sábado, junho 30, 2007

 
Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruído
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que não podem sequer ser bem descritas.

Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, junho 29, 2007

 

“Felizmente hà luar!...”

A arrogância deste Governo, alimentada pelos indicadores favoráveis das sondagens, começa a diluir-se.

A pequena e a média burguesia, ou seja, a maioria dos eleitores, dá mostras de estar farta de sacrifícios sem ver uma luz no fundo do túnel para onde este Governo os levou.

Segundo a última sondagem da Marktest, o PS perde sete pontos na intenção de votos e o próprio Primeiro-ministro dá um tombo de 16 pontos.

E no executivo, a hecatombe continua: Maria de Lurdes Rodrigues acompanha o primeiro-ministro na descida em 16 pontos e o ministro da Saúde passa para 50 pontos negativos.

Em contrapartida, verifica-se uma subida em todos os restantes partidos: O PSD sobe dois pontos nas intenções de voto, a CDU atinge os 10%, seguida do BE com 9% e do CDS com 7%.

Adivinha-se, agora, um fervilhanço de contestações nos directórios político do PS: uns protestarão, porque vêem ameaçadas as prebendas que lhes traz o poder; outros, porque julgam que é a hora de as agarrar. Ninguém espere uma autocrítica da governação com vista a um melhor governo!

Não há solução para o País, sem uma profunda reforma dos partidos e esta está longe de acontecer. Um baronato medíocre e oportunista tomou conta dos destinos dos maiores partidos e não abre mão dos seus interesses.

 

L' État c’est moi!

O prof. Charrua foi processado por uma anedota que ridicularizava o diploma de engenheiro conseguido por Sócrates e não se compreende que exames por fax numa folha A4 que dão o título de engenheiro não devam ser ridicularizados. O prof. Caldeira do blog “portugalprofundo” é arguido por denunciar a forma como conseguiu Sócrates o seu diploma e não se percebe que não seja o dever de todo o cidadão denunciar eventuais falsos engenheiros.

Agora, a directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, foi demitida pelo ministro da Saúde, Correia de Campos, por causa de um cartaz, colocado por um seu colega, com declarações do ministro «em termos jocosos». Foi substituída por um vereador do PS, em nome duma segura lealdade.

A lealdade exigida por este Governo já não é à Constituição da República, muito menos ao seu programa socialista, mas às pessoas que governam.

Este Governo despediu o socialismo, acabou com a república e faz de Sócrates o Luís XIV.

Este Governo transmutou-se.

Viva a monarquia!


Obs: está a decorrer uma petição em:
http://www.petitiononline.com/tasfasta/petition.html

 

Um murro na liberdade de imprensa

Um grupo (cerca de duas centenas) de jornalistas, entre os quais Mário Bettencourt Resende, repudia o novo Estatuto do Jornalista, aprovado na semana passada no Parlamento.

Consideram que este documento promove uma «degradação grave das condições do exercício da liberdade de imprensa em Portugal» e «afecta a qualidade de vida da democracia portuguesa e não apenas os jornalistas». Preparam, por isso, um documento a entregar ao Presidente da República e a alertar a opinião pública dos riscos que comporta a aplicação do novo Estatuto do Jornalista para a liberdade de imprensa e dignidade da própria profissão.

Também o Sindicato de Jornalistas apresentou a sua indignação, tendo requerido uma audiência ao Presidente da República para lhe pedir que não promulgue o diploma.

Não se sabe com que mais nos surpreenderá este Governo, dito socialista!

quinta-feira, junho 28, 2007

 

Pensamento

“O Direito é cada vez mais assunto de advogados, transformada na ciência oculta de académicos esotéricos, de operadores, de procuradores e de trapaceiros jurídicos. As propostas de reforma, venham elas dos media, da burocracia, da ciência ou da política, têm escasso valor. De guia normativo, o Direito transformou-se em labirinto ou mesmo selva de simulações e pretensões contraditórias que encontram a sua expressão atrabiliária nas mais diversas leis e regulamentos. A anomia do Direito é simplesmente inevitável”.

FRANZ SCHANDL

quarta-feira, junho 27, 2007

 

O «Professor Titular» visto pel'A BOLA

"As nossas escolas lançam-se, definitivamente, na arrojada experiência do mundo da bola. Com uma Ministra apostada em ser um género de Scolari da educação, o Ministério investe na divisão sectarista entre (professores) titulares e suplentes.

Os titulares serão, então, convocados à luz de uma escolha surpreendente. Mais importante do que saber dar aulas e ter sucesso na relação educativa com os alunos, interessará saber como pisar a alcatifa dos gabinetes, ter prática de carreira burocrática fora da sala de aulas e, acima de tudo, não ter tido lesões que obriguem a paragens mais ou menos longas no Campeonato, mesmo que por culpa de qualquer sarrafada alheia .A táctica é, pois, não ter vida para além do dever.

O destino é entregar a titularidade professoral aos mais dignos ratos de sacristia. Por isso, não bastará saber marcar golos. E, tal como em alguns clubes de futebol manhosos, é preciso não esquecer de elogiar o presidente e ser de uma fidelidade canina ao treinador."

Do jornal A BOLA (pag.9 - Vítor Serpa, Director do jornal)

 

“Ou estás caladinho ou apanhas um chumbinho”!

Saldanha Sanches foi chumbado, hoje, nas provas de agregação à Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

A tese do Fiscalista recolheu seis opiniões negativas e apenas três favoráveis, num escrutínio feito por voto secreto.

Não é a primeira vez que um professor reconhecidamente competente é chumbado nas provas de agregação. Aqui, no Porto, aconteceu o mesmo com o prof. Luís de Araújo.

Dizem que esses chumbos são previsíveis, sempre que um professor associado ganha notoriedade.

É para que se saiba que isto de chegar a catedrático tem que se lhe diga: “ou se está caladinho ou apanha-se um chumbinho!...”

 

O Maior!..

O lançamento da OPA sobre o Benfica e a inauguração no CCB da Colecção Berardo, transformaram este endinheirado da Madeira no mais bem visto. Gerou 1.417 notícias em onze dias.

