quinta-feira, junho 30, 2011

 

Uma nota sobre o debate do frugal programa.

Independentemente de considerações ideológicas, gostei do estilo do Ministro das Finanças. É um estilo diferente que marca a importância na governação dos que não foram moldados pela retórica mafiosa dos políticos de carreira.


Gostei também de ouvir o Primeiro-Ministro a garantir que os directores gerais vão passar a ter uma carreira profissional na Função Pública e não a continuar a serem nomeados por “confiança política”, eufemismo aplicado aos boys. Sobre o resto, foi o que, infelizmente, esperava: a frugalidade é obrigar a apertar o cinto todos os que já poucos furos lhe restam para tal aperto.


Tenho pena que não tenha sido garantido uma auditoria às contas públicas. Não se percebe que os causadores da crise, ou de uma grande parte dela, fiquem impunes.

quarta-feira, junho 29, 2011

 

Patriotismo, patriotismo, quem o pagará?!...

Segundo o D.E, "grandes fortunas retiram 5,3 mil milhões de Portugal". Como se vê, o patriotismo não é para ricos.

 

A "frugalidade" no programa, a quem servirá?!...

Quando, no século XVII/XVIII, a ideia de mercado foi introduzida na política por Adam Smith, entre outros, falou-se de “governo frugal”. Com tal conceito, promulgava-se a ideia de “Estado mínimo”. Pensava-se que o “mercado” possuía um mecanismo “natural” (espontâneo) que favorecia produtores e vendedores, o bem-estar dos cidadãos e o funcionamento do estado.


Não durou muito tempo que se percebesse que, sem uma regulação, o mercado ganhava uma dinâmica darwinista, tornando mais poderosos os que mais tinham e mais pobres os que já o eram.


A coligação foi buscar a ideia de “frugalidade” para falar em “programa frugal”. Cobriu com um mato diáfano o neoliberalismo, tanto ao gosto de Milton Friedman, o ídolo do actual Ministro das Finanças. Receia-se que as consequências sejam semelhantes às que aconteceram no Chile pós-Allende.

 

Um Homem sábio!

Hoje encontrei o meu amigo. Não é uma pessoa qualquer: é um sábio! Há cerca de três anos, depois de um jantar de amigos na baixa do Porto, por volta das duas da manhã, encontrei-me sozinho. Todos foram embora e, na presunção de que eu tivesse levado carro, deixaram-me entregue à solidão na suspeita de uma noite muito escura.



Desciam a Rua 31 de Janeiros pequenos grupos estranhos. Antes que me pedissem lume para acender um cigarro e em seguida me pregarem um murro para me assaltarem, coloquei-me ao lado de um homem, que levava um saco de plástico avolumado e do alto dos seus dois metros caminhava vergado sobre o olhar que se prendia ao chão. Fui, em silêncio, ao seu lado até que, no cimo da rua, o homem parou e, na entrada de uma casa comercial, colocou o saco donde retirou uma manta, preparando-se para ali ficar. Foi, então, que levantou os olhos, olhou-me de frente e quebrando o silêncio desferiu a máxima de um sábio: “Não nos ensinaram a roubar, estamos fod…”.


Hoje encontrei-o, sentado na soleira de uma porta com o chapéu preto ao lado e a olhar para o chão. Deixei-lhe uma notita que nunca pagará uma sentença tão sábia.

terça-feira, junho 28, 2011

 

É confrangedor esta falta de sensibilidade à dignidade do ser humano.

O programa do Governo foi, hoje, apresentado. Li apenas o resumo que vem na net.


Para além de tudo o que já tem sido noticiado, causou-me calafrios o regresso ao assistencialismo medieval. Mete-me impressão o recurso a senhas para almoçar ou alimentar os filhos e este tipo de assistencialismo medieval não se harmoniza com o respeito pela dignidade humana. O Estado relaciona-se com cidadãos e os governos que o representam não têm o direito de os tratar como crianças famintas ou não.

Os novos pobres, aqueles que já viverem razoavelmente, têm cultura e cultivaram princípios vão sentir-se muito humilhados e nenhum governo tem o direito de lhes causar essa humilhação. Já lhes basta sofrerem uma crise de que não são minimamente responsáveis!

 

Parabéns!

Parabéns a Sofia Pinto Coelho. O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem deu-lhe razão num caso de liberdade de imprensa. Quem já passou por um problema semelhante sabe muito bem que, em Portugal, há uma interpretação da lei muito literal e factualista, desprezando-se a contextualização que promove a jurisprudência valorativa e leva a colocar na balança os valores em causa.



A tarefa de um jornalista é servir o interesse público e, nem sempre, o legal se identifica com o justo. É neste quadro que denunciar o segredo imposto pela formalidade da lei pode ser um imperativo do dever de informar.

 

Um imperativo moral!

Dizem na rua os gregos: «vão buscar o dinheiro a quem o roubou. Não fomos nós, não temos nada a ver com a crise que criaram».


Por isso, a sua indignação tornou-se numa insubmissão cívica: não pagam portagens, impostos, etc.

