quinta-feira, março 31, 2011

 

«A crise e a ausência de esperança

Escrevi para o Semanário Grande Porto o seguinte texto:


«No diálogo entre Sócrates (o Filósofo) e Górgias, que Platão transcreve com o nome do sofista, é questionado o valor ético-político da retórica.


Nesse texto, podemos encontrar, curiosamente, duas ideias que se podem aplicar à crise económica e social que, hoje, vivemos.


Por um lado, ficamos a saber que o desenvolvimento da retórica, como arte de construir argumentos com o objectivo de fazer acreditar em ilusões, provocou a decadência de Atenas e o desmoronamento das convicções ideológicas; por outro lado, o direito ao uso da palavra significou a primeira expressão da democracia.


Na verdade, não há democracia sem direito ao uso da palavra. Por que será, então, que a democracia (único regime que se opõe à tirania) se desmorona com o que faz parte da sua essência -- a retórica?


Platão, no “Górgias”, dá-nos uma explicação: a construção de argumentos obedece a regras, nomeadamente ao princípio da não contradição, e está aberta à refutação ou, como outros dizem, ao contraditório.


Uma retórica que se transforma apenas numa técnica de simulação, que pretende esconder a verdade com insinuações, que não se sujeita as regras do debate nem ao contraditório, é uma deriva da manipulação e da propaganda. Visa apenas impor um pensamento único e rompe com o contrato que pressupõe o pluralismo no exercício do debate democrático.


Além disso, a vida de uma comunidade exige a promoção de sentimentos de confiança entre instituições, agentes políticos e sociedade civil; e nenhuma crise económica ou social poderá ser resolvida sem a convergência de esforços gerada pela coesão social.

A crise que todos nós sentimos já não é só o resultado da má gestão do governo, nem da crise mundial: é também a consequência de uma forma de fazer política que perdeu o sentido do rigor e do serviço público. E esta ligeireza enraíza no facto dos partidos se tornarem grupos de interesses, onde predomina o caudilhismo, a ausência de regras e a falta de debate. Ora, nada disto pode gerar lideranças fortes e com sentido de Estado.

Com tais condições, o pensamento único, o economicismo, como perspectiva única de encarar os problemas, não abre espaço a formas mais justas de resolver a crise e promover desenvolvimento económico.

A inflação e o desemprego crescem assustadoramente, o País vai-se endividando e para pagar as suas dívidas impõe impostos de forma desumana e, por vezes cruel.

Haverá daqui a poucos dias novas eleições, mas o receio de uma alternância, sem mudanças nas políticas que propiciem um BOM-GOVERNO (que diminiu o sofrimento dos que mais sofrem), vai criando nos portugueses o desespero e a descrença nas instituições e tornando o Futuro das novas gerações cada vez mais negro».

 

Contas públicas: é um descalabro!

Tal como já há tempos aqui tinha referido, agora, o sociólogo António Barreto também sublinha o mesmo: a crise político foi provocada por mais um “chico-espertismo” de Sócrates. Percebeu que não podia governar sem o recurso ao FMI, provocou a saída do governo para se vitimizar e se apresentar aos eleitores como um D. Sebastião traído.


Entretanto, os buracos nas finanças públicas vão surgindo ás catadupas: como refere o DE, o INE acaba de revelar que o défice de Portugal ficou em 8,6% no ano passado, acima do limite de 7,3% estabelecido pelo Governo.


É um erro colossal a oposição não pedir uma auditoria às contas públicas.Sócrates propagandeou um défice de 2,2% para o final do ano. Mas quem acredita nisso?!... E são sempre os mesmos a pagar a crise provocada pelos ordenados milionários de gestores públicos, esbanjamento em estudos de obras faraónicas que foram para o lixo (aeroporto da OTA, etc.,) e falta de rigor nas parcerias público-privadas, etc., etc.

quarta-feira, março 30, 2011

 

Estamos todos à "rasca".

O governo foi-nos endividando e os valores alcançam, agora, a média de 48 milhões de euros por dia.


Entretanto, a “Geração à Rasca” no desemprego, entre os 15 e os 25 anos, na Região Norte, já ultrapassa os 25%,3, correspondendo a 251 mil desempregados.

Bem, como de costume, para o Instituto de Emprego e Formação Social são menos: são apenas 238 mil.

Esperamos que na hora destes jovens serem chamados a colocar o voto na urna se lembrem de quem contribui para a sua situação no mercado de trabalho.

 

Quatro notícias que merecem reflexão:

O juros da dívida pública a cinco anos já ultrapassam 9% .