Neste “Torrão” plantado de pacóvios, Berardo sabe que quem é muitas vezes visto é o “mais-bem-visto”.


E isso abre muitas portas e dá muito lucro.

terça-feira, junho 26, 2007

 

Ouçam o silêncio da canção!

Há canções que nos marcaram e ouvi-las é sacudir a alma, estremecer de amargas memórias e sentir de olhos velados e tristes o embalar de sonhos que persistem, em silêncio, seguir sempre e sempre um solidário caminhar.

Ora ouçam:

http://marius708.com.sapo.pt/Cantores%20de%20Intervencao.html

 

Era previsível!...

Como era previsível, Joe Berardo já está a fazer estragos. Mega Ferreira, com a dignidade que lhe reconhecemos, não esperou que o Jogador na bolsa lhe dissesse que o estorvava na ânsia de ocupar o primeiro plano da ribalta.

Bateu com a porta em força e demitiu-se do cargo de presidente do Conselho de Fundadores da Fundação Colecção Berardo


Não se esperava outro comporamento de um Homem culto que não fosse o de mandar à fava o endinheirado Comendador. Que ao Sócrates lhe faça boa companhia!...

Dêem corda ao Berardo e vão ver que toma conta de Lisboa mais depressa que do Benfica!

Falta-nos um Eça que ponha a nu os novos condes de Abranhos.

 

Pobre Porto!

Ontem ouvi o “Prós & Contras”. Discutiu-se, sobretudo, a Região e à cerca do Porto só fiquei a saber que não há lideres, que o trabalho cultural se avalia por uma brochura com letra miudinha, que a cultura e a educação estão em grande desenvolvimento na Cidade, que a exclusão social está a desaparecer, que a reabilitação do “casco velho” está muito adiantada, que a “corrida de calhambeques” e de aviões entre as pontes são eventos que projectam o Porto no mundo e mais não soube porque desliguei: cansa-me a assertividade de um convencimento balofo.

Pobre Porto, onde cada vez há mais arrumadores e pedintes nas suas ruas e as casas vão caindo de podre!

segunda-feira, junho 25, 2007

 

“Formidável”!...

Muito, muito importante, mesmo formidável, para a felicidade de todos nós!!!

http://videos.sapo.pt/PzBwUaHegkuHZr219mAp

 

Para onde vamos?!...

1.- A comissão técnica de saúde encontrou uma fórmula expedita de tornar financeiramente sustentável o Serviço Nacional de Saúde: “quanto mais doente, mais paga”. Ou seja, quem mais utiliza os serviços públicos de saúde (os pobres doentes crónicos e os idosos) mais tem de pagar.

Chamam a este governo socialista, mas podiam-no designar por Gertrudes: ficava com o nome da primeira-dama de um velho tempo que parece regressar
.

2.- Há dias num canal de TV ouvi um jornalista fazer, mais ou menos nestes termos, a seguinte pergunta a José Sócrates: "O sr. Presidente da República elogiou o Governo (…), o que pensa sobre isso?!... "

Chama-se a isto, jornalismo da “deixa”.

Substitui o jornalismo de sarjeta para se harmonizar com as necessidades do trepanço num novo estatuto da carreira, promovido por um governo que não gosta de ser incomodado, é liberal na economia, autoritário na política e faz da sua acção um espectáculo de ilusões.

domingo, junho 24, 2007

 

Princípio da amizade

Não sei se a amizade é definível. Mas sei que a amizade é o princípio que governa a poesia e desenvolve o sentimento de confiança, lealdade e generosidade. Também corresponde a um instinto de sobrevivência.
Quando encontramos um amigo, há um espanto: “olha quem vem aí!...” E este espanto é acompanhado de felicidade: a partir do encontro com o amigo, sentimo-nos mais genuínos, podemos dizer o que pensamos, desabafar amarguras, partilhar esperanças e reconhecermo-nos como somos. É como um deslumbramento!

Não há entre amigos desencontros: é da natureza da amizade a convergência: aprendemos mais com os amigos, confiamos mais com os amigos, esperamos mais dos amigos, sabemos que podemos desabafar melhor com os amigos. Sem amigos não podemos viver. Ou melhor, vivemos sem dar sentido á vida.

Ontem, na noite de S. João, encontrei um velho amigo. E o jantar de sardinhas foi tão breve!... Encontramo-nos por volta das 20 horas e pouco antes da meia-noite apressamos o abraço de despedida.

Foi como se o dia de S. João se transformasse nas estrofes dum poema que ele um dia escreveu assim:

os dias têm o seu peso
e movimento espessura:
flúem. Por vezes
cantam por vezes queimam
de brancura hoje amanhã negro
por vezes os contemplo da margem como
a um rio: a simplicidade
da noite os sinais da madrugada respiro

(…)
Lopes Dias

Aparece com mais tempo, Lopes Dias!

sábado, junho 23, 2007

 

Novo estatuto dos jornalistas

Foi aprovado esta semana pelo Governo de Sócrates o novo estatuto dos jornalistas, com votos contra de toda a oposição.

O diploma vem limitar o sigilo profissional e, entre outras medidas, atribui poderes à Comissão da Carteira Profissional para aplicar sanções disciplinares que podem no limite, inibir os jornalistas de exercer a profissão durante um ano.


O Sindicato pediu uma audiência ao Presidente da República com o objectivo de o sensibilizar para os entraves que o diploma cria ao exercício livre da profissão de jornalista.

 

Dez Mandamentos do Estado para a Liberdade de Expressão em Portugal

1. Escrever nos blogues será proibido. Escrever nos blogues, como se pressente, é uma actividade perigosa para o poder e, como tal, não pode ser consentida.

2. Falar também será proibido, se a voz for desfavorável ao poder instituído. Falar em público contra o poder será objecto de pena de marginalização, ostracismo e desemprego imediatos e de pena de prisão e indemnização posteriores.

3. Criticar o Estado e os seus dirigentes é proibido. A crítica só pode ser permitida - até encorajada... - se for contra os anteriores responsáveis do Estado entretanto subsituídos pelo novo poder. Aliás, escrever e falar só serão permitidos se forem loas à actuação dos dirigentes do Estado.