Vamos ver o que acontece por cá. Mas suponho que não vai ser muito diferente. Naturalmente, não somos como os gregos, mas sentimos um problema idêntico. A crise não tem só causas financeiras globais, mas também (e sobretudo) tem rostos que é preciso encontrar. O dinheiro não se evaporou e é preciso saber quem se locupletou com o dinheiro que fez aumentar a dívida de forma abissal nos últimos anos. E não é difícil, basta saber quem lucrou com a falência do BPN, com as parcerias público-privadas, com a venda do património público, etc., etc.


Uma auditoria às contas públicas é um imperativo moral. Se esse dever não tiver eco, se a PGR não se interessar por esta questão, se o governo nada fizer para descobrir os culpados, obviamente a “revolta” grega passará a ser também nossa!

segunda-feira, junho 27, 2011

 
Trinta e cinco Secretários de Estado no novo Governo! Não seria melhor 35 Ministros e 11 Secretários de Estado?!... Agora some os assessores, as secretárias, os chefes de gabinetes, os motoristas, etc., etc., etc. Feitas bem as contas não há muitos mais lugares para termos o montão de gente que rodeou o socratismo.

domingo, junho 26, 2011

 

O estado é madrasto.

Por vezes sinto uma certa fobia pelo Estado. Não sou anarquista, mas o Estado não é um “real”, uma essência, uma “coisa”, um “universal”. O Estado é o efeito de uma governação impune. As razões de estado serviram para governos perseguirem, humilharem, criarem holocaustos, gulags, apátridas, exilados, fome, miséria e a crise que vivemos. Não será possível “recortar” o Estado independentemente dos governos, do seu aparelho repressivo e ideológico?!... O Sol quando nasce é para todos e não compreendo que, em nome do Estado, o princípio da distribuição seja substituído pelo da exclusão.

 

É necessário "refundir a esquerda"

Vasco Pulito Valente escreve, Hoje, no “Público” um texto que dá que pensar. Afirma: «“A lua-de-mel” entre Governo CDS-PSD e os portugueses vem do completo desaparecimento da esquerda, que ninguém lamenta e, pior ainda, quase ninguém nota».



Naturalmente, o novo Governo ainda não concretizou nada para podermos ver a posição da esquerda, mas, os erros de um partido, dito de esquerda, como o PS, desenvolveu no subconsciente colectivo a sensação de um “desaparecimento da esquerda”. E este sentimento não se vai apagar com um novo líder do PS, sem que uma reflexão profunda sobre o papel dos partidos de esquerda, com consequências nas reformas internas dos mesmos, se faça. Não adianta continuarmos a insistir num conceito de esquerda que nada tem a ver com uma prática, se não apuramos responsabilidades por gestão danosa, com punições; pouco motiva continuarmos a insistir, por exemplo, na defesa do Estado social, se esse Estado serviu mais os interesses dos poderosos da construção civil, dos gabinetes de consultoria, da indústria farmacêutica, etc., e da nomenclatura partidário, que a necessidade de diminuir o sofrimento dos que mais sofrem.


Vasco Pulido Valente tem alguma razão, quando diz que a esquerda continua com “jogos políticos”que passam ao lado das preocupações dos portugueses.


Precisamos de refundir a esquerda, como refere Mário Soares.

 

Não me convencem!

Francisco Assis e José Seguro não me convencem. O primeiro quer-se libertar do socratismo, o que está de acordo com o seu conhecido estilo - “usa e deita fora”-, mas não convence. O segundo, parecendo liderar uma ruptura mais genuína, é, no entanto, um produto do “aparelhismo”, responsável pela desfiguração do PS. Falam como se caíssem de pára-quedas, agora, neste País. Mas, como se poderá acreditar nas promessas de construir novas políticas sem avaliação das políticas que geraram a crise que estamos a viver?

Não fazem essa análise e, sem ela, nada nos garante que possam corrigir os erros que nos levaram a uma situação de pântano. Aliás, também me custa aceitar (mas “compreendo” que não queiram criar precedentes!) que não haja neste Governo uma manifesta preocupação com essa avaliação ( e torná-la pública!), não haja uma auditoria à crise, nem um esforço para agregar outros países, em situação de crise semelhante, numa contestação do papel dessas instâncias obscuras que dão pelo nome de “agências de rating”. Ou seja, entristece-me que, em democracia, o princípio da responsabilidade (avaliação das consequências dos actos de quem teve o poder ou o exerce) continue a ser meramente formal, o que não prestigia o sistema.

E é essa situação que dá todo o sentido aos movimentos "acampados por uma democracia verdadeira” e que Pacheco Pereira não entende!

sábado, junho 25, 2011

 

Perder-se com a árvore e esquecer-se da floresta.

Pacheco Pereira, no seu longo texto publicado, hoje, no “Público”, continua igual ao tempo em que o conheci na Faculdade de Letras do Porto. A sua linha é a única justa e inquestionável. Uma espécie de dogma, idêntico aos dogmas que defendeu nos tempos maoístas e estalinistas. Fustiga Fernando Nobre, colocando-o ao lado dos “acampados por uma democracia verdadeira”.



