terça-feira, maio 31, 2011

 

Feira do Livro

No próximo Sábado, pelas 18 horas, estarei na Feira do Livro, Editora Afrontamento, a autografar os meus livros. Se alguém quiser aparecer para cavaquear com este amigo, será recebido com um abraço.


Até sábado!


 

Será que o País ensandeceu?!...

Já não há pachorra para aturar este espectáculo obsceno a que chamam “campanha eleitoral” e que resume os problemas do país ao slogan “votem em nós que os outros são piores”. Ou, então, como fez Mário Soares: “estou aqui, porque ajudei a fundar o PS (…) Sócrates tem amigos na Europa e conhece toda a gente”.


Perante os problemas gravíssimos que temos pela frente, perante o drama de um desemprego crescente, perante uma corrupção que sugou o suor do nosso trabalho, perante a ausência de futuro para os nossos filhos e netos, perante a necessidade de responsabilizar criminalmente (como pedem os gregos) os que se locupletaram com o dinheiro dos contribuintes, espanta-nos a ideia de defender que os problemas de Portugal são resolvidos entre “amigalhaços” ou com a influência de conhecidos.

Esta concepção de Estado, onde o partido esteve acima do interesse-comum, onde as questões de Estado foram questões de amigalhaços, é que nos arruinou. Como é possível que despudoradamente se “jogue” com este obsceno argumento, sem se corar de vergonha?


Será que o País ensandeceu?

domingo, maio 29, 2011

 

Para pensar!


Quem paga a crise é quem nada teve a ver com ela. Nada se faz para obrigar a devolver o roubo que os causadores da crise fizerem.

Entretanto, os programas da TroiKa caiem nos países em crise, com a mesma displicência com que aparecem as nuvens ou a tempestade.

Vejamos, então, o risco de default (incumprimento da dívida soberana grega) que atormenta toda a gente, menos os partidos que nos irão governar. Ouçamos o analista Jens Bastian.


O Expresso ouviu o economista e investigador da Fundação Eliamep, em Atenas, sobre os cenários que envolvem Atenas.

Cinco cenários


Cenário 1 - o cenário otimista: o governo consegue arrancar com o programa de privatizações e transmitir a imagem de que o realizará até 2015. O atual primeiro-ministro e líder do PASOK, Papandreou, é reeleito em 2013, ano em que finda o pacote de resgate da UE/FMI, e o Tesouro grego regressa aos mercados financeiros para financiar a dívida a juros comportáveis.
A probabilidade deste cenário é, contudo, de alta improbabilidade.


Cenário 2 - default caótico: a Grécia revela-se incapaz de cumprir com as obrigações junto da troika (UE/FMI/BCE) ao longo deste período até 2015. Os custos de reputação no mercado financeiro são desastrosos. E também para a zona euro, em particular para o Banco Central Europeu. Todos os participantes no pacote de resgate à Grécia sofrerão perdas significativas. As consequências económicas e política para a zona euro são difíceis de imaginar.
A probabilidade deste cenário é alta, mas politicamente não é aceitável para o BCE, o FMI e vários governos da zona euro, que resistirão até ao limite a tal ocorrência.


Cenário 3 - cenário "intermédio": a Grécia consegue pagar parte dos compromissos, avançando para uma reestruturação da dívida organizada administrativamente e ordeiramente, incluindo um "corte de cabelo" (hair cut, na designação técnica) na dívida existente na ordem dos 50% a 70%. A probabilidade deste cenário é alta, com os especialistas e os economistas a apontarem para a sua necessidade, mas falta ainda o mecanismo político europeu de suporte que cubra o período que vai até 2013, quando o novo Mecanismo Europeu de Estabilização irá entrar em operação.


Cenário 4 - cenário iminente: fruto da pressão dos acontecimentos, inicia-se uma reestruturação rápida da dívida no horizonte dos próximos meses, em simultâneo com sucessos no plano das privatizações de ativos gregos. Esta convergência iria melhorar a reputação da Grécia nos mercados internacionais, permitindo ao Tesouro grego regressar em 2013 a esse financiamento. A probabilidade é alta, mas há um grau de incerteza que se mantém sobre a dinâmica de privatizações. O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, sugeriu, esta semana, que uma agência independente do governo tome conta do plano de privatizações, num modelo similar ao que ocorreu na Alemanha aquando da unificação.

Cenário 5 - contágio na zona euro: apesar de organizada ordeiramente (cenários 3 e 4), a reestruturação da dívida grega não consegue evitar o contágio junto dos outros dois países já sob intervenção da troika: Irlanda e Portugal. O impacto seria tal que Dublin e Lisboa teriam de proceder, também, simultaneamente, a reestruturações das suas dívidas soberanas. Este contágio provocaria alta instabilidade na zona euro.

A probabilidade deste cenário aponta para a necessidade de o encarar como uma possibilidade que não deve ser excluída.