4. Criticar a influência e controlo anti-democrático das sociedades secretas sobre o Estado é proibido.

5. A Internet será censurada por um comité nomeado pelo Estado. Se não puder ser controlada ex-ante , é controlada pedagogicamente ex-post através de processos selectivos contra vozes discordantes.

6. O newspeak é instituído em vez da riqueza perniciosa da língua da língua portuguesa. A linguagem pública (e, no futuro, a privada) terá de obedecer a normas restritas de decoro - sendo que a definição de decoro é, obviamente, estabelecida pelo Estado. São ainda eliminadas determinadas palavras e conceitos arcaicos como corrupção, pedofilia, falsificação de contas públicas, défice público, crise, desemprego, emigração e vergonha (esta última é consentida, e julgada não ofensiva, apenas quando empregue por dirigentes do poder relativamente aos seus adversários).

7. Os detentores e operadores de meios de informação, opinião e comunicação, privados (como os blogues) ou sociais como jornais, rádios e televisões, têm de apoiar o Governo e demais órgãos do Estado, sob pena de eliminação de subsídios, inspecções e processos, coimas e perseguição económica dos seus financiadores.

8. A imagem, personalidade e comportamento dos dirigentes do Estado, e, por analogia, do poder, são protegidos contra qualquer informação desfavorável, mesmo que se trate de crimes horrendos. A infracção desta norma sujeita os seus autores aos convenientes processos de difamação, até toda a crítica ser eliminada e a inocência poder ser propagandeada doravante pelos media de confiança.

9. Os membros da elite mediática consentida (vulgo jornalistas e opinadores de confiança) serão compensados pelo Estado com empregos, bons salários, avenças e contratos com entidades públicas ou controladas, e "main" benefits (fringe é marginal e estes comem do tacho...), tais como participação em viagens de Estado, pocket money, convites para refeições, festas e cocktails, etc.

10. Tudo será regulado e controlado pelo Estado. O desvio das normas instituídas pelo poder será punido pedagogicamente com processos judiciais, buscas de domicílios e instalações, julgamentos, prisão e indemnizações proibitivas. Os casos de alegado abuso de poder serão julgados pelo próprio poder que alegadamente os praticar.

Publicado por António Balbino Caldeira em
2/20/2007 12:23:00 AM

Obs: O governo está agradecido a Rui Rio pela sua visão estratégica, pois soube, na gestão da autarquia do Porto, antecipar-se na aplicação das medidas agora enunciadas, nomeadamente em relação ao Jornal de Notícias e muito particularmente a David Pontes, seu director-adjunto.

 

Viva o S. João!

Os festejos de S. João na cidade do Porto perdem-se no tempo, mas só no sec. XX, graças a um referendo promovido pelo Jornal de Notícias, o dia 24 de Junto se tornou num feriado da Invicta. E esta história é curiosa: revela, de forma clara, a importância da comunicação social na interpretação dos anseios das populações.

É pena que, hoje, em democracia, os responsáveis políticos da Cidade pensem que os media só servem para promover a sua imagem e vontade; e se incompatibilizem com um Jornal que sempre se identificou com as aspirações dos portuenses..

Hoje, o S.João do Porto perdeu muito das suas características tradicionais: as fogueiras, os alhos-porros, os bailaricos de rua e a tradição das cascatas de S. João já quase desapareceram.

“Ó meu S. João do Porto,
quando chegas está tudo morto pra nas fogueiras saltar!
Ai, meu S. João do Bolhão e Fontainhas,
das cascatas enfeitadinhas e dos balões pelo ar!...”

Restaram os bailaricos nos bairros, sociais, a sardinha assada nas Fontainhas e uma multidão de pessoas que, em magotes, passam a noite a bater com martelos de plástico uns nos outros.

E divirtam-se com martelos de plástico ou alhos-porros! Sobretudo com alhos-porros, antes que apareça por aqui um Berlusconi que considere o alho-porro um produto antidemocrático. E não se espantem, se isso acontecer!!!...

É que o S. João do Porto já se plastificou.

Tenham todos um bom S. João!

sexta-feira, junho 22, 2007

 

De Melgaço até à Lixa

Depois de um agradável convívio em Melgaço, no Restaurante Sossego, tomei o rumo da Lixa para levar um bom amigo à Casa de Cultura de Leonardo Coimbra, onde iria fazer a apresentação do IV volume das obras completas deste filósofo.

A obra deste pensador, que nasceu na Lixa em 1883, ocupa um lugar central na actualidade. E há razões para isso: vivemos, hoje, um tempo de incertezas, de desilusões e de esvaziamento de valores como aquele que foi vivido por Leonardo Coimbra. Só se pode sair desta crise reflectindo sobre a natureza do homem e esse é o papel do filósofo que quer rasgar ideias para o futuro. Aqueles que duvidam da importância da filosofia deveriam procurar conhecer a obra deste Filósofo, as ideias que orientaram a sua intervenção cívica e política.

Álvaro Ribeiro, um outro filósofo português, escreveu: «nunca ninguém, como Leonardo Coimbra, seguira tão perfeitamente o lema escatológico de Augusto Comte: “vivre pour autrui” – ou seja, viver para o outro». A sua reflexão é uma busca do papel da pessoa humana na construção de um Futuro. Há na sua obra um personalismo existencial que repudia uma espécie de fatalismo histórico, onde o homem surge como inutilidade descartável num mundo já feito.

Para Leonardo, o homem «é obreiro de um mundo a fazer-se (…) um Quixote do infinito». O homem, como diria Teilhard Chardin, é o alfa e o ómega, o princípio e o fim de todas as coisas. Não é «um cadáver adiado que procria», como pensou Fernando Pessoa, nem uma «paixão inútil, como afirmou Sartre e muito menos uma efémera «poeira das estrelas», como disse Sagan. É, como sublinhou Leonardo em “Deus e as Mónadas”, uma mónada livre e amorosa que procura o absoluto. E é neste conceito que se compreende a sua filosofia criacionista que pode ser sintetizada na seguinte frase de Teilhard de Chardin: «tudo o que sobe, converge». Isto é, se o ser humano é por natureza transcendente, procura “subir para além de si”, a sua vida em sociedade deve convergir no sentido duma elevação espiritual, aspirando ao absoluto.

