal anos de professor sempre preferi os alunos normais e inteligentes aos “bons-alunos”. É que, os chamados “bons-alunos”, só ”marravam” o que vinha nos livros, eram incapazes de inferir de coisas semelhantes coisas diferentes e encontrar em coisas diferentes coisas semelhantes, fechavam-se no seu umbigo, nunca liam um jornal, nem iam ao cinema, nunca se viam nos bailes de garagem, achavam que era perder tempo correr na praia atrás dos calções com uma colega ao pôr do Sol, não eram solidários, eram maus colegas e bajuladores dos professores.


Agora percebo bem, ao ver a Troika a empurrarmo-nos para um abismo, quanta razão tinha!

 

Tenho pena!

Aos deputados falta-lhes a humildade que gera espírito de serviço e cria sentido de Estado. Fixados nos seus umbigos não dão conta da descredibilidade e ridículo em que caiem. O exemplo mais claro desta pesporrência surgiu no debate sobre a Justiça.
Paulo Rangel (por quem tinha consideração), em vez de dar razões para a sua discordância em relação ao que tinha dito o polémico Bastonário dos Advogados, tomou a via da superioridade moral (cujos efeitos são bem conhecidas na política) para chamar demagogo, populista, etc. a  Marinho num debate público, desconsiderando o respeito pela dignidade do debate e ficou abaixo do nível do Bastonário.

terça-feira, julho 19, 2011

 

Preocupante!

Michel Barnier, comissário europeu responsável pelos serviços financeiros, concluiu o óbvio: os bancos não são transparentes nos dinheiros que cobram aos seus clientes. Ou seja, o tão proclamado funcionamento do mercado (nas finanças como noutras actividades) é um bluff. Só aproveita a formação de carteis. Então, ameaçou: «agiremos pela via legislativa». Esperemos que sim, mas temos razões para duvidar.



Pela Europa, tal como cá (como demonstra o recente esbanjamento de milhões representados pelos direitos especiais criados pelas golden shares) a política está subordinada ao dinheiro.

Entretanto, o desespero de quem se sente todos os dias espoliado com aumentos de preços (hoje subiram inexplicavelmente os combustíveis) de impostos, diminuição de salários e desemprego faz crescer uma indignação que se expande e não se sabe bem aonde nos pode levar. E não augura bom porto!


segunda-feira, julho 18, 2011

 

Há coincidências….

Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV:

Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar [o contribuinte] já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço?


Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado? O Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se? Todos os Estados o fazem!

Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?


Mazarino: Criam-se outros.


Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.


Mazarino: Sim, é impossível.


Colbert: E então os ricos?


Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.


Colbert: Então como havemos de fazer?


Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: são os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável.


in Le Diable Rouge, de Antoine Rault

 

De facto, estamos fartos!...

José Mourinho, durante o estágio do Real Madrid em Los Angeles, teve, numa entrevista à R.T.P., uma análise lúcida sobre a política em Portugal:


«Acredito pouco em campanhas políticas. Acredito mais no trabalho que se realiza depois disso. É como nas pré-épocas em que não se pode fazer promessas e depois arranjar desculpas para o insucesso. O povo está cansado de ser enganado.».


Mourinho tem razão: Lembremos o que disse Passos Coelho e Paulo Portas: "Não aumentaremos mais os impostos" e aumentam os impostos; "não penalizaremos mais os trabalhadores" e são estes os únicos penalizados, "não retiraremos o 13º mês" e já retiraram 50%, "não nos desculparemos com o passado" e o passado é invocado para exigir ainda mais sacrifícios aos mesmos.


De facto,  estamos fartos!

sábado, julho 16, 2011

 

Estamos tramados!

A eleição do próximo Secretário-geral do PS é já na próxima semana. Sabe-se que nem Assis nem Seguro conseguiram chamar para o seu lado os históricos do partido. Terá um significado: na frente da caminhada está um deserto.