Como Pacheco Pereira precisava de ler (ou reler!) o “Nascimento da biopolítica” de Michel Foucaullt para perceber que por detrás desses movimentos está o apodrecimento da democracia que ele defende. E é isso que devia ser objecto da reflexão de um intelectual que não queira prender-se a olhar para a árvore, quando a questão que se coloca é a da floresta.

sexta-feira, junho 24, 2011

 

Reformas necessárias e sem custos para o erário público.

Luís Campos e Cunha, num texto, hoje, publicado no “Público” defende que há três reformas que equivalem a “Ovos mexidos sem eles”; isto é, reformas sem despesa para o erário público. A primeira é a da educação e confia que o novo ministro vai privilegiar um ensino de rigor e de conteúdos cognoscitivos. A segunda é a do sistema político. Considera que o financiamento dos partidos deve ser público para evitar a troca de favores (dou-te dinheiro para a tua campanha e dás-me, em troca, o ajuste de obras públicas); pensa, em seguida, que a lei eleitoral deve ser alterada de forma a votarmos em pessoas e não só em partidos. Advoga “listas abertas”, onde se possa riscar nomes quem não merecem a confiança dos eleitores. E, ainda, que o voto nulo ou branco tenha representação parlamentar com cadeiras vazias. E assegura: «a concorrência das cadeiras vazias picaria os partidos a fazerem melhor”.


Ora, é esta última reforma que justificou uma petição que há tempos fizemos. Para quem a quiser subscrever ela ainda “mora” aqui:
http://www.peticaopublica.com/?pi=JBM

 

Uma evidência de marketing político

Francisco Assis descobriu, agora, que o PS está «muito dominado por pequenos e minúsculos interesses políticos».


O teste da prática não confirma a sinceridade e genuidade da afirmação. Seria mais credível que tal “denúncia” tivesse sido feita durante o consulado socrático.

De qualquer maneira, esperámos que subscreva a petição para uma auditoria à divida pública, subscrita por Carvalho da Silva. Seria um reforço da sua retórica obsessiva pelos “lugares do preferível”, os que agradam ao grande auditório e tornam espectacular o que diz, contribuindo para configurar uma imagem mais “acolhedora” de votos.

É, no entanto, um facto que essa afirmação não traz novidade nenhuma: já foi dita e redita por muita e muita gente.

 

Não há portugueses de primeira

Fica-se perplexo e revoltado. Passaram a ser secretos os nomes dos políticos que pedem ao estado pensões mensais vitalícias. São os contribuintes que as pagam e, por isso, a questão pertence ao domínio da "coisa pública". Os contribuintes devem ter o direito de saber para onde vai o dinheiro dos seus impostos. Espera-se que, em nome da transparência, esta absurda determinação seja revogada

Só faz aumentar o divórcio entre políticos e a sociedade civil e criar mais suspeitas. Os "furos" ao segredo vão ser de casos extremos, os que pesam pelo escândalo,que vão ser generalizados.
Em suma: uma medida pouco inteligente e má para a classe política.
http://economico.sapo.pt/noticias/estado-esconde-pensoes-politicas_121304.html

 

Marcando a diferença.

Passos Coelho quer o PS a liderar comissão parlamentar de fiscalização do cumprimento das medidas da troika.


A tentação tacticista de conseguir derrubar o Governo, opondo-se e criticando tudo o que o for por este decidido, tem aqui o primeiro amortecedor. É uma forma de comprometer, na prática, o PS com o que este partido subscreveu.

A política exige concertação e nisso Passos Coelho poderá marcar a diferença, se estender esta preocupação aos sindicatos e outros movimentos da sociedade civil.


quinta-feira, junho 23, 2011

 

Viva o S. João!

S.João foi sempre a festa mais popular do Porto. Já fui muito S. Joanino, mas, hoje, apenas darei um pequeno passeio pela minha zona, bem perto das Fontainhas, uma das zonas mais tripeiras e S. Joaninas. Amanhã vou ao Tito, em Matosinhos, digerir as melhores sardinhas do mundo. Não fiquem com inveja! Há lugar para todos: Tito1,Tito 2 e não sei se haverá mais, na rua que passa junto à lota, em Matosinhos.

 

Inevitável!

Paula Teixeira da Cruz,   ministra da Justiça aceitou o inevitável: pedido de demissão da directora do Centro de Estudos Judiciários.

 

Uma "boa demagogia"!

O Primeiro-ministro Passos Coelho decidiu que as viagens do Governo se fizessem em voos de classe económica. Muita gente encarará esta decisão como demagógica. Mas se houver uma “boa demagogia” esta é exemplar. É muito melhor um primeiro-ministro dar o exemplo de ser poupado do que, num País pobre e em crise, ser esbanjador, viajando, ornamentando a sua casa e vestindo como os mais ricos do mundo.

quarta-feira, junho 22, 2011

 

O que dá receber muitos e muitos milhões!

Se não tivesse recebido tantos milhões de euros, como seria possível a Villas-Boas fazer esta tão compungida confissão: «Nada do que diga apaga sentimento de traição».
Bonitas palavras e não precisam de serem acompanhadas da conta!

