segunda-feira, março 31, 2008

 

Dança das cadeiras ou dança dos abutres?!...

No “Abrupto” Pacheco Pereira quer Menezes afastado antes das eleições e prevê que terá de ser «à bomba».

Convenhamos que não será preciso tanto. De qualquer forma, Pacheco lá sabe!... É matéria da qual, pela forma como sugere, não lhe faltará sabedoria.

A justificação de Pacheco é que é surpreendente! Segundo o nosso intelectual da “Quadratura do Círculo”, a razão de «ser à bomba» é a seguinte: «em 2009 há dezenas de lugares apetecidos para distribuir e para cada lugar há cinco pessoas da 'situação' a quem este foi prometido e dez que acham que lá podem chegar no meio da guerra civil».
(In: Abrupto, COISAS DA SÁBADO: O DESTINO MARCA A HORA NO PSD “1”)

De facto, 15 apoiantes de Filipe Menezes a correrem para uma cadeira na mesa do orçamento, sem pagar quotas, é demasiada cobiça!

Justificar uma «bomba» para (presumivelmente) mudar abruptamente de “corredores de fundo” (já que não se trata de refundir os partidos) é demasiado dramático para que não nos interroguemos: no PSD há dança das cadeiras ou dança dos abutres?!...

Pacheco Pereira é um intelectual (pelos vistos orgânico) e lá sabe do que fala.

Nós (a quem só pedem para continuarmos a pagar impostos) só ansiamos por ver cair os estilhaços. Só é isto que nos pode divertir!...

 

Que grande noia!...

Segundo uma sondagem da Aximage para o Correio da Manhã, Marcelo Rebelo de Sousa, o Professor, é o preferido por uma larga maioria de portugueses (35,65%) para defrontar José Sócrates.

Filipe Menezes, como era previsível, ocupa o último lugar, abaixo de Santana Lopes, o seu líder parlamentar, e de Rui Rio, o presidente da Câmara do Porto.


Quem não se lembra do que Filipe Meneses afirmava, a propósito do que diziam as sondagens, de Luís Marques Mendes?!...

Agora, é só tirar conclusões!

 

Vale tudo?!...

Há tempos Francisco Assis, depois de dizer o pior de Avelino Ferreira Torres, apareceu ligado a uma empresa de construção civil do testa de ferro do ex-autarca do Marco, que tinha como referência Alberto João Jardim

Agora, Jaime Gama elogia Jardim a quem em tempos chamou Bokassa

Alguém percebe o que se passa no PS?!...

Ou será que neste PS vale tudo?!...

 

“A balbúrdia na escola”

António Barreto escreveu, ontem, no “Público” um artigo bem fundamentado sobre a “balbúrdia na escola”.

Há um ditado antigo que diz “pela aragem se vê quem vai na carruagem”. Já aqui sublinhei o que se sabe de facto: a ministra da educação rodeou-se de pessoas incompetentes, que nenhuma (ou pouca) experiência têm do que se passa nas escolas e, por isso, é a principal responsável pela balbúrdia que, hoje, se vive nos estabelecimentos de ensino público.

Promoveu exames inconstitucionais no 12º ano, criou "aulas de substituição" que são uma farsa de aulas, fez da CONFAP o seu braço armado para humilhar e desautorizar os professores, copiou fichas de avaliação dos professores, sem as contextualizar nem as aferir, criou um estatuto do aluno confuso e disparatado, fez da escola um “depósito” de crianças (tornando praticamente desnecessário os exames) e dos professores guardadores de rebanho. Finalmente, como é característica dos medíocres, nunca avaliou as consequências que poderiam suceder de tantos disparates.

Só estamos em desacordo com António Barreto, quando o sociólogo vê na transformação, por parte da Ministra, do «processo educativo num processo “científico”, “técnico”».

O que fez a equipa ministerial nada tem de “científico” ou “técnico” mesmo colocando entre aspas esses qualificativos. O que houve foi um “copianço” leviano para mostrar serviço, em nome de uma falsa reforma.

No afã de voltar a ganhar as eleições, Sócrates vai ter de reconhecer que a Ministra da Educação é a espinha encravada na sua lábia eleitoralista. Continuará com a espinha espetada na lábia?!...

Basta ver este vídeo (já referido noutra ocasião) para se perceber que ideia de autoridade e de escola tem esta Ministra e quanta razão tem António Barreto.


http://www.youtube.com/watch?v=IAQtVPICmHQ&feature=related

domingo, março 30, 2008

 

Só lábia!...

O líder do PSD, Luís Filipe Menezes, garantiu, hoje, que se for eleito primeiro-ministro no próximo ano irá reduzir o IVA para 16 por cento no final do mandato, em 2013.
Ninguém conhece os estudos que suportam tal afirmação ou se a mesma é inspirada num outro modelo da economia política!

A política está assim: bacalhau a patacos ou mãos na anca (como faz Sócrates nos debates da Assembleia da República).

sexta-feira, março 28, 2008

 

Que falta de vergonha!...

Um País, onde o Primeiro Ministro é engenheiro por fax, uma Ministra da Educação só poderia ir a um país da América Latina, onde geralmente nada se aplica, copiar umas fichas desactualizadas de avaliação dos professores.

Ora vejam e comparem:


Marco para la Buena Enseñanza
CPEIP
Centro de Perfeccionamiento, Experimentación
e Investigaciones Pedagógicas.
Ministerio de Educación
República de Chile


http://aep.mineduc.cl/images/pdf/2007/Marcoparalabuenaense%C3%B1anza.pdf

Será que pagou os direitos de autor?!...

É preciso ter lata!...

Pelo menos deveriam também copiar o método (ouvindo os sindicatos, as universidades, etc. e definindo um período experimental) que levou à elaboração dessas fichas! Mas isso não foi feito.

O ME transformou em despacho o que no Chile não passou de um projecto.

E isso é quase obsceno!

quinta-feira, março 27, 2008

 

Por Amarante, sem barragens


Um blog a consultar:

http://poramarantesembarragens.blogspot.com/

 

A indisciplina nas escolas

A indisciplina dos alunos tem-se agravado assustadoramente nos últimos anos e estou de acordo com quem diz que da escola saem, por vezes, os bandos de criminosos que actuam na sociedade.