Nenhuma reforma da máquina do Estado foi feita com consequências (avaliadas) na redução da despesa dos dinheiros público


O Estado gasta 12,7 milhões em programa que integra apenas 61 desempregados por ano


O Golf goza de uma diminuição nos impostos, enquanto as pensões descem nas pessoas com menos rendimentos.

segunda-feira, março 28, 2011

 

Parabéns Souto Moura

Segundo o "Sol", «o arquitecto português Eduardo Souto de Moura foi esta segunda-feira declarado vencedor do Prémio Pritzker 2011, o mais alto galardão da área, que constitui uma espécie de 'Nobel da Arquitectura'.


No anúncio do prémio o júri referiu o estádio do Braga como uma das principais obras do arquitecto e enalteceu a sua capacidade para misturar nos seus projectos características opostas, tais como poder e modéstia, ou bravura e subtileza».


Os meus parabéns. Ainda me lembro do tempo em que andava na Faculdade de Belas Artes, aqui na Avenida Rodrigues de Freitas.

domingo, março 27, 2011

 

A crise ainda é maior na transparência.

A crise faz-nos lembraro as prostitutas. Vai para a cama com quem lhe paga.

O Governo aumentou os montantes que podem ser gastos por ajuste directo e sem concurso público.


Ministros, autarcas e directores-gerais, a partir de Abril estão autorizados a gastar mais dinheiro, por ajuste directo. No caso dos presidentes de câmara, o montante pode chegar aos 900 mil euros (até agora o máximo era 150 mil).


Se houvesse moralidade, tal lei nunca seria publicada. Ela acaba com o mecanismo do concurso público e, por isso, da concorrência e da diminuição dos custos, já não falando da sua transparência. Isto favorece o amiguismo, a dependência dos prestadores de serviços e lança a suspeita se os favorecidos não terão de acrescentar aos custos o que vão dar por fora (para campanhas eleitorais ou outras)


É uma lei que nada tem a ver com o espírito de resolução da crise, favorece a ligeireza nos gastos com o dinheiro dos contribuintes e não estimula a luta contra a corrupção.

 

Eleições e eleições

Godinho Lopes ganhou as eleições do Sporting, mais renhidas dos últimos tempos, com cerca de 36,55%, que corresponde a 33275 votos. Sócrates também as venceu no PS com 93,3% dos votos, contabilizando 26.713 votos.

Só ninguém percebe, por que Sócrates não obteve 100%. Na Albânia foi assim!


sexta-feira, março 25, 2011

 

Só dão a palavra aos carrapatosos.

O Dr. Carrapatoso, um liberal de respeito, administrador da Vodafone, formado pela U.C., propõe que os funcionários públicos (e não ele que ganha milhões) percam o 13 mês para ajudar a resolver a crise.


É pena que o Dr. Carrapatoso, na sua “generosidade patriótica” faça dos problemas do Estado os problemas dos funcionários públicos e se esqueça que para a sua formatura os funcionários públicos também contribuíram com os seus impostos com que o estado subsidiou a Universidade, onde o Senhor da Vodafone se formou com tanto “brilharismo” patriótico.


E é pena também que, andando pela U.C., não tenha lido a encíclica de Leão XIII, “Rerum Novarum”, onde o Papa escreve: «o trabalhador não pode ser tratado como mero instrumento financeiro, mas de harmonia com a sua dignidade e pagando-lhe um salário justo».


Por que será que, em tempos de crise, dão tanto tempo de antena a estes carrapatosos?!...

 

A "armadilha"

E se for verdade que Sócrates, ao ser obrigado a ter de recorrer ao FMI, terá preparado uma armadilha à oposição com a cena do PEC4 apresentado em Bruxelas antes de ser debatido em Portugal?


Tudo levava a crer que Passos Coelho se iria contradizer e, com isso, muitos sociais-democratas farão como muitos socialistas e votarão em branco.

Será que Sócrates se substitui a Sócrates? É um horror!

Estes senhores preocupam-se mais com os seus interesses do que com o País. Antes que seja tarde subscrevam a petição:http://www.peticaopublica.com/?pi=JBM   


quinta-feira, março 24, 2011

 

Um legado estranho.

Como é público e notório, Sócrates, Secretário-geral do PS e Primeiro Ministro, com as suas trapalhadas na Cova da Beira, na licenciatura, no Freeport , no diz uma coisa e faz o seu contrário, na governação e nos ter deixado praticamente na bancarrota, conseguiu o que mais nenhum partido, nem o Partido Nacionalista, tinha conseguido: reabilitar Salazar.



É confrangedor pensarmos que há militantes do PS a quererem reelegê-lo no próximo Congresso do PS.


quarta-feira, março 23, 2011

 

Ainda não é o fim do mundo: é só o princípio

Daqui por alguns anos que imagem restará de Sócrates?!...