Não se pense que Leonardo levitava metafisicamente. Acreditava na transformação da sociedade pelo pensamento e, por isso, harmonizou as suas ideias com a sua intervenção cívica e política: criou, como ministro da educação, a faculdade de letras do Porto, fundou universidades populares, lançou um programa de alfabetização através da Sociedade dos Amigos do ABC, esteve com Teixeira de Pascoais na criação de “A Águia”, promoveu com Jaime Cortesão e outros o movimento da “Renascença Portuguesa” e fundou a “Seara Nova”. Sentindo-se desiludido com o Partido Republicano, ingressou na Esquerda Democrática

Deixou-nos em 1936, mas a sua obra continua incontornável para quem quiser pensar os problemas do nosso tempo.

Um bem-haja à “Casa de Cultura” da Lixa pelo lançamento do IV volume das obras completas Leonardo Coimbra.

quinta-feira, junho 21, 2007

 
"É o silêncio que deves escutar
o silêncio por detrás das alusões, das elisões
o silêncio por detrás da retórica
o silêncio do que se chama a perfeição formal
Isto é a busca do não-sentido
até no próprio sentido
e reciprocamente
Ora tudo o que com arte escrevo
justamente é sem arte
e todo o cheio é vão
Tudo o que escrevi
está escrito entre as linhas"

Gunnar Ekelöf
Tradução de Vasco Graça Moura.
_______

Enviado por Amélia Pa

quarta-feira, junho 20, 2007

 

Estou com a maioria

Segundo um Eurobarómetro divulgado esta quarta-feira em Bruxelas, a maioria dos portugueses (88%) considera que a situação económica de Portugal é «má».Só 10% consideram que é «boa».

O grau de satisfação dos portugueses com a situação económica é muito abaixo da média europeia. E aumentou desde o Outono passado.


Satisfeitos estão os dinamarqueses, com um grau de 99 %, seguidos pelos holandeses, com 93 %.

Nós continuamos ao nível da Bulgária, garante o mesmo observatório
.

 

Um blog "inconveniente".

É noticiado que José Sócrates apresentou uma queixa-crime contra o blogue «http://doportugalprofundo.blogspot.com/» por o professor António Caldeira nele escrever textos sobre a licenciatura do Primeiro Ministro em Engenharia Civil na Universidade Independente (UnI).

Segundo a mesma notícia, o bloguista ter-se-á lamentado: «O sistema persegue politicamente os seus opositores por estes pretenderem exercer os seus direitos de cidadania. Mas só sobrevive com a complacência dos órgãos do Estado e a resignação popular».

Em vez da queixa-crime, não seria melhor José Sócrates repetir os referidos exames numa universidade pública?!...

É que, seguindo outro caminho, pode, de facto, colocar mal muita gente!...

terça-feira, junho 19, 2007

 

Rato de esgoto

No Marco de Canaveses levanta a cabeça, pela calada da noite, o rato de esgoto. Afunda a cabeça num chapéu preto e coloca debaixo das portas comunicados anónimos. O estilo repete-se. Que sanha o animará?!...O desespero ou sonho com velhos tempos?!...

Julga que não, mas a desinfestação não tarda!

 

DIANTE DA ALDEIA

Os rostos que emergem dos campos perguntam-me
pelo regresso.
O meu grito não perturba a andorinha
pousada no ramo partido. Sombria
é a minha alma, que o vento impele
para o mar, a fim de cheirar o sal da terra.
A minha lenda é mortal.
Debaixo da árvore, que é semelhante ao meu irmão,
conto as estrelas dos mareantes.

Thomas Bernhard

Tradução: José A. Palma Caetano
____________
Enviado por Amélia Pais

segunda-feira, junho 18, 2007

 

Uma luta que também é nossa.

Kate Mc Cann tem 38 anos e é médica. A sua filha, Maddie, desapareceu há quase dois meses. Compreende-se a dor desta mãe e a sua determinação em abandonar a medicina para se dedicar à luta contra a pedofilia e tráfico de crianças.

O rapto de uma criança é terrível para os seus pais. É natural o esforço incomensurável do casal Mac Cann para que o caso não seja esquecido. Na próxima sexta-feira, serão lançados 50 balões amarelos e verdes em 50 capitais para lembrar Maddie e, com ela, todas as crianças vítimas de rapto.

Quem é pai sente que também é sua a luta de todos os Mac Canns

 

“Ver os aviões a passar”

Na questão do novo aeroporto, o campo de Tiro de Alcochete foi o coelho tirado da cartola.

E o ilusionismo está em não se saber se o estudo que viabiliza essa hipótese saiu da cabeça de Sócrates ou da cabeça da CIP ou, ainda, como pretendia a CIP, saiu desta organização e mais duas cabeças: Associação Comercial do Porto e a Confederação do Turismo Português. Quanto a esta última hipótese, foi revelado que Sócrates quis que a CIP fosse a única promotora do referido estudo e esta organização obedeceu.

Uma conclusão pode ser tirada: o Primeiro-ministro empenhou-se neste estudo e a sua vontade prevaleceu sobre a intenção da Organização dos patrões da indústria.

Perguntar-se-á: porquê?!...

Naturalmente, responderão alguns mal intencionados: estão feitos uns com os outros. Em troca a CIP verá satisfeita algumas das suas reivindicações, entre as quais não é de pôr de parte a aprovação da lei da flexissegurança. Lei que já está a ser apoiada pelos cronistas do sistema, os que não se incluem no rol de trabalhadores culpados pela crise.


Depois, desviando as atenções para Alcochete, Sócrates esvazia um problema para a candidatura do PS a Lisboa. António Costa defendia a OTA e Lisboa via nesta hipótese um enorme prejuízo para a Cidade.