Dois testemunhos pessoais:

1º Há uns anos atrás, durante uma aula, um aluno aproveitou o facto de eu estar de costas a explicar determinada matéria para atirar uma bola a um companheiro. Virei-me para ele e num acto instintivo preguei-lhe uma bofetada. Sabia que um professor tinha ficado suspenso durante dois anos por ter tido um gesto semelhante ao meu. Antes que o aluno chegasse a casa, telefonei ao pai desse aluno e expliquei-lhe o sucedido: o pai agradeceu-me e disse-me que quando o seu filho chegasse a casa ainda apanharia mais. Esqueci a questão, o aluno tornou-se meu amigo, entrou em medicina e, hoje, é um médico respeitável e um amigo sincero.

O Pai não pertencia a nenhuma associação de pais e, talvez, isso fosse a minha sorte!

2º Antes da minha aposentação, estive no designado ano zero a receber os alunos que eram expulsos das aulas por indisciplina. A minha tarefa era ocupar esses alunos durante o período da expulsão. A um dos alunos que, frequentemente, me aparecia, disse-lhe: hoje és expulso, vens para aqui todo contente, mas amanhã, quando saíres da escola, a sociedade não te manda para o gabinete do professor tutor: vais directamente para a cadeia e aí não gozas com os teus superiores.

Não foi preciso esperar que saísse da escola: foi preso por fazer parte do bando que participou no homicídio de um transsexual.

Estes dois casos servem só para dizer o seguinte: a autoridade do professor passa por aquilo que ele pode significar para o aluno. Uma escola burocratizada, como a que temos, não deixa espaço às referências de sentido que só o fortalecimento da autoridade do professor consegue dar.

Este ministério transformou o professor em guardador de rebanhos, sem significado para os alunos.

Os conselhos disciplinares são reuniões saturantes pelo ouvir dos representantes da associação de pais o discurso do “se calhar, se o professor não fizesse isto ou aquilo o aluno não teria feito isto ou aquilo”.

Com a retórica do “se calhar…” é impossível ser-se professor, fazer respeitar a possibilidade de dar testemunho dum saber que consubstancia o exercício de ensinar.
Esta questão, acompanhada da incompetência de um Ministério pautado pela ausência da experiência do que se passa nas escolas, é um dos problema essenciais da escola pública.
Pensem, por exemplo, no que poderia acontecer a um professor que, em Portugal, procedesse como este, perante toques de telemóvel!
http://www.youtube.com/watch?v=hut3VRL5XRE
Se querem uma referência para avaliar o que aconteceria a esse professor, sirvam-se, agora, do exemplo da Ministra da Educação:
http://www.youtube.com/watch?v=7unQICIEsgs
Será que ainda têm dúvidas da ideia que esta Ministra tem da disciplina e da autoridade do professor na escola?!...
Percebem, agora, por que a Ministra reduz os problemas da escola a estatísticas?!...

quarta-feira, março 26, 2008

 

Vinte anos depois...

Vinte e um anos depois da tua partida,
eles ainda comem tudo e não deixam nada...

E podes crer que nunca, como agora, isto foi tão verdade!

Num país onde os vampiros, longe de estarem em vias de extinção,

Chegam a toda a parte e continuam a chupar o sangue fresco da manada...

terça-feira, março 25, 2008

 

Este Ministério da Educação é pior para a escola do que foi a pneumónica para o País

Platão, discípulo de Sócrates (o Filósofo e não o Propagandista), defendia que a escola devia fornecer uma «ginástica» para o corpo e uma «música» para o espírito. A «música» consistia em educar através de estórias edificantes, destinadas a desenvolver nos alunos o bom gosto, a sensibilidade estética e ética, as convicções, a vontade de ser profissional competente e cidadão responsável.

O conceito «escola» ficou, desde Platão, apoiado na convicção de que o sujeito da acção de ensinar e educar é o professor. Quando dizemos «tenho saudades da escola» queremos com isso sublinhar os laços de amizade estabelecidos entre professores, alunos e pessoal de apoio. E quando acerca de alguém desabafamos «faltou-lhe a escola» estamos a tornar relevante o papel formativo e instrutivo dos professores.

Ora, só se diz tudo isso, porque a escola tem uma função social específica que envolve referências de sentido que só o fortalecimento da autoridade do professor (como em casa a autoridade do pai) pode dar.

Naturalmente, a escola não pode dispensar a colaboração dos Pais, bem como de outras organizações. Mas essa colaboração deve ser ditada por valores inerentes à função da escola e não para esvaziar o papel dos professores.

Este Ministério da Educação colocou pais (os da CONFAP) e alunos a avaliar os professores, publicou estatutos de alunos que dão direitos sem exigirem deveres, fez da escola um lugar lúdico e não de trabalho, criou exigências processuais nos conselhos disciplinares que tornam o prevaricador em herói e tornou os professores em meros funcionários para a guarda de rebanhos.

A incompetência do Ministério da Educação não deixa ver que, no mundo actual, a família já não significa o que significava e muitas vezes os alunos são indisciplinados, porque têm problemas na própria família; que o sexo, a violência e o jogo, que fazem o sucesso de muitas produções televisivas, servem de mimetismo para o ambiente dos alunos na escola; que o desemprego e a ausência de esperança no futuro abrem espaço á irresponsabilidade, à agressividade e à ociosidade dos alunos; que a cultura política que faz sucesso nos nossos dias está marcada por um populismo obscurantista; e, que a sociedade sofre uma profunda crise de valores, desenvolvendo-se a ideia de que todos os meios são legítimos para alcançar vantagens.

Neste contexto, um Ministério da Educação com visão do futuro dignificaria o papel da escola, estimularia a autoridade dos professores, pedir-lhes-ia que fossem as referências éticas que faltam aos alunos e não deixaria que a escola se tornasse num lugar perigoso, onde bandos de jovens possam desafiar regras, humilhar e ameaçar quem tem por incumbência os educar.

Mas tudo foi feito ao contrário por este Ministério da Educação e na propaganda habitual deste Governo tudo o que de trágico (pois é disso que se trata!) se passa nas escolas é meramente pontual e nada disso tem de dramático.

Pior do que foram, no início do séc. XIX, os efeitos da pneumónica para o País, ficará, no nosso tempo, para a Escola, para a desmotivação dos professores, a incompetência deste Ministério da Educação e a arrogância deste Governo.

sábado, março 22, 2008

 

Ao que chegamos!...