 

Harmonizar líderes com a sociedade que apoia o partido.

Assis apresenta hoje a sua moção. A ideia central configura-se numa proposta de eleições primárias abertas à sociedade socialista (e não só a militantes do PS) para a escolha do candidato socialista a primeiro-ministro.



Esta é uma ideia que há muitos anos já defendo. Acontece em alguns partidos na Europa e serve para harmonizar os partidos com as suas bases de apoio. Se isso fosse apoiado, as lógicas aparelhistas deixavam de poder dominar os partidos e, assim, se evitaria que figuras desprestigiantes, sem qualquer atributo que os qualifique, aparecessem a liderar federações, como acontece no Porto. Também estou convencido que Assis perderia a ambição que, por ser muito “bem visto” na TV, o leva a crer ser bem visto na sociedade civil, alimentando o seu “ego”..

terça-feira, junho 21, 2011

 

levar a sério a representação.

O Governador Civil de Lisboa pediu a demissão sem esperar pela extinção da instituição. Dessa feita, assumiu que representava o partido e não o governo (fosse de que partido fosse).


Mas fez o que mais jeito lhe dava.

 

Que pensar?!...

O eurodeputado Rui Tavares envolveu-se numa polémica pessoal com o líder do BE. E, por via disso, pediu a sua desvinculação ao partido por onde os eleitores o elegeram, em nome da honra pessoal. Esperávamos que, honrando o partido por onde foi eleito, deixasse pessoalmente o parlamento europeu. E percebe-se mal que se tenha trespassado politicamente para um grupo que não o escolheu para deputado.


No entanto não se pode estranhar este tipo de posição. Há quem pense que ela já fez carreira nas meretrizes honradas.

 

God save the Queen

A eurodeputada Assunção Esteves, transmontana, de 54 anos, foi escolhida para presidir a Assembleia da República, É a primeira mulher a ocupar este cargo. Os elogios do PS, do PC, dos Verdes, do PSD e do CDS são enormes e isso traz água no bico. Que o diga Fernando Nobre! Naturalmente, a eurodeputada encontrou neste dia, o dia mais feliz da sua vida. E teve um discurso que deixou escorregar uma ternura cristã. God save the Queen

Desejamos um bom trabalho e que, a sua felicidade, nos faça também felizes

 

Muitas expectativas e muitas mais apreensões.

"Chegou ao fim um certo tipo de governação e um certo entendimento entre o Estado e a sociedade”, afirma Passos Coelho. E acrescentou: “Portugal não pode falhar!”


Esperamos que o seu propósito corresponda à prática política do seu governo. Mas, tal como a falar de Camões, que morreu na miséria enquanto os que dele falavam ficavam ricos, o mesmo tem acontecido com Portugal.

Neste governo preponderam os tecnocratas, com excepção do seu compagon rout, o CDS, que preferiu colocar na governação as pessoas do seu aparelho, o que cria muitas apreensões. É que, pela falta de solidariedade na eleição de Nobre, prevê-se que continue noutras, onde a divergência entre os dois partidos já é reconhecida e isso não augura bom futuro para a coligação.

Entretanto, esperamos que o rotativismo das clientelas termine.Sobre este governo ficam muitas expectativas. Dele pode-se dizer o mesmo que dos melões: só abertos é que poderemos dizer o que são.


Pensamos, no entanto, que os que vivem do seu trabalho estarão sempre tramados: terão de pagar os erros dos outros!

segunda-feira, junho 20, 2011

 

fair divers

Fernando Nobre não foi eleito presidente da Assembleia da República. O cargo não tem uma importância por aí além. A sua rejeição pelos deputados do CDS, do BE, do PC e do PS só pode ter um significado: vingaram-se do seu discurso anti-sistema. O certo é que Fernando Nobre contribuiu, em Lisboa, para que o PSD tivesse uma vitória que já não tinha há muitos anos. Passos Coelho foi, sem dúvida, o que mais perdeu e isso pode ser um aviso para o que poderá contar no futuro se não souber “negociar” bem as suas propostas.


Mais importante que este fair divers foi a decisão do Conselho Pedagógico de Estudos Judiciários de anular a “descabida” nota atribuída aos “batoteiros” que pretendem ser magistrados. E ao lembrar-nos de que um estudante português do erasmos foi expulso (digo expulso!) duma universidade na Finlândia por copiar, podemos avaliar bem o sentido de responsabilidade na formação do carácter que têm algumas escolas que não formam magistrados.


quinta-feira, junho 16, 2011

 
Podemos não concordar, mas que dá que pensar, dá!....

 

A Escola em tempo de crise

Escrevi para o Semanário Grande Porto o texto que transcrevo:


Um dos desafios mais decisivos para o futuro do País que o pós-socratismo tem de encarar a sério, é , sem dúvida, o sistema educativo.

O modelo das direcções gerais, como nicho de boys que trata a educação como instrumento de marketing governativo, tem de ser substituído por outro que confie na autonomia das escolas, promova a dignificação do papel social dos professores, desburocratize o sistema, crie rigor na aprendizagem e promova nos alunos sentimentos de confiança no potencial da educação.