Sem oposição, estamostramados!


quinta-feira, julho 14, 2011

 

Ideias e afectos

Enviei este texto para o Semanário Grande Porto:

Francisco Assis intitulou “Força das Ideias” a sua moção e, há dias, para se demarcar de António Seguro, afirmou que lhe “repugna reduzir a política à cultura dos afectos”.

Li a moção e não percebi que força terá um conjunto de lugares comuns de esquerda debitados em épocas eleitorais que são sempre esquecidos na prática governativa. Tenho pena que não se aproveite um congresso para reflectir sobre a praxis do partido: a sua organização institucional, a sua razão de ser e por que esta foi tão desqualificada a partir do seu próprio interior por muitos daqueles que se serviram do partido para ocuparem lugares na mesa do orçamento. Tenho pena que as moções não reflictam esta preocupação. Neste vazio, está o calcanhar de Aquiles do PS que o fará, durante muitos anos, perder eleições.


Faz parte das técnicas de argumentação a utilização do que Perelman chama “lugares do preferível”, isto é, conceitos, frases, expressões, às quais o auditório adere emocionalmente. E é curioso que Assis, abusando na sua retórica desta técnica, se demarque de Seguro garantindo “força nas ideias” e que lhe “repugna reduzir a política à cultura dos afectos”.


A hipertrofia da razão por Francisco Assis adequa-se ao seu estilo retórico de imperativo categórico, mas está ultrapassada. Descobriu-se no espelho cartesiano do “Cogito, ergo sum” e inchou com a omnipotência narcísica dum “ego” despido de sentimentos e emoções, como denunciou António Damásio. Reflecte a separação entre teoria e prática, saber e viver, ideia e emoção, corpo e alma, política e ética.


A razão que emerge duma tal retórica é a razão instrumental, dominadora, que reduz o operar humano à produção e o “não-produtivo” ao esquecimento. Gerou a instrumentalização da natureza, do homem e da vida e, falando como única possível, tornou-se opressora, adversária dos sentimentos, dos afectos e das emoções, como diria Freud, Nietzsche, Derrida, Foucault, Habermas, Lyotard, etc.


Desde o final do séc. XX, nomeadamente Maio de 68, que se compreendeu que razão separada da emoção dá lugar ao vazio, ao esquecimento do homem como alfa e omega de todas as coisas.

As emoções, os afectos, não existem apenas na esfera privada. São os validadores das ideias e dos valores, determinam a vontade e orientam o pensamento na vida. Como diria Erich Fromm, se separarmos a razão da emoção, o pensamento deriva para um intelectualismo esquizoide e a emoção dissolve-se em paixões neuróticas que infernalizam a vida.


Não se percebe que queira ser líder quem não compreende que “ideias sem afectos são vazias; afectos sem ideias são cegos”. Ou, como diria Pascal, “o coração tem razões que a razão desconhece”.

 

A aula reduziu o Homem ao "Homo economicus".

O Ministro das Finanças falou como um académico. Deu uma aula ao pessoal. O rigor do que disse e a forma como o fez representa uma ruptura com o estado espectáculo. Mas a sua linha de orientação foi marcada por um preconceito: o estado providência é inimigo do progresso. Por isso, as privatizações que anuncia. O Estado, pela voz do ministro, diz-nos: passai fome, abdicai dos direitos sociais que os vossos antepassados conquistaram e morrei pelo Estado. Depois tereis os favos de mel que ambicionais.


Esta espécie de “utopia” do neo-liberalismo (abominação do estado-providência) deixa-me muito apreensivo. O homem fica reduzido ao “homo economicus”. E, entretanto, o Estado continua gordinho, não faz dieta,  para satisfazer os lobbys que "mandam" nos aparelhos partidários. Mas o homem não é nem nunca foi só um mero número na balança de um orçamento. O homem precisa de um sentido para a vida e foi pela conquista desse sentido que os nossos avós lutaram e morreram. Várias gerações dos direitos humanos (direitos cívicos, políticos e sociais) estão em causa. Os que foram presos, perseguidos e morreram por estas conquistas, onde estiverem, não sentirão só um murro no estômago, mas uma grande traição.Nenhuma recuperação económica pode ter sucesso se bloquear o direito á dignidade do ser humano. Opor a “utopia” dos números à utopia humanista é negar o próprio sentido da formação do Estado, como organização que serve a dignidade do Homem.