 

Uma campanha eleitoral ou uma maquilhagem de quimeras.

Quatro questões são fundamentais nesta campanha, mas uma maquilhagem de quimeras pretende escondê-las: a primeira é como, queiramos ou não, se vai interpretar e fazer cumprir o que a TroiKa impõe como programa político, seja qual for o partido que ganhe as eleições; a segunda, é a questão dos quadros superiores da função pública, se continuam a ser nomeados por confiança política (com toda a perversidade que conhecemos) ou se irão ter uma carreira por mérito independente do governo; terceira, como se vai combater a corrupção (o maior cancro da democracia) que se alastrou através das consultorias, parcerias, revisões de preços, etc., etc.; quarta, como se vai pôr cobro à impunidade dos autarcas que dispõe de um cinturão de leis protectoras que tornam mais difícil prender um autarca corrupto do que esperar um milagre em Fátima.



O PS, o PSD e o CDS ignoram estas questões. O BE e o PCP querem outro paradigma de governação, mas não esclarecem como iriam pôr em prática o seu estado providência, sem o tornar numa coutada dos partidos como tem acontecido, descredibilizando essa concepção.

sexta-feira, maio 27, 2011

 

A campanha entrou na esquizofrenia

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A campanha eleitoral entrou na fase esquizofrénica. Não se percebe por que é chamada para a campanha a questão do aborto. É que nem consta das medidas da Troika. Se nada de importante para o futuro é debatido, então o melhor é seguir o exemplo do candidato brasileiro. Talvez se harmonize mais com o partido da sinceridade nesta campanha! Ora vejam:

quinta-feira, maio 26, 2011

 

Promover a educação dos sentimentos

Escrevi para o Semanário Grande Porto, o seguinte texto.


"Um vídeo, surgido no Facebook, não só revela imagens de uma violência brutal, como também uma “banalização do mal ” (como lhe chamou Hannah Arendt ) entre jovens dos 14 aos 16 anos. Duas miúdas agridem à chapada e aos pontapés na cabeça uma terceira, com o gáudio de um rapaz que filma as cenas.


Que sociedade estamos a criar? Que sentido terá para essas crianças o mundo, quando o mal, expresso em agressividade, domina os seus sentimentos e tolhe as suas capacidades racionais?


A violência, como o “bullying”, não é uma mera indisciplina. Está associada a desequilíbrios afectivos, ao baixo nível de tolerância, á dificuldade de auto-estima e reflecte problemas no meio familiar de insensibilidade social aos valores da dignidade pessoal, de ausência de referências morais, de respeito pelos outros, de capacidade de diálogo e, sobretudo, revela a falta de uma educação dos sentimentos.


É proverbial a acepção: “Diz-me em que sociedade vives e dir-te-ei como te comportas”.


A profunda crise económica e de valores submergiu a sociedade numa anomia que a colocou à deriva. O “salve-se quem puder” enfraqueceu a consciência colectiva que impunha padrões de conduta, promovia o auto-constrangimento e censurava os comportamentos perversos.


Neste contexto, o mal traduzido na violência entre crianças, espalha-se como um fungo.


É preciso contrariar este rumo, mas quem o poderá fazer? Dos políticos, pelo exemplo que todos os dias nos dão, pouco se espera; das famílias também não há, de uma forma geral, a esperar grande coisa: a maioria tem pouco tempo para estar com os filhos e outras estão desestruturadas ou com problemas disfuncionais gerados pelo desemprego, pobreza ou exclusão social. E a justiça ou não funciona ou chega tarde demais.


Só nos resta a escola. Só ela pode estar atenta a formas de pensar dos alunos que são influenciadas pelos seus sentimentos, desejos e emoções; descobrir, no insucesso da aprendizagem, as construções afectivas que os alunos projectam na sua relação com os professores e os colegas. Só ela pode promover a educação dos sentimentos, ensinar a problematizar a qualidade dos mesmos e a desconstruir as derivas obsessivas, egoístas e possessivas do afecto.


Mas como poderá a escola estar motivada para esse desígnio, se perdeu a autoridade, não tem autonomia e os professores viram amesquinhada a dignidade que lhes permitia exercer uma função social?


Esta questão deveria ser discutida nesta campanha eleitoral. Mas os partidos preferem pôr a funcionar uma cassete que repete estafadamente os mesmos argumentos do que rasgar um sentido para o Futuro".

segunda-feira, maio 23, 2011

 

Só falta legalizar a raiz genética!