A escola não pode continuar a ser o local onde não se estimula o valor da competência, do trabalho, do dever, da honra e da solidariedade, onde a actividade de ensinar é uma frustração, o aprender uma maçada, o sucesso uma questão de estatística e o diploma uma inutilidade.


A crise económica e financeira que vivemos, empobreceu a classe média, tornou o trabalho num bem escasso quase só acessível aos mais talentosos. O impacto desta crise nas “perfomances” dos alunos é uma evidência.


O desígnio da escola forçosamente terá de ser o de propiciar a todos os alunos, nomeadamente aos mais fragilizados pela crise, os estímulos que precisam para ganharem confiança em si mesmos, fazendo da escola um lugar de vida e de esperança no Futuro. Mas isso só é possível, rompendo com o facilitismo, a hostilização e desautorização dos professores, o “experimentalismo” pseudo-pedagógico”, o desajustamento de programas e uma burocracia que obriga os professores a ocuparem o tempo, que lhes falta para preparação das aulas, em reuniões iníquas.

Muitas vezes, confunde-se a dignificação da imagem do professor com o seu vencimento. Mas a valorização dos professores está sobretudo associada ao reconhecimento social e político do papel da educação na formação de profissionais competentes e cidadãos honrados. Para desempenhar este papel, o professor não pode estar amargurado com a instabilidade profissional ou com a pressão irracional (e muitas vezes contraditória) dos despachos que emanam das direcções gerais.

O professor só pode estar empenhado e satisfeito com a sua profissão, se a centraliza no aluno e na disciplina que lecciona. Foi para isso que estudou, se licenciou e estagiou. E são essas as expectativas que os pais criam em relação aos professores dos seus filhos.


A escola socrática deslocou o centro das preocupações educativas para os interesses de propaganda do governo. Esperamos que a era pós-socrática rompa com esta situação e faça com que, em tempos de crise, a escola seja de rigor e rasgue horizontes de esperança.

 

Não será imprudência?!...

Segundo a Rádio Renascença, «PSD e CDS vão ter projecto comum de revisão constitucional»

Não entendo a utilidade! Se o acordo com a Troica não exige uma alteração constitucional e esta também não é necessária para as reformas que se anunciam, por que se vai fazer essa revisão que acrescentará inevitavelmente mais polémicas num contexto tão difícil e tão sensível, como aquele que estamos a viver?!... Parece-me que contraria o apelo ao bom senso de Portas. Paradoxalmente (ou talvez não!) tal intenção só pode trazer “água no bico”. Será que Passos Coelho se deixou prender nas “armadilhas” que Paulo Portas é perito em construir?

 

Saber dignificar as instituições

Uma posição (sem meias tintas) que dignifica quem a toma e a instituição que representa: « A atribuição a todos (os candidatos) da nota 10 injustificadamente mancha a honra de todos, prejudica os melhores, e premeia os casos, que constituem excepção, de prevaricadores, algo incompatível com a pedagogia de qualquer escola, mormente de uma escola de formação de magistrados».
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=21837

quarta-feira, junho 15, 2011

 

Perplexidade!...

Até que ponto pode chegar o “pântano”,  poderia ser a síntese da notícia do “Sol”: «Um copianço generalizado num teste do curso de auditores de Justiça do Centro de Estudos Judiciários (CEJ) levou à anulação do teste, mas a direcção decidiu atribuir nota positiva (10) a todos os futuros magistrados»

 

Um estilo velho e nada democrático.

Luís Fazenda, do BE, respondeu às críticas de Daniel Oliveira neste estilo: «Mas quem é Daniel Oliveira?!...».


É um estilo velho, a que os gregos chamavam o sofisma do argumento “ad hominem”. Em vez de responder á crítica ataca-se a pessoa, reduzindo-a, neste caso, à insignificância. O estalinismo levava mais a sério este estilo: enfiava os críticos nos gulags ou então, como aconteceu a Trotsky, encomendava a uma picareta o golpe fatal.


Será que é assim que o BE vai resolver o problema dos seus críticos?!... Precisamos de um partido como o BE, mas dispensamos a incapacidade estalinista para saber ouvir, responder às críticas e ter abertura democrática ao diálogo.

terça-feira, junho 14, 2011

 
José Silva foi um dinamizador da Associação Marânus, em homenagem a Teixeira de Pascoais. Sempre se interessou por causas. Querem ouvir o amigo José Silva. Então ouçam-no.


 
                                          
Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Uma "logica" acima da democracia!

Diz Renato Sampaio, líder polémico da Federação Distrital do PS/Porto: «Francisco Assis terá uma vitória esmagadora».


Como terá encontrado tamanha evidência? O voto não é secreto?!... Não é contado nas urnas?!... Ou será que o aparelhismo da Distrital já armadilhou o “carneirismo” do voto?
Assim, o PS não se recompõe do descrédito socrático e seus apaniguados.
http://www.youtube.com/watch?v=SIJj3V81pfg

segunda-feira, junho 13, 2011

 

Pátria

Serra!