Contratados coagidos a assinarem requerimento a pedirem avaliação de desempenho

Acabei de saber por uma colega indignada que hoje, na sua escola – do concelho de Sintra, foi chamada ao CE, assim como os seus colegas contratados, tendo-lhes sido comunicado que segundo recentes directivas do ME, iriam ser avaliados e que para dar início ao processo, deveriam antes redigir um documento no qual teriam de dizer expressamente "quero"ser avaliado.Como é óbvio, os colegas nem queriam acreditar e lá foram argumentando como puderam mas nada ...Ordens da tutela às quais temos de obedecer!Se pensarmos que estamos em período de interrupção escolar e que os professores tem menos capacidade de se juntarem e de discutirem, só nos podemos indignar e denunciar!. A Sra. Ministra vai poder anunciar à comunicação social que o processo de avaliação decorre com toda a normalidade e que até foram os professores que a pediram. Eles estão a sair do armário.

Ana
In:http://ramiromarques.blogspot.com/2008/03/contratados-coagidos-ssinarem.html

quinta-feira, março 20, 2008

 

Um episódio sintomático.

As políticas da educação dos últimos governos e muito particularmente desta Ministra têm esvaziado a autoridade dos professores. Mas não só: algumas associações de pais (que poucos pais representam) têm muita culpa nesse esvaziamento de prestígio e autoridade: mais preocupadas com as notas dos seus filhos (a quem ligam pouco durante o dia, mas querem que entrem em medicina, porque os seus filhos gostavam muito de $er médicos) do que com o papel da Escola na formação de cidadãos honrados e profissionais competentes, desculpam tudo aos alunos (“precisam de muito apoio”, dizem!...) e só vêem responsabilidades nos professores. Além disso, as decisões de um conselho disciplinar têm sempre recurso e quem acaba por ser penalizado, com reuniões e mais reuniões do conselho, é o professor e não o aluno.

Ninguém percebe como se poderá dar testemunho de um saber, se o professor não tem meios para fazer valer a sua autoridade.

Hoje, ser professor é uma actividade profissional de risco. Já não se é professor por vocação ou gosto, mas porque não se consegue outra profissão. E isto tem consequências dramáticas para o futuro deste País que a Ministra da Educação não entende, porque só está empenhada na propaganda dos pseudo-resultados estatísticos.

Por isso, o que reproduz o vídeo (Depois de abrir o link do vídeo colocar em Home: vergonha na escola), infelizmente nada traz de novo.
http://www.youtube.com/watch?v=asp3G9pokuA

Precisamos de uma ministra que não trabalhe para pseudo-estatisticas, que seja competente e se reuna de pessoas com experiência no ensino. Não queremos uma ministra que pise os professores para se afirmar, mas que dignifique a profissão de ensinar, atribuindo à Escola a função social de formar cidadãos responsáveis e profissionais competentes.

Já subscrevi esta petição e Você também o pode fazer:
http://www.petitiononline.com/demissao/

quarta-feira, março 19, 2008

 

Modelo de requerimento para auto-avaliação de professores e funcionários públicos

Princípio normativo:
«Quando se fazem balanços é, certamente, para realçar aquilo que se fez bem.[…] E foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizemos mal.»

Vitalino Canas, porta-voz do Partido Socialista, 12.Março.2008

Requerimento:

Senhora Ministra ou Senhor Ministro...

Venho, por este meio, solicitar a V. Ex.cia autorização para aplicar, na minha auto-avaliação, o mesmo critério utilizado pelo partido político que sustenta o Governo na avaliação que fez do seu próprio desempenho.

Respeitosamente,

terça-feira, março 18, 2008

 

Obamania meneziana

Filipe Menezes foi tocado pela obamania e já só fala em “mudança”. Só precisa, agora, de fazer do seu Ribau Esteves o seu reverendo Wright.
Ribau tem demonstrado ser muito explicativole e com capacidade e jeito para pregador. Ora imaginem-no, mais gordinho, tendo por fundo o azul do logótipo do PSD, contra as elites capuchinas e a defender o seu Obama, assim:
http://www.youtube.com/watch?v=9hPR5jnjtLo&feature=related
E, para que a campanha tivesse esse estilo bem obamaniano, imaginem Filipe Menezes a entrar em cena na Grande Entrevista de Judite de Sousa, assim:
http://www.youtube.com/watch?v=RsWpvkLCvu4
E harmonizava-se com um estilo de oposição inovador, prá frenteks, tal como pretende Menezes. Além disso, faria demover muitos corações femininos que andam presos aos megabites do inglês técnico do “nosso” Primeiro!

 

A arrogância no seu esplendor!

Na interpelação feita, hoje, na Assembleia da República, sobre educação, surgiu uma nova teoria deste Governo: «a minha obrigação não é dar as respostas». Foi esta a solução que a Ministra da Educação encontrou para as perguntas dos deputados.

E, lembrando-se do ditado “presunção e água benta, cada um toma a que quer”, esclareceu: «A minha obrigação é responder com resultados. Respondo com aquilo que faço, com a política educativa».

Debater as razões das políticas é o que justifica a democracia. Até porque, em democracia, como diz Popper, «um governo forte interroga-se: teremos feito alguma coisa que cause danos e que conduza a consequências que nunca quisemos?!..

Esta interrogação não faz sentido para o governo de Sócrates. Como diz Vitalino Canas «o governo só se preocupa com o que faz». Estranho sentido do que é uma avaliação!

Mas é assim este Governo: exige avaliação para os outros e , para si, só conhece a propaganda.

Já não dialogava, era surdo às manifestações de rua e só lhe faltava negar-se a esclarecer o sentido das suas políticas na Assembleia da República.

Com que mais nos surpreenderá?!...

segunda-feira, março 17, 2008

 

Quem diria?!...

António Vitorino (do PS) elogiou, no programa "Notas Soltas", na RTP, o Presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, e afirmou que o Presidente da Câmara do Porto e o Primeiro-ministro, José Sócrates, têm características comuns.

E, para que não houvesse dúvidas, sublinhou: «tanto Rio como Sócrates têm uma lógica de "cortar a direito" na acção política»

E, agora, Elisa Ferreira?!...

Sempre me pareceu que o tempo da eurodeputada e ex-ministra de António Guterres concorrer à Câmara do Porto pelo PS já tinha passado.

E Vitorino confirma-o! ... Já lá está, quem “corte a direito”, tal como gosta o PS.

Este PS já só engana quem gosta de ser enganado.

 

Ao que isto chegou!...

Sócrates conta em megabites as “reformas” da Educação e Filipes Meneses em metros quadrados a sua oposição.