No contexto da crise, a JSD tem uma grande sensibilidade aos problemas dos jovens. Quer o voto aos 16 anos. E têm razão: se a nomenclatura do bloco central já tem uma matriz genética (o pai transmite aos filhos os cargos políticos que recebeu), nada melhor que desde criança aprenderem os truques do sucesso nos aparelhos partidários. E a vida está difícil!

domingo, maio 22, 2011

 

Contra o embuste

A campanha eleitoral acabou de arrancar. Diz-se “campanha”, mas deveria dizer-se “propaganda enganosa”. Nenhuma ideia vai rasgar esperança na nossa vida, na vida de nossos filhos. Os slogans, as frases curtas, as insinuações, o espectáculo de arregimentar gente para condicionar voto está preparado, como se preparam as armadilhas para caçar ratos - neste caso, votos.


Somos tratados como imbecis sem capacidade para avaliar projectos, entusiasmar-se com causas, defender o que melhor serve o interesse da coesão social, o valor da solidariedade para com os que mais sofrem.

O que está em causa não são os valores da democracia, tal como ela foi pensada desde os gregos aos teóricos modernos. O que está em causa é a defesa das oligarquias que brotaram dos partidos.

Sem reformas dos partidos e do sistema político só nos resta votar contra o embuste, a desagregação social, a demagogia, a ausência de princípios, a verborreia do jogo sujo e do condicionamento pelos fantasmas.

Precisamos de mudança, de castigar quem não sabe fazer jogo limpo e é só isso que justifica o caminhar até ás mesas de voto nestas eleições.

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/legislativas-2011/ps-paga-apoio-com-refeicoes

sexta-feira, maio 20, 2011

 

Mais um debate...

Mais um debate, mais um número da cassete socrática. Agora vitimiza-se. Se Sócrates ganhasse as eleições eu ficava corado de vergonha. Sousa Tavares, na SIC, disse que Passos Coelho ganhou por 10-0.


No meu modesto entender, as questões fundamentais ficaram por esclarecer. Gostava que falassem nos mais de 60% da dívida engolida pela corrupção. Gostava que falassem da organização do estado, do modo como o poderão tornar num estado honesto e credível e não ladrão e sem credibilidade. É que a imagem do estado é configurada por quem governa. Gostava que tratassem de tudo o que já referi noutro post.


Também penso que Passos Coelho venceu o debate: não se deixou arrastar pela cassete socrática, foi mais acutilante, mais claro e o único que trouxe ideias e não uma cassete. Mas o debate não é, para mim, o grande problema do Estado português.

 

Voto contra o embuste

Por estas e por outras, já sei o meu sentido de voto: voto contra o embuste! Ora clique no OK.

 

Islândia como referência

Diz quem sabe: «preocupa muitos históricos do PS  não saberem como libertar-se de Sócrates. A corrupção é responsável por mais de 60% da dívida e a melhor forma de resolver o problema castratófico do País era fazer como fizeram na Islândia: «prender os responsáveis pela crise, correr com todos os políticos que estiveram no poder e criar uma gestão de homens competentes para governar o País. Isto não é feito e, seja qual for o partido que ganhe as eleições, vai ter de se confrontar com movimentos do tipo “15-M” que está a juntar milhares na “Puerta del Sol” e ameaça estender-se a toda a Espanha. A crise ainda vai bater mais no fundo!»

 

Que debates?!...

Já não aguento os debates. Não servem para se conhecer as propostas que, apoiadas em dados concretos, sirvam para responder à situação catastrófica em que nos encontramos: são feitos de taticismos e rodriguinhos que não interessam a ninguém.
Precisávamos de saber tanta coisa e tanta coisa fica sem resposta. Por exemplo: vão acabar as nomeações de directores gerais por confiança política? Vai ser criado um tecto de número de assessores por ministério? O que fazer ao desastre económico das parcerias público-privadas? Como criar políticas que criem condições para a independência dos jornalistas e dos meios de comunicação social? Que ideias há para pôr cobro ao facilitismo das escolas e esse embuste das “novas oportunidades” (mesmo com gente arregimentada para dizer o contrário)? O que é que se vai fazer a essa espécie de supermercado de diplomas que se tornaram muitas universidades privadas? Que vão fazer ao desperdício de dinheiros públicos absorvidos por institutos, fundamentações? Por que não é possível, com a lei em vigor, prender os autarcas corruptos? etc.


Ouvi o debate entre Porta e Louçã e Ferro Rodrigues e Fernando Nobre e senti que tinha perdido tempo. Neste último debate, Ferro Rodrigues reduziu os graves problemas do país a uma alteração na maneira de fazer estatísticas, o que é espantoso!