E qualquer coisa dentro de mim se aclama...
Qualquer coisa profunda e dolorida,
Traída,
Feita de terra
E alma.

Uma paz de falcão na sua altura
A medir as fronteiras:
- sob a garra dos pés a fraga dura,
e o bico a picar estrelas verdadeiras...

Miguel Torga
http://www.youtube.com/watch?v=Ef8N_3kvkLQ

 

Será verdade?!...

Está amplamente a ser distribuída esta folha salarial da Fundação Cidade de Guimarães. Custa a acreditar! Ora reparem:

«Folha salarial (da responsabilidade da Câmara Municipal) dos administradores e de outras personalidades, da Fundação Cidade de Guimarães, criada para a Capital da Cultura 2012:

- Jorge Sampaio - Presidente do Conselho de Administração:
14.300 € (2 860 contos) mensais + Carro + Telemóvel + 500 € por reunião
- Carla Morais - Administradora Executiva 12.500 € (2 500 contos) mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião
- João B. Serra - Administrador Executivo 12.500 € mensais + Carro + Telemóvel + 300 € por reunião
- Manuel Alves Monteiro - Vogal Executivo 2.000 € mensais + 300 € por reunião

Todos os 15 componentes do Conselho Geral, de entre os quais se destacam Jorge Sampaio, Adriano Moreira, Diogo Freitas do Amaral e Eduardo Lourenço, recebem 300 € por reunião, à excepção do Presidente (Jorge Sampaio) que recebe 500 €.

Em resumo: 1,3 milhões de Euros por ano (dinheiro injectado pelo Estado Português) em salários. Como a Fundação vai manter-se em funções até finais de 2015, as despesas com pessoal deverão ser de quase 8 milhões de Euros !!!

Reparem bem: Administradores ganhando mais do que o PR e o PM !

Esta obscenidade acontece numa região, como a do Vale do Ave, onde o desemprego ronda os 15 % !!!»

Se é verdade, qual é a moralidade destes senhores para pedirem sacrifícios?

domingo, junho 12, 2011

 

Jogar pelo Seguro

João Proença, secretário-geral da UGT, manifestou hoje o seu apoio ao candidato à liderança do PS António José Seguro, sublinhando que é quem «responde melhor às necessidades do PS e do país».

E os apoios a este candidato multiplicam-se, inclusivamente entre os que melhor conhecem Assis, como o seu ex-chefe de gabinete José Luís Carneiro (Presidente da Câmara de Baião).


quinta-feira, junho 09, 2011

 

Mais propósitos que retórica

"Darei o meu melhor para concretizar o sonho dos progressistas de esquerda" . Não tenho voto na matéria, mas gosto mais deste propósito do que do discurso redondo, ziguezagueante e metralhante de Assis, onde as palavras se disparam mais rápidas do que o pensamento e do que a própria sombra .

http://sicnoticias.sapo.pt/especiais/portugal2011/article627902.ece

 

Coitada da beterraba

Afinal, a culpa da bactéria E.Coli  é da beterraba holandesa. Vamos esperar como reage a Holanda. Pelos resultados das evidências alemãs, pode acontecer que só seja mais um palpite que vai ser acreditado nos contribuintes da união europeia. Já não basta a despesa milionária com os seus quadros.

quarta-feira, junho 08, 2011

 

Jorge Semprún

Faleceu Jorge Semprún. Esteve preso num campo nazi. Foi, como é reconhecido, “uma memória do séc.XX”, porque viveu os terríveis dramas do século. Foi escritor e político. A “Longa Viagem” é um livro impressionante. A sua obra literária mereceu inúmeros prémios.


Partem as melhores referências deste tempo que vivemos. Ficamos mais pobres.

 

Assis, uma fotocópia desbotada de Sócrates.

Francisco Assis deverá ser um dos candidatos à liderança do PS. E é possível que ganhe as directas. Já é mais difícil que venha a ser Primeiro-Ministro. Esteve sempre muito colado a Sócrates, como estaria a outro que liderasse o PS. Se no PS a escolha fosse feita por mérito e racionalmente, nunca Assis seria escolhido. Mas quem escolhe no PS é a máquina aparelhista e, tal como Sócrates, Assis, domina-a perfeitamente. Para quem o conhece, Assis é um daqueles políticos que “usa e deita fora”. Interiorizou uma matriz retórica que aplica implacavelmente em estilo de “picareta falante” .

Os comentadores de serviço vão fazer muitos elogios a Assis, vão até descortinar que é “intelectualmente superior”. E a sua prática vai sendo esquecida.