A culpa é do pai de D. Urraca…




http://www.caestamosnos.org/Historia_de_Portugal/Conde_D_Henrique.html

domingo, março 16, 2008

 

Avaliação dos professores.

O Sindicato dos Professores da Zona Centro alertou hoje para a nulidade dos processos de avaliação de desempenho e a possibilidade de incorrerem em "responsabilidade civil, criminal e disciplinar" todos os que as decidam realizar.

Considera que "o Ministério da Educação se encontra legalmente impedido de praticar quaisquer actos, tomar decisões ou dar instruções, escritas ou verbais" relativas à avaliação dos docentes, uma vez que o processo está suspenso desde que foi deferida uma providência cautelar nesse sentido.

Recorrendo à Constituição da República Portuguesa, a SPZC lembra que as decisões dos tribunais administrativos são obrigatórias para todas as entidades públicas e privadas e prevalecem sobre quaisquer autoridades administrativas.

 

Uma pedrada no charco.

Num debate promovido pela distrital de Santarém do PSD, foi considerado que a Lei da Paridade que estabelece quotas para as mulheres é hipócrita e só visa resolver problemas particulares. Sublinhou-se o facto de nessa lei haver uma «leitura biológica da vida política» que acaba por servir mais os interesses dos homens do que o das próprias mulheres.

Foi citado o caso do Ruanda, país que mais mulheres têm no Parlamento, como exemplo de não ser por haver muitas mulheres na vida política que a democracia se torna exemplar. E concluiu-se que «primeiro é preciso resolver o problema da mulher na família, na sociedade e no trabalho».

Conhecendo-se os critérios que levam muitos directórios políticos a colocarem determinadas mulheres nas listas de candidatos a deputados ou a autarquias, este colóquio, feito por mulheres, é uma autêntica pedrada no charco.

sábado, março 15, 2008

 

Mais um “número” e a “viagem” continua…

Com camionetas vindas de todas as autarquias do PS não foi difícil dar um “ar” de enchente ao velho Pavilhão do Académico. E foi de tal maneira que, os mais velhos de entre nós, ao verem tantas camionetas no Marquês, se terão lembrado das manifestações do fim do outro regime.

Com o Pavilhão a abarrotar e com um cenário que deve ter custado balúrdios, Sócrates tinha tudo preparado para fazer mais um "número" do espectáculo que gosta de dar, abrilhantado com os ensaiados gestos que acompanham aquela sua retórica que já cansa de tanto repetir.

Mas esta coisa de insistir até á exaustão que "este País estava há muito tempo parado, adiado e atrasado", começa a ser ridícula.


Para além da afirmação ser deselegante para com Guterres, é um atestado de incompetência a si próprio, ao PS e um insulto à inteligência de todos nós.

Então o PS não conta nesta história de atraso?!... E o que dizer de quem, em outras alturas, algum mal poderia ter evitado nesse atraso de Portugal, como foi o caso de Sócrates no governo de Guterres?!..

A retórica fácil, da publicidade demagógica, também traz inconvenientes que nem sempre são acautelados pelos técnicos de marketing e muito menos por Sócrates que, no seu autismo, não dá conta das injustiças que comete.

 

Chega-te para lá!...

Contra a mega manifestação dos professores indignados, realizada em Lisboa, em 8 de Março, José Sócrates e o seu PS (não o de muitos outros militantes) contrapõem com um mini encontro, hoje, no quase centenário pavilhão do Académico Futebol Clube, mais conhecido por Académico do Porto.

O primeiro-ministro dos aeroportos internacionais, dos comboios de grande velocidade, das super cimeiras europeias e africanas, das grandes decisões orçamentais, surpreende-me não ter escolhido um local público de grande dimensão ou um recinto desportivo com a capacidade de reunir um número elevado de simpatizantes do seu governo.

Mas este político, que cirurgicamente ataca os utentes da saúde, os professores e os funcionários públicos, sabe que o "velhinho pavilhão do Lima" tem uma capacidade máxima de 400 pessoas, sito na rua de Costa Cabral, local citadino de via estreita e movimentada, inviabilizando qualquer concentração de vozes descontentes.

Além disso, possui um recinto privativo de parque automóvel, com acesso pela rua lateral, que tanto jeito dará a toda a comitiva, que nunca terá contacto directo com os transeuntes, populares ou "professorzecos".

Este local eleito para a comemoração dos três anos de governação socialista talvez não consiga conter a totalidade dos ministros, secretários de estado, subsecretários e assessores.

Aguardo, de forma serena e crítica, a reportagem de alguma comunicação social.

C.P.V

sexta-feira, março 14, 2008

 

A retórica do ridículo

Quando Manuel Alegre, Teresa Portugal, Pedro Adão e Silva e o constitucionalista Vital Moreira discordam da oportunidade política para se fazer, agora, um comício de apoio ao Governo, no Porto, Vitalino responde: é tudo uma questão semântica! Não há comício mas festa.

E acrescentou: é «ridículo» fazer-se qualquer relação entre este evento e a recente manifestação de professores, que juntou cerca de 100 mil pessoas nas ruas de Lisboa, esclarecendo: «O comício do Porto será uma realização popular, que juntará militantes e simpatizantes socialistas que pretendem festejar três anos de Governo».


É assim a retórica do ridículo!

quarta-feira, março 12, 2008

 

Filipe Meneses é o máximo!

Em 23 de Setembro de 2004, noticiava-se: “Câmara de Gaia endividou-se em cerca de 13 milhões de euros por causa do FCP”.

Na altura poucos terão percebido a subtileza da gestão de Filipe Meneses.

Hoje, com a apresentação do novo logótipo do PSD, gravado num fundo azul, fica tudo esclarecido. Como diz o porta-voz e intelectual do PSD, José Ribau Esteves, o novo logótipo pretende acompanhar o lema “Mudar Portugal” que “enquadra a atitude construtiva e combativa de Luís Filipe Meneses.

Já não há dúvidas! Com o PSD de Filipe Meneses a oposição ao governo PS é refrescante: deixa as nuvens alaranjadas do SLB e passa a desaguar no azul dos dragões.

Por alguma razão, o Azul foi sempre associado à frieza, à depressão e à monotonia, a que conduz o refrescamento de Filipe Meneses.

 

No que dá a arrogância!...

A Ministra da Educação quis fazer dos professores um tapete por onde passasse a sua prepotência. Não ouviu as estruturas representativas dos professores, "encheu" de subsídios a CONFAP e criou o Conselho de Escolas, pensando que dessa forma esmagaria os professores.