Não ficará como um corredor de fundo, muito menos como um menino de ouro, nem sequer como um governante.

Falar-se-á de um chico-espero, com a lábia de um disco partido, um curso terminado por fax e casos muito mal explicados, como o do Freeport.

Como será a vida dos portugueses no pós-socratismo?

Não será uma vida côr-de-rosa, mas também ninguém sabe de que côr será.

Tudo depende dos eleitores, mas muitos deles, têm como referência o chico-espertismo: não gostam de Sócrates, mas gostavam de ser como ele.


O socratismo não só esvaziou os cofres do estado, mas também abriu um vazio na consciência moral colectiva, esvaziando a ideia de dignidade, de solidariedade e de sentido de Estado ou de bem-comum.


No entanto, isto ainda não é o fim: é só o princípio!

 

A semântica foi o tudo e o nada

No debate na Assembleia da República sobre o PEC4 aconteceu o inexplicável: o Primeiro-ministro deixa a oposição a falar sozinha e, pouco depois, o Ministro das Finanças fez o mesmo. Talvez não seja inexplicável: este governo sempre demonstrou falta de sentido de Estado.



O Governo de Sócrates caiu, já não governava. Na verdade, nunca governou: obedecia ao lobo mau.


Agora, vitimiza-se e diz que o lobo mau não é a Merkel, mas o FMI.


A semântica é o alfa e o ómega deste governo socrático: é o seu tudo e o seu nada

A gora só esperamos que o Presidente da República acautele a imprudência que aconteceu com a queda do Governo de Guterres: dissolva a Assembleia da República. Se não o fizer, muitos boys ficarão com o emprego garantido e novos Freeports surgirão.

terça-feira, março 22, 2011

 

No dia da água


Símbolos e imagens da água


O Inverno é a estação do frio, das chuvas, do nevoeiro, da neve e do gelo. Substancialmente, é a época da água.


Nesta altura, a água é abundante e, como estamos marcados por uma visão mercantilista da vida, só o que é escasso ganha valor. Mas os místicos, os poetas, os artistas e os filósofos sempre acharam que a lei da oferta e procura não determina o que é fundamental. Foram, por isso, os primeiros a descobrir na água a força simbólica que precisavam para dar sentido ao envolvimento do homem no mundo.

O sentido parte do homem e a relação do homem com a água é tão estreita que, sabemo-lo hoje, ela é o constitutivo fundamental da sua própria vida.

Desde as civilizações mais remotas, foi conferido à água um duplo significado: uma vezes, simbolizava a morte e o sofrimento; outras, a vida e a alegria. A água esteve, por isso, associada ao que há de mais humano no homem e marcou a sua própria história.


Nas narrações míticas, as águas tenebrosas do mar eram habitadas por um estranho monstro, o Leviatã. Hobbes aproveitou esta imagem para falar da «guerra de todos contra todos» gerada pelo individualismo possessivo do estado natural. Também Camões se serviu do horrendo Adamastor para ligar o infortúnio amoroso ao naufrágio e falar dum «medonho choro». E, mais recentemente, a poeta do Livro das Mágoas, Florbela Espanca, irmanou no mesmo destino os olhos e o sofrimento: «Irmãos na Dor, os olhos rasos de água/ chorai comigo a minha imensa mágoa».


As fontes de água são também símbolos de vida, esperança e alegria. Logo no início do livro do Génesis diz-se que «Deus era levado sobre as águas» e no Evangelho de S. João a água é fonte de vida eterna «Mas a água que eu lhe der, virá a ser nele uma fonte de água , que jorre para a vida eterna».


Nas reflexões profanas, a água também é considerada como fonte da vida. Tales de Mileto considerou-a o princípio de todas as coisas e os alquimistas que procuravam o elixir da longa vida e a pedra filosofal pensavam que a água era um dos quatro elementos constitutivos da matéria. E é a descoberta dos elementos que compõem a água (oxigénio e hidrogénio) que faz de Lavoisier o criador da química moderna.


No Direito, a água é um bem imobiliário: águas públicas, particulares e territoriais. E quando falamos de transparência ou limpidez é sempre a água que serve de fundo a um horizonte de sentido. Assim acontece com as coisas puras e cristalinas e esta foi sempre a melhor imagem da própria água.

 

Precisamos de lutar contra a corrente.

Ontem estive no “Prós e Contras”. Sobretudo gostei de ouvir falar sobre os problemas das cidades do Porto e de Lisboa.


Temos, hoje, de encarar a qualidade de vida das cidades com outro paradigma que conjugue ambiente, mobilidade, habitação, lazer e cultura com o bem-estar dos munícipes.