Em 9 de Maio de 2004, no JN, publiquei um texto que, hoje, está actual e passo a transcrever:

“Francisco Assis, nas últimas eleições autárquicas, apresentou-se como cabeça de lista à Assembleia Municipal do Marco pelo PS. Muitos não acreditaram que esse gesto fosse apenas um “número de espectáculo” para conquistar votos (como alguns já faziam crer), mas uma marca de um novo modo de estar na política, servir a causa da democracia e os ideais socialistas. Foram, por isso, criadas naturais expectativas que se apoiavam no suposto de que o líder distrital do PS pudesse dar uma outra visibilidade aos problemas de prepotência, caciquismo e má gestão de que era publicamente acusado Ferreira Torres. Rapidamente, estas expectativas foram frustradas: por acumulação de faltas, o deputado e líder do PS foi obrigado a renunciar ao mandato. A justificação avançada pela Federação do PS é digna de ficar registada numa antologia da especialidade: a presença de Assis na Assembleia Municipal do Marco era susceptível de “limitar e inibir a participação” dos restantes membros do seu partido na assembleia.


Foi, agora, tornado público que Francisco Assis tinha aceitado o cargo honorífico (segundo o mesmo) de presidente da assembleia-geral da Edinorte, empresa ligada a um dos empreiteiros do regime de Ferreira Torres que é compadre de Major Valentim Loureiro.

Uma questão se colocará, entretanto: será que os interesses da luta contra a prepotência, o caciquismo e a falta de transparência da gestão de Ferreira Torres não nobilitavam tanto o deputado e líder distrital do PS, como ser presidente da assembleia-geral da polémica empresa Edinorte?!...


Tal como um rolo compressor, vai-se se impondo a ideia de um centrão político, onde se aplica o slogan “todos iguais e todos diferentes”. Se o PS quer marcar a diferença tem de promover reformas que evitem que, no seu interior, o sucesso se faça por jactos de verborreia incoerentes, mas pela competência, coerência e rigor. De contrário, não faltarão razões para seguir a lucidez do “voto em branco” de que nos fala Saramago no último livro».

terça-feira, junho 07, 2011

 

Fuja da banalização

O site leva-o ao mundo dos museus mundiais, à pintura, escultura, slides, músicas e muito mais...

Encante-se e viva a sublime experiência de assombro que aproxima a estética da ética, expondo-se perante o que nos transcende.
http://www.sabercultural.com/

 

Por cá "tudo bem".

Há países onde o princípio da responsabilidade é levado á prática e tem consequências. Geir Haarde vai ser julgado num tribunal especial, na Islândia. É acusado de «ter permitido uma expansão desenfreada do sector bancário islandês sem qualquer controlo estatal, com consequências fatais para a economia do país».

Em Portugal todos “ficam bem na fotografia”.
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=1673579

segunda-feira, junho 06, 2011

 

Um leve alívio.

Levantei-me, hoje, bastante cedo. Já percorri algumas ruas do Porto. Não vi clareiras de sorrisos. Cruzou-se comigo muita gente de olhos no chão, indiferente às vitórias e derrotas que anunciavam os jornais. Um silêncio marcava o seu caminho numa manhã cinzenta. No café alguns amigos partilharam um alívio que não rasgava manhãs de esperança. Somos como náufragos ameaçados por um trágico destino.

domingo, junho 05, 2011

 

A abstenção tem um significado. Não é legitimo assobiar para o lado.

A abstenção andará pelos 40% e parece superior às últimas eleições. Isto tem um significado. Os partidos estão divorciados dos eleitores e é urgente uma reforma dos partidos que promova o mérito e a competência para que o voto ganhe sentido. Os deputados são escolhidos em função das lógicas de poder dos grupos que existem no interior dos partidos e não pelos eleitores. Sentimos que os partidos dizem uma coisa e fazem outra e os deputados fazem o jogo das estratégias de poder dos partidos e não representam quem os escolhe. Além disso, a campanha eleitoral foi um festival de mau gosto. A luta política parece passar mais pela rua, pelos movimentos cívicos, pelas redes sociais. Perdemos a confiança neste sistema partidário e isso é uma ameaça para a própria democracia. Esperamos que se tirem conclusões sobre este “abandono”.


E não podem ser as conclusões que Meneses, presidente da Câmara do Porto, já tirou: «impor o voto Obrigatório».


É incrível o raciocínio desta gente. Em vez de criarem condições para credibilizar o voto, colocam os eleitores a votar à força.


Naturalmente, Sócrates vai sair da cena do governo e isso é o óbvio. Mas não sabemos se sairá de líder do partido. E era importante tornar o PS num partido credível.

 

Bem prega Frei Tomás!

Hoje noticia-se que a Comissão Europeia vai fazer "recomendações" de política económica aos 27 Estados-membros. É pena que não dê recomendações à sua máquina administrativa. O fausto e esbanjamento desregrado que se passa no seu seio: vinte e cinco mil euros para um fim-de-semana do Presidente, vencimentos e reformas (com muitos poucos anos de serviço) milionárias, gabinetes e assessores no estilo sócrático, não ajudam a credibilizar “recomendações”.

 

Não me parece bem!...

Acabei de votar na minha secção, Liceu Alexandre Herculano, onde trabalhei durante cerca de trinta anos. Muita gente, muito mais que nas eleições anteriores.