Fica-nos a sensação de um déjá vu. Nada foi dito sobre um pedido de responsabilidade aos responsáveis pelo desbaratamento dos dinheiros públicos.

Precisamos de uma ambição com outra imaginação.

 

O melhor seria ficarem quietinhos!

O debate entre candidatos à liderança do PS revela uma questão preocupante: abandonaram a ideia de projecto a construir com os outros, a dimensão envolvente do “nós” que define o “compromisso com a polis”. Regressaram à concepção monárquica, fulanizadora da política. E, invocando a autoridade pessoal, revelam um “ego” pertencente a uma tribo especial e com uma espécie de genealogia: “eu fiz…eu fui…eu…candidatei-me..eu… mais isto… eu… mais aquilo…eu…eu…, etc”.
Ouvindo o desenrolar do currículo dessa casta que se foi organizando à margem do comum dos mortais, ficamos perplexos: então, só são dotados de uma competência “não-creditada”?!...  Ainda não perceberam que o mais útil está em ter feito outras coisas?!...
E na nossa mente, o currículo da casta vai-se dissolvendo deixando-nos, pela forma como está o País, uma conclusão: o melhor era terem ficado quietinhos!

quarta-feira, julho 13, 2011

 
Já me “chateia” falar tanto no Assis. Até por que ele não merece. Registo só este apontamento e amanhã transcreverei um texto que enviei para o Semanário Grande Porto.


Teve piada o debate na SIC entre Assis e Seguro. Engalfinharam-se e o Assis repetiu várias vezes que não admitia não sei já o quê. Mas não admitindo o que o outro diz, para que será preciso um debate? Compreende-se que para o mesmo poleiro a disputa seja renhida, mas tanta agressividade entre camaradas do PS, não seria melhor tratarem-se por “camelos”?!...  Até porque o que têm pela frente é um deserto.

segunda-feira, julho 11, 2011

 

"Conflito de ideias"?!...

Assis garante que lhe «repugna» reduzir a política à cultura dos afectos. Para o Camarada a política é por natureza conflito democrático de ideias, do qual resulta a criatividade.


“Conflito democrático de ideias”?!... Só os sofistas viram na democracia apenas um “conflito de ideias” e reduziam as ideias ao jogo dos conceitos.

Assis precisava de entender três coisas: a democracia é o único regime que permite aprender com os erros, não tornar ninguém demasiado poderoso e onde o debate de ideias visa promover a consciência de responsabilidade. 2º -Ideias sem a prática são vazias; 3º Os afectos são os validadores das ideias e dos valores, como escreveu António Damásio no “Erro de Descartes”.


Assis continua um palrador e como ele:


Palram pega e papagaio
E cacareja a galinha
Os ternos pombos arrulham
Geme a rola inocentinha


Muge a vaca, berra o touro
Grasna a rã, ruge o leão,
O gato mia, uiva o lobo
Também uiva e ladra o cão.


Relincha o nobre cavalo,
Os elefantes dão urros,
A tímida ovellha bala,
Zurrar é próprio dos burros.


Regouga a sagaz raposa,
Brutinho muito matreiro;
Nos ramos cantam as aves,
Mas pia o mocho agoureiro.


Sabem as aves ligeiras
O canto seu variar:
Fazem gorjeios às vezes,
Às vezes põem-se a chilrar.

O pardal, daninho aos campos,
Não aprendeu a cantar;
Como os ratos e as doninhas
Apenas sabe chiar.


O negro corvo crocita,
Zune o mosquito enfadonho,
A serpente no deserto
Solta assobio medonho.

Chia a lebre, grasna o pato,
Ouvem-se os porcos grunhir,
Libando o suco das flores,
Costuma a abelha zumbir.


Bramam os tigres, as onças,
Pia, pia o pintainho,
Cucurica e canta o galo,
Late e gane o cachorrinho.