Entretanto, esperam que o pessoal vá vendo os aviões a passar
.

domingo, junho 17, 2007

 

Eleições em França

O partido do Presidente Sarkozy ganhou as eleições para o parlamento francês com maioria absoluta.

A UMP conseguiu entre 319 e 329, dos 577 mandatos, enquanto o Partido Socialista terá ficado entre 202 e 210 lugares.

A abstenção continua muito alta, próxima dos 40%, o que é significativo do desencanto que por lá também grassa.

Uma das conclusões que se pode tirar é a seguinte: quando a esquerda governa como a direita, os eleitores, que ainda votam, preferem o “original” à sua “cópia”.

 

Dia do combate á desertificação e à seca.

Hoje, em todo o mundo celebra-se o Dia Mundial da Desertificação e da Seca, com o lema «Desertificação e Alterações Climáticas: um desafio global».

Nos estudos realizadas pela Agência Espacial Europeia e pela Desert Watch, a desertificação em Portugal, Itália e Turquia é das mais elevadas da Europa.

A desertificação, como sabemos, é um processo de degradação da terra que põe em risco a saúde e o bem-estar dos cidadãos.

 

O “truque” é antigo!

O Presidente da República começou a demarcar-se do Governo, Mário Soares avisa que a arrogância e a ausência de diálogo não são formas de governar em democracia e Sócrates é vaiado no 10 de Junho e, agora, em Abrantes.

A economia não “aquece” (como agora se diz), o desemprego aumenta e os recentes casos que envolvem a Ministra da Educação e a DREN, como o afastamento da Associação dos Professores de Matemática, a declaração de inconstitucionalidade da repetição de exames do ensino secundário e o processo ao prof. Charrua por dizer umas privadas baboseiras acerca de Sócrates, configuram uma imagem do Primeiro-ministro que não se harmoniza com a tradição do PS, nem com o espírito da democracia e fazem recordar outros tempos.

Naturalmente, tudo isto começa a “entalar” Sócrates e percebe-se que lhe possa vir á memória um velho truque: depois de passar em Abrantes pela multidão que o vaiava, sai do carro e vai enfrentar com sorrisos e saudações as pessoas que gritam slogans (alguns do tipo charruano) hostis. Logo a seguir, declara aos jornalistas. «o Governo precisa de crítica e de a encarar com fair-play, porque tudo faz parte da festa da democracia.»

Mas, para que este gesto seja sincero, o Primeiro-ministro tem de ser consequente com o mesmo: de imediato terá de demitir quem no Governo já deu provas de não aceitar criticas e, consequentemente, não se harmonizar com a “festa da democracia”.

Se a Ministra da Educação, a Directora da DREN e outra gente, que no aparelho de Estado, já deu provas de intolerância para com as críticas, não for demitida, temos de concluir que a sua “tirada” em Abrantes não passa de um truque. Um truque parecido com aqueles que nos relatam os filmes italianos dos anos 70.

sábado, junho 16, 2007

 

Não há memória!...

Segundo o Público de hoje, o Tribunal Constitucional considerou «inconstitucionais» as normas que limitaram a repetição de exames de Física e Química do 12º ano apenas aos alunos que compareceram à primeira chamada. Todos nos lembramos que ficaram de fora os que fizeram a segunda chamada.
A esta situação se junta a degradação do ambiente nas escolas, precipitados concursos, incapacidade de diálogo, clima de frustração entre os docentes e a incompetência de muitas Direcções Regionais, onde, entre os professores que para aí foram deslocados, paira um autêntico pânico com o receio de serem obrigados a voltar para as escolas.
Até quando esta situação de que não há memória?!...

 

Receios justificáveis…

A organização internacional PETA (People for Ethical Treatment of Animals) considera uma crueldade aproveitar a pele de coelhos para produzir casacos.

E não esteve com meias medidas: as beldades que militam nessa organização despiram-se de preconceitos e prostraram-se nuas, apenas com um cartaz, em frente a uma sucursal da Burberry.

Chiça-penico!!!... Eu que tenho a mania da caça, imaginem que me aparece um protesto destes!...

Corria o risco de ficar mal na caça ás perdizes.

 

Não entendo!...

Constantemente surgem notícias, nomeadamente no CM, que insistem nos custos da investigação do desaparecimento da menina inglesa Madeleine.

Mas, será que se pode olhar a custos nestas situações?!...

O facto de não ter isso sido feito com outras crianças justifica que, agora, não o façamos?!..

Que imagem daria Portugal, se não fosse feito tudo para descobrir o paradeiro duma menina que desapareceu durante umas férias com os pais no nosso País?!... Que sinal seria dado aos criminosos que por aqui passam?!...

E esta investigação não estará a ajudar a uma luta mais global contra a pedofilia?!...

 

O Silêncio do "R"

O RIVOLI foi criado em 1913 por republicanos e foi designado Teatro Nacional. Não esquecer que, nessa altura, a fama de Guilhermina Suggia, nascida no Porto, orgulhava os portuenses e havia quem garantisse que a Philarmonia desta Cidade era a “moldura musical em que se enquadrava o génio das virtudes das artes do espectáculo em Portugal” e precisava de uma casa do espectáculo.

Dez anos depois, a burguesia liberal do Porto cotizou-se para modernizar essa casa e deu-lhe o nome “Teatro Rivoli”. Tornou-se, então, uma espécie de palco dos criadores do espectáculo, das escolas de dança, do teatro e da ópera do Porto. Por lá passaram nomes célebres de homens e mulheres portuenses do espectáculo.

Na década de 70, a Casa degradou-se e acabou por ser comprada pela Câmara Municipal do Porto. A autarquia pretendeu, com o dinheiro dos contribuintes, devolver essa estrutura à Cidade. Voltou, assim, a ser o palco público da Cidade aberto a debates, a pequenos concertos, a workshops, a oficinas de dança, de teatro, etc.