Naturalmente, todos defendem os pobres: o que, com Sócrates, mais há são pobres e são estes que mais votos dão!

quinta-feira, maio 19, 2011

 
http://www.youtube.com/watch?v=_gxm4sb_gUg&feature=related Ora ouçam o que diz Sócrates! Procura enervar Louçã e intimidar a entrevistadora? A sua jogada psicológica (preparada, naturalmente!) diz bem do interesse que Sócrates tem em debater seja o que for. Hoje Sócrates em campanha pergunta: «o que é que Passos fez por Portugal?» De facto, só sabemos o que Sócrates fez e isso, se os tribunais funcionassem, merecia o que todos nós sabemos.

quarta-feira, maio 18, 2011

 

A bola de neve do desemprego

A taxa de desemprego em Portugal já é, segundo dados oficiais, de 12,4% no primeiro trimestre de 2011. Quando o efeito de dominó das empresas de construção civil se fizer sentir, então o número atingirá valores terríveis. Os bancos, nomeadamente a Caixa Geral de Depósitos, paga milhões aos seus administradores. Os efeitos demonstram que nada justifica tais vencimentos: não souberam evitar a própria crise dessas empresas que agora também recorrem a empréstimos. Fica clara a “competência” dessa gente. A disparidade abissal de ordenados entre administradores e trabalhadores é um escândalo! E, a propósito, é curioso que o liberal sr. Mexia, administrador da EDP e promotor de debates sobre os benefícios do liberalismo, já defenda a não privatização da empresa. Será que teme o desemprego? Há quem diga que seguiu a vulgata dos administradores de “aviário”: para obter lucros despedem e recorrem a empresas de serviços cuja criação é estimulada por eles.

terça-feira, maio 17, 2011

 

Mais um debate.

Mais um debate e mais uma sondagem na perspectiva. Não sei o que dizer deste debate.

Passos Coelho foi melhor do que eu pensava e Louçã já o vi em melhor forma. Como muita gente faz destes debates um campeonato, para lhes fazer a vontade, vou deitar uma moedinha ao ar e a seguir digo quem ganhou.

 

os sofismas de Sócrates

Sócrates coloca-se ao nível de Avelino Ferreira Torres. Sempre que alguém criticava a sua gestão (de má memória), Avelino respondia que estava a insultar todos os marcuenses. Agora, Sócrates diz que Passos Coelho, ao dizer que o programa das Novas Oportunidades pretende “certificar a ignorância”, insulta 500 mil portugueses que o utilizaram.


Esquece Sócrates que qualquer diploma sem qualidade, como é o reconhecido caso das Novas Oportunidades, tem duas consequências: desqualifica quem o recebe e desperdiça dinheiros dos contribuintes com o “logro”.


segunda-feira, maio 16, 2011

 

Mais debate, mais um número de cassete

Não consigo entender o que leva os cidadãos sondados a darem, nas sondagens, a vitória a Sócrates. O Primeiro-Ministro, no debate com Jerónimo de Sousa, repetiu, repetiu, o que diz todos os dias, tratando quem o ouve como mentecapto. Põe a funcionar a cassete, nada discute e a nada responde. Para ele a crise só tem um momento: o momento da não aprovação do PEC. Diz que fez muitas reformas, mas ninguém descobre onde estão, nem conhece o impacto que tiveram na vida económica e social. Sabemos o contrário: humilhou os profissionais visados, desmotivou-os e levou a que milhares pedissem a sua aposentação antecipada. E não explicou os oitenta e muitos mil milhões de euros que contraiu de dívida. Faz apenas publicidade enganosa.


Devia haver um prémio de paciência para quem suporta ouvi-lo. Eu não consigo!

 

Memorando

Se quer ler o que assinaram em seu nome, consulte o blog: http://aventar.eu/ ou (http://aventar.eu/2011/05/06/traducao-do-memorando-do-acordo-com-a-troika-fmi-bce-ce-concluida/)

 

A casa da democracia não pode ser um bordel.

Quando me cruzo com conhecidos, um desabafo abre a conversa: «estamos tramados!» Continuando a conversa, vem de supetão: «são todos iguais, prefiro Sócrates aos outros».



Este raciocínio deixa-me estarrecido. Muita gente não tira conclusões do que manifesta como óbvio. E não adianta responder-lhes que, em política, os erros têm de ser pagos, que Sócrates, pelo seu percurso, tem todos os defeitos que abominamos, que vive do embuste e da propaganda, que é mais liberal que todos os liberais conhecidos, que não há democracia sem homens honestos ou que não há maior falta de dignidade cívica do que premiar quem nos desgoverna. Nada disto adianta. E olham para a dívida pública (duplicada por Sócrates) como se fosse um fatalismo da história.

Como poderemos defender a democracia, se desprezamos o que deveria constituir a sua substância, se nos falta o apego à honra e à dignidade de «ser democrata?»


Já tinha percebido que muitos cidadãos pensam a política como pensam as suas crenças religiosas ou a sua devoção futebolista. Mas nunca pensei que a “democracia” fosse vivida com o espírito de um bordel!

domingo, maio 15, 2011

 

O “violador” passava a violonista.

Foi notícia que Dominique Strauss-Kahn, presidente do FMI e líder do Partido Socialista francês foi detido em Nova Iorque, acusado de «agressão sexual e de tentativa de violação contra uma mulher de 32 anos, num quarto de um hotel».