Sobre o debate acerca da situação actual, já me cansa ouvir os políticos culpar os outras pelo descrédito que eles próprios cavaram.

Estou convencido que nenhuma reforma será possível, nenhuma crise será ultrapassada, sem uma profunda reforma dos partidos e do sistema político.

Os partidos desenvolveram a cultura do chico-espertismo e do novo-riquismo e tornaram-se organizações de defesa de uma oligarquia medíocre que tomou conta deste País.

O sistema político não está organizado para promover a cultura do mérito nem possibilita um controlo pelos eleitores das decisões no parlamento e muito menos possibilita que o voto tenha um sentido: votamos em partidos e não em quem gostávamos que nos representasse na Assembleia.

Precisamos dum sistema eleitoral que estimule a participação dos cidadãos, motive o voto, consagrando o voto uninominal e dando consequências ao voto em branco.


Bastava que o voto em branco, na distribuição proporcional, contasse como se se tratasse de voto numa “não-representação”.


Neste sentido, a percentagens de votos em branco corresponderia a cadeiras vazias no Parlamento.


Reivindicando essa resolução, coloquei em site a seguinte petição:

http://www.peticaopublica.com/?pi=JBM

segunda-feira, março 21, 2011

 

Uma excepção para fazer guerra.

Sempre fui contra a guerra e contra ela me bati, quando estivemos envolvidos numa guerra colonial. Mas sempre os pacifistas admitiram uma excepção: a necessidade de fazer guerra aos ditadores. Acontece, agora, com Kadhafi e deveria acontecer com outros ditadores que enxameiam o mundo, nomeadamente o continente Africano.


A guerra gera não só sofrimentos terríveis, como mentiras colossais. Diz o historiador Alexandre Koyré que a mentira é a arma mais poderosa da guerra. Há técnicas de impor a mentira: umas vezes faz-se pela propaganda; outras, pela manipulação e, ainda, há a mentira pelo silêncio. Não se sabe quantos milhares de seres humanos terão sido mortos às mãos sanguinárias de Kadhafi, mas kadhafi propagandeia as dezenas de mortes que, segundo ele, terão sido causadas pelos bombardeamentos que tem sofrido.


A verdade fica por se saber! Só uma coisa é certa: é preciso banir os ditadores do mundo

sexta-feira, março 18, 2011

 

Basta!...

Já me repito: estou farto de ouvir Sócrates acusar a crise global de provocar uma crise nacional. Toda a gente sabe que isso não é verdade.

A crise em Portugal é sobretudo de má gestão governativa e os custos dessa crise não estão a ser distribuídos equitativamente por todas as classes sociais. Também toda a gente sabe que o crescente aumento de impostos atrofia o desenvolvimento económico e com a asfixia das pequenas e médias empresas não há riqueza a crescer, não há produção a desenvolver-se, e não é possível resolver o problema enorme da dívida externa.



Todos os reformados já viram a sua reforma diminuída, não admira que o deficit interno esteja a diminuir (não podia ser de outra forma).

Levanta essa pseudo-bandeira para dizer que o seu Governo está no bom caminho e ameaça que a crise da queda dos “tachos” levará à vinda do FMI. Mas ele já cá está há muito tempo. Usa essa falácia para obter um efeito de boomerang: entende que do resultado da sua argumentação dependerão muitos votos a seu favor e, por isso, quer ser vítima da oposição e colocar o País na mesma situação.

Mas já estamos cheios destes malabarismos retóricos. A única coisa que queremos é que Sócrates vá fazer outra coisa qualquer: vender sabonetes, automóveis, seja o que for.


Estou farto desta demagogia. Sei que este PSD não gera confiança, mas estou farto deste Sócrates e como dizia alguém, que sabe do que fala, o PSD tem gente com mais sentido de Estado.


Qualquer outro governo é melhor do que este.


Basta!

segunda-feira, março 14, 2011

 

Contextos semelhantes



Ouvi Sócrates a perorar. Lembrei-me logo deste Senhor. É certo que entre este Senhor e Sócrates há uma diferença abissal. Ele era culto, um bom profissional de direito e tinha convicções (com as quais nunca estivemos de acordo), enquanto Sócrates só veste bem. Mas os contextos são muito semelhantes.

 

Precisamos que algo mude, mas que o essencial não fique na mesma.

A greve dos camionistas, a manifestação da “geração à rasca” e o que se vê e ouve nas ruas, nos autocarros e nas conversas de café é que já não aguentamos mais sacrifícios que este desgoverno nos impõe.


A estabilidade que pede Assis para manter esta situação podre assemelha-se a um funeral.


Entre esta crise de PEC(s) que tornam os pobres mais pobres, é, hoje notícia, que a Assembleia da República vai gastar mais dois milhões de euros com pessoal do que no ano passado. Isto é, para além de um escândalo e de uma insensibilidade, uma provocação revoltante.