Naturalmente, muitos dos seus eventos não enchiam as suas salas. Mas a cultura que faz o futuro não germina entre as multidões de hoje. Lembro-me da primeira exposição de Amadeu de Sousa Cardoso: a maioria detestou e escarraram nos seus quadros. Hoje, ninguém se lembra dos que achavam que as suas pinturas ocupavam, inutilmente, os espaços duma sala de exposição. Assim acontece com as artes do espectáculo que não regalam os olhos das multidões.

La Féria diz ter encontrado no Porto dezenas de artistas de grande talento, todos muito novos, que fazem o elenco do seu espectáculo “Jesus Cristo Superstar” Mas foi necessário que um palco a montante os tivesse formado. Esse era o papel do Rivoli.

Há, hoje, a estudar teatro e cinema nos E.U. (alguns conheço-os bem) rapazes e raparigas que passaram pelos workshops, oficinas de teatro e cinema, nomeadamente “Fazer a Festa”, que tiveram lugar no Rivoli.

Que palco com dignidade a Cidade tem para oferecer, agora, a grupos de teatro como o Teatro de Marionetas do Porto, Teatro de Ferro, Assédio, Boas Raparigas, Ensemble, Teatro Bruto, Visões Úteis, Teatro Plástico, Panmixia, Art'Imagem, Teatro do Bolhão/ACE, Palmilha Dentada, etc?!...

E que acontecerá ás inúmeras escolas de teatro que existem no Porto?!... Será que desaparecerão para Lá Féria criar a sua escola, como prometeu paradoxalmente (já que não precisou dela para encontrar as tais dezenas de talentos)?!...

Não se pode ignorar que o Porto, até há bem pouco tempo, foi a Cidade com mais escolas de teatro.

Rio não consegue aprender com o que aconteceu a Amadeu de Sousa Cardoso e justificou a opção pela privatização da gestão do Rivoli com os elevados custos na sua manutenção. A cultura é o pão do espírito. Como diria Brecht, se a cultura (esta forma minoritária de produzir arte) dá despesa, invistam na ignorância. E, por iguais motivos, não recolham o lixo que dá despesa, não abram escolas que dão despesa, não ponham a funcionar hospitais, que dão despesas, etc., etc. acabem com o subsidio-dependente que põe a funcionar tudo o que dá despesa.

Regina Guimarães (e é bom ver o trabalho desta dramaturga no “google”) na sua luta contra a entrega do Rivoli à exploração privada, considerou «obscena, a política de desamparo e desapoio» do actual executivo camarário.

O centro do Porto está permanentemente esburacado, com obras que se fazem e desfazem para de novo volatarem a ser feitas, numa estranha forma de esbanjar dinheiro que prejudica o comércio tradicional e complica a vida de quem anda na Baixa. Os prédios degradam-se e muitos ameaçam ruir. O medo instala-se à noite, criando receios que esvaziam as ruas.

Entretanto, os espectáculos de Lá Féria vão regalar, por alguns momentos, os sentidos de quem está seguro no interior do Rivoli e tem ali, mesmo à porta, um parque subterrãneo para guardar o carro que o levará a casa.

Naturalmente, ninguém está contra os espectáculos de La Féria, mas o Teatro Rivoli era uma referência genuína e única para a alma do Porto. E esta alma que tornava o Porto na "mui invicta, nobre e leal Cidade" vai-se perdendo.

Por isso, anteontem tive pena de não estar com um "R ", em silêncio, do lado de fora do ex-Rivoli.

sexta-feira, junho 15, 2007

 
"É desta maneira que se pode envelhecer. Um dia talvez nos expliquem como o tempo se parece com o último dos ramos, aquele que se vê sempre imóvel, adormecido. Procuramos uma sombra caída no chão. Ela indica-nos o caminho que devemos seguir. Não há outro indício para que venha alguém reconhecê-lo. A noite é que trazia o que pode ser uma espécie de seiva. Sobe devagar e procura a sua fragilidade. Este será o lugar mais alto".

Fernando Guimarães

 

Berardo lança OPA sobre Benfica

O controverso milionário Joe Berardo lançou uma Oferta Pública de Aquisição sobre 9 milhões de acções da SAD benfiquista.

Oferece 3,5 euros por cada acção da SAD do clube da Luz. E não é pequena a oferta, se nos lembrarmos que representa um prémio de 30,11 por cento em relação à última cotação.


Nesta sociedade do virtual, a riqueza não se consegue com o trabalho, mas com arte. Este investimento dos milionários controversos nos grandes clubes traduz uma nova arte de gerir o capital.

O milionário russo Roman Abramovich fez isso com o Chelsea e Berardo copiou-o no Benfica.

E, olhando bem para Berardo e para Abramovich topamos traços comuns

quinta-feira, junho 14, 2007

 

"Pátria"

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.]

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas. Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

Guerra Junqueiro, in: "Pátria", 1896.

 

Contas à “moda de Lisboa”.

A gente lê e quase não acredita.

António Costa, candidato do PS à autarquia de Lisboa, “produziu” uma promessa eleitoral surpreendente: se for eleito, «pago, até final de Outubro, todas as pequenas dívidas (até 5 mil euros) do município a pequenos fornecedores».

E as outras?!!!...


Até Outubro não se fala nisso?!...

 
Entre o abrigo do anoitecer
cresce a madrugada
e a melhor canção
ouve-se num distante
e inesperado azul.

Um lúcido menino
anuncia nova infância.

O barco nostalgicamente encalhado
traz á memória o rio
e o resíduo duma viagem


jbm

quarta-feira, junho 13, 2007

 
Está a ser feita uma petição online para acabar com os sites de pornografia infantil.

A única coisa que nos pedem é para acender uma vela virtual. O objectivo de acender um milhão de velas em 4 meses foi cumprido em 60 dias. Quantas mais velas, melhor.

Clique no link que está mais em baixo e siga as instruções

EU JÁ ACENDI A MINHA. E TU? PORQUE ESPERAS? ...As crianças agradecem. E o resto do mundo também!

http://www.lightamillioncandles.com/

Ser pela promoção da Paz, passa por gestos solidários.
Este pode ser um deles.
O Clube Unesco apoia porque também existe para promover estas atitudes!

terça-feira, junho 12, 2007

 

Análise do sistema educativo

Problema 1.- Charrua diz só ter brincado com a licenciatura de Sócrates.