Se fosse em Portugal, Dominique Strauss-Kahn nem precisava de negar os factos, como fez hoje.


O seu partido arranjaria um álibi: talvez anunciar que se tratou de um assassinato político armadilhado por interesses ideológicos ou partidários. E em tribunal a defesa acabaria por provar que não se tratou de uma violação, mas de um violão. E os meritíssimos, fazendo a interpretação factualista do caso, à luz da jurisprudência mais recente, concordariam e o violonista ia em paz.

sábado, maio 14, 2011

 

"Princípio da Reciprocidade"

Ninguém lembra à Senhora Merkel a forma como os 32 biliões de marcos da divida alemã foram resgatados, após a aventura paranóica do criminosos Hitler que teve o apoio do seu povo.


Talvez a fizesse pensar no acordo de Londres, em 1953, e evitasse não só a subida insuportável de juros imposta pela Alemanha (de3% para 5 a 6%) à divida de Portugal, contraída, sobretudo, pela irresponsabilidade socrática (acrescentou mais 82 mil milhões de euros à divida já existente), mas também na ingerência ideológica que o resgate da mesma promove em Portugal.

Não vejo nos debates discutir-se a subversão do modelo económico-social plasmado na nossa Constituição pelo programa da Troika (com despedimentos por inadequação que permitem a lógica do “trabalhador-descartável”, a redução de indemnizações, o aumento do desemprego e da pobreza, etc.).

Salvo o grupo de economistas de Coimbra, jornalistas, comentadores e políticos tomam como um dogma do politicamente correcto as medidas sociais impostas pela Troika.

A senhora Merkel, por respeito pelo “Princípio da Reciprocidade”, deveria ter em conta o que foi ponderado na divida alemã: juros e escalonamento do pagamento adequados às possibilidades de crescimento económico do pagador, sem afectar a justiça social. Podia, inclusivamente, lembrar-se de uma cláusula do acordo de Londres: impedir que voltasse a gerir os dinheiros dos contribuintes quem foi causador da dívida. É o direito à credibilidade do compromisso de pagamento.


Se esta cláusula fosse tida em conta, pelo menos, hoje, muitos de nós, olhando para as sondagens, não estariam com o coração nas mãos a pensar que o “crime” pode compensar.

 

Que justiça?!...

Foi preciso ler o texto de Francisco Teixeira da Mota, hoje, no “público”, para viver o sentimento de nojo que, em muitos portuenses, casou a absolvição do Dr. Vitória do crime de violação.

Joana, podia ser minha filha (ou filha de um desembargador da Relação), entrou em depressão, como muitas grávidas, e procurou um psiquiatra, confiante de que o médico respeitaria os princípios que jurara de tratar os doentes (hoje, mais clientes) com zelo, respeito e humanidade. Nada disso aconteceu: tudo valeu, desde forçar o sexo oral, para aquele paranóico com diploma de médico.

O relato de Francisco da Mota cria-nos não só revolta, mas também nojo pela absolvição, em segunda instância.

Pobre dos mais frágeis que pensam conseguir justiça nos Tribunais!

Não será regra geral, mas já há demasiados e chocantes casos.

 

Um texto de Chomsky que vale a pena ler e reflectir:

“Minha reacção ante a morte de Osama”

Poderiamos perguntar a nós mesmo como reagiríamos se um comando iraquiano pousasse de surpresa na mansão de George W. Bush, o assassinasse e, em seguida, atirasse seu corpo no Oceano Atlântico.
Fica cada vez mais evidente que a operação foi um assassinato planejado, violando de múltiplas maneiras normas elementares de direito internacional.

Aparentemente não fizeram nenhuma tentativa de aprisionar a vítima desarmada, o que presumivelmente 80 soldados poderiam ter feito sem trabalho, já que virtualmente não enfrentaram nenhuma oposição, excepto, como afirmara, a da esposa de Osama bin Laden, que se atirou contra eles.

Em sociedades que professam um certo respeito pela lei, os suspeitos são detidos e passam por um processo justo. Sublinho a palavra “suspeitos”.

Em abril de 2002, o chefe do FBI, Robert Mueller, informou à mídia que, depois da investigação mais intensiva da história, o FBI só podia dizer que “acreditava” que a conspiração foi tramada no Afeganistão, embora tenha sido implementada nos Emirados Árabes Unidos e na Alemanha.


O que apenas acreditavam em abril de 2002, obviamente sabiam 8 meses antes, quando Washington desdenhou ofertas tentadoras dos talibãs (não sabemos a que ponto eram sérias, pois foram descartadas instantâneamente) de extraditar a Bin Laden se lhes mostrassem alguma prova, que, como logo soubemos, Washington não tinha. Por tanto, Obama simplesmente mentiu quando disse sua declaração da Casa Branca, que “rapidamente soubemos que os ataques de 11 de setembro de 2001 foram realizados pela al-Qaida.