Hoje, Passos Coelho vai discutir com o Presidente da República a situação do País. Prevê-se que este Governo socrático gastador, palrador e sem sentido do bem-comum vai cair.

Ninguém ficará com saudades, a menos que seja um dos boys que se sentou, sem pedir licença, na mesa do orçamento. Mas, quem leu as medidas que Passos Coelho pretende desenvolver para resolver a crise do País, não pode ficar entusiasmado.

Não, porque não sejam necessários sacrifícios, mas porque esses sacrifícios não obedecem a um princípio da equidade, continuando a cair sobre os mesmos: a precariedade resolve-se com mais precariedade, o desemprego com a abertura ao salário de escravo. Tudo isto apoiado no sofisma que “mais vale estar a ganhar algum do que desempregado”.


A dignidade do ser humano não está, com Passos Coelho, defendida e essa é a primeira obrigação do Estado de direito.

Suspeitamos que a máquina gordurosa do Estado vai continuar ao serviço duma oligarquia que apenas muda de cor e é isso que não nos deixa entusiasmados com uma mudança que todos quereremos.

Estamos fartos de sentir que o nosso País é só de alguns, os banqueiros e empresários do bloco central, os seus ventríloquos com voz nos meios de comunicação, os economistas e comentadores úteis ao sistema.

domingo, março 13, 2011

 

Há solidariedade e solidariedade.

O raciocínio dos “chicos-espertos”, que se dão como comentadores políticos, é este: «tem de haver uma solidariedade entre todos: os que têm empregos para sempre têm de aceitar perder os seus direitos e abrirem espaço aos mais novos, compreendendo que a flexibilidade e a precariedade têm de ser para todos».

(Naturalmente, menos para eles! A fasquia deve sempre descer nos mais frágeis, nos que menos têm)


Mas como o direito ao trabalho é um direito natural (o que não acontece com o ser milionário), não percebo por que não situam a sua lógica de solidariedade num outro plano: os que têm milhões por solidariedade deveriam dividir as suas fortunas com os que menos têm e, para isso, bastava que pagassem os impostos por aqueles que pouco ou nada têm.


Era uma forma de solidariedade e de justiça (muitos pobres são precisos para fazer um rico. Consequentemente, seria justa que se entregasse directa ou indirectamente aos pobres o que lhes foi retirado), respeitando-se as conquistas civilizacionais que marcam a diferença entre o progresso dos direitos humanos e sociais da barbárie.

sábado, março 12, 2011

 

Provocar reformas!

A manifestação da “Geração à Rasca” trouxe à ribalta a falta de qualidade dos políticos e do seu interesse pelos problemas dos cidadãos.

Não só porque entre eles há muitos ignorantes que só sabem repetir até à exaustão o blá…blá… dos seus “chefes”, mas também porque são fechados nos seus interesses de carreirismo político. Por isso, são incapazes de terem espírito crítico em relação às decisões que têm consequências nas gerações futuras, como o despesismo na máquina do estado para servir clientelas e as parcerias público-privadas nas construções faraónicas.


Não é fácil mudar este modo de fazer política (esta cultura) sem as reformas nos partidos. Mas, paradoxalmente, esse modo de fazer política é o principal reactor a qualquer reforma do sistema político-partidário.


Também não é possível procurar alternativas partidárias que façam reformas. Os partidos, no seu funcionamento, são todos semelhantes e todos aspiram às mesmas coisas


Só o voto em “branco com consequências”, obrigaria a romper o ciclo vicioso do funcionamento partidário. Bastava que a sociedade civil obrigasse a aprovação de uma resolução que contabilizasse o voto em branco, na distribuição proporcional, como se se tratasse de voto numa “não-representação”.

Neste sentido, a percentagens de votos em branco corresponderiam a cadeiras vazias no Parlamento.

Reivindicando essa resolução, coloquei em site a seguinte petição:

 http://www.peticaopublica.com/?pi=JBM  


Já reparou o impacto que teria abrir uma Assembleia com 10% de cadeiras vazias?!...


Pensem nisto!

 

A manifestação da "Geração à Rasca"

Uma imensa multidão da “Geração à Rasca” foi-se expandindo da Praça da Batalha pela Rua Santa Catarina até obrigar o cordão da polícia que tentava obrigá-la a dirigir-se para a pequena Praça D. João I a romper-se, permitindo que se enchesse a Avenida da Liberdade até à Câmara do Porto.

Dizem que eram 80 mil pessoas, mas os mais habituados a cálculos de multidão dizem que, tendo por metro quadrado 4 pessoas, estariam ali mais de 100 mil pessoas.