 A vitelinha dá berros
O cordeirinho balidos,
O macaquinho dá guinchos,
A criancinha vagidos.

A fala foi dada ao homem,
Rei dos outros animais:
Nos versos lidos acima
Se encontra em pobre rima
As vozes dos principais.


Pedro Dinis

 

Uma posição acertada

Uma boa notícia: Viviane Reding, comissária europeia para a Justiça, propôs hoje o desmantelamento das três agências de "rating" norte-americanas Standard & Poor's, Moody's e Fitch E esclarece: “A Europa não pode permitir que o euro seja destruído por três empresas privadas norte-americanas (…) Só vejo duas soluções, ou os Estados do G-20 decidem desmantelar o cartel das três agências de 'rating' norte-americanas, e de três agências fazer seis, por exemplo; ou criar agências de 'rating' independentes na Europa e na Ásia”.

Finalmente, apareceu alguém com ideias claras para proteger o euro e a coesão da C.E.

 

Dividocracia

http://www.youtube.com/watch?v=DXuBYn9Vccw&feature=share
Vale a pena ver este vídeo! A dividocracia é o conceito ajustado para percebermos que as ajudas à divida soberana constituem um embuste. Tais ajudas não são ajudas, mas a exploração pelos grandes grupos financeiros, pelos E.U., Alemanha e França das dificuldades económicas que estes países ajudaram a criar, pelo esbanjamento que promoveram, a corrupção que alimentaram e o investimento não produtivo que canalizaram para os países periféricos, como Grécia, Portugal.

A “divida odiosa” ou divida contraída pela corrupção nunca é avaliada, nem nunca se sabe como foi mal gasto o nosso dinheiro com auto-estradas e parcerias dispensáveis.
Uma auditoria levada a cabo por auditores independentes poderia ajudar-nos a desconstruir a dívida soberana, mas o centrão, principal responsável pela dívida pública, não está interessado. E a dívida aumentará implacavelmente e é nisso que estão empenhadas as agências de rating, as que aconselham os investidores multinacionais nos empréstimos.

domingo, julho 10, 2011

 

O embuste do Poder Local

No seu Congresso, os autarcas continuam a pensar em termos de “feudos” as autarquias. Toda a gente sabe que a dívida astronómica das autarquias está relacionada com a impunidade e mediocridade de muitos autarcas.


A ideia de poder local é um embuste: o que há é uma espécie de “sobas” que dominam partidos, futebóis e autarquias.

Faz bem o Governo em impor uma avaliação rigorosa às empresas municipais e regras de contenção orçamental aos autarcas.

 

A impunidade gera desconfiança.

Quando a impunidade dos responsáveis políticos pela crise que vivemos alimenta a ideia de que o “crime compensa” ninguém se sentirá motivado para aceitar sacrifícios impostos por uma qualquer troika. Fica sempre a ideia de que os sacrifícios de quem trabalha irão, no final da linha, aproveitar aos novos abutres, que vivem da exploração daqueles que precisam de trabalhar para sobreviver.

Talvez, por isso, “sete em cada dez gregos acham que os seus sacrifícios são em vão”.

Basta ouvir os cidadãos na rua, nos transportes colectivos e nos cafés para se perceber que um sentimento igual ao dos gregos começa, entre nós, a alastrar-se.

sábado, julho 09, 2011

 

Para se perceber a racionalidade do mercado de acções.

Estava-se no outono e os índios de uma reserva americana perguntaram ao novo chefe se o inverno iria ser muito rigoroso ou se, pelo contrário, poderia ser mais suave. Tratando-se de um chefe índio mas da era moderna, ele não conseguia interpretar os sinais que lhe permitissem prever o tempo. No entanto, para não correr muitos riscos, foi dizendo que sim senhor, deveriam estar preparados e cortar a lenha suficiente para aguentar um inverno frio.Mas como também era um líder prático e preocupado, alguns dias depois teve uma ideia. Dirigiu-se à cabine telefónica pública, ligou para o Serviço Meteorológico Nacional e perguntou:

- O próximo inverno vai ser frio?
- Parece que na realidade este inverno vai ser mesmo frio, respondeu o meteorologista de serviço.
O chefe voltou para o seu povo e mandou que cortassem mais lenha. Uma semana mais tarde, voltou a falar para o Serviço Meteorológico:
- Vai ser um inverno muito frio?
- Sim, responderam novamente do outro lado, o inverno vai ser mesmo muito frio.
Mais uma vez o chefe voltou para o seu povo e mandou que apanhassem toda a lenha que pudessem sem desperdiçar sequer as pequenas cavacas.
Duas semanas mais tarde voltou a falar para o Serviço Meteorológico Nacional:
- Vocês têm a certeza que este inverno vai ser mesmo muito frio?
- Absolutamente, respondeu o homem, vai ser um dos invernos mais frios de sempre.
- Como podem ter tanto a certeza? perguntou o Chefe.
O meteorologista respondeu:
- Os índios estão a arrecadar lenha que nem uns doidos.

É assim que funciona o mercado de acções.

 

Semelhanças e diferenças.

Assis diz que Seguro é mais parecido com Passos Coelho (Lusa). E tem razão: Ele, Assis, é mais parecido com Sócrates, quer no conteúdo verborraico, quer no cataventismo ideológico. E lembram-se da agressividade retórica que utilizava para defender Sócrates, acusando a  esquerda de todos os defeitos e mais algum?.... E agora vira a esquerda... mas sem direcção!

sexta-feira, julho 08, 2011

 

"Assassino económico"

Tudo leva a crer que a história é verdadeira. O domínio dos E.U. não se deve só ao seu poderia militar, mas, sobretudo, à sua capacidade de determinar as políticas que mais lhes convém e que devem ser seguidas por outros países. Sabemos que no F.MI. os E.U. dispõem de 18 votos o que lhes permite uma certa hegemonia. De mesmo modo acontece com a O.N.U. Ver e ouvir este vídeo ajuda-nos a compreender as crises que vivemos e por que se transformou este planeta num “Planeta-Cão”.

 

Crise para todos!

Pode ser só “mise-en-scéne”, mas tem um significado exemplar num tempo em que se pede tantos sacrifícios: “Ministros deixam de ter direito a carro para uso pessoal ou fora da agenda oficial, acabam os cartões de crédito para despesas de representação e passa a haver limites salariais para os requisitados”(Sol).


Pode ser que os autarcas, administradores de empresas públicas, etc., sigam esse exemplo. Antigamente havia essa regra, mas acabou e a imoralidade ficou à vista de todos.

quinta-feira, julho 07, 2011

 

Irracionalidade dos tempos pré bélicos.

Moodys, o tal braço armado dos fundos financeiros internacionais que considerou lixo a divida soberana de Portugal, corta, agora, o “rating” das garantias estatais à CGD, ao BES, ao BCP e ao Banif.

É ainda noticiado que os portugueses, nomeadamente os funcionários públicos, estão cada vez mais endividados. Os impostos já comem mais do que recebemos de ordenado.
Os estados vão-se tornando párias em nome duma "moodys".

Estamos a viver o período que, na história da humanidade, precedeu as guerras ou fez a irracionalidade dos tempos míticos.

O Velho das fábulas foi a “moodys” da idade mítica que dizia aos seus discípulos: atirai-vos do cima desta montanha e salvareis a vossa alma. E os seus seguidores esmagavam-se no fim do precipício.
Nos períodos pré-bélicos as “moodys” dos líderes belicistas pediam: passai fome, sofrei, matai e morrei pelo engrandecimento da pátria que depois tereis uma vida de abundância e felicidade.

Cegamente os povos foram obedecendo e morrendo esmagados pela servidão imposta. E os novos ricos foram-se tornando mais ricos e em menor número; e os novos pobres cada vez mais pobres e em maior número. Até quando?!...

quarta-feira, julho 06, 2011

 
O vídeo ajuda-nos a compreender a razão do poder das agências de rating. Felizmente que as suas avaliações, sobretudo ao considerarem “lixo” os títulos da dívida portuguesa, estão a provocar uma onda de indignação na Comunidade Europeia saudável. É tardia a indignação, mas pode ser que ainda sirva para corrigir a hegemonia do mercado financeiro dos Estados Unidos, romper com o oligopólio dessas agências, obrigar a C.E. a rever a sua falta de liderança política e a saída do paradigma neo-liberal que nos arrasta para os tempos de fome que preceram as duas guerras mundiais.