Desde então não revelaram mais nada sério. Falaram muito da “confissão” de Bin Laden, mas isso soa mais como se eu confessasse que venci a Maratona de Bosto. Bin Laden alardeou um feito que considerava uma grande vitória.


Também há muita discussão sobre a cólera de Washington contra o Paquistão, por este não ter entregado Bin Laden, embora seguramente elementos das forças militares e de segurança estavam informados de sua presença em Abbottabad. Fala-se menos da cólera do Paquistão por ter tido seu território invadido pelos Estados Unidos para realizarem um assassinato político.


O fervor antiestadunidense já é muito forte no Paquistão, e esse evento certamente o exarcebaria. A decisão de lançar o corpo ao mar já provoca, previsivelmente, cólera e ceticismo em grande parte do mundo muçulmano.


Poderiamos perguntar como reagiriamos se uns comandos iraquianos aterrizassem na mansão de George W. Bush, o assassinassem e lançassem seu corpo no Atlântico. Sem deixar dúvidas, seus crimes excederam em muito os que Bin Laden cometeu, e não é um “suspeito”, mas sim, indiscutivelmente, o sujeito que “tomou as decisões”, quem deu as ordens de cometer o “supremo crime internacional, que difere só de outros crimes de guerra porque contém em si o mal acumulado do conjunto” (citando o Tribunal de Nuremberg), pelo qual foram enforcados os criminosos nazistas: os centenas de milhares de mortos, milhões de refugiados, destruição de grande parte do país, o encarniçado conflito sectário que agora se propagou pelo resto da região.

Há também mais coisas a dizer sobre Bosch (Orlando Bosch, o terrorista que explodiu um avião cubano), que acaba de morrer pacificamente na Flórida, e sobre a “doutrina Bush”, de que as sociedades que recebem e protegem terroristas são tão culpadas como os próprios terroristas, e que é preciso tratá-las da mesma maneira. Parece que ninguém se deu conta de que Bush estava, ao pronunciar aquilo, conclamando a invadirem, destruirem os Estados Unidos e assassinarem seu presidente criminoso.

O mesmo passa com o nome: Operação Gerônimo. A mentalidade imperial está tão arraigada, em toda a sociedade ocidental, que parece que ninguém percebe que estão glorificando Bin Laden, ao identificá-lo com a valorosa resistência frente aos invasores genocidas.

É como baptizar nossas armas assassinas com os nomes das vítimas de nossos crimes: Apache, Tomahawk (nomes de tribos indígenas dos Estados Unidos). Seria algo parecido à Luftwaffe dar nomes a seus caças como “Judeu”, ou “Cigano”.

Há muito mais a dizer, mas os fatos mais óbvios e elementares, inclusive, deveriam nos dar mais o que pensar.

Por Noam Chomsky* , no Guernica Magazine, 09/05/2011

Como sabem, Noam Chomsky é professor emérito do Departamento de Linguística e Filosofía del MIT. É autor de numerosas obras políticas. Seus últimos livros são uma nova edição de “Power and Terror”, “The Essential Chomsky” (editado por Anthony Arnove), uma coletânea de seus trabalhos sobre política e linguagem, desde os anos 1950 até hoje, “Gaza in Crisis”, com Ilan Pappé, e “Hopes and Prospects”, também disponível em áudio.


sexta-feira, maio 13, 2011

 

Debate entre Passos Coelho e Paulo Portas.

No debate, hoje, na SIC, entre Passos Coelho e Paulo Portas nada de surpreendente aconteceu. Paulo Portas elegeu como “lugar de preferível” (como se diz em teoria da argumentação) o repetir até à exaustão que é “muito coerente”, que “fala verdade”, que tem “a melhor equipa”, etc., etc. Não sei se isto pega no auditório. É que para estes truques de manipulação do auditório há um ditado muito antigo que diz:”elogio em boca própria é vitupério”. E já chateia tanto gabanço a si mesmo e ao seu partido.

Todos sabemos que só há um programa, o da Troika. Passos Coelho é nisso o mais coerente.
Estes debates fazem-me lembrar aquele velhinho poema:

Palram pega e papagaio,
E cacareja a galinha;
Os ternos pombos arrulham,
Geme a rola inocentinha.

Muge a vaca, berra o touro,
Grasna a rã, ruge o leão
O gato mia, uiva o lobo,
Também uiva e ladra o cão.

Relincha o nobre cavalo,
Os elefantes dão urros,
A tímida ovelha bala,
Zurrar é próprio dos burros.
Etc.


 

O "crime" compensará?

Escrevi para o SEMANÁRIO GRANDE PORTO, o seguinte texto:

O “crime” compensará?