Problema 2.- A Directora da DREN diz nunca ter brincado com a licenciatura de Sócrates.

Problema 3.- O Autarca de Vieira do Minho diz que a Directora da DREN brincou com a sua condição de padre (numa reunião sobre as escolas no concelho)

Problema 4.- A Directora da DREN diz que nunca brincou com o Padre.

Problema 5.- A Ministra da Educação e Sócrates fazem de conta que não brincam.

 

Um problema para a ASAE.

A Associação de Professores de Matemática foi expulsa da Comissão de Acompanhamento do Plano de Matemática pelo Ministério da Educação por ter criticado publicamente a Ministra.

Um bom governo perguntaria: o que é possível fazer para governar melhor? E se assim fizesse, não temia as criticas nem as piadas. Tinha como preocupação central receber todos os contributos para avaliar as consequências dos seus actos e, dessa forma, evitar danos inesperados.


Mas este governo é um governo de contrafacção: quer virtudes públicas e vícios privados, copia o que os outros fazem sem produzir ideias próprias, diz-se socialista e serve o capitalismo, quer afirmar autoridade, mas só manifesta arrogância.

A autoridade serve uma sociedade aberta e o princípio da inteligência; a arrogância uma sociedade fechada e o princípio do medo.

Quem quer ter autoridade tem de aprender com os próprios erros e não pode ter medo das críticas.

Este Governo é um problema para a ASAE

segunda-feira, junho 11, 2007

 

Equivoco curioso...

Diz o Correio da Manhã: «O Primeiro-ministro José Sócrates foi vaiado, este domingo, à chegada a Setúbal, para as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. O alvo seria contudo o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, que comparou a Margem Sul a um deserto».

De acordo com o jornal «Correio da Manhã» (CM), a população vaiou a tribuna onde se encontrava o Primeiro-ministro, achando, por causa da falta de visibilidade, que Mário Lino também estaria presente.

Esta ilação “o alvo seria contudo o ministro das Obras Públicas, Mário Lino”, é curiosa!

O Ministro das Obras Públicas só chegou duas horas depois. O Jornalista do “Correio da Manhã” estará convencido de que ninguém repudiará as políticas da educação, do trabalho, da economia, etc do Primeiro Ministro?!...
É que foi este que subiu á tribuna!

 

Espelho da Nação.

1. Fernando Charrua, ex-deputado do PSD, professor destacado na DREN, é sujeito a um processo disciplinar acompanhado de uma sanção (regressar à escola de origem) por troçar do diploma de Sócrates. O facto sabe-se, porque um seu colega, dito muito seu amigo, foi “bufar” à Directora.

2. O delator, pela importância que foi dada à sua “bufaria” tornou-se, como já referimos noutro post, no paradigma da responsabilidade e da competência no sistema educativo.

3. A Directora da DREN foi reconduzida no seu cargo, depreendendo-se que isso se deve à competência, sentido de responsabilidade e dedicação com que tratou a “bufaria”.

4. Agora, Charrua traz à colação um “bufanço”: «a presidente do Conselho Executivo da Escola EB 2/3 do Cerco do Porto ouviu à Directora Margarida gracejos sobre a licenciatura do primeiro-ministro»

Como vemos, estabeleceu-se um padrão de novos “valores” no sistema de informação e avaliação dos professores: de “bufaria em bufaria até á vitória final.

Tudo vale!

quinta-feira, junho 07, 2007

 
A Corrupção de João Botelho e Leonor Pinhão

http://videos.sapo.pt/Jd6PTzJa7tDrHmLAIZof

 

Saúde para os ricos!

Segundo o J.D., a saúde em Portugal fica mais cara do que nos países mais ricos da Europa.

Os portugueses pagam 22, 5 por cento das despesas com a saúde. Isso é, mais do dobro dos franceses, holandeses e britânicos. Estes só pagam 10 % dos cuidados médicos e produtos farmacêuticos e, no entanto, têm um poder de compra duas ou três vezes superior ao nosso.

Na Espanha, Dinamarca e Itália, p. ex., não há taxas moderadoras.

Além disso, a demora para ter um exame num hospital chega a ser de anos. E há casos que seriam patéticos, se não fossem desumanamente cruéis. Uma professora da Escola Básica 2/3 de Cacia, em Aveiro ficou doente com uma leucemia e, consequentemente, pediu a reforma. Pois, a junta médica obrigou-a regressar ao trabalho, sob pena de perder o vencimento. O resultado foi óbvio: faleceu no passado sábado.

A resposta deste Governo é cansativamente recorrente: «estamos a recuperar!...»

Ninguém vê a luz ao fundo do túnel e a recuperação, para muitos, já não chega a tempo.

 

Sete de Junho

Há mais de sete séculos e meio, desde 1246, que se celebra, a 7 de Junho, o Dia do Corpo de Deus.

Um mês depois, 7 de Julho de 1923 (18501923) , faleceu Abílio Guerra Junqueiro, bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, deputado, jornalista, escritor e poeta. Foi o poeta panfletário da causa republicana. Pertenceu ao que ficou designado por “Escola Nova”.

Começa, hoje, a contagem decrescente para o Euro 2008 na Áustria e Suíça. Segundo consta, está prevista a instalação de relógios em locais emblemáticos das cidades que vão receber jogos do Europeu. Viena, Salzburgo, Innsbruck, Zurique, Basileia e Genebra.

 

Uma atitude de esquerda.

Transcrevo, com a devida vénia, o que escreveu Ana Gomes no blog:
http://www.causa-nossa.blogspot.com/

Drenagens urgentes...

A imprensa anuncia que a Directora da DREN foi reconduzida.Ele há limites para tudo. Por isso, opto por reproduzir aqui o seguinte:

"Pondero que este deplorável episódio, a não ser prontamente corrigido, afecta a sanidade funcional da administração pública e a imagem política do Governo e do PS, podendo ainda encorajar uma perigosa deriva autoritária e de anti-democrática delação".