Foi o direito à indignação que marcou todas as intervenções. A banca-rota a que chegamos não foi um fatalismo histórico, mas o desgoverno, a incompetência e a corrupção que marcaram este descalabro.

Se Sócrates tivesse uma gota de dignidade pediria a sua demissão. Não foi eleito para tanta manifestação, por todo o país, de revolta. Se o PS tivesse ainda algumas pontas da sua raiz Sócrates não teria hipóteses de voltar a ocupar o cargo de Secretário-Geral.

Não se viu nesta manifestação nem sequer um dos filhos dos muitos políticos que conhecemos. Perante este espanto, alguém logo respondeu: «estão todos bem empregados, com ordenados milionários». E citou-me logo vários. Ora, isto diz bem do que significa o socratismo.

 

Hoje estou na Rua com a “Geração à Rasca”.


É o meu dever: sou pai e sou avô.


Não posso aceitar que sejam desfeitas pelo egoísmo, pela incompetência, pela corrupção, o direito aos meus filhos, à minha neta, aos filhos dos meus amigos e aos netos de todos os avós, a acreditar que vale a pena estudar para ter uma profissão que dê testemunho de competências e saberes úteis à sociedade e a uma vida vivida com dignidade.


Estou com a “Geração à Rasca” porque é preciso estar contra o desgoverno e o darwinismo social que faz os ricos cada vez mais ricos e em menor número e os pobres cada vez mais pobres e em maior número.


Estou com a “Geração à Rasca” porque quero um País sem governantes incompetentes e demagógicos que trabalhem mais para o bem-comum do que para a propaganda.


Estou com a “Geração à Rasca” porque quero que o meu País seja um País de futuro e não um local que para não ficar no desemprego ou ficar na precariedade seja preciso fugir.


Até logo, amigos.

sexta-feira, março 11, 2011

 

Acautelar riscos

Os radicais das energias limpas, produzidas em barragens construídas em condições que ninguém sabe avaliar, com toda a certeza, a sua segurança, olhem bem para esta imagem de Kyoto, duma beleza horrível.


Amanhã, Amarante, ou noutro concelho onde se constrói barragens, pode acontecer, de um momento para o outro, uma imagem do género, com um imenso lençol de água a servir de espelho a um pôr-do-sol.

Os riscos não podem ser todos previstos, por isso é necessária uma responsabilidade prudencial.


Lembrem-se que em Kyoto ninguém prescinde do que esconde de trágico e desumano esta foto do belo horrível imposto pela soberania da Natureza. Mas os que choram em Kyoto, só culpam a Natureza.

 

Um serão diferente.

Ontem, foi a apresentação do livro”Horizontes da ética – para uma cidadania responsável” na Fundação de Campanhã. Foi enquadrada nos “Serões de Bonjóia”.


Muitos amigos que já não via há algum tempo, proporcionaram uma tertúlia empenhada em problemas do nosso tempo.

Houve ocasião para interpelações mais ousadas, mas mais estimulantes: a provocação. E para todas as questões foram dadas respostas fundamentadas, sem aquela retórica derivativa que, para dizer alguma coisa, devagueia.


O ponto alto ficou a cargo do meu amigo Alfredo, ou, como eu sempre lhe chamei, Ventura, e da Emília, sua esposa há quase meio século ( mas está como se tivesse 18 anos).


O Alfredo interpretou a canção “ O Sole mio”, como nem Pavarotti ou Darren Hayes, por mais criancinhas que fizessem coro, (http://www.youtube.com/watch?v=sjqHA8x1rOk) conseguiriam cantar tão bem e cantou, ainda, a “Samaritana”. A Emília, que também canta maravilhosamente, declamou dois poemas: um de António Nobre e outro de Manuel Bandeira.


Foi ternurenta esta iniciativa deste meus amigos e, por isso, que todos os deuses e deusas que, pelo celestial pairam, lhes dêem o que mais lhes agradar. Muito obrigado.


O nosso anfitrião, Prof. Dr. Carlos Mota Cardoso, ficou radiante e todos nós também gostamos imenso.

O princípio da amizade (preocuparmo-nos mais com a felicidade dos amigos do que com a nossa) circulou interactivamente entre todos nós, graças, especialmente, ao Ventura e à Emília).

Bem hajam!

quarta-feira, março 09, 2011

 

Tomada de posse de Cavaco Silva

Não me surpreendeu o discurso de Cavaco Silva na sua tomada de posse. Naturalmente, «é preciso valorizar a actividade empresarial», diminuir o tamanho do Estado e apostar na juventude. E é verdade que a última década foi perdida. Estou de acordo em que o país vive «uma situação de emergência» (que não tem só raízes na crise global, mas no mau governo), apoio a ideia de que a governação se tornou mediática e virtual, perdendo a ligação à realidade do dia-a-dia, e estou com ele na afirmação da importância da família.