Paradoxalmente, este período pré-eleitoral, em vez de servir para clarificar os problemas do País, está a contribuir para confundir os eleitores, não se discutindo as verdadeiras causas duma crise que a todos atormenta.


Há três ideias centrais que estão presentes nos tratados clássicos sobre o bom-governo: o bom-governo é o que diminui o sofrimento dos que mais sofrem; não há desenvolvimento social (condição do estado social) sem crescimento económico; sem a poupança compatível com os recursos necessários ao financiamento dos investimentos não é possível o crescimento económico.


Naturalmente, quando os responsáveis pela gestão da “coisa pública” gastam mais do que o País produz, necessariamente têm de procurar nas instituições financeiras o dinheiro que lhes falta. E, como “em economia não há almoços grátis”, os empréstimos significam endividamento que gera perda de soberania e empobrecimento: os juros multiplicam a dívida e provocam o recurso ao aumento da carga tributária que, por sua vez, penaliza a qualidade de vida dos cidadãos e asfixia o crescimento económico.

Estas ideias têm sido desprezadas pela falta de sentido de Estado dos que geram os dinheiros públicos. Eles sabem que o povo gosta de “pasmar” com obras e, sem qualquer preocupação com uma ética da responsabilidade (avaliar consequências), fazem-lhe a vontade com investimentos que agradam à vista, servem os interesses da propaganda política, mas não constroem um Futuro melhor.

Foi com esta lógica que os governos de Sócrates aumentaram para o dobro (mais 82,9 mil milhões de euros) a divida pública que receberam, fazendo com que ela, hoje, atinja cerca de 160 mil milhões de euros. E não pega o embuste de culpar a crise global.

Foi também com essa lógica que, segundo dados de 2008, as autarquias se endividaram em 71 mil milhões de euros. Há, no entanto, uma excepção que, sem preconceitos ideológicos ou fanatismos partidários, deve ser enaltecida. Apesar de ter recebido uma pesada dívida, em grande parte associada às despesas com o Euro 2004 (que tantos elogios deram aos autarcas que o antecederam), Rui Rio conseguiu, em 2010, com menos receitas, reduzir a divida em 4,3 milhões de euros. E, por isso, há quem diga que era o melhor primeiro-ministro para esta situação de bancarrota.


Se a preocupação de Rui Rio fosse seguida por todos os autarcas e pelo Governo, a falta de sustentabilidade financeira do País não acabaria por rebentar em cima dos mais frágeis nem hipotecaria o futuro dos nossos filhos e dos nossos netos.


E o mais confrangedor é que nós, com o nosso voto, não só não soubemos acautelar os seus direitos, como parece que nos preparamos para dar um triste sinal aos políticos: o de que o “crime” compensa!

terça-feira, maio 10, 2011

 

Mais um imposto deferido ao longo de longos e horríveis anos.

Afinal os juros dos 78 mil milhões de euros “emprestados” para resgate da dívida pública que subiu para o dobro com os governos de Sócrates (mais 82,9 mil milhões de euros) são feitos com juros entre 5,5% e 6%. Significa que a dívida aumentou astronomicamente. Mais um imposto deferido ao longo de muitos e horríveis anos.


Dizem as sondagens que o crime compensa.

 

O crime parece compensar.

Só desde Novembro, a Procuradoria-geral da República recebeu 794 queixas de corrupção e fraudes que, na sua maioria, visam o sector público. Este número só sublinha a ideia de que a impunidade não é contrariada. E há quem calcule que cerca de 60% da nossa divida pública (160 mil milhões de euros) tem origem na corrupção.


Serão as gerações futuras, as que não estão cá para pedir responsabilidades pelos desvios e gestão danosa dos dinheiros dos contribuintes que mais serão penalizados.


E nós, levados pelas estratégias de luta pelo poder dos partidos e pelos jogos de ilusões da campanha eleitoral, será que vamos permitir que o crime compense?


É preocupante que se alastre a ideia de que todos são culpados e de que todos só querem, mesmo na bancarrota, o poder.

segunda-feira, maio 09, 2011

 

Feira do Livro no Marco

Ontem estive, com o Prof. Dr. Mota Cardoso, no Marco de Canaveses a apresentar, na Feira do Livro, o meu livro “Horizontes da Ética para uma cidadania mais responsável”.


Nas gestões anteriores da Autarquia nunca se fizera uma iniciativa cultural deste género. E, para além da importância que reconheço à iniciativa, sou amigo do actual Presidente da Câmara que considero uma pessoa honesta e rompeu com uma administração desastrosa e com uma imagem degradante do Concelho. Estas razões e o facto de ser do Marco, onde fui Presidente da Direcção dos Bombeiros e Presidente do Primeiro e único Conselho Municipal, justificavam sentir-me honrado com o convite que me foi feito pelo Dr. Manuel Moreira (Presidente da Câmara).