Mas enganou-se! Os professores não foram na conversa. Fechadas as portas do diálogo, ainda tinham a rua, local que, mesmo nas ditaduras, fica sempre aberto para afirmar a razão e lutar pelo que é justo.

Agora, a retórica do Governo procura criar uma cortina de fumo sobre a evidência, mas não consegue: depois de desestabilizar por incompetência as escolas, o Ministério foi obrigado a ceder, como era evidente!
Este ano a avaliação dos professores fica ao critério das escolas.
O documento de avaliação, já publicado em decreto-lei, pode ser deitado no caixote do lixo da vergonha deste governo, se é que a tem!

 

Palavras sábias de apoio aos professores

Três dias depois da grande manifestação dos professores que Sócrates e a Ministra da Educação tanto desvalorizaram, D. José Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa, desabafa em declarações à Rádio Renascença:

"Os professores e educadores são um grupo decisivo para o futuro do País, mais decisivo do que os políticos, técnicos e financeiros".

Apelou ainda à "calma, "à reflexão mais profunda" e a que haja "muita compreensão" perante "as dificuldades sentidas" pelos docentes, que "se dedicam à tarefa fundamental, inventiva e árdua que é educar".

terça-feira, março 11, 2008

 

Carta Aberta ao Senhor Ministro dos Assuntos Parlamentares

Exmº Senhor Ministro Augusto Santos Silva,

Venho por este meio informá-lo que me sinto insultado pelas suas afirmações proferidas ontem à noite, em Chaves e dadas hoje à estampa na comunicação social escrita.

Foi o comunista do meu pai, Sérgio Vilarigues, que esteve preso 7 anos (dos 19 aos 26) no Aljube, em Peniche, em Angra e no campo de concentração do Tarrafal para onde foi enviado já com a pena terminada. Que foi libertado por «amnistia» em 1940, quatro anos depois de ter terminado a pena. Que passou 32 anos na clandestinidade no interior do país, o que constitui um recorde europeu. Não foi ao seu pai, e ainda bem, que tal sucedeu.

Foi a comunista da minha mãe, Maria Alda Nogueira, que, estando literalmente de malas feitas para ir trabalhar em França com a equipa de Irène Joliot-Curie, pegou nas mesmas malas e passou à clandestinidade em 1949. Que presa em 1958 passou 9 anos e 2 meses nos calabouços fascistas. Que durante todo esse período o único contacto físico próximo que teve com o filho (dos 5 aos 15 anos) foi de 3 horas por ano (!!!). Que, sublinhe-se, foi condecorada pelo Presidente da República Mário Soares com a Ordem da Liberdade em 1988. Não foi à sua mãe, e ainda bem, que tal sucedeu.

Foi a mãe das minhas filhas, Lígia Calapez Gomes, quem, em 1965, com 18 anos, foi a primeira jovem legal, menor (na altura a maioridade era aos 21 anos), a ser condenada a prisão maior por motivos políticos – 3 anos em Caxias. Não foi à sua esposa, e ainda bem, que tal sucedeu.

Foi a minha filha mais velha, Sofia Gomes Vilarigues, quem até aos 2 anos e meio não soube nem o nome, nem a profissão dos pais, na clandestinidade de 1971 a 1974. Não foi à sua filha, e ainda bem, que tal sucedeu.

Fui eu, António Vilarigues, quem aos 17 anos, em Junho de 1971, passou à clandestinidade. Não foi a si, e ainda bem, que tal sucedeu.

Foi o caso do primeiro Comité Central do Partido Comunista Português eleito depois do 25 de Abril de 1974. Dos 36 membros efectivos e suplentes eleitos no VII Congresso (Extraordinário) do PCP em 20 de Outubro de 1974, apenas 4 não tinham estado presos nas masmorras fascistas. Dois tinham mais de 21 anos de prisão. Com mais de 10 anos de prisão eram 15, entre eles Álvaro Cunhal (13 anos).

São casos entre milhares de outros (Haja Memória) presos, torturados e até assassinados pelo fascismo. Para que houvesse paz, democracia e liberdade no nosso país.

Para que o senhor ministro pudesse insultar em liberdade. Falta-lhe a verticalidade destes homens e mulheres. Por isso sei que não se retratará, nem muito menos pedirá desculpas. As atitudes ficam com quem as praticam.

Penalva do Castelo, 8 de Março de 2008

António Nogueira de Matos Vilarigues

 

Basta de demagogia!

É estranha a forma destes ministros e dirigentes do PS encararem as questões da educação.

Silva Pereira, naquele tom monocórdico, afirma que os professores não leram o documento de avaliação e António Vitorino, depois de defender uma medida correcta, (suspender a avaliação e encontrar uma espécie de provedor da avaliação) no seu sibilino estilo de sofismar, assegura, na entrevista à Judite de Sousa, que o problema não está na aplicação do sistema de avaliação, mas na forma como foi escrito. Afinal, em que ficamos: merece ou não ler os documentos?!...

Sócrates, talvez com a experiência da Universidade Independente, é mais assertivo: o sistema da avaliação vem corrigir a injustiça de não avaliarem os professores nos últimos 20 anos. É preciso premiar os melhores.

Percebe-se que queiram enganar quem não está a par do que se passa nas escolas, mas não enganam os professores. Pode-se discutir o tipo de avaliação, mas os professores foram sempre avaliados e é pura demagogia dizer o contrário.

Vejamos o seguinte:

1º.- Os professores para progredirem na sua carreira tiveram de elaborar um Relatório Crítico, frequentar Acções de Formação creditadas pelo ME, com formadores acreditados por uma instituição em que o ME delegou essas funções, sendo, depois, aprovados ou não de acordo com regulamentação emanada do ME. Se as ditas acções foram mal aprovadas e os formadores erradamente investidos em tal função, os professores não são responsáveis por isso.

2º.-Nos últimos 20 anos houve professores que não progrediram mesmo assim, em diversos contextos, e ainda ontem ouvi um relato de uma dessas situações. Para além disso, o nosso PM parece desconhecer a antiga prova de acesso ao 8º escalão.

3º.-O Estatuto da Carreira Docente foi revisto em 1998 quando estava no Governo o PS, sendo José Sócrates um dos elementos desse Governo e não se lhe conhece posições públicas nessa matéria, nem então, nem depois, sobre essa forma de «adiamento» do problema. Aliás, Augusto Santos Silva, enquanto Secretário de Estado e depois Ministro da Educação estará em condições de confirmar isso mesmo ao seu antigo colega e actual superior hierárquico no Governo.