Oxalá que sim!

http://videos.sapo.pt/wq8YendLG1OIjN4ZhiWz

 

Agências de "roubalheira"

Durão Barroso insurgiu-se contra as agências de rating, acusando-as de “acrescentar especulação em vez de clarificar” a situação.


Todos nós já sabíamos que essas agências são o braço armado da “chulice” financeira do neo-liberalismo global. Mas o que fará Durão Barroso para pôr cobro a essa “vigarice” que corrói o sentido e significado da Comunidade que dirige ?!...

 

Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial

Tinha prometido a mim mesmo adquirir a “Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial” (Org. por Margarida Calafate Ribeiro, Roberto Vecchi) publicada pela editora à qual me ligam muitos anos de trabalho, a Afrontamento. Mal folheei o livro encontrei logo um poema de um amigo que já partiu, César Oliveira. É uma arrepio que se sente: “Esperava-me aqui a morte, a incerteza do sol e das manhãs (…)”.


A memória dos poetas que são também amigos é uma voz que nos chega de moradas distantes, guardando lágrimas, sorrisos e esperanças. Por vezes, levanta-se em corpos gelados em muitas noites negras de segredo e inquietação. Então, a memória escorre como um fio de água que bate em folhas vermelhas de uma nostalgia velada: gostava-se de abraçar um amigo que há já algum tempo partiu.

terça-feira, julho 05, 2011

 

Novo Leviatã.

No passado não conseguiram detectar riscos e erraram sempre nas suas avaliações. Mas quem não era para levar a sério no passado tornou-se num “adivinho” do futuro. Assim pensam os chefes da comunidade europeia (onde não há líderes) e o governo da Grécia e de Portugal, em relação às agências de notação de risco.


Todos obediente e cegamente vão sacrificando os gregos e os portugueses (para já!) no altar dos especuladores dos fundos financeiros internacionais e dos bancos do Norte da Europa. É que estes precisam de ver garantida a rentabilidade dos seus empréstimos e as agências de rating, como a Modis, ao considerarem lixo a divida portuguesa e grega desempenham o papel, que melhor lhes convém. E assim vai surgindo o grande Leviatã de três cabeças troikianas que impõe medo e obriga austeridade atrás de austeridade até à derrota final.


É tempo do Governo português aprender com os erros da Grécia: não vale a pena seguir políticas que fazem o regresso à barbárie nas relações laborais e na segurança social, provocam ainda mais recessão na economia e atrasam o Futuro das novas gerações em muitos e muitos anos.


É preciso dar a volta a isto ou sair do euro, o que deve assustar e muito a Alemanha e a França, países que mais lucram com tal moeda e mais acriticamente seguem a onda neo-liberal.

domingo, julho 03, 2011

 

O que o Estado nos retira do bolso!