Estranhei que os meus amigos de esquerda não tivessem aparecido.


Gostava de estar com eles. Tenho dificuldade em aceitar que a ausência dos meus amigos se deva a um fundamentalismo político. Também não precisavam de comprar o livro.

quinta-feira, maio 05, 2011

 

A impunidade tornou-se numa "vitória".

Querem-nos fazer crer que a troika caiu entre nós como o granizo ou a trovoada. E todos, PS, PSD e PS, cantam vitória.

Ninguém denuncia as causas, ninguém se refere ao desgoverno que nos levou a um empobrecimento, à corrupção que levou cerca de 60% da dívida, aos boys, administradores de empresas públicas falidas com ordenados milionários, institutos, etc, que foram “comendo” o dinheiro dos contribuintes e ninguém se refere ao facto de termos um primeiro ministro que orientou a governação com a mesma ligeireza com que se engenheirou.

A esquerda, PC e BE contestam as medidas da TroiKa, parecem culpar quem nos “desenrasca” mais do que quem nos enrascou, olham para a árvore e desprezam a floresta, entretêm-se com elaborar propostas que sabem que ninguém as aplicará

Todos os roubos, desperdícios, megalomanias, propaganda enganosa, etc, vai ficar impune. E pedem-nos que votemos na impunidade, em quem não vai às causas desta tragédia para responsabilizar criminalmente quem a causou.

Cada partido pede-nos que lhe entreguemos o voto e colocam-nos a cenoura à frente!

Estamos entregues á “bicharada”!


terça-feira, maio 03, 2011

 

Temos de exigir responsabilidade!

Acabei de ler e assinar esta petição online. Suponho que também estará interessado em assiná-la.

Pretende levar José Sócrates a tribunal por gestão danosa dos dinheiros públicos.

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N9288  

Pessoalmente também acho que a Sra. Maria Lurdes Rodrigues por danos morais

irreparáveis infligidos a toda a classe docente deste país!

concordo com esta petição e acho que também vais concordar.

Se concordas, subscreve a petição aqui http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N9288

Faça partilhar, por favor.

domingo, maio 01, 2011

 

A corrupção tem causas!

João Cravinho descobriu o que toda a gente sabe: «a Administração Pública está «infiltradíssima por lobbies e clientelas responsáveis pela corrupção do Estado», defendendo, por isso, que «é necessário despartidarizá-la».


Olhem o exemplo de Itália: tem uma administração pública profissional e o Berlusconi de lá não consegue fazer o que por cá se faz. O facto de uma mudança política levar a mudança de directores gerais, em nome da falácia da “confiança política”, fez com que sessenta e tal por cento da dívida, em Portugal, se suspeite ser contraída por gestão danosa ( para não ir mais directo ao assunto)

 

Pelo mesmo preço conseguia-se dois ou três primeiro-ministros que nos enganavam menos!

As despesas do Primeiro Ministro que nos ficou mais caro depois do 25 de Abril.

No total é um gasto médio diário de 11.391,00 € ..

http://ironiadestado.wordpress.com/2011/04/19/despesas-diarias-de-socrates/

 

Primeiro de Maio: dia de luta e de luto

Hoje, o 1º de Maio faz lembrar o contexto da vida dos trabalhadores no sec. XIX.

Também, hoje, temos uma “Questão Social”, manifestada por uma injustiça social responsável por uma “miséria imerecida”, como lhe chamou o Papa Leão XIII.


Também, hoje, de forma imoral, se desenvolveu um sistema que tornou o lucro mais importante que o trabalho e o “estado-social”, de que tanto fala Sócrates parece que apenas providenciou pelos seus apaniguados mais chegados.


Também, hoje, uma profunda “miséria imerecida” que se vai configurando num desemprego galopante, na diminuição de salários, reformas e num brutal aumento de impostos, revelando uma crise sem paralelo depois do 25 de Abril.


Também hoje, no Governo de Sócrates, um darwinismo social foi tornando os pobres cada vez mais pobres e em maior número e os ricos cada vez mais ricos e em menor número.


Neste contexto, o Primeiro de Maio, que agora comemoramos, é mais de luta e de luto que de festa.


Temos de responsabilizar criminalmente este Governo de gestão danosa.


Temos de ser solidários na luta por um Portugal socialmente mais justo e, consequentemente, exigir as reformas, sobretudo dos partidos, que promovam a possibilidade de escolhermos políticos de mérito, capazes de darem um sentido moral (servir o bem-comum) à gestão dos dinheiros dos contribuintes e se orientarem por princípios e com sentido de Estado..


VIVA O PRIMEIRO DE MAIO!


VIVA A LUTA DOS TRABALHADORES!
http://www.youtube.com/watch?v=f4YWM8frfQk (Quem se lembra deste PS? Incomensuravelmente distante de Sócrates & companhia)

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