4º.-O que é lastimável é que as afirmações do Primeiro-Ministro passem como correctas em prime-time noticioso, sem que seja reposto o rigor dos factos.

Este Governo não deveria tratar com tanta demagogia as questões de Estado. A educação é uma questão de Estado: dela depende a nossa independência e o futuro do País.

João Baptista Magalhaes
Carlos Pedro de Vasconcelos

 

Só desconforto?!...

Como pode o PSD fazer oposição a Sócrates, se vive um tempo de descrédito total?!... António Borges diz que não se sente confortável no PSD. Rui Rio, Pacheco Pereira, António Capucho e outros alertam, hoje, para a possibilidade do partido servir para lavagem de dinheiro, com as alterações aos estatutos que permitem o pagamento de quotas (em dinheiro) no dia da própria votação.

Numa altura em que a imagem dos partidos está no grau zero, ninguém percebe a estratégia de Meneses e muito menos a sua inabilidade, dando argumentos para um maior descrédito do seu Partido com estas alterações estatutárias!


Será que ele só quer ser o presidente dum grupo de amigos “aparelhados”?!... De facto “tem de haver outra gente a destacar-se para que o PSD saia deste lodaçal!”

O Homem não é para levar a sério. Não tem jeito para o cargo e precisávamos de uma oposição credível!

segunda-feira, março 10, 2008

 

Será que me responde?

Olho, confuso, o percurso do seu mandato.
Para onde vai? Por onde vai? Porque vai?
Tento encontrar a razão,
O significado, a sensação.
Perco-me no percorrer incerto
Da incerteza da sua direcção.
Que vejo? Que sinto? Onde para?
Agito a alma,
Fervilho o pensamento,
Incendeio o coração.
Quero segui-lo.
Preciso do mesmo trajecto
Que segue a minha razão.
Atraiçoa-me. Ofende-me.
Questiona-me?
Por que está cinicamente sorrindo-se de mim?
Quer ter o prazer de dirigir o meu caminho?
Engano. Engano o seu.
Não nos revemos. Não nos completamos.
Vejo em si o não sorriso,
O meu desencanto.
Vejo em si o meu repúdio,
A mediocridade.
Vê em mim, talvez, a ansiedade.
Vejo em si o reflexo inseguro
Da transparência de um querer.
Será ser sem alma?
Percurso certo de dor madura?
É, sem dúvida, os vários reflexos
Dos caminhos que a minha vida não toma.
Confronta-me. Agita-me.
Inquieta-me.
Agonia-me.
Será que me responde?

Carlos Pedro de Vasconcelos

 

Estive lá...

Manifestei-me...Percorri Lisboa e cheirei o mesmo ar de Abril de 74...Gritei palavras de ordem, com a alma triste de um português traído, enganado e indignado.Vi muitos cravos em mãos sofridas, percebi olhares perdidos de ilusão, escutei pensamentos cansados de promessas, cantei canções de intervenção e... sofri, sofri porque me lembrei dos ideais que partilhei na juventude com muitos políticos do momento, que hoje, tranquila e desavergonhadamente, vivem à custa do povo de quem sempre falaram e não respeitaram.Mas ainda é tempo de virmos para a rua e gritarmos...

Carlos Pedro de Vasconcelos *

domingo, março 09, 2008

 

Lamentável!!!

A Ministra da Educação não tem nível para ocupar o cargo que desempenha. E não se compreende que tenha uma formação de socióloga!

O seu atrevido cinismo de repetir até à azia que compreende o descontentamento dos professores, porque “agora têm mais alunos, são obrigados a estar mais tempo na escola, trabalham mais e lhes é exigido mais” é insuportável.

A Ministra sabe que o problema não é esse e que a sua tirada é demagógica e já não consegue ter eco nos portugueses que desconhecem o que se passa nas escolas. Insistir nessa tecla seria de desonestidade intelectual se lhe fosse reconhecida inteligência para compreender o significado da grande manifestação de professores que ontem se realizou.

O problema das escolas está, hoje, luminosamente exposto num notável artigo do “Público” intitulado “Política educativa: uma estranha coerência”, escrito pelo prestigiado Prof. Dr. José Madureira Pinto, Catedrático da Faculdade de Economia do Porto, ex-conselheiro do ex-presidente Jorge Sampaio.

Não haverá ninguém que explique à Ministra o que diz o Professor Madureira Pinto?!...
http://especial.sapo.pt/multimedia/galeria_de_fotos/app/index.html?path=marchaindignacao

sábado, março 08, 2008

 

Estranho Governo do PS

Não pude ir à manifestação. Nem todos cabiam nos autocarros disponíveis.

Depois de ler o jornal fui comprar fruta. Um homem, bem conhecido como ex-informador da PIDE, quebrava a discrição que lhe é habitual, para em voz alta dizer: «Assim é que é!... Sócrates impõe-se aos professores como Salazar. E isso é que era preciso!».

Fiquei gelado…. sem palavras.
Depois de recuperar a serenidade, pensei: que pena o Ministro Santos Silva não ouvir este homem!...Talvez percebesse o efeito contraditório das suas intempestivas e desnorteadas declarações de repúdio pela manifestação que, contra as políticas da educação, o recebeu em Chaves!!!

Leio, agora, que vinte autocarros com professores que se dirigiam para a marcha da indignação foram retidos na estação de serviço de Aveiras na A1 numa operação stop da Brigada de Trânsito da GNR.

Lembrei-me das barragens na estrada, feitas pela GNR, para impedir os cidadãos de se dirigirem ao Congresso Democrático de Aveiro, no tempo de Marcelo Caetano. E pensei: será que aquele informador está à espera de retomar os seus serviços?!...

Estou apreensivo: será que os meus netos, quando lhe falarem de socialismo vão lembrar-se dos governos socialistas do continente africano e de José Sócrates?!...

sexta-feira, março 07, 2008

 

Um testemunho

De: Alemanha
Data: 26.02.08

Caríssimas (os) colegas

Antes de mais, os meus mais sinceros parabéns pela organização do vosso movimento.
(…)

Sou, desde 1982, professora de Língua e Cultura Portuguesas no Estrangeiro

Conheço bem os sistemas de ensino da Alemanha e da Suíça, os dois países em que trabalhei longos anos. Por isso, envio-vos aqui várias informações sobre os docentes e o ensino nos dois países, informações estas que poderão usar do modo que vos for mais útil, e onde poderão ver que os professores mais explorados da Europa, são, sem sombra de dúvida, os docentes portugueses.