Trata-se de extracto de uma carta que enviei a 23.5.2007 à Comissão Nacional do PS e ao Secretário-Geral do PS.Sobre o caso Charrua e a DREN.
[Publicado por AG] 7.6.07

Saúdo com admiração a posição de Ana Gomes. Penso que a sua atitude encoraja-nos a dizer que não se perdeu a tradição de uma esquerda que põe a liberdade de pensar acima do carreirismo, a defesa dos princípios acima dos jogos de poder.

Onde houver destas atitudes, ainda há esquerda.

quarta-feira, junho 06, 2007

 
Com vida ainda nos olhos
vigio os navios de luz [as estrelas?], distantes e amarrados,
no porto celeste.
Tal como na infância olho-os agora.
São eternos,
seus faróis tremem na escuridão. São o feliz engano
do mundo que não foi.
E ali, disseram-me e eu nunca acreditei,
habita Deus.

francisco brines.-a última costa
trad. josé bentoassírio & alvim, 1997.
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Enviado por Amélia Pais

terça-feira, junho 05, 2007

 

Hoje faria anos...


A aurora de Nova Iorque tem
Quatro colunas de lodo
E um furacão de pombas
Que explode as águas podres

A aurora de Nova Iorque geme
Nas vastas escadarias
A buscar entre as arestas
Angústias indefinidas.

A aurora chega e ninguém em sua boca a recebe
Porque ali a esperança nem a manhã são possíveis
E as moedas, como enxames,
Devoram recém-nascidos.

Os que primeiro se erguem, em seus ossos adivinham:
Não haverá paraísos nem amores desfolhados;
Só números, leis e lodo
De tanto esforço baldado.

A barulheira das ruas sepulta a luz na cidade
E as pessoas pelos bairros vão cambaleando insones
Como se houvessem saído
De um naufrágio de sangue.

Federico García Lorca

Trad. De Ferreira Gullar

Enviado por Amélia Pais

 

O ENCONTRO

Encontrei-o no caminho.
A água não turvou seu sonho,
nem se abriram mais as rosas.
Mas o assombro entrou-me na alma.
E uma pobre mulher tem
o rosto banhado em lágrimas.
Levava um canto ligeiro
sua boca descuidada;
ao olhar-me se tornou
profundo o canto que entoava.
Contemplei a senda, achei-a
estranha, transfigurada.
Tive na alba de diamante
o rosto banhado em lágrimas.
Continuou a andar cantando
e levou os meus olhares.
Então já não foram mais
azuis e esbeltas as salvas.
Que importa! Ficou nos ares
estremecida minha alma.
Ninguém me feriu mas tenho
o rosto banhado em lágrimas.
Essa noite não velou
assim como eu junto à lâmpada;
Longe seu peito de nardo
minha aflição não atinge.
Porém talvez por seu sonho
passe um perfume de acácia,
que uma pobre mulher tem
o rosto banhado em lágrimas.
Ia só e não temia.
Tinha sede e não chorava
Mas desde que o vi passar,
Deus revestiu-me de chagas.
Minha mãe reza por mim
a sua oração confiada.
Mas eu terei para sempre
o rosto banhado em lágrimas.

Gabriela Mistral
- Prémio Nobel da Literatura em 1945

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Enviado por Amélia Pais

segunda-feira, junho 04, 2007

 

Segundo irrepetível

«Aos 3 minutos e 4 segundos, depois das 2 horas da manhã do dia 5 de Junho, deste ano,
a hora e a data serão: 02:03:04 05/06/07


Esta sequência nunca mais se repetirá.

Esperamos que aproveitem bem um momento assim...»

lembrou Isabel Magalhães, por e-mail

 

Contra o esquecimento e para que os direitos humanos não sejam apenas o guardanapo encharcado de sangue que se atira à cara dos países pobres.

«Há 16 anos, Praça de Tien An Men enchia-se com dez mil estudantes que, desde 15 de Abril de 1989, construíam a 'Primavera de Pequim', depressa destruída,como a 'Primavera de Praga', em 1968.

Chegariam os carros de combate e a repressão, em 4 de Junho.

Continuamos sem saber o número de mortos nesse dia. E lembramos os muitos condenados à "bala na nuca", como apregoa a 'economia' chinesa. E o massacre.

Às vezes, esquecemos depressa os cantos das libertações adiadas.E valorizamos a economia, esquecendo a escravatura de milhões: as 11 horas diárias de trabalho, um só dia de descanso por mês, os dezoito milhões de presos trabalhando gratuitamente, a ditadura de um partido, a pena de morte,o tráfico de órgãos, a ocupação do Tibete...

Nesta manhã de sol, uma rosa para os mártires da LIBERDADE, na Praça de Tien An Men. E para todos os que sonham com ELA.»

in:http://sopadenabos.blogspot.com/2005_05_01_archive.html
Enviado por Amélia Pais.

 

Duas ideias simples e eficazes

Este governo poderia regulamentar duas ideias que já procedem da sua experiência:

1ª Todo o governante terá de ter experiência de uma candidatura a uma autarquia. Vê-se, com a candidatura de António Costa que só, agora, este ex-ministro deu conta de que não devem existir portagens á entrada de Lisboa, encontrou soluções para a segurança das cidades, descobriu propostas para levar o governo a resolver o problema de endividamento de Autarquia e como tornar uma cidade com mais qualidade de vida.

2ª A condição para ser governante é não passar por uma universidade. Veja-se o mal-estar que Vara e Sócrates criaram à Universidade Independente, Marques Mendes à Universidade Atlântida, etc.

E há, ainda, uma razão profiláctica na urgência dessa regulamentação: hoje, um periódico noticia que estudos recentes demonstram que 60% dos portugueses sofrem do foro psiquiátrico. Naturalmente, depois dos escândalos de falsos currículos (que, segundo a nossa lei justificam despedimento!) e das políticas que penalizam o interior, os reformados e os trabalhadores em geral, continuar a manifestar uma maioria de intenções de voto neste governo, terá de ser sintoma de doença colectiva (e grave!) do foro psíquico.

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