Enquanto votava, lembrava-me das palavras de Cavaco Silva: “quem não votar não tem autoridade para depois criticar a política pública”. Sentia-as como um autêntico disparate. Então, não é a qualidade de cidadão que nos dá direito a intervir na “coisa” pública”. E quem não encontrar, nos partidos que se apresentam às eleições, quem se identifique com as expectativas que cria para o seu País, deve votar num partido (qualquer) contrariando a sua consciência?! Já terá o P.R reparado na “indigência” que compõem as listas de alguns partidos?!


Não há, hoje, quem não reconheça o desencanto dos eleitores relativamente aos partidos e Cavaco Silva em vez de sugerir reformas dos partidos, pretende “chantagear” os eleitores. Não me pareceu bem!....

sexta-feira, junho 03, 2011

 

Parabéns Souto Moura.

Obama elogiou o arq. Souto Moura na altura de entrega do Prémio Pritzker, também designado Nobel da Arquitectura (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%A9mio_Pritzker)



O Presidente dos E.U. comparou Eduardo Souto Moura a Thomas Jefferson - - terceiro presidente dos Estados Unidos (1801-1809)--, afirmando: “Como Jefferson, [Souto de Moura] passou a sua carreira não apenas a redefinir as fronteiras da sua arte, mas a fazê-lo de maneira que serve o bem público"..


Parabéns Souto Moura.

 

Esquerda/ Direita

Depois do 25 de Abril e por razões que se prendem com o fim de quase 50 anos de domínio fascista, esquerda/direita passou a ser configurada pelas bandeiras dos partidos. Essas bandeiras representavam ideologias, mas a ideologia, se não serve para orientar uma prática, é vazia. E nada mais perverso do que em nome de uma ideologia de esquerda ter uma prática de direita. É caso para dizer, se esquerda é isso, então, não sou de esquerda. A debandada da esquerda que assistimos, hoje, tem aqui a sua razão de ser.


Não considero este PS liderado por Sócrates um partido de esquerda. A sua prática foi lançar através da propaganda uma cortina de fumo sobre a incompetência, sobre casos suspeitos, como o Freeport, o Parque Escolar (dominado pela empresa Constrope, do tio do Primeiro Ministro), o BPN, o BPP, as parcerias público-privadas, os inúmeros institutos e fundações que duplicam funções do Estado e servem apenas para ocupar boys, o enxamear de apparatchiks ministérios, secretarias de Estado e meios de comunicação do Estado, a diabolização de professores, funcionários públicos, magistrados, etc , o desenvolvimento de um darwinismo social que tornou os ricos cada vez mais ricos e em menor número e os pobres cada vez mais pobres e em maior número e, ainda, obriga os contribuintes a pagar a falência do Estado ou bancarrota, de que é responsável sobretudo a governação de Sócrates (duplicou em 6 anos o débito – 82,9 mil milhões de euros).

Não se pode continuar com o raciocínio de Estaline: os que criticam o partido são inimigos do povo e da URRS e, por isso, devem ser tratados como loucos, internados nos gulags com todos seus cúmplices, a começar pela família.

Voto contra Sócrates, porque voto contra o embuste, a prostituição de um ideal que abracei ainda muito novo. Voto contra Sócrates porque ele é o principal responsável por uma crise que se estenderá pelas nossos filhos e netos. Voto contra Sócrates porque nos atirou para uma situação insuportável e é preciso dizer basta!

E não me digam que “são todos iguais”. Se assim é, corremos desde já com os que são mais iguais: os que temos pela frente.


Quem vier a seguir, que venha por opção consciente dos eleitores e receba este sinal: os eleitores não suportam o embuste, a corrupção e o esbanjamento dos dinheiros dos contribuintes.

quinta-feira, junho 02, 2011

 

Algo de útil e pedagógico.

Na Rua de Santa Catarina deparei-me, de supetão, com uma triunfante multidão de laranjinhas que festivamente aguardava Passos Coelho junto ao Café Majestic (ícone da Arte Nova no Porto e da tradição das tertúlias, em que pontuaram, em tempos, Teixeira de Pascoais, José Régio, António Nobre e até Gago Coutinho). Esta multidão triplicava, sem exagero, a arruada de Sócrates (um apinhado montão de bandeiras, numa estratégia, que lembrava "Leni" Riefenstahl, favorecendo um plano que levava as câmaras de filmar das televisões a fazer crer que se tratava de uma multidão que não existia, bem ao estilo socrático).


Fugindo a esse impacto, esgueirei-me apressadamente para Santo Ildefonso. Aqui tive a oportunidade de assistir a uma pedagógica perfomance sobre a violência doméstica, com a colaboração da PSP. O público espreitava pelas brechas da cobertura de uma estrutura que servia de cenário a um casal desavindo representado por actores de “A Pele” (Associação Cultural). Os agentes distribuíam um postal que esclarecia a representação e entregavam uma colher para ser atirada, através das brechas, aos autores, desconstruindo, simbolicamente, o velho ditado “entre marido e mulher, ninguém mete a colher”.

Ali estive e senti-me feliz. É que no meio de um medonho ruído que percorria a Rua Santa Catarina, havia qualquer coisa de útil e pedagógico: a sensibilização teatral para a luta contra a violência no seio familiar.

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