Segundo o “Expresso”, um trabalhador por conta de outrem rende ao Estado, através (apenas) dos impostos directos (Taxa Social Única+IRS) o seguinte:
Se é solteiro e recebe mil euros por mês, desconta 9% de IRS e 11% para a TSU. Assim: entrega ao Estado 200€ e leva para casa 800€. Mas, o Estado não fica por aqui: ainda cobra mais 23,75% de contribuição da entidade patronal para a TSU, o que perfaz 237,50€.
No total, portanto, um trabalhador que ganha 1.00€ (mil euros) rende ao Estado 437,50€.
Quem ganha 5.000€ rende 3.137,50€ mais do que leva para casa.
Em troca o que recebemos do Estado? Roubam-nos a carteira e não temos polícia a quem nos queixar; vamos a um centro de saúde pagamos uma taxa e temos de esperar mais de um mês por uma consulta, já não falando do tempo que perdemos para sermos assistidos, nem nos meses que demoram os exames pedidos a um hospital. Levamos os filhos à escola e a professora ainda não foi colocada e, se a escola fechou, temos de nos levantar muito cedo para os deixar a muitos quilómetros de distância, num estabelecimento de ensino. E que rendimento podem ter crianças que vão para escola a dormir? Pedimos justiça e estamos anos á espera que o Tribunal decida, mas entretanto pagamos custas que levam a “justiça” que pedimos.Se estamos velhos e precisamos de cuidados de saúde, temos dificuldade em os conseguir e ficamos em casa sozinhos, esperando que alguns meses ou anos mais tarde, já apodrecidos, alguém nos cubra com o lençol que nos acompanhará na descida a uma sepultura.
O Estado está em crise, mas que responsabilidades são pedidos a quem nos desgovernou?!...
Que nome devemos dar a essa entidade abstracta, desgovernada por muita gente que invoca razões de Estado para (impunemente) se governar?!...
Que dizem sobre isto os partidos, os diferentes movimentos cívicos, etc.?!...

 

Só lhe falta um fecho éclair”!

Tó Zé Seguro, candidato à liderança do PS, falou, hoje, na Rádio. Citou-se e na primeira pessoa enumerou tudo o que já disse, já escreveu e já apresentou na Assembleia da República. E para reafirmar a autoridade de tanta fartura, acentuou que é professor de Ciência Política, uma espécie de magia negra que invoca os espíritos para verbalizar os problemas do pessoal.
Um homem tão grande teve tudo o que quis, "só não tem um olho-de-perdiz"; “um homem tão grande tem tudo o que quer, só lhe falta um fecho éclair”!


Tó Zé Seguro não sabe, mas ainda não é um homem perfeito.

sábado, julho 02, 2011

 

A "força da verborreia"!

Li a moção de Francisco Assis. É um conjunto de intenções que se harmonizam com o seu delírio retórico. Intitula-se “A força das Ideias”, mas não se consegue perceber que força terá um conjunto de lugares comuns da esquerda, sempre esquecidos na prática governativa.


Tenho pena que o PS não faça um congresso a reflectir sobre os seus erros (de que Assis foi um empenhado responsável), sobre a sua organização em comunidade, a sua razão de ser e por que esta foi tão desqualificada a partir do seu próprio interior, daqueles que se serviram do partido para ocuparem lugares na mesa do Orçamento.

As instituições, como os partidos, têm uma dignidade própria que lhe dá personalidade e responsabilidade. E não podem ser apenas um instrumento ao serviço das lideranças que, periodicamente, vão tendo. Foi este erro que desqualificou, a partir do seu interior, o PS. E é preciso reflectir sobre esta questão para diagnosticar e corrigir erros.


Não é com o alargar à sociedade civil a escolha de autarcas que se corrige uma enfermidade endémica, não é por se dizer que se combate o neo-liberalismo que o neo-liberalismo é combatido, não é por invocar a história do PS que se respeita as suas raízes, não é por ser moda falar em valores que os valores passam a orientar uma prática, não é por se apostar num slogan que as ideias que o configuram passam a ter força.


É moda falar-se em valores, em ideias, mas não se discute para que servem, nem como brotaram: se brotaram como os cogumelos ou caíram de pára-quedas.


As ideias, os valores, se não enraízam no mundo da vida e não orientam práticas, são vazios.


Não vejo na moção que Assis leva ao Congresso qualquer apoio numa reflexão sobre a praxis, mas apenas o verter no papel os jactos de “verborreia” que fazem o seu estilo. No entanto, tem já os seus apaniguados que lhe tributam, na imprensa, os maiores encómios.


Cabe aos militantes, que querem um Partido credibilizado, entender que entre a “verborreia”, os elogios e a realidade há, por vezes, uma diferença incomensurável.
http://www.parlamentoglobal.pt/parlamentoglobal/actualidade/Partidos/2011/6/22/210611+leia+aqui+a+forca+das+ideias.htm

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