Alemanha

Avaliação dos docentes:

Têm, de 6 em 6 anos, uma aula (45 minutos) assistida pelo chefe da Direcção escolar. Essa assistência tem como objectivo a subida de escalão. Depois de atingido o topo da carreira, acabaram-se as assistências e não existe mais nenhuma avaliação.

Não existe nada semelhante ao nosso professor titular. Sempre gostava de saber onde foi o ME buscar tal ideia. Existem, claro, quadros de escola.

Não existe diferença entre horas lectivas e não lectivas. Os horários completos variam entre 25 e 28 horas semanais. As reuniões para efeito de avaliação dos alunos têm lugar durante o tempo de funcionamento escolar normal, nunca durante o período de férias.

Sempre achei um pouco perverso os meninos irem de férias e os professores ficarem a fazer reuniões...Tanto na Alemanha como na Suíça, França e Luxemburgo, durante os períodos de férias as escolas encontram-se encerradas! Encerradas para todos, alunos, pais, professores e pessoal de Secretaria! Os alunos e os professores têm exactamente o mesmo tempo de férias. Não existe essa dicotomia idiota entre interrupções lectivas, férias, etc.

As escolas não são centros de recreio nem servem para “guardar”os alunos enquanto os pais estão a trabalhar. Nas escolas de Ensino Primário as aulas vão das 8.00 às 13 ou 14 horas. Nos outros níveis começam às 8 .00 ou 8.30 e terminam às 16.00 ou, a partir do 10° ano, às 17.00.

Total de dias de férias por ano lectivo: cerca de 80 (pode haver ligeiras diferenças de estado para estado)

Alunos

Claro que existem problemas de disciplina. Mas é inaudito os alunos, ou os pais dos mesmos, agredirem os professores. A agressão física de um professor por um aluno pode levar à sua expulsão.

Os trabalhos de casa existem e são para serem feitos. Absolutamente inconcebível que um encarregado de educação declare que o seu filho/filha não tem nada que fazer trabalhos de casa, como acontece, ao que sei, em Portugal.

É terminantemente proibido os alunos terem os telemóveis ligados e utilizarem-nos durante as aulas. As penas para tal são primeiro aviso aos pais, depois confiscação do telemóvel e por fim multa.
Suíça

Tal como na Alemanha, os professores só são assistidos durante o período de formação e para subida de escalão.

Durante os períodos de férias as escolas encontram-se, como na Alemanha, encerradas.

Os horários escolares são semelhantes aos da Alemanha. Até ao 4° ano de escolaridade, inclusive, não há aulas de tarde e, às quartas-feiras, terminam cerca das 11.30. No início das aulas os alunos cumprimentam o professor apertando-lhe a mão e despedem-se do mesmo modo. Claro que não há 28 ou 30 alunos numa classe, mas no máximo 22. O telemóvel tem de estar desligado durante as aulas. É dada grande importância aos trabalhos de casa. A não apresentação dos mesmos implica descida de nota final.

Total de dias de férias: cerca de 72 (pode haver diferenças de cantão para cantão).

Vencimentos

Só uma pequena comparação ... na Suíça um professor do pré- primário no topo da carreira recebe 5.200 francos mensais líquidos ( cerca de 3.400 euros),mais ou menos o dobro do que vence um professor em Portugal no topo da carreira.....

Caras / Caros colegas:

Espero não ter abusado da vossa paciência com a minha exposição. Porém, acho que ficou claro que, se o ensino em Portugal se encontra em péssimo estado, a culpa não é dos professores, mas sim de um ME.

Um grande abraço para todas / todos da colega

Teresa Soares

 

Tire as conclusões, senhora Ministra!

Espera-se que amanhã desfilem contra a prepotência da Ministra da Educação cerca de 80 mil professores.

Será a maior manifestação de professores desde sempre, contra as políticas de Educação.

Em nenhuma parte do mundo um governante poderá continuar a governar, tendo contra si a maioria dos que tutela.


Se esta Ministra quer uma avaliação com rigor pode, desde já, com esta manifestação, tirar conclusões sobre o seu próprio desempenho como ministra.
Os professores portugueses não são os trabalhadores da Matsushita. E não se importam grelhas para as complicar ainda mais!
Em coerência com a sua própria grelha de avaliação, dimita-se, senhora Ministra! E devolva a grelha de avaliação à empresa que a “confeccionou”.

 

Tempo de antena?!...

O primeiro canal da televisão voltou a dar a palavra à Ministra da Educação. Foi ontem, através de uma denominada entrevista de Judite de Sousa.
A falta do domínio das questões em causa, por parte da jornalista, permitiu à Ministra transformar a entrevista em tempo de antena. Mesmo assim, a Ministra não conseguiu tirar efeito da sua demagogia, como aquela de que as avaliações decorrem em todas as escolas e de que são muito simples e a favor dos professores.
É que se pode enganar duas, três e até muitas pessoas, mas não se pode enganar milhares de professores que vivem dia a dia uma realidade que nenhuma retórica pode mistificar.

quinta-feira, março 06, 2008

 

Farei tudo para lá estar…

Outros já estiveram na rua, vieram depois os professores, logo a seguir trabalhadores da função pública e depois… outros sucederão.

Este Governo ficará para a história como o governo do desespero e desencanto. Gere os interesses da Nação aos ziguezagues, como um navegador que cata-ventos, sem saber o rumo do destino. Quis mostrar força e convicção sem perceber que em democracia a autoridade apoia-se no princípio do respeito pela dignidade das pessoas e, por isso, “o que se faz para as pessoas não pode ser feito sem as pessoas”. Comportou-se como um governo arrogante que fala de rigor onde coloca teimosia, de autoridade onde põe posporrência, de avaliação onde coloca arbitrariedade. Diz que só quer governar, mas só faz propaganda. E já arregimenta os seus apaniguados (como é o caso do professor de Amarante que fala na TV sobre a avaliação na sua escola) para a propaganda das suas medidas.

O autismo levou este Governo a acusar, primeiro, os comunistas de quererem bloquear a reforma; depois, os sindicatos e, agora, já desenterrou a máxima de que “a rua não dá razão”. Já só falta dizer que a democracia não serve.