Gostava que não sacralizasse apenas o capital, mas que demonstrasse estar sensibilizado para os direitos de quem faz funcionar as empresas, que não iludisse as mordomias que consomem milhões aos contribuintes e  se referisse ao darwinismo social que, hoje, num Portugal em crise, faz diferenças abissais de ordenados, reveladoras de uma enorme injustiça na distribuição de riqueza.

Pouco do que ouvi de Cavaco Silva traz uma resposta para uma geração que criou expectativas com um curso que o Estado certificou e está agora no desemprego.

Pouco do que ouvi de Cavaco Silva aponta para uma sociedade mais solidária, mais justa socialmente, menos corrupta e com mais coesão social. E sem estas condições até a própria instituição da família ficará empobrecida.

Fez o diagnóstico da crise(o que já é muito bom, vindo do P.R.) , mas faltam rumos!


Mas também me “chateia” um tipo de comentário que vai buscar todo o passado de Cavaco Silva para lhe retirar autoridade no que diz no presente.
.

 

"Geração à rasca"

Há uma “Geração à rasca” não só porque lhe foi confiscado o futuro. Mas também porque, sem qualquer legitimidade ética ou política, este Governo, mais preocupada com empreendimentos megalómanos, gastos milionários com administradores de empresas públicas (algumas falidas), tornou o Estado gordurento para responder a clientelas e empenhou o futuro das gerações vindouras nas parcerias público-privadas.



E é dramático que os vindouros, os que ainda não nasceram, não possam, evidentemente, formar “lobby” para lutar pelo direito a receberem um Estado limpo de compromissos, sem sentirem que mal nasçeram já deviam dinheiro a privados (com os quais não estabeleceram nenhuma compromisso)


Por mais paradoxal que pareça, esta “geração á rasca”, na sua luta contra as decisões calamitosas que encurralaram o seu futuro, pode abrir esperança a uma nova forma de fazer política que garanta os direitos das gerações vindouras a não nascerem já endividadas por outros.


Pelas gerações que me sucederão, lá estarei no dia 12.

segunda-feira, março 07, 2011

 

Basta de carnavais!...

Nunca gostei do Carnaval. Tenho pouco jeito para essas “brincadeiras”: usar máscaras, entrar em folias. Nem alinhei nas folias da “queima das fitas”. Sempre achei que essas extravagâncias eram artificiais e para os amadores.

A folia para mim não tem data nem serve de preparação para tempos de jejum. Para ser genuína deve ser marcada por uns copos numa boa discussão, perto de uma pipa de verde tinto.



Diz-se que o Carnaval teve início no séc. XI e destinava-se a ser um tempo de “encher a barriga” com o deleite dos prazeres da carne que o conceito "carnis valles" denuncia. Os abusos, nesta matéria, levaram a Rainha Vitória ( a que mandava colocar umas saias nos pianos para não se ver as pernas dos mesmos) a obrigar os nobres a utilizar uma máscara para que o povo não os tomasse como referência nas figuras tristes que faziam. Depois seria a privação, o jejum e a penitência.

Entre nós, desde há muito que há quem use e abuse da folia caravalesca.

No dia 12, próximo sábado, solidarizados com a “geração à rasca”, vamos dizer: basta!... Basta de mentiras carnavalescas, de máscaras que já não escondem o péssimo governo.

Precisamos de um governo que seja para servir os cidadãos, os que mais sofrem, e não utilize a máscara para esconder a sua incompetência, a sua incapacidade para resolver a crise em que nos meteu.

domingo, março 06, 2011

 

90 Anos do PCP



Pode-se discordar do PCP (partido ao qual nunca pertenci), mas ninguém, em verdade, pode acusar este partido de utilizar a linguagem da defesa dos oprimidos, dos que passam fome, dos que estão desempregados, para encher os seus próprios bolsos.

Podemos discordar da ideologia do PCP, mas ninguém, em verdade, pode negar a sua luta pelos mais desfavorecidos, pelos que sofrem o desemprego, a injustiça e a miséria.



Basta-me isso para, nos seus 90 anos, deixar aqui a minha sincera homenagem.

sábado, março 05, 2011

 

Uma mudança necessária


Dizia-me, hoje, um amigo que sabe do que fala. A Alemanha colocou na periferia quase todos os países que aderiram à CEE. Os fundos estruturais, por não haver regras de controlo, foram um autêntico embuste. Em Portugal dizem que até apareceram as “manadas de aluguer” que se deslocavam de herdade para herdade para recolher subsídios a fundos perdidos, com a indústria têxtil surgiram coisas semelhantes e de forma parecida aconteceu com a indústria metalo-mecânica.


A sociedade industrial e agrícola desapareceu com os chicos-espertos. Para toda esta aldrabice muito terá colaborado por omissão institutos do estado, como IAPMEI, etc. Dar a volta a isto vai custar o tempo de mudanças de mentalidades que é feito por mudanças de gerações.


Estou de acordo. Só lamento que não haja consequências para os malfeitores que desgraçaram este país. E isso não acontece, porque a nossa classe média (maioritária) foi a que mais beneficiou do embuste!


Temos de esperar que os novos-ricos se tornem nos novos desesperados, o que já está a acontecer com os seus filhos.


Quando a classe média não for dominante, acabará o terreno dos chicos-espertos e tudo isto mudará

quarta-feira, março 02, 2011

 

A propósito da apresenação de um livro

Fiz o livro “Horizontes da Ética para uma cidadania responsável” a pensar nos meus ex-alunos e nas gerações que vão aparecendo. Procurei que fosse, sobretudo, uma espécie de manual, em vez de uma reflexão meramente teórica.


A cidadania é um conceito que tem sido aligeirado. Não se pode falar em cidadania sem recorrermos à Grécia antiga. O cidadão só o é por ligação à polis e, para os gregos, a polis não é um mero território, mas um espírito de vida em comum.

E esse espírito de vida em comum ganha um horizonte de sentido na ética; isto é, na procura em ser feliz numa vida com os outros no mundo, vivendo de harmonia com a liberdade, a justiça e o bem-comum.

O caminho da ética orienta-se pelo modo como vemos o homem, a vida e o mundo. Não se pode fazer uma reflexão ética, sem primeiro ter feito uma reflexão antropológica e cosmológica. Primeiro temos de encontrar respostas para as questões: o que é o Homem, como se afirma a sua dignidade? Para que serve a vida e o mundo?

Numa primeira parte, procuro dizer o que entendo por ética e distingui-la de outras formas de saberes.

Numa segunda fase, refiro-me ao problema da legitimidade moral nas diferentes épocas históricas, bem como aos diferentes paradigmas que configuram as teorias éticas.


Numa terceira parte, faço uma incursão sobre a história da ética desde os gregos aos nossos dias, colocando questões sobre o perspectivismo, o universalismo, o culturalismo e o interculturalismo.


Finalmente, reflicto sobre a ética aplicada, particularmente sobre a ética da comunicação, indispensável às éticas prudenciais (éticas para uma civilização tecnológica) e à ética política. Neste quadro, faço uma reflexão sobre a interrelação da ecoética com a bioética.


Termino com a ética mínima ou dos direitos humanos.


Esta reflexão orienta-se pelo critério da simplicidade, procurando que dela saia uma preocupação: a ética é, essencialmente, uma postura e nunca pode ser tratada como uma arma de arremesso.


Apresentar um livro, é abrir espaço a uma reflexão que se procura útil, mas também ouvir amigos, receber sugestões e, provavelmente, dar conta de incipiências ou lacunas. 

É isso que espero amanhã!

 

Não se muda de políticas, sem mudar de políticos.

A manifestação do dia 12 da “geração à rasca” já começa a criar apreensões.

Receia-se que se esvazie o papel dos partidos e dois argumentos são utilizados para diabolizar a manifestação: não se fazem manifestações contra políticos, mas para reivindicar direitos; as manifestações são enquadradas por organizações que representam os cidadãos, pois só estas podem responder por distúrbios ou situações indesejáveis que possam acontecer.



Ora, não se é cidadão, porque há uma organização que o proteja. O cidadão é a razão da política e não o contrário. Ser cidadão é criar expectativas de justiça social e lutar por elas. Um dos direitos fundamentais que os cidadãos têm é de exigir que os políticos sejam coerentes, não criem expectativas falsas e não se aproveitem da “coisa pública” para seu próprio interesse.


Se não há nenhuma organização que represente esta reivindicação, nada melhor que os cidadãos, com sentido de responsabilidade, se manifestarem (uma forma excelente de exercer a cidadania) e com isso criarem condições para que se promovam movimentos que defendam, com energia, os seus direitos.


As organizações são fruto dos movimentos sociais: isso aconteceu com os sindicatos e, depois, com os partidos. Se estes dão “ares” de se instalarem nos seus interesses, de formarem oligarquias que dominam a política para satisfazer interesses privados, o melhor é os cidadãos virem para a rua manifestarem-se contra esta situação: a política só faz sentido, quando serve a justiça social. Quando esta é negada pelos políticos, não é possível mudar de políticas sem mudar de políticos.

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