Num país pobre, os pobres são cada vez mais pobres, a classe média já quase não existe e os ricos cada vez mais ricos e em menor número.

Este darwinismo social alimenta-se da governação de um partido dito socialista. Amanhã os nossos filhos e netos, quando ouvirem falar de socialismo já não têm como referência os que viveram e morreram a lutar por um mundo mais fraterno, mas os governos socialistas africanos e o de José Sócrates.

Não há alternativa, porque neste centrão que nos tem desgovernado são todos diferentes e todos iguais. Só fica a rua e é para a rua que no sábado vai transbordar o desespero dos professores, depois o dos funcionários públicos, a seguir, os dos trabalhadores do comércio e por aí adiante.

Este Governo fechou as portas ao diálogo. Só na rua, tal como nas ditaduras, é possível mostrar a indignação.

quarta-feira, março 05, 2008

 

Um texto oportuno

Uma reflexão brilhante sobre a questão actual dos professores que aconselharia não só a ler, mas também a imprimir para provocar um debate a partir do seu conteúdo.

Parabéns José Mendonça.

Ler aqui:
http://www.scribd.com/doc/2206372/Foram-atingidos-os-limites-do-cinismo

 

Verdade de la Palisse!

Numa entrevista ao JN, Menezes diz que o PSD ainda não merece estar à frente do PS nas sondagens.

Mas alguém duvidaria?!...

O vazio não se enche com outro vazio!...

terça-feira, março 04, 2008

 

De queda em queda…

Pelo terceiro mês consecutivo, segundo uma sondagem da Marktest, o PS volta a registar uma queda nas intenções de voto, as quais se situam agora nos 36,1%.

O mesmo acontece com o líder do partido e primeiro-ministro, José Sócrates.

Não se esperava outra coisa!

 

A “causa “ da CONFAP.

Percebe-se, agora, a produtividade da CONFAP. E também se entende que Valentim Loureiro, ao receber em Gondomar a Federação dos professores acompanhada da Ministra da Educação, tenha distinguido esta com uma caravela em prata, justificando essa lembrança com o facto de também os árbitros receberem recordações.

Sabe-se, agora, que ao mesmo tempo que o Ministério da Educação reduzia a participação dos professores nos seus órgãos de classe e diminuía o apoio financeiro às escolas, atribuía um chorudo subsídio de 150 mil euros à CONFAP. Com esta generosidade, quem poderia duvidar que os pais (generalização capciosa de um grupo minoritário) estavam com ela!?

O presidente, (ex-professor e, agora, empresário e militante do PS) da CONFAP chama à denúncia desta situação «tentativa de assassinato da CONFAP». Mas não vale a pena dramatizar tanto!... Em vez de dizer que só quer o bem dos alunos, continue a dizer, claramente, que só quer o bem da Ministra.

E pronto!

 

No melhor pano cai a nódoa

Ontem, não houve na RTP1 (canal televisivo do Estado e não do governo), “Prós e Contras”, mas “Prós e Fretes”.

É espantoso como a jornalista Fátima Campos Ferreira se prestou ao papel de recadeira do Ministério da Educação.

A Ministra chegou mesmo ao desplante de usar o programa para dar dois recados: anunciar que vai recorrer da sentença que determina o pagamento de horas extraordinárias pelas aulas de substituição leccionadas; e que um dos professores presentes no programa da passada segunda-feira terá «enviado à DREN uma carta» para retirar algumas das afirmações que fez no debate. (Coitado do jovem professor!!!!... As pressões que terá sentido…).

Mesmo com este frete à Ministra da Educação, o programa acabou por sublinhar o que toda a gente de bom senso diz: a prepotência não é uma via para as reformas.

É pena que se confunda um canal da televisão pública com o canal do Governo e que uma jornalista tão prestigiada tente “manipular” a opinião pública com um programa que foi nitidamente um frete à Ministra da Educação.

segunda-feira, março 03, 2008

 

Onde está o papel social da Escola nestes três anos de Governo?!...

A deriva à direita deste Ministério da Educação é quase delirante. Os documentos sobre a avaliação dos professores e de gestão da Escola têm um intuito claro: entregar a escola pública a uma nova classe de patrões que dá pelo nome de CONFAP (confederação das associações de pais).

É bom que se diga que esta organização não representa os muitos milhares de pais, mas apenas uma pequena minoria de encarregados de educação agrupados em associações que nem sempre podem servir de exemplo de respeito por regras e de espírito democrático. É um abuso a CONFAP falar em nome de “todos os pais” e de associar a esse discurso uma pretensa reivindicação da sociedade civil.

Quando contra o Estado democrático se invoca a sociedade civil, o efeito procurado é claro: em nome da sociedade civil (ou de todos os pais) ilude-se facilmente as relações de poder que existem na sociedade e só fica a usar essa retórica uma pequena minoria que tem força para se ouvir e quer poder para dominar os professores.

Por alguma razão, “sociedade civil” é, para todos os efeitos, o outro nome do mercado neo-liberal, onde os mais fortes são cada vez menos e mais poderosos e os mais frágeis cada vez mais frágeis e com menos capacidade de intervir.

Esta minoria (CONFAP) com força e poder não está interessada em discutir a função social da escola, mas o papel que querem que o professor exerça em relação aos seus filhos; ou seja, querem retirar os proveitos que resultam do exercício do seu poder nas escolas.

E esta Ministra, de um governo socialista, faz-lhes a vontade com os novos diplomas acerca da Gestão das Escolas e da Avaliação dos professores.

Por isso, lhe batem palmas e já dizem: os professores têm de acabar com a contestação à sua avaliação, porque os exames estão aí; isto é, os seus filhos precisam de boas notas para concorrerem ás universidades.

E se, hoje, já querem retirar aos professores o seu direito ao protesto, o que é que exigirão dos professores amanhã?!...

Batem palmas à Ministra como se a razão de ser da escola fossem os interesses duma minoria de pais e não o desenvolvimento do País, a necessidade de formar cidadãos responsáveis e profissionais competentes.

Precisamos de lutar por uma escola pública que dignifique o papel social dos professores, muitas vezes a única referência para muitos alunos de valores e de procedimentos justos. E isso não se consegue com professores injustiçados, amesquinhados, subordinados a pressões intimidatórias e sem autoridade.

É preciso denunciar os embustes que, em torno da escola pública, se andam a criar e levarão o PS a ficar na História pelas piores